Mostrando postagens com marcador LUPUS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LUPUS. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

LEPUS, LUPUS





LEPUS, A Lebre, é o nome de um conjunto de estrelas de baixa magnitude, mal percebido, que foi interpretado de diversos modos, nele sendo vistas formas muito diferentes, conforme as denominações recebidas. Na Itália, na chamada Magna Grécia, Sicília inclusive, em tempos muito remotos, devido a uma verdadeira praga de pequenos animais do gênero lepus, que lá proliferaram descontroladamente, produzindo grande devastação nas plantações, deu-se o nome de Leporis a esse conjunto de estrelas situado perto das constelações de Orion e do Cão Maior. Dizia-se mais que os coelhos tinham ido para os céus para ficar perto de Orion, grande caçador. Levipes, Velox, Auritus eram, dentre outros, adjetivos que os latinos daqueles tempos usaram para designar tal constelação.

Os árabes viram nesta constelação, principalmente devido a quatro de suas estrelas mais próximas da Via Láctea, camelos sedentos. Deram-lhe, por isso, o nome de Al Nihal, que pode ser traduzido, mais ou menos, como Os ondulantes e sedentos camelos. Para os
SANTO   AGOSTINHO
( PHILLIPE  DE  CHAMPAGNE )
árabes, o camelo é símbolo da sobriedade, da moderação, da paciência, da rapidez e da adaptação, por isso a sua adoção, principalmente, pelos beduínos. É por estas e outras razões, por exemplo, que o norte-africano Santo Agostinho usou o animal para simbolizar a humildade do cristão que suportava as adversidades da vida sem se queixar. Todavia, devido à sua atitude altaneira, tornou-se também o camelo em algumas tradições carólicas símbolo da pretensão, da arrogância e do orgulho.

GRAVURA  DE  PHILLIP  GALL
Muito usado pelos árabes, o camelo, seja o dromedário (uma corcova) ou o bactriano (duas corcovas), era considerado, entre os judeus, como está no Levítico, um animal impuro. Sua carne e seu leite não são kosher. Muito usado pelos árabes, Maomé o admitiu em seu paraíso. Em muitas regiões do mundo árabe, diz-se que, antes dos homens, o camelo é capaz de perceber o aparecimento das Plêiades nos céus, estirando-se na direção delas, voltando-se para esse asterismo que indica sempre um caminho livre de perigos. A Idade Média cristã fará do animal um símbolo do discernimento (discretio), por recusar o transporte de cargas que sabe não poder suportar. Por sua facilidade em se ajoelhar, o camelo será ainda considerado um símbolo da obediência.   


DROMEDÁRIOS
Qualquer que seja a sua valorização simbólica, o camelo é, antes de tudo, um animal que ajuda na travessia dos desertos; graças a ele é possível chegar a um centro, a um oásis, a um paraíso. Sem ele, impossível Neste sentido, ele é o companheiro fiel do homem na sua caminhada, capaz de levá-lo sempre a lugares seguros. As ressonâncias astrológicas ficam aqui evidentes se atentarmos para o fato de a constelação Al Nihal sensibilizar uma região celeste zodiacal entre Gêmeos e Câncer, fazendo, portanto, a ligação entre a terceira e a quarta casas astrológicas.

A mesma ideia de travessia está presente na leitura que os egípcios fizeram de Lepus, vendo-a como um barco. Eles valorizam este agrupamento de estrelas como o barco de Osíris, divindade
BARCO   DE   OSIRIS
sempre associado à constelação de Orion. No Egito, como sabemos, as divindades tinham embarcações através das quais se deslocavam de uma cidade para outra, ao longo do rio Nilo, como deuses-visitantes, em concorridas procissões. Osíris foi inicialmente uma divindade da vegetação, ou melhor, do poder da sua imperecível energia. Depois, passou a ser identificado como o Sol no seu duplo aspecto, diurno e noturno, representando a continuidade dos nascimentos e dos renascimentos. Neste papel, se confunde Osíris com a atividade vital universal, terrestre ou celeste. A barca de Osíris era a barca que o Sol tomava para fazer a sua viagem noturna, quando ao findar o dia mergulhava no oceano. 

Entre os hindus, desde os tempos védicos, esta constelação sempre teve relação com a Lua, chamada de Sasi ou Sasin, quando cheia, e nela aparecem  manchas com a forma de uma lebre. No Budismo, segundo uma lenda, a lebre é um símbolo da compaixão. Consta que uma lebre, ao presenciar as mortificações a que se submetia Sidarta Gautama para obter a iluminação, atirou-se, cheia de compaixão, ao fogo, para alimentá-lo com a sua carne. Esta versão está também descrita no mundo védico, na história do coelho da compaixão que não tendo outro alimento para dar a um mendigo, na realidade o deus Indra, atirou-se ao fogo para que ele se alimentasse da sua carne. 

Entre os antigos chineses e astecas, a mesma leitura, ligando a lebre e a Lua. A lebre é um animal lunar porque dorme durante o dia e perambula à noite; porque sabe aparecer e desaparecer
LAPIN   LUNAIRE
silenciosamente; porque é tão prolífico que passou a simbolizar a fertilidade; e porque é extremamente rápido ao se deslocar, como a Lua, que percorre as doze constelações do zodíaco em menos de um mês. Na Idade Média, segundo as lendas populares e o folclore, afirmava-se que a lebre se mantinha alerta o tempo todo, jamais fechando os olhos, sendo por isso considerada como causadora de insônia. 

Na Mitologia grega, a lebre era um dos animais preferidos de

Afrodite enquanto símbolo da fertilidade. Segundo Plínio, o grande naturalista romano, séc. I dC, a carne de lebre tornava fecundas as mulheres estéreis e os testículos dos machos, consumidos, favoreciam a concepção. O mago Apolônio de Tiana (séc. I dC) recomendava que para facilitar os partos alguém da família levasse uma lebre ao colo e com ela desse três voltas em torno do leito da parturiente. 

Uma das versões gregas sobre a origem de Lepus prende-se a uma história que se contava na ilha de Leros, uma das Sporades (As Dispersas), arquipélago  do mar Egeu. Diz a lenda que um jovem habitante da ilha sempre desejara ter uma criação desses pequenos animais, inexistentes nas ilhas. Um dia, indo ao continente, conseguiu um casal e o trouxe para a sua ilha. Com o tempo, os coelhos proliferaram de tal maneira que acabaram devorando as colheitas. Os habitantes da ilha, em decisão unânime, resolveram dar fim aos animais, livrando a ilha dessa verdadeira praga. Para que a história se perpetuasse exemplarmente na memórias de todos, os habitantes da ilha deram o nome de Lagos (lebre) ao conjunto de estrelas que ficava perto de Orion e do Cão Maior.

