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sexta-feira, 15 de abril de 2016

PLUTÃO (1)





Plutão foi notado no dia 21 de janeiro de 1930, depois de muitas pesquisas. Desde o início do século XX que alguns astrônomos notavam certas irregularidades na órbita de Netuno, descoberto em meados do séc.XIX. O astro responsável por essas irregularidades, revelado em janeiro de 1930, teve o seu descobrimento anunciado a 12 de março do mesmo ano.

Para designar o planeta descoberto foram sugeridos centenas de nomes, mensagens enviadas de várias partes do mundo ao observatório Lowell. Segundo consta, o nome Plutão, divindade
PERCIVAL   LOWELL
infernal dos gregos, foi sugerido por uma menina de onze anos, de Oxford, interessada em mitologia grega e astronomia. A sugestão prendeu-se ao fato de ser o planeta descoberto frio, gelado, escuro, rochoso e extremamente sólido. No dia 24 de março de 1930, o nome sugerido pela menina foi aprovado oficialmente pelas entidades científicas. Outros historiadores da astronomia, entretanto, dizem que o nome foi escolhido para homenagear o astrônomo Percival Lowell (as duas primeiras letras de seu nome), aquele que primeiro mencionou a existência de tal planeta. 

O planeta descoberto era o mais distante do sistema solar, embora nem sempre esse afastamento se mantivesse de modo uniforme. Por causa da excentricidade de sua órbita, no seu periélio, ele invadia a órbita de Netuno, alterando-se essa posição, deixando Plutão de ser o limite do sistema solar. Tal alteração ocorria, como se constatou, sempre que Plutão transitava pelo signo de Escorpião, sendo o seu  afélio de quase 7,5 bilhões de km. Percebeu-se também que Plutão afetava tanto os movimentos de Urano como os de Netuno, muito maiores que ele, o que podia ser atribuído à sua densidade, nove vezes maior que a da Terra, e possuir ele uma poderosa força gravitacional, cinco vezes maior que a da Terra. 





Plutão dista do Sol, em média, cerca de 5 bilhões de km. Sua órbita tem grande inclinação, 17º, podendo ele levar de 12 a 32 anos para atravessar um signo. O diâmetro de Plutão é de 2.320 km. (66% do diâmetro da Lua). Seu passo médio anual é de 1º, sendo sua translação, também média, de 250 anos. O ano de Plutão tem o equivalente a 91.250 dias terrestres. Sua permanência média em cada signo é de 29 anos. Temperatura (média): -229º. Duração do dia (rotação): 6,5 dias terrestres.  Satélites: Charon (Caronte, que alguns acham não ser um satélite, mas que forma com Plutão um planeta binário), descoberto em 1978. Depois,  foram descobertos Nix e Hydra em 2005, Kerberos (Cérbero) em 2011 e Styx (Estige) em 2012. Com essas descobertas, Plutão passou a ter mais luas (satélites) que Mercúrio, Vênus, Terra e Marte juntos.

Astrologicamente, no símbolo de Plutão, incorporam-se os três elementos presentes na composição simbólica dos demais planetas, o círculo, o semicírculo e a cruz. Numa leitura “ascensional”, temos a alma elevando-se acima do corpo e o espírito situando-se acima desta, uma ilustração que se ajusta perfeitamente ao que Plutão representa astrologicamente como regente diurno do signo de Escorpião (Marte é o regente noturno). Plutão se exalta em Áries, tendo a sua queda em Libra. Urano, por sua vez, se exalta em Escorpião.

Alguns mestres hinduístas, no que coincidem com os filósofos existencialistas, Sartre especialmente, nos dizem que a nossa libertação não pressupõe a entrada ou chegada a algo fixado de antemão. A nossa libertação, sempre renovada, afirmam eles, só pode acontecer quando as energias do nosso eu interior e profundo nos são reveladas continuamente ao irem se rompendo as cadeias da nossa ignorância. 

Acho que essa observação, como introito à nossa “descida” simbólica ao reino de Plutão, seja bastante aceitável. Realmente, depois das ideias de purificação no signo de Virgem e  de julgamento no de Libra, o ser humano tem que fazer a sua descida
JYOTISH
noturna pela qual deve começar a aprender a se libertar da vida material a fim de melhor se relacionar com o seu eu profundo e entender  que por trás da multiplicidade se esconde a unidade. Dizem os mestres da antiga astrologia védica (Jyotish) que, assim caminhando, o ser humano percebe que ele tem que viver no relativo, mas com os olhos voltados para o Todo, o Absoluto, confundindo-se com a eternidade.