Tudo que lembra exuberância, multiplicidade, desperdício, desmedida, luxúria, desvio da normalidade. incontinência tem relação com a lebre enquanto ela toma, como símbolo, a via da esquerda. É a partir deste enfoque que pode ser estabelecida, para fins mito-astrológicos, uma relação entre a lebre e o complexo
MERCÚRIO
( G.B.TIEPOLO , 1696 - 1770 ) 
Hermes-Mercúrio. Em muitas tradições, tanto europeias como nas de muitas tribos indígenas do norte das Américas, a lebre representa alguns de seus heróis culturais. A explicação para este fato está na grande capacidade que ela demonstra para escapar de situações perigosas e de animais bem maiores que a atacam. Extremamente hábil, veloz e inteligente, a lebre encarna nessas tradições aquilo que os ingleses chamam de trickster, tricheur, em francês, isto é, aquele que por meio de vários artifícios,
JUNG
fraudulentos ou não, por esperteza, por estratagemas, por subterfúgios, criando ilusões, apresentando o falso como o verdadeiro, consegue não só levar vantagens como se safar sempre. Jung nos diz que o trickster é um personagem no qual os apetites físicos dominam sua conduta, sendo ele no geral, cínico, cruel e insensível.

Por ser um símbolo da fertilidade, a lebre sempre foi muito relacionada com a mulher. Na antiga China e em outras tradições encontramos antigas crenças sobre fendas lábio-palatinas: se uma mulher grávida recebesse diretamente sobre o seu ventre raios lunares seu filho nasceria com o “lábio de lebre”, leporino. As forças da abundância e da multiplicidade que a lebre representava nas antigas culturas eram, de um modo geral, sempre perigosas na medida em que iam no sentido contrário da união e da organização.
LEVÍTICO
Estas forças foram aos poucos sendo controladas e contidas na história dos povos. É por esta razão que os judeus (Levítico e Deuteronômio), quando se constituíram como nação, proibiram o consumo da carne da lebre, um animal impuro para eles. Este mesmo raciocínio pode ser trazido para a vida do ser humano. Se na infância (vida animista) as forças lunares (a lebre) são úteis, protetoras, a partir da puberdade tais forças devem ser contidas e canalizadas adequadamente, pois do contrário jamais será atingida a “idade da razão” (5ª casa), a criação de um ego autônomo. 

No mundo cristão, a lebre, por apresentar uma grande disposição para o acasalamento, tornou-se um símbolo da luxúria. Foi por esta razão que em muitas imagens medievais encontramos a lebre deitada sob os pés da Virgem Maria para se sinalizar o controle da "tentação da carne". Esta associação da lebre não só com  a luxúria, mas também com relação à fertilidade das mulheres, e, por extensão, aos ciclos menstruais, pode ser encontrada em tradições
FERTILIDADE
como a africana, a  ameríndia, a celta, a teutônica, a escandinava e muitas outras. Antigas associações da lebre com a fertilidade e a regeneração subjazem, por exemplo, no simbolismo do coelho da Páscoa. Devido à sua prolífica procriação, os coelhos e lebres eram usados na magia simpática, como vimos, nos partos e para cura de esterilidade. Uma pata da ágil lebre, nessa magia, também é sempre boa para gota ou reumatismo. 

Os povos anglo-saxões e do centro da Europa associavam os
EOSTRE   
conceitos de fertilidade e de regeneração à deusa Eostre ou Ostara, celebrando-se seu culto na primavera, dele fazendo parte simbolicamente coelhos e ovos coloridos. É desse culto que provém a palavra inglesa easter para dar nome ao ovo de Páscoa, easter egg. Estas celebrações, como se sabe, foram absorvidas pela tradição católica, que delas afastou a tutela de Eostre, palavra que lembra Sol nascente. Mantemos, hoje, nas nossas festas de Páscoa, totalmente comercializadas,
OVOS   DE   PÁSCOA   RUSSOS
ignorando o que coelhos e os ovos significavam naquele desaparecido mundo. Certamente, quem perdeu com essa absorção fomos nós. A bela Eostre era a deusa do equinócio da primavera e, como tal, da fertilidade. da luz, da juventude e dos cíclicos da natureza que sempre se renovavam. 

   
Positivamente, a lebre deve iluminar a “gente da Lua” na Terra,  os cancerianos pelo Sol ou pelo ascendente e os que têm a Lua em posição de destaque nos seus mapas astrais. Ao lado do carneiro (signo de Áries), essencialmente propícia, a lebre preside também o despertar da natureza, razão pela qual na Páscoa ela trazia o ovo da primavera que, ao despontar, prometia o alimento novo depois das agruras hibernais terem exigido  do homem a busca do seu sustento numa terra ingrata. 



A constelação de Lepus estende-se de 4º de Gêmeos a 3º de Câncer. Segundo Ptolomeu, sua influência é de natureza saturnina e mercuriana, proporcionando presença de espírito, timidez, rebeldia e fecundidade. A tradição astrológica não dá importâncias às estrelas de Lepus. Duas delas têm apenas registro: Arneb e Nihal. 

O que se pode constatar, contudo, para fins astrológicos, é que Lepus cobre praticamente todo o signo de Gêmeos, um signo
ILUMINURA   MEDIEVAL
tradicionalmente ligado à multiplicidade, à dispersão, à inconstância, à curiosidade, à ambivalência, à vigilância (para os egípcios, as lebres  dormiam de olhos abertos), características muito ligadas ao animal como símbolo. Em muitas histórias, por essa razão, como se expôs, ela aparece como sinônimo da esperteza, da trapaça, da finta (ação que visa enganar ou ludibriar) e também, às vezes, da timidez e da covardia. Lembremos que em muitas tradições, a covardia estava ligada a um exagerado consumo da carne do animal.

DAME  À  LA  LICORNE
( TAPEÇARIA  MEDIEVAL )
Além do mais, a lebre sempre apareceu, principalmente entre os romanos, associada à lascívia e à  imoralidade, pois ela mantém relações sexuais abertamente, escandalosamente. Neste sentido é que já na antiga Grécia a lebre era um animal sagrado associados a divindades que lembram fertilidade, como, além de Afrodite, Hécate, e, sobretudo,o deus Eros, o Cupido dos romanos.

Em latim, coelho é cuniculus, palavra que significa também cavidade profunda, canal, mina (órgão sexual feminino). Esta palavra tem dentro dela cunnus, vulva, partes pudendas da mulher, cona, em português. É neste contexto que entra o deus Eros, cunhando-se a palavra cunilíngua, o ato de buscar ou dar prazer sexual com a boca e a língua na vulva da mulher. Lembremos que a língua, além de sugerir eloquência e persuasão, associa-se ao elemento fogo (chama, flama) pela sua forma e mobilidade, lembrando a atividade fálica, além de sugerir também, como elemento imprescindível para a articulação de sons, que pode se tornar uma arma poderosa, destruidora (língua viperina).


JOIA   COM   LEBRE    E   LUA  
Ao cobrir a constelação da Lebre praticamente todo o signo de Gêmeos, como se viu, serão trazidas para a área (casa ou casas) do tema astrológico que se considerar, muito mais do que saturninas e mercurianas, me parece, influências de natureza mercurianas e lunares. Não nos esqueçamos que a lebre e a Lua se identificam em muitas culturas, sendo mesmo o animal considerado uma cratofania lunar. Desde a noite dos tempos, a imaginação humana povoa a Lua. Vi na Lua três coelhinhos... é uma canção infantil cantada na França. Há uma série de lendas em todos os países que mostram a Lua habitada por coelhos ou lebres. 

Uma dessas lendas nos conta que a Lua encarregou um piolho de anunciar aos homens que eles teriam um destino semelhante ao seu e que morreriam para reviver. Pelo caminho, o piolho encontrou uma lebre que declarou ser mais veloz e que levaria mais depressa a mensagem aos homens. Mas, segundo a lenda, as lebres perdem a memória quando correm e ela então se enganou: disse então aos homens, simplesmente, que, como a Lua, eles minguariam e morreriam. A Lua ficou muito contrariada com a deturpação de sua mensagem. Brandiu um pedaço de pau e atingiu a lebre no lábio. Desde então, o lábio da lebre é fendido.


Qualquer que seja a tradição e o enfoque, o que fica é que todas as tradições, sem exceção, sempre reconheceram a lebre nas manchas da Lua. Ela age nela como força prolífica. Por isso, a lebre figura como antepassado original de muitas dinastias asiáticas. Aparece como a intermediária entre a progenitura humana e a sequência posterior. Simbolicamente, ela assinala a eficácia da herança na educação e no ensinamento iniciático. Daí, a grande importância do encadeamento que a lebre representa em processos iniciáticos no oriente, na medida em que lembra, pelo seu movimento, uma incessante continuidade, sempre necessária a uma transmissão ininterrupta dos conhecimentos passados.  





LUPUS – Esta constelação forma, como se viu, com Ara e Centaurus um conjunto, que, dessa forma, deve ser considerado. É o Centauro que leva o Lobo ao Altar para o sacrifício. Os antigos (Aratus) chamavam esta constelação de A Besta ou, simplesmente, O Animal Selvagem. 


O   CHAPEUZINHO   VERMELHO
( GUSTAVE   DORÉ )
O simbolismo do lobo, como ocorre normalmente com muitos símbolos, é ambíguo, inconsistente, mutável. Por vezes, o animal aparece associado à crueldade, à astúcia, à ganância; noutras ocasiões representa a divindade, a coragem, o zelo alimentador. Nas sociedades pastorícias do Médio Oriente, bem como nas regiões densamente arborizadas e povoadas da Europa, o lobo é uma criatura predadora célebre. Em várias tradições folclóricas, o lobo mau é um símbolo voraz e sexualmente ativo. As histórias de bruxas que se transformam em lobas e de homens em lobisomens nos falam do medo da possessão demoníaca, da violência masculina e do sadismo. 

Perigoso para os humanos e para os animais, de impossível domesticação, ele é considerado um dos grandes “inimigos” do homem, na medida em que passou a simbolizar as forças da vida instintiva que se apõem à vida racional. Como já vimos, o lobo faz parte de uma galeria de animais que se caracteriza pela sua voracidade, neles se destacando, pela desproporção com relação ao corpo, a sua bocarra e a sua goela. 

ROMULUS   E   REMUS  ( PETER  PAUL  RUBENS , 1615 )

Antes de inspirar o terror e de se tornar demoníaco na Idade Média, o lobo, temido por sua selvageria, mas admirado por sua força e por sua astúcia, desempenhou um papel importante em muitas passagens mitológicas. Os antigos romanos o consagraram ao deus Marte, deus da guerra, tornando-o um dos emblemas de suas legiões. Foi uma loba que alimentou os gêmeos Rômulo e Remo, fundadores míticos da cidade eterna. 


VISTA  GERAL  DE  WALHALLA
( E.E. MORRIS , 1889 )
Na antiga Germania, onde os guerreiros se alimentavam de carne de lobo para adquirir as suas qualidades (força, rapidez, obstinação), o animal foi igualmente um atributo de deuses guerreiros, de Odin especialmente. Um dos frontões do Walhalla, o palácio dos deuses, lugar de retiro dos guerreiros mortos depois das batalhas, tinha a guarnecê-lo uma enorme cabeça de lobo. Segundo a mitologia escandinava, ao final dos tempos será travada uma grande batalha entre os deuses e os monstros demoníacos, dentre os quais vários
FENRIR   APUNHALADO
( COLLINGWOOD, 1908 )
lobos, que se lançarão contra o Sol e a Lua para devorá-los. Esses lobos nasceram da união de uma feiticeira com grande lobo Fenrir. Este último, aprisionado pelos deuses, que lhe atravessarão a garganta com uma espada, conseguirá no final dos tempos se libertar, para dar início à batalha que provocará a destruição final do universo (Ragnarok). A libertação de Fenrir será anunciada por tremores de terra; da sua bocarra sairão enormes labaredas. Ele engolirá então o deus Odin e o seu cavalo maravilhoso, Sleipnir, mas será morto pelo deus Vidar, o Silencioso, que esmagará as suas mandíbulas. Ao final, deuses e monstros, todos perecerão numa catástrofe total para que para que o universo se renove. 

UPUAUT
Pelo fato de ter um olhar que atravessa as trevas e porque se põe a caçar antes do Sol nascer, o lobo foi levado pelos egípcios para os seus cultos solares com o nome de Upuaut, divinizado. Os gregos o ligaram a Apolo, deus solar, chamando o deus de Licógenes (nascido da loba), porque sua mãe, Leto, se transformou em loba para fugir do furor erótico de Zeus.  


GRAVURA  SÉC. XVIII
Na Idade Média, no ocidente cristão, o lobo, feroz, indomável, carnívoro, propagador da raiva, e que redobrava a sua atividade quando das pestes que dizimavam as comunidades ou quando de invernos muito rigorosos e de guerras, transformava-se num dos piores inimigos do homem e dos outros animais, especialmente do cordeiro, símbolo de Cristo. Era o animal mais temido, fato que levou os demonólogos a considerá-lo como sinônimo de selvageria e de crueldade. 

A loba, desde Roma, passou a representar a depravação, a impudicícia e também a fecundidade promíscua. Daí, por exemplo, o nome de lupanar dado a prostíbulos, desde a antiguidade. Este aspecto toma uma feição infernal, diabólica, razão pela qual o Diabo, dentre as formas animais que toma para participar do Sabat, prefere a do lobo para presidir a cerimônia. As encruzilhadas são os lugares particularmente preferidos para o Diabo aparecer na sua forma lupina. Famosa na França por isso a encruzilhada que tem o nome de Marlou (Marelou, Mauvaise Loup). 


Mesmo que não seja o próprio Diabo, o lobo de qualquer modo sempre foi considerado como um dos grandes representantes do Mal. Um famoso texto medieval, Roman de Renart (sécs. XI e XIII), traduzindo um entendimento cristão muito arraigado de ódio à mulher, a quem se atribui a expulsão do Paraíso, fará do animal uma criatura de  Eva, enquanto os animais úteis e pacíficos serão tidos como criaturas de Adão.

LOBO   DEVORADOR
( MICHEL  MAIER , 1618 )
O simbolismo do lobo aparece desde à pré-história ligado a um aspecto devorador, que se explica pelas suas desproporcionais bocarra e goela com relação ao corpo. Por isso, o animal, como outros que têm as mesmas características, como já salientamos (crocodilo, baleia, hipopótamo, jaguar etc.), constituem  uma analogia viva ao lembrar o fenômeno da alternância dos dias e das noites, da vida e da morte (o Sol sempre devorado pela noite e o seu reaparecimento matinal). Por essa mesma razão, ritos iniciáticos usam a imagem do animal para representar processos de renascimento. Entrar no ventre dessas criaturas é morrer, sair dele é renascer.