HADES
O signo de Escorpião, governado por Plutão (o deus Hades da mitologia grega), é o cadinho onde se funde e renova a personalidade do homem. Como signo fixo, a força de Escorpião é ilimitada, razão pela qual dois símbolos, dentre outros, lhe são atribuídos, a águia e a serpente. A primeira alcança alturas onde ninguém pode atingi-la. Já o veneno da serpente, animal sempre relacionado com a vida inconsciente, tanto pode salvar como matar.

Os poderes de Escorpião nos dão a vida e a possibilidade da

transcendência. No primeiro caso temos a sexualidade, o poder pelo qual a vida é criada; no segundo, temos a metamorfose, a mudança da forma e a passagem para novos planos da existência. Realmente, o signo de Escorpião e o seu planeta regente representam para o ser humano a mais completa metamorfose que podemos conhecer no microcosmo material, a morte. 

Antes, porém, da transformação total pela qual teremos que passar, os diferentes registros astrológicos numa carta astrológica do planeta Plutão nos informarão sempre quanto às  “mortes” que deveremos enfrentar na nossa trajetória existencial. Sabemos que Plutão e todos os planetas transaturninos são astros muito mal adaptado ao reino da matéria, cujos limites são fixados por Saturno. É por essa razão que esses três planetas, Urano, Netuno e Plutão, invisíveis a olho nu, dizem respeito à nossa vida inconsciente. 

A posição de Plutão num tema astrológico, sua angularidade, se for o caso, e seu domínio nos mostrarão, como se disse, o alcance das diferentes metamorfoses pelas quais  teremos  que passar, dando-nos por isso indicações claras daquilo que à falta de melhor nome chamamos de destino. É por essa razão que a palavra destino entre os gregos aparecia associada às Moiras, as donas do fio da via, as Fiandeiras, e ao verbo meiromai, obter por partilha, pelo acaso; entre os romanos temos a ideia de fatum, que tanto significava predição, oráculo, como destino, fatalidade. 



AS   FIANDEIRAS  ( DIEGO  VELÁSQUEZ - 1657 - MUSEU  DO  PRADO , MADRI )  


Realmente, onde  temos Plutão num mapa astrológico ali temos o Hades, o inferno da mitologia grega e o nome de sua divindade tutelar, lugar do nosso destino final, queiramos ou não. Daí Plutão, como planeta, representar, mais do que qualquer outro,  um poder
PLUTÃO
pelo qual certos acontecimentos estariam fixados de antemão, apesar dos seres humanos, por maior vontade e inteligência que tenham, tentem fazer algum coisa para evitá-lo. Os efeitos que Plutão produz num mapa astrológico são “vividos”, na maioria dos casos,  mais como resultantes de forças exteriores, distintas da nossa vontade, do que como produzidos a partir de nós mesmos.


No plano físico, lembremos, Plutão governa a sexualidade, a morte e a liberação da energia sob todas as suas formas. No plano físico, a liberação da energia pode acontecer explosivamente (Urano no signo ou na casa VIII, ou em aspecto com Plutão, pode aumentar o “estrago”), pois  esta possibilidade, se não considerada a nossa metamorfose final, nos leva sempre a um plano de existência a outro, desligando-nos muitas vezes de todos os nossos suportes materiais. 



No plano físico, Escorpião e Plutão celebram a vitórias das forças da destruição, das forças noturnas sobre as forças diurnas. Para amenizar um pouco o que aqui se disse de Plutão até agora, ouça September Song, um hino escorpiano ou veja o filme September Affair. Observação importante: composta por Kurt Weill e Maxwell Anderson, September Song tem que ser ouvida na gravação de 1938, de Walter Huston (1884-1950), como Woody Allen inclusive a colocou num de seus filmes. Mas, voltando: para os que só sabem se identificar com o seu corpo e com o lado físico da existência, Plutão costuma torna-se cruel. Neste caso, quando no lugar em que temos Plutão num mapa astrológico pensamos em renascimento, a metamorfose ali indicada costuma ser vivenciada com grande desapontamento. 





A grande lição de Plutão é que a energia por ele liberada deve, no nosso plano interior, se identificar com a energia universal (o Brahman dos hindus) e no plano exterior, simultaneamente, com a
FISSÃO   NUCLEAR
polaridade masculino-feminina, ou, se quisermos, com o deus e a sua shakti, através da qual devemos continuamente encontrar, perder e recuperar o nosso equilíbrio. A desintegração plutoniana tem a finalidade de transformar a matéria em energia. No plano científico, da Física moderna, a essa ruptura dá-se o nome de fissão nuclear, a separação dos átomos que antes estavam unidos.

Na perspectiva acima, é que podemos entender Plutão como o mestre das riquezas invisíveis (pluto, em grego, quer dizer rico, um eufemismo para designar o deus). Desintegrar, provocar a destruição para que haja a renovação, tanto no plano individual como coletivo. A radioatividade, força invisível, como se sabe pode provocar a morte, desequilibrando completamente a matéria. No

reino animal, o ser que pode suportar as maiores doses de radioatividade é o escorpião. Enquanto o ser humano pode suportar no máximo 600 roentgens o escorpião aguenta 75.000 unidades radioativas. Além do mais, o escorpião, no reino animal, é o ser mais resistente às infecções bacterianas; infecções que para os grandes animais ou para o ser humano podem ser mortais mal são registradas por ele. O escorpião pode suportar temperaturas muito baixas ou muito altas sem ser aparentemente afetado ou permanecer por mais de dois dias submerso sem que nada lhe aconteça. Um velho ditado astrológico nos diz que o signo zodiacal de onde saem os tipos mais resistentes só poderia ser representado pelo animal mais resistente da natureza.

ESCORPIÃO
O escorpião, aracnídeo muito perigoso por causa de seu aguilhão venenoso, também chamado lacrau ou lacraia, adquiriu desde a pré-história o significado de uma ameaça mortal. Em muitos povos do oriente e da África não se pronuncia seu nome, pois nomeá-lo seria atrair o mal que ele representa. Ele é um animal de hábitos crepusculares, noturnos, um formidável e solitário caçador, belicoso, “mal humorado”, sempre pronto a atacar e a matar. Por outro lado, em muitas culturas, segundo lendas que se contam a seu respeito, apesar desse seu lado demoníaco, ele (a fêmea) é também um símbolo da abnegação, já que as crias se alimentam das entranhas maternas antes de vir à luz. Quando há falta de alimento (o escorpião é carnívoro), ele pratica o canibalismo, isto é, pode devorar o seu semelhante. Há também histórias de que é o único animal, além do homem, obviamente, que se suicida quando não encontra saída diante de um perigo mortal.

Uma característica muito interessante do escorpião é a de que, no reino animal, ele parece ser o que, numa relação tamanho-consumo de alimentos, consome a maior quantidade alimentícia, sempre muito grande para o seu tamanho, de dez a quinze centímetros, embora alguns possam chegar a trinta centímetros. Constitutivamente, porém, só precisa de 10% do que consome para sobreviver, podendo passar até um ano sem se alimentar. Quanto à água, praticamente nenhum consumo, pouquíssimo, uma ou duas gotas, para uma vida inteira, que pode oscilar entre quatro anos e vinte anos, para algumas espécies (cerca de 2.000) mais resistentes. 


EXPLOSÃO  NUCLEAR
A radioatividade, astrologicamente, como se sabe, é governada pelo planeta Plutão como uma força que para regenerar deve, antes, destruir. Aliás, foi quando da descoberta de Plutão que a ciência moderna chegou realmente à Física atômica. Os artefatos bélicos, que têm por base a desintegração do átomo, quando explodem, reproduzem numa fração de segundo temperaturas que só o Sol pode atingir.

Os poderes do escorpião estão ligados ao vermelho e ao negro (cores muito usadas pelo nazismo), uma clara indicação de que entramos na vida pelo vermelho (signo de Áries) e saímos pelo negro (signo de Escorpião), cor do signo que marca o auge do terceiro quadrante zodiacal, quando a vida começa a desaparecer pela degradação da natureza, momento no ciclo anual em que as trevas começam a se impor definitivamente à luz.   