PARACELSO ,  OPERA   OMNIA
Na Alquimia, lembremos, o lobo é o antimônio, chamado de lupus metallorum, que devora o ouro para depois “resgatá-lo”, isto é, para purificá-lo. O antimônio, conhecido também pelo nome de “lobo cinzento”, era na Grande Obra considerado um metal-solar, pois “limpava a alma da escuridão horrível e acendia uma luz para a verdadeira compreensão”. Desde Paracelso, sabe-se que o espírito opera muito bem alinhado nas pessoas-antimônio, sendo o metal usado para exemplificar a máxima mens sana in corpore sano. O alquimista Fulcanelli o chamava de o “metal dos sábios”.


CAMINHO  TRIUNFAL  DO  ANTIMÔNIO
( BASÍLIO  VALENTIM  ,  1642 )
Na arte alquímica de laboratório, ele representava a última etapa da transformação do chumbo em ouro, isto é, a passagem do inferior ao superior. Na medicina, na dose certa, pode trazer o impulso necessário para a conquista do eu superior; na dose errada, fracasso irremediável, total. Já na antiguidade, o antimônio era usado para o restabelecimento da cooperação entre o corpo e a mente. A palavra antimônio vem do grego, anti, contra, e monos, só, único. Lembremos que monge vem também de monos, monakhos solitário, isolado, único. 

O antimônio atrai harmoniosamente todas as energias cósmicas e as une de modo a fazer com que as pessoas que recebem o metal nas
ANTIMÔNIO ( SÉC. XVII )
doses adequadas saibam dar e receber de modo equilibrado. Os antigos egípcios, sumérios e gregos usavam o antimônio para fazer taças para beber e para preparar cosméticos para os olhos. Como remédio era ainda usado para os males da garganta, dos órgãos genitais e dos olhos em geral (três áreas em que Vênus, astrologicamente, tem grande influência), assim como para a melancolia. Por sua ação anti-saturnina, era especialmente indicado para as pessoas que têm dificuldades com relacionamentos (tristes, taciturnos, macambúzios, solitários, esquizofrênicos). 

Os árabes chamavam Lupus de Al Fahd (Animal), que tanto podia significar leopardo ou pantera. Já os gregos o designavam genericamente pelo nome de Therion (Animal), sem precisar seu tipo, enquanto os latinos o faziam pelos nomes de Bestia Centauri
ZEUS  TRANSFORMA  LICAON    EM  LOBO
( HENDRICK   GOLTIZIUS )
ou Victima Centauri. Uma versão grega, por outro lado, nos diz que Lupus tem relação com o mito de Licaon. Este personagem era filho de Pelasgo, um dos primeiros habitantes e rei da Arcádia, e de uma oceânida. Tanto o pai como o filho, segundo a história, eram ímpios consumados. Diz-se que o próprio Zeus, certa vez, resolveu tirar a limpo essa questão. Disfarçou-se de camponês e se apresentou no palácio de Pelasgo e de seus filhos pedindo hospitalidade. Pelasgo o acolheu, mas desejando se certificar da identidade do peregrino, ofereceu-lhe um banquete, nele servindo como iguaria as carnes de um de seus filhos (Nictimo), que matara. Enraivecido, Zeus derrubou a mesa, as iguarias e fulminou o rei. Nictimo foi salvo pela intervenção da Mãe Geia e Licaon foi transformado em lobo. Esta história serve de fundamento para um costume dos povos da Arcádia, o de se sacrificar vítimas humanas a Zeus Lício (Lobo), sendo delas retiradas as entranhas que eram consumidas pelos sacrificantes. O caso de Licaon teria sido, assim, levado para os céus para dar nome ao conjunto de estrelas que fica ao sul de Escorpião e ao fim da Hydra.

SIGISMUNDO (PISANELLO)
Objeto do folclore e modernamente do cinema fantástico, o tema da licantropia, transformação do ser humano em lobo (lobisomem) se propagou. Em todas as tradições esse tema é encontrado. Durante a Idade Média, a existência do lobisomem era indiscutível. O imperador germânico Sigismundo, no século XV, reuniu autoridades sobre a matéria para discutir a licantropia; a conclusão dos debates foi a de que ela deveria ser admitida. A transformação do homem em lobo poderia ser obtida por feiticeiros através do Diabo ou por eles mesmos, graças a um unguento mágico que passavam sobre o corpo. Outros homens se transformavam em lobo devido a um castigo divino. A transformação, qualquer que fosse a sua origem, acontecia sempre nas noites de Lua cheia. Os lobisomens erravam pelos campos e vilas, iam a cemitérios, uivavam. Pela madrugada, antes do Sol nascer, retomavam a forma humana. 


LICANTROPIA   NA  LITERATURA  INFANTIL
A licantropia está atestada desde a pré-história. Na antiguidade greco-latina, vemos o tema aparecer, por exemplo, na história de Mormólice (mormo, murmurar, sussurrar, e lyke, uma espécie de demônio feminino na forma de loba), um gênio infernal que assustava as crianças em histórias infantis. No mito grego, era a ama do rio infernal Aqueronte. Entre os etruscos, as divindades da morte tinham orelhas de lobo. Lembremos que entre os egípcios Osíris, ao ressuscitar, veio sob a forma de um lobo, para ajudar sua irmã e mulher Ísis vencer o demônio Seth, também seu irmão. Entre os gregos, como está acima, o tema da licantropia tem relação com a história de Licaon. Uma das formas adotadas por Zeus era a lupina (Zeus Lykaios), a ele se imolando, em sacrifício, seres humanos, nos tempos em que reinava a magia agrícola, com a finalidade de se pôr fim às secas e a outros fenômenos naturais que assolavam os campos. 

NICOLAS   MALEBRANCHE
Foi no século XVII, sob o reinado de Luis XIV, que a licantropia começou a ser questionada. Malebranche escreveu em 1.674: O mais estranho efeito da imaginação é a descontrolada crença  na aparição de espíritos, de sortilégios, de lobisomens e tudo o mais que se acredite depender de um poder demoníaco. (Do texto Em Busca da Verdade). No século XIX, os médicos consideravam a licantropia como uma doença mental. Admitia-se e se admite até hoje que o lobisomem  era um doente, um criminoso sádico, de classe social inferior, que muitas vezes matava para alimentar a si mesmo e à sua família. Há uma doença mental que tem em língua francesa o nome de lypomanie que leva os que a têm a se sentirem como lobos ou cães (cynanthropie): os que se acreditam transformados em bois são vítimas da bousanthropie. Os produtos (unguentos) que certas criaturas usavam para se transformar em lobos, descobriu-se mais tarde, eram poderosos alucinógenos que as induziam às visões de todas as suas aventuras noturnas.