O poder de Escorpião, centrado na sexualidade, tem relação, nas escolas filosóficas da Índia, (darshanas) com a energia por elas chamada de kundalini. Essa energia, no Yoga, é divina e está retraída no interior do corpo humano grosseiramente, enrolada como uma serpente  dormente, na base da coluna vertebral, num lugar profundo, entre o sexo e a região anal, conhecido como muladhara (mula, raiz, e adhara, base). 





Na Índia, o sadhaka (buscador) pronuncia então os mantras para despertar essa energia enquanto controla as suas inalações, fazendo o pranayama com o objetivo de limpar o caminho (sushumna), ao lado da coluna vertebral, através do qual ela, a serpente, "subirá". Os sadhakas dão a essa prática o nome de “acordar a serpente”, que, erguendo a sua cabeça, ao subir, toca na sua passagem em certos pontos, centros (chakras) de energia. Os mestres hindus nos dizem que a consciência espiritual do homem só é despertada quando kundalini desperta também. Ninguém pode chegar à vida espiritual só pela leitura dos livros sagrados. 




Na Índia, na astrologia védica (Jyotish), o signo de Escorpião aparece associado ao que eles chamam de Kundalini Yoga ou o Yoga do Despertar da Energia Enrolada, que depende da perspectiva tântrica. Para esse Yoga, em Shiva (Realidade Suprema), consciência una e absoluta, sem diferença ou gradações, jaz, indiferenciada, a causa da manifestação universal, a que é dado o nome de Shakti, poder que cria o movimento e a multiplicidade por meio de limitações e divisões. 


SHIVA  -  SHAKTI
Esses dois princípios, Shiva-Shakti, vão, pelo despertar de kundalini e por um jogo eterno de relações, produzir, como se disse, a vida universal. Com relação à Realidade Absoluta (Brahman) esses dois princípios são apena um. A Shakti, geradora da multiplicidade, suscita a possibilidade do esquecimento da Realidade Última. É o seu poder de obscurecimento (avarana), de ocultação; é ela quem faz o mundo sensível parecer diferente daquilo que é em essência. Por isso, ela é chamada também de Maya, Magia, a ilusão da separatividade. 

Essa Maya, no plano cósmico, corresponde no plano individual à ignorância espiritual (a incapacidade de ver o Todo), chamada avidya, nesciência, ajñana, causador do samsara. Essa doutrina explica, melhor do que qualquer tratado filosófico ou psicológico ocidental, porque um elemento de inconsciência está sempre presente em toda manifestação humana. Ou seja, tudo o que é limitado pelo corpo ou pelo psiquismo humano não é consciência pura, mas condicionada. Nada no mundo fenomenal é absolutamente consciente ou inconsciente. O consciente e o inconsciente estão sempre entremeados, eis uma das máximas do Kundalini-Yoga. Além do mais, quem conserva os traços e vestígios das encarnações passadas, segundo o Hinduísmo, é a Shakti.

Estas ideias parecem explicar  porque a consciência (Cit) nunca está ausente de nada, porque umas pessoas parecem ser mais consciente do que outras. A consciência sempre se manifesta em diferentes graus e maneiras. Os graus dessa manifestação são determinados pela natureza e pelo desenvolvimento da mente e do corpo nos quais está presente. A manifestação da energia universal no ser humano é difícil porque ela está sempre velada ou contraída, em maior ou menor grau, pela mente e pela matéria. 

O signo de Escorpião no seu sentido inverso nos revela assim que o aspecto maléfico da serpente (kundalini) significa no plano anímico o poder de dizer não e a recusa da luz. Este tema da rebeldia diante da luz é expresso, mais do que em qualquer outro, pelo signo astrológico de Escorpião e por mitos e tipos com ele relacionados. Se por um lado a serpente pode ser destrutiva, inimiga da luz, ela pode por outro se tornar salvadora, quando pensamos na filosofia do Yoga- Kundalini. 



PABLO   PICASSO
Não é por acaso que os grandes rebelados, no plano físico, no plano das ideias, no plano da arte, no plano da política, fecunda ou não a sua rebelião, saem todos do signo de Escorpião: Martin Luther King (ideias), Trotsky (revolução), Picasso (arte), de Gaulle (política), Lutero (religião), Racine (teatro), Stendhal (romance) etc.  