Por analogia etimológica, a palavra lobo (lykos) identifica-se com a luz da alvorada (lyke), entre os gregos, a claridade que precede a iluminação.  Daí a tradição segundo a qual Apolo regressava a cada ano do seu retiro hiperbóreo, lugar da eterna primavera, situado para além da geada, portador da luz regeneradora. A área em redor do templo ateniense de Apolo chamava-se lykaion (pele de lobo). O
APOLO
Apolo gaulês chamava-se Belen, de bleiz (lobo) e de loqui (palavra latina “falar”, enquanto  dom da eloquência emana de Apolo). A palavra ciciar (bleser) assinala o jogo cambiante entre a claridade e a obscuridade da elocução. Por isso, o deus Apolo era chamado de “oblíquo”, devido à ambiguidade dos seus oráculos. O sentido trágico da luz, a aptidão para romper as trevas, é o dom da perspicácia atribuído ao lobo.

LUPUS
Lupus estende-se de 15ª de Escorpião a 7º de Sagitário. Ptolomeu viu influências saturninas e marcianas (estas parcialmente) em Lupus: comportamento agressivo, traiçoeiro, prudente, desejo de conhecimentos, atitudes apaixonadas. Não há estudos sobre as estrelas desta constelação. Os únicos registros que temos sobre elas nos vêm da China. A mais importante chama-se Yang Mun (Men, no ocidente); a segunda em importância é Ke Kwan.


CHAPEUZINHO  VERMELHO
( PAUL  MENERHEIM )
Temas folclóricos como o do Chapeuzinho Vermelho e do lobisomem como temos estes últimos em Portugal e no Brasil poderão ser estudados para nos ajudar a ampliar a abordagem astrológica. Um dos aspectos mais perigosos posto em evidências por lendas e contos é o do sedutor masculino, o tentador hipócrita, inescrupuloso. Neste aspecto, ele é uma imagem da libido descontrolada, da qual faz parte a avidez oral. Como a serpente e o urso, o lobo simboliza a sombra, o inconsciente da personalidade do homem, do qual podem emergir perigosas energias.

Dentre mapas úteis para o estudo de Lupus, sugerimos o de

J.B. AURIVILLY 
Friedrich Nietzsche, lembrando que o filósofo alemão é um dos grandes estudiosos da besta que há no ser humano (O homem é uma ponte entre a besta e o super-homem). Na literatura, por exemplo, outro tema muito significativo é o do escritor francês Jules Barbey d´Aurevilly, editado no Brasil (As Diabólicas). Quanto a filmes,  se formos ao tema da licantropia, encontramos bom material nos mapas dos atores que neles atuaram.

















quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

CENTAURUS, CETUS, CORONA AUSTRALIS





CENTAURUS forma com Lupus e Ara, o Altar, um conjunto que deve ser apreciado de modo interdependente, pois nos contam histórias que falam de adoração e de devoção. Esta constelação foi
KIRON
vista pelos gregos inicialmente tanto como o centauro Kiron como o centauro Folo, ambos ligados ao ciclo dos doze trabalhos de Hércules. A grande constelação do Centauro ocupa uma área cuja declinação sul varia entre 30º e 60º. A imagem que temos dela é a de um centauro que segura um lobo com uma de suas mãos estendida. Gregos e árabes viram-na como se caminhasse na direção da constelação do Altar para sacrificar o animal. 

ERATÓSTENES
Considerando porém que os mesmos gregos já haviam ligado, com muito maior pertinência, a figura de Kiron à constelação zodiacal de Sagitário, não vejo razão associá-lo a esta constelação. Quem fez esta confusão foi Eratóstenes de Cirene, astrônomo, matemático, geógrafo e diretor da Biblioteca de Alexandria (séc III aC), deixando de lado a tradição que já havia fixado Kiron no Zodíaco e colocado Folo como o Centauro do Sul.


FAMÍLIA   DE   CENTAURUS  ( SEBASTIANO  RICCI , 1659 - 1734 )

Na mitologia grega, os centauros são seres híbridos, compostos por um corpo de cavalo e um busto humano. Desde a antiguidade, seu valor simbólico é ambíguo. Na cultura grega, sua origem estava ligada historicamente às primeiras invasões de cavaleiros vindos da Ásia Menor, que aterrorizavam as populações dos países mediterrâneos. Os povos da América central, aliás, consideraram os invasores espanhóis do mesmo modo, quando irrompiam nas aldeias montados em cavalos. Viam-nos, ao mesmo tempo, como humanos e animais.





BATALHA  ENTRE  CENTAUROS  E  LÁPITAS
( KAREL  DUJARDIN , 1667)
Famosa na mitologia grega é a batalha entre os Lápitas, povo das montanhas da Tessália, e os Centauros, filhos de Ixion e de Nephele, o primeiro filho de Ares, deus da guerra. Rei dos lápitas, Ixion cometeu vários e gravíssimos crimes, dentre eles o de perjúrio e o traiçoeiro assassinato de seu sogro, jogando-o num buraco cheio de carvões em brasa. Destronado e expulso da cidade, passou a perambular pelos caminhos, ninguém lhe dando acolhida. Zeus, magnânimo, que do alto tudo via, resolveu ajudar seu neto. Purificou-o, trazendo-o para viver no Olimpo. 


IXION   E   NEPHELE  ( P.P. RUBENS , 1615 )


IXION   NO   TÁRTARO
( BERNARD  PICARD , 1731 )
Mal chegado à mansão divina, Ixion tentou atacar sexualmente Hera, a esposa de Zeus. Repelindo-o, indignada, ela relatou o ocorrido ao marido. Zeus, então, mandou confeccionar com nuvens um simulacro de Hera, que Ixion, de nada sabedor, e acreditando tratar-se da divina deusa, que agora acedia ao seu desejo, envolveu-se com ela sexualmente. Dessa união, nasceram os centauros, filhos, portanto, de Ixion e de Nephele, a Nuvem. O castigo do ingrato Ixion veio em seguida: Zeus obrigou-o a ingerir ambrósia, tornando-o assim imortal, e mandou amarrá-lo no Tártaro, com serpentes, a uma roda incandescente, a girar eternamente. Fixado nesse suplício, Ixion grita sem cessar: Honrai vosso benfeitor pelo doce tributo da gratidão.

Os centauros são considerados símbolos da força bruta e das
CENTAURO
pulsões instintivas que se apoderam do homem, anulando o lado humano de sua personalidade, que não consegue dominar este lado animal. Concupiscentes, lúbricos, bestiais, comedores de carne crua, vivendo em bandos, sempre fazendo algazarras, bastando um copo de vinho para embriagá-los, são a imagem da irracionalidade do ser humano. 


Ao mito de Ixion não podemos deixar de acrescentar a história de seu filho Piritoo, um ser também vitimado pelas paixões como o pai, cujas aventuras fazem parte da crônica do grande herói Teseu. Impressionado pelo filho de Egeu e por suas façanhas, Piritoo passou a acompanhá-lo como uma espécie de escravo. Uma das maiores aventuras desta dupla foi a tentativa (fracassada) de rapto de Perséfone, a rainha do Inferno. Nas obras de arte simbolizam os centauros a concupiscência carnal, que torna o homem muito semelhante às bestas, sempre ausentes quaisquer  traços da vida racional e espiritual, abolida qualquer luta interior no que diz respeito ao controle dos instintos. 