Também não é por acaso que a palavra Satã designa o grande adversário da luz  (Satan, em hebraico, é o adversário). Segundo os
LÚCIFER ( GUSTAVE  DORÉ )
judeus, Satã, rebelando-se contra Deus, passou a ser considerado como o rei dos demônios e, ao exilar-se do céu, levou consigo uma hoste de anjos caídos, tornando-se o seu líder. A rebelião começou quando Lúcifer, o que transporta a luz, este era o antigo nome de Satã, então o maior dos anjos, recusou-se a prestar homenagem a Adão. Como criatura, Adão fora feito de argila, enquanto Lúcifer fora feito de pura energia divina. Ele ficou com ciúmes do status de Adão e, além do mais, encheu-se de desejo por Eva. 



ADÃO  E  EVA
 CATEDRAL NOTRE DAME , PARIS
Foi Satã, diz a Bíblia, quem armou a trama da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, do Jardim do Éden. Por meio da serpente (também símbolo do signo de Escorpião), Satã manteve relação sexual com Eva, tornando-a mãe de Caim, segundo explicam os mesmos judeus. Consta que foi também Satã quem induziu Noé a se embriagar e procurou fazer com que Abraão desobedecesse a Deus no episódio Akedá. Satã, em última instância, é no homem a inclinação para o mal, o grande tentador, aparecendo sob uma miríade de formas, todas enganadoras. 



SACRIFÍCIO   DE   ISAAC  ( REMBRANDT )



Escorpião como signo, lembre-se, tem a ver, por isso, tanto com a origem da vida, através do esperma, como com a expulsão da matéria através dos órgãos da excreção. O eixo Touro-Escorpião, como se sabe, simboliza o alimento e a sua excreção, a garganta e o ânus, a voz e o sexo, a matéria e o esperma. 

Em Escorpião temos astrologicamente o exílio de Vênus e a queda da Lua. O primeiro é o planeta que nos fala das ligações, do amor, da reciprocidade afetiva, sendo consultado no mapa astrológico para analisar as possibilidades amorosas de alguém, seu poder de atração e de sedução, as suas relações com o amor. Já a Lua vai refletir os nossos estados de ânimo e os nossos sentimentos tão rapidamente mutáveis e flutuantes, as nossas emoções. A Lua pode ser considerada como o ponto mais fraco da natureza humana porque ela se situa no limiar da nossa vida subconsciente, um lugar onde somos mais vulneráveis aos caprichos emocionais. Sempre que uma Lua estiver mal posicionada e/ou colocada num mapa astral teremos uma pessoa emocionalmente instável.

Enquanto mestres de Touro, Vênus e a Lua representam também a comida que possibilita o crescimento e o desenvolvimento de nosso corpo e, como tal, a sua permanência e duração. Ora, Escorpião, signo oposto, é o inimigo da matéria, da carne, ao anunciar o seu fim, o inimigo daquilo que quer durar. É por essa razão que os regentes do signo ou qualquer planeta na casa onde temos  Escorpião indicarão,  inclusive por seus aspectos, se os tivermos, situações nas quais teremos que experimentar alguma transformação sob o ponto de vista de nossos sentimentos. 

Se Touro se volta para a busca da matéria, Escorpião, como signo
TOURO
de água, se concentra na absorção das energias psíquicas que fluem das pessoas que vivem no ambiente em que  se encontre. Diferentemente dos tipos cancerianos e piscianos, os escorpianos estão preparados, com maior ou menor intensidade, mas sempre preparados, para se apropriar dessas energias. Muito curiosamente, porém, as pessoas que rodeiam os escorpianos, que estão “ali” para lhes dispensar o “alimento” psíquico de que necessitam, costumam ser atraídas por eles através de um secreto encanto (uma promessa de absoluto?). Deixam-se assim invariavelmente expropriar, sentindo-se “felizes” ao cumprir esse papel; muitas chegam até a agradecer o “benefício” recebido, quando, na realidade, é delas que parte esse jogo vítima-predador. Por esse processo, o jogo, isto é, a relação costuma se fortalecer cada vez mais.  
  
A formidável energia do signo é encontrada nas casas astrológicas onde temos Escorpião e os seus regentes, Plutão e Marte. Por essa observação astrológica fica fácil entender que a energia mais forte do signo é encontrada evidentemente na força do seu desejo, sempre de singular intensidade, desejo que tem seu centro na correspondência orgânica do signo, nos órgãos da sexualidade, representados pelos seus planetas regentes.