SILENO
Diferente destes tipos que acabei de descrever é o centauro Folo, filho de Sileno e de uma ninfa da raça das melíades, ninfas dos freixos (melia, freixo, em grego), nascidas do sangue derramado de Urano quando da sua castração. Dotados de grande saber, os Silenos eram sátiros envelhecidos, filhos do deus Pan. Foram considerados por todas as tradições como preceptores de Dioniso quando jovem. 


SILENO   ÉBRIO  ( JOSÉ  DE  RIBEIRA , 1626 )

Folo era um centauro extremamente pacífico e cordato, muito diferente dos filhos de Ixion. Quando da realização do seu sétimo trabalho, o da captura do javali de Erimanto, Hércules, ao passar por Fóloe, foi recebido com muita hospitalidade por Folo. Há muito que Folo aguardava a visita do nosso herói, pois Dioniso lhe dera uma jarra de vinho, hermeticamente fechada, recomendando-lhe que só a abrisse quando o filho de Alcmena viesse à sua gruta. Preparada lauta refeição, servido o vinho, os outros centauros que viviam na região, sentido o perfume da divina bebida, invadiram a gruta, atacando Folo e seu hóspede. Hércules matou muitos
FOLO   
centauros, outros fugiram, sendo perseguidos tenazmente por nosso herói que, ao voltar, encontrou Folo muito triste, a dar diligentemente sepultura aos seus infelizes “irmãos” mortos. Para matar os centauros, Hércules usara flechas envenenadas. Ao retirá-las do corpo dos centauros para melhor inumá-los, Folo feriu-se acidentalmente na coxa, morrendo logo em seguida. Coube ao nosso herói, depois de lhe prestar as devidas honras fúnebres, enterrá-lo em magnífica sepultura que construiu para esse fim. 



GAIUS   JULIUS   HYGINUS 
Algumas das estrelas da constelação do Centauro do Sul, como é chamada também, com algumas de Lupus, eram conhecidas entre os árabes pelo nome de Al Kadb al Karm, O Ramo da Videira. Ptolomeu descreveu a constelação vendo numa das mãos do Centauro um lobo e na outra um tirso, que é, como sabemos, um dos emblemas do deus Dioniso. Todas as representações posteriores desta constelação sempre a associaram às constelações do Altar e do Lobo, como podemos constatar em Hyginus e, muito mais tarde, nas Tábuas Afonsinas. Em Roma, a constelação do Centauro era às vezes denominada pelos nomes de Semi Vir ou Semi Fer, isto é, Meio Homem ou Meia Besta, respectivamente.

Na astronomia medieval cristã, esta constelação foi visualizada de outro modo. Uns a chamaram de Noah (Noé), personagem bíblico que sobreviveu juntamente com a sua família ao dilúvio. A figura de Noé aparece na tradição medieval obviamente ligada ao tema do vinho. Ele foi, biblicamente, o primeiro personagem a descobrir os efeitos da bebida alcoólica que, uma vez ingerida descontroladamente, ao invés de levar ao céu, leva ao inferno, por libertar a besta (o centauro) que há em todo ser humano. Há na Bíblia algumas advertências contra o álcool apesar da declaração de que ele alegra o coração do homem, conforme está em Salomão. 

EMBRIAGUEZ   DE   NOÉ  ( GIOVANNI  BELLINI )

Outras versões do medievalismo cristão sobre esta constelação, menos difundidas, mas muito importantes para a compreensão do seu campo semântico, a ligam, uma, ao tema de Abraão e Isaac no que diz respeito ao tema do sacrifício (akedá)  e, outra, à figura de Nabucodonosor, rei da Babilônia, na medida em que este personagem aparece associado à rainha de Sabá e a Salomão, a primeira identificada por alguns como Lilith. Ainda com relação à

constelação do Centauro, seria interessante não esquecer, como a Astrologia o fez até agora, a descoberta, por  John Herschel, de uma das mais notáveis nebulosas do céu, nela presente. Filho do descobridor de Urano chamou esta nebulosa de Blue Planetary, cujas dimensões oscilam entre a metade e a totalidade do primeiro planeta transaturnino.



PTOLOMEU
A constelação do Centauro estende-se de 2º de Libra a 28º de Escorpião, ficando claro pelos seus limites as conotações decorrentes dos temas da hospitalidade (Libra) e do vinho (Escorpião). Ptolomeu viu nas estrelas desta constelação situadas na parte humana da figura influências venusianas e mercurianas. Às estrelas mais brilhantes, na região das patas do Centauro, ele atribuiu influências venusianas e jupiterianas. A estrela alfa, de 1ª magnitude, é Bungula, também conhecida pelo nome de Toliman, hoje a 28º51´ de Escorpião; a seguir, temos Agena, beta, também de 1ª magnitude, a 23º06´ de Escorpião. Há uma terceira estrela, Chort, inexpressiva astrologicamente.

No antigo Egito, Bungula, ligava-se ao equinócio de outono, e serviu de orientação para a construção de templos no norte e no sul do país entre os anos de 4.000 e 2.000 aC. Recebeu, entre os egípcios, o nome de Serkt. Para Ptolomeu, Bungula favorece as
MAO TSE-TUNG
amizades, dá refinamento e pode levar a posições honrosas. Há, por outras tradições, indicações de que Bungula pode influenciar no 
sentido de ligar quem a tem com algum destaque a causas, projetos, mas que sempre exigirão correções e revisões no futuro. Agena, para Ptolomeu, também proporciona influências semelhantes e dando também posições elevadas, honras, projeção. O mapa de Mao Tse-Tung poderá servir para o estudo das influências destas duas estrelas.





CETUS, a Baleia, é o monstro que aparece na história de Andrômeda, enviado por Poseidon para devorá-la, conforme já visto quando esta constelação foi estudada. Foram os gregos que fixaram para a Astrologia a constelação da Baleia, dando-lhe uma origem mítica. Cetus é um monstro marinho, uma figura híbrida, constituída por traços de baleia, de crocodilo e de hipopótamo. É
AS   GREIAS  ( H. FUSELI )
uma figura feminina, filha de Pontos e de sua mãe Geia. O primeiro, cujo pai é o Éter, como sabemos, é a primeira personificação masculina do mar, representado pela onda, pelo movimento marinho. Nereu, Taumas, Fórcis e Euríbia são irmãos de Cetus, todos entidades marinhas monstruosas, ligadas às forças primordiais, fazendo parte das primeiras elaborações cosmogônicas e genealogias teogônicas. Cetus, ligada a Fórcis, gerou as Greias (As Velhas), também chamadas Fórcidas, que aparecem no mito de Perseu.



JONAS
A Baleia é um cetáceo (Ketos, para os gregos) que, como vimos, foi morto por Teseu, que o petrificou com a cabeça da Medusa, para libertar a princesa Andrômeda, filha de Cepheus e de Cassiopeia. A baleia faz parte de um grupo de animais que aparecem na mitologia, na religião e no folclore de vários povos como devoradores. Caracterizam-se por bocarras ou por goelas enormes, muitas vezes desproporcionais ao corpo, que tudo devoram e engolem. Da galeria fazem parte, como é o caso, além da baleia, o crocodilo, o hipopótamo, o lobo, a hiena, as grandes serpentes e outros. 



Não foi por acaso, aliás,  que monstros como Cetus foram parar na filosofia. O filósofo inglês Thomas Hobbes publicou em 1.651 um livro, Leviathan, para defender a tese de que seria necessário que os homens estabelecessem um contrato social a fim de que a paz fosse garantida. Os homens, afirma ele, são egoístas por natureza. A lei que prevalece nas relações entre eles é a da guerra entre todos (bellum omnia omnes). Esta afirmação se baseava numa máxima de Plauto: homo homini lupus (o homem é o lobo do homem). Assim, para que não se exterminassem uns aos outros, era necessário, através de um contrato social, que se garantisse a paz. A proposta de Hobbes, para que isto se concretizasse, era a do estabelecimento de um governo totalitário, de tipo monárquico, que "engolisse" tudo (inclusive as liberdades individuais), evidentemente sem a presença de outros poderes como parlamentos, congressos, câmaras etc. que só servem para enfraquecer o Leviathan e gerar o caos. 


JONAS  E  A  BALEIA
Entre os judeus, temos, a história de Jonas, que foi devorado pela baleia. Profeta bíblico, Jonas fugiu do chamamento de Deus e recusou-se a pregar o arrependimento (teshuvá). Durante a sua fuga, foi atirado ao mar e engolido por um grande peixe que, segundo o texto bíblico, tinha olhos do tamanho de janelas e cujo estômago era iluminado por uma pedra preciosa. Esse peixe, tido pela tradição por uma baleia, corria o risco de ser engolido pelo maior dos monstros marinhos, o Leviathan (símbolo de Samael, o príncipe do mal entre os judeus). 


BEEMOT  E  O  LEVIATÃ
Leviathan tem dimensões enormes, sendo a maior das criaturas do mar. Diz a Bíblia que Deus matou a sua fêmea para impedir que, procriando, a criação fosse destruída. Da pele da fêmea é que foram feitas as roupas que cobriram as vergonhas de Adão e de Eva. No fim dos tempos, na idade do Messias, Deus fará o arcanjo Gabriel matar o macho. Noutra versão, será Beemot, o maior dos monstros terrestres, que enfrentará o Leviathan, morrendo ambos numa luta final. 

O que a história de Jonas simboliza é a morte iniciática. Entrar no ventre do monstro é morrer, dele sair é renascer. O monstro, a baleia, neste caso, aparece, pela sua forma ovoide, com um encontro de opostos, que podem representar o nascimento ou a ressurreição. Os dois arcos da figura ovoide significam aqui a conjunção do mundo inferior com o mundo superior, ou do céu com a terra, a totalidade. 

Jonas passou no ventre da baleia três dias e três noites. Atendidas as suas preces, Deus fez com que o monstro o vomitasse, voltando ele à vida de uma outra maneira, um novo ser. Esta mesma imagem, aliás, será repetida no Novo Testamento, em Mateus, quando ele registra a previsão de Cristo: Pois assim como Jonas passou no ventre do
TIAMAT
monstro três e três noites, assim o Filho do homem também o passará. As tradições mesopotâmicas aproximaram esta constelação do monstro Tiamat, que nos seus mitos cosmogônicos representava a água salgada, a personificação do  mar como elemento feminino que dava origem à própria vida. Tiamat simbolizava também as forças cegas do caos primordial, contra o qual tiveram que lutar os deuses inteligentes e organizadores. 



PAUSÂNIAS
Referências à história do monstro vencido por Perseu são encontradas em Plínio, o grande naturalista romano, em São Jerônimo, o grande latinista do Cristianismo, e em Pausânias, viajante e geógrafo do II séc. DC Os romanos designarão Cetus pelo nome de Pristis (grande cetáceo, em latim), a ele juntando adjetivos como nereia e auster.  Os árabes conheceram a constelação através dos gregos e lhe deram o nome de Al Ketus.

CETUS
A constelação da Baleia, embora não muito investigada astrologicamente, apresenta certas peculiaridades. Uma é a sua relação com o sul da Via Láctea, como que querendo devorá-lo; a outra é porque possui estrela Mira, a chamada “Estrela Maravilha”, a primeira estrela que mudava de magnitude, estudada por astrônomos. Cetus se estende de 17º de Peixes a 13º de Touro. Para Ptolomeu as suas influências são semelhantes às de Saturno, podendo causar ociosidade, preguiça. As estrelas de Cetus, pela ordem de importância, são: Menkar, alfa, a 13º37´Touro, entre a 2ª e a 3ª magnitudes; esta estrela está situada entre os olhos e a boca de Cetus, numa região chamada de O Nariz, Al Minhar, em árabe; tem também, segundo a tradição, natureza saturnina, atraindo desgraças e infortúnios. A seguir, temos Deneb Kaitos, Baten Kaitos, Deneb Schemali e Mira. 

No meu entender, parece ter ficado de fora, quanto a Cetus e Menkar, o mais importante quanto às suas possibilidades significativas. Em muitas tradições, a passagem pelo ventre de monstros, os marinhos de modo especial, é expressamente considerada como uma descida ao mundo infernal, ao mundo subconsciente. Equivale a entrar na noite, símbolo das gestações, das germinações que vão se revelar à luz do dia. A noite é rica de todas as virtualidades. Entrar no ventre da baleia é entrar na noite, é voltar à indeterminação. É nas trevas do ventre da noite como no da baleia que se fermenta o futuro, a preparação do dia, a volta à vida. 


Entrar no ventre da baleia sempre significou uma volta a um estado pré-formal, embrionário, equivalendo o monstro à noite cósmica, ao caos antes da criação. A passagem pelo ventre da baleia era simbolicamente o caminho de todo processo iniciático. Uma imagem desta luta está, por exemplo, no romance de Herman Melville, escritor americano do século XIX, Moby Dick ou a Baleia Branca, um avatar do Leviathan judaico.

Se considerarmos o inconsciente do ser humano, pessoal ou coletivo, como um imenso oceano, monstros como Cetus podem emergir subitamente, adquirindo um caráter destrutivo. Cetus aponta, nos temas astrológicos, para uma área de águas profundas, muito abaixo da superfície, onde monstros podem se esconder. Ao subir à superfície, podem trazer muito perigo, destruição, inclusive coletivamente. Menkar, no grau em que estiver, pode ser um ponto onde temos possibilidades de contacto com o inconsciente coletivo,
NAPOLEÃO
não esquecidas evidentemente as informações que possam ser obtidas por quadrante, signo, casa e aspectos. No meu entender, tanto a Cetus como a Menkar podemos atribuir influências plutonianas, lembrando que Plutão se exalta em Áries e se exila em Touro. Mapas para estudo os de Freud e de Napoleão. No primeiro, influências positivas de Cetus-Menkar; no segundo, negativas. 






CORONA AUSTRALIS, a Coroa do Sul, embora muito modesta, foi reconhecida por Ptolomeu.  Os latinos a chamavam de Corona Sine Honore. A tradição astronômica, incorporada por muitos astrólogos, chamou esta constelação de A Coroa do Centauro. Isto se deve ao fato de que em muitas representações os artistas punham uma coroa na cabeça dos centauros. Esta ideia tem provavelmente origem na figura dos Gandharvas, que, na Índia, são representados com um torso humano e um corpo ora de cavalo, ora de pássaro, coroados. 


GANDHARVA   VOADOR
Atribui-se aos Gandharvas na mitologia hindu grande potência sexual. Envolvidos sempre com mulheres, são músicos, usam o vinho, conhecem ervas afrodisíacas. Segundo alguns textos, representam a força primordial e a energia universal, incorporando o Eros grego muito de seus traços. Participando da energia solar, são representados frequentemente com uma coroa de raios sobre a cabeça, decorrendo dessas características, talvez, a ligação que os gregos fizeram entre a coroa e o centauro. Outra tradição grega não vê uma coroa, mas, sim, um punhado de flechas na mão do centauro, que irradiam luz como os raios do Sol.  

Ainda dentro do campo das possibilidades significativas da figura do centauro, outra tradição deu a esta constelação o nome de A Roda de Ixion (Rota Ixionis), uma alusão ao desditoso pai dos centauros, conforme relatado no texto sobre a constelação do Centauro, acima. 


CENTAURO
Da união de Ixion com Nephele, como narramos, nasceram os Centauros, os nubigenae,  os filhos da nuvem. A palavra centauro parece admitir uma etimologia que tem origem no verbo kentein, ferir, picar, mais a palavra aura, ar. Ou seja, aqueles que são apenas feridos, picados pelo elemento ar, que não tem nenhum lampejo racional, somente pura vida instintiva. O elemento ar não participa da vida do centauro, ou só o faz muito precariamente. Por isso, passaram os filhos de Ixion a representar desde o seu nascimento, no ser humano, a ameaça permanente da vida instintiva sobre o seu lado racional.


HADES  ( ANÔNIMO )
Para punir exemplarmente seu petulante neto, Zeus o enviou para o Tártaro, região mais profunda do Hades (Inferno) onde as punições não têm por objetivo a destruição da forma do pecador de modo a lhe proporcionar um renascimento. O Tártaro é o lugar das punições eternas. Os pouquíssimos que desceram ao Hades e de lá retornaram, contam que ouvem, vinda lá dos lados dessa tétrica região, perto do rio Piriflegetonte, uma voz, que aos gritos, adverte: honrai vosso benfeitor pelo doce tributo da gratidão. Sem dúvida, uma vã tentativa de Ixion no sentido de fazer com que o seu triste lamento chegue ao ouvido dos mortais. 

Uma outra versão sobre a origem desta constelação tem relação com Dioniso. Sêmele, filha de Cadmo e de Harmonia, era uma uma princesa tebana. Foi amada por Zeus e concebeu Dioniso. Ao ter conhecimento da aventura amorosa do marido com ela, Hera, a protetora dos amores legítimos, resolveu intervir. Concebeu um plano para destruir a jovem e lindíssima rival. Tomando a forma humana, de uma velha e sábia mulher, insinuou-se no palácio onde
ZEUS   E   SÊMELE  ( G. MOREAU )
vivia a princesa, conseguindo um lugar de ama. Logo ganhou a confiança de Sêmele, que lhe fez confidências sobre o seu divino amante. Hera resolveu então aconselhá-la, aguçando-lhe a curiosidade: pedir a Zeus que ele se apresentasse em seu divino esplendor. Zeus ponderou a Sêmele que o atendimento do pedido, de sua parte, lhe causaria dano, lhe seria muito funesto, já que humanos não têm como suportar a epifania de uma divindade. Ela insistiu, lembrando-lhe que, quando haviam começado a se relacionar, Zeus lhe prometera, sob juramento, em nome do rio Estige, que qualquer pedido que ela  fizesse por ele seria atendido. 



RIO   ESTIGE
Estige era filha de Oceano e Tétis, uma oceânida. Como fonte, Estige alimentava um dos rios infernais, do mesmo nome. Suas águas eram gélidas e tinham propriedades mágicas. Quando da Titanomaquia, Estige, com seus filhos, cooperou para a vitória dos futuros olímpicos. Por seu gesto, recebeu o privilégio do horkos, isto é, o de que, a partir da concessão, os deuses profeririam seus juramentos em seu nome, juramentos irrevogáveis. Quando uma divindade resolvia jurar, a deusa Iris ia rio Estige para buscar uma jarra com a sua água, para servir de testemunha ao horkos. A inobservância do juramente por uma divindade, além de outras penalidades, afastava-a do convívio dos mortais por nove anos, além de lhe ser proibido o consumo do néctar divino.


NASCIMENTO   DE   DIONISO
Não tendo como recuar, Zeus se apresentou a Sêmele na sua esplêndida forma divina, uma epifania que ela não suportou. O palácio em que vivia foi inteiramente destruído e ela carbonizada. O mito nos revela que Palas Atena retirou do ventre de Sêmele o fruto inacabado de seus amores o e levou a Zeus. O pai dos deuses resolveu, então, alojar o feto numa de suas coxas. No tempo devido, completada a gestação femural, nasce Dioniso da coxa de Zeus.


MORTE   DE   SÊMELE  ( PETER  PAUL  RUBENS )

Mais tarde, já tendo assumido os seus deveres divinos, como um dos imortais, Dioniso, de volta de uma viagem que fizera à Ásia para difundir o seu culto, desceu ao Hades e de lá retirou o eidolon (forma que a alma toma para descer ao Hades) de sua mãe. Ressuscitada, Sêmele foi devidamente coroada por Dioniso sob o nome de Tione, como a primeira das mênades, suas sacerdotisas. Depois, resolveu Dioniso levar Tione apoteoticamente para viver entre os olímpicos, colocando antes, porém, a coroa que lhe dera entre as estrelas como uma constelação, chamada pelos gregos de Coroa Austral.


MÊNADES

Outra versão grega sobre a origem desta constelação pode ser encontrada nas biografias de Píndaro e de Karinna de Tanagra, ambos poetas do século V aC.,esta professora daquele, que ficou
KARINNA  ( WILLIAM  BLAKE )
famoso pelos seus Epinícios. Em cinco concursos, ela o venceu, tendo recebido várias e justificadas homenagens. Um pouco de sua obra (lírica coral), em dialeto beócio, foi preservado. Influenciou Ovídio e William Blake, na sua série The Visionary Heads, deixou-nos um retrato dela. Recebeu Karinna os títulos de Musa Lírica e de Musa Viva Foi homenageada pelos astrônomos da época que "colocaram" nos céus a coroa que recebeu por suas vitórias poéticas.  


A constelação da Coroa Austral aparece ainda em algumas outras tradições com o nome de Uraniscus, diminutivo de céu (Urano), em grego. Uranisco é a abóbada palatina ou palato, divisão óssea e muscular entre as cavidades oral e nasal. É o chamado palato ósseo, placa óssea que forma o céu da boca. 



Esta constelação estende-se de 2º a 12º de Capricórnio, tendo apenas uma estrela digna de registro, Alpheca meridional (veja Corona Borealis). As estrelas desta constelação  não apresentam nenhum interesse sob o ponto de vista astrológico. Ptolomeu, entretanto, atribui a elas influências da natureza de Saturno e de Júpiter (favorecem a conquista de posições elevadas, mas podem trazer obstáculos não previstos).