É nesta perspectiva que podemos associar simbolicamente a aranha ao signo (o escorpião, relembremos, é um aracnídeo). A aranha, como se sabe, ao invés de sair à caça, estende a sua rede, e espera; atraídas não se sabe bem por qual razão, as vítimas vão a ela, sendo devoradas. É famoso o conluio sexual entre as aranhas: a fêmea, logo depois de consumada a relação carnal, mata o macho. Raros os machos que escapam dessa relação que caracteriza realmente o ato sexual como uma “atração fatal”.

Não é por acaso que a mais perigosa das aranhas peçonhentas é a chamada viúva negra, mencionando-se que a tarântula é também muito temível. Esta última, com a sua picada, inocula uma substância que, embora não mortal, causa febres altas e induz, segundo as crenças populares em várias partes do mundo, a movimentos convulsivos. Foi com base nestas histórias sobre as aranhas venenosas que nasceu a tarantela, dança popular e composição musical originária de Nápoles (transformadas em eruditas depois), de caráter vivo, acompanhada de castanholas e tamborins.






É por essa razão que no universo dos símbolos astrológicos a aranha deve ser associada ao escorpião e à serpente como representante do signo de Escorpião. Muito mais do que um símbolo da maternidade devorante, da mãe castradora, canibal, a aranha denota sempre uma feminilidade temível, profunda, da qual

os homens têm, como o demonstram a arte, a literatura, o teatro e o cinema, tanto horror, a chamada gimnofobia (horror à mulher, ao feminino). A aranha, neste sentido, é um emblema da mulher fatal, vampiresca, que esvazia o macho de suas forças, ameaçando-o de destruição (vide a fantástica história L´Homme qui rit, de Victor Hugo).



Examinando os símbolos de Marte, o antigo regente do signo, e de Escorpião, vemos que ambos têm na sua extremidade a ponta de uma flecha, um ferrão, a denotar um caráter belicoso, destrutivo. Foi necessário esperar vários séculos, milênios até, para se chegar à conclusão de que essa destruição poderia adquirir um caráter transformador, positivo. Esse entendimento, que já estava claro sob o ponto de vista mitológico, só ficou mais claro quando as doutrinas relacionadas com a vida subconsciente e inconsciente tomaram forma a partir do séc. XIX.

Desde tempos pré-históricos, o homem procurou dividir o espaço que habitava. A primeira ideia que desenvolveu para isso levou-o a uma concepção tripartite: a Terra, onde ele vivia; acima dela, o Céu, fonte de luz; e abaixo da Terra, um mundo subterrâneo, também chamado de ctônico, escuro, sempre associado à morte, pois era para ele que os mortos eram encaminhados.

Nessa estrutura, a Terra sempre representou um papel passivo. Ela era um dado imediato; sua extensão, sua solidez, a variedade de seu relevo e a sua vegetação eram percebidas concretamente, nenhuma suposição, nenhuma inferência. O espaço superior, ao contrário, era inacessível, imperscrutável, insondável. O que se podia apreender dele eram as suas manifestações fecundantes da Terra, esta o fundamento e tudo o que se encontrava sobre ela, apesar da sua aparente diversidade, formava uma grande unidade.

Aos poucos, principalmente depois do aparecimento da agricultura, a relação entre a inesgotável capacidade que a Terra tinha de gerar frutos e a mulher foi se estabelecendo. A solidariedade entre a fecundidade da Terra e a mulher constitui um dos traços fundamentais das sociedades agrícolas. A vida vegetal tinha seu início no interior da Terra, um acontecimento invisível aos olhos humanos. O mesmo se poderia dizer com relação ao nascimento de uma criança, originando-se a sua vida através de um processo também invisível aos olhos humanos. 

A partir destas constatações foi se fixando a ideia de que o interior da Terra era um lugar de transformações, de morte e de renascimento. A  semente “morria” para que o vegetal pudesse “nascer”. Essa transformação acontecia no escuro, ligando-se o negro, desde então, a uma ideia de renovação, relação confirmada, noutro plano, por exemplo, pelas práticas alquímicas, por visões religiosas etc. Por essa razão, havia uma analogia entre o útero da mulher e o interior da Terra, que passou a ser considerado como um lugar de riquezas escondidas.   






Não foi por acaso que em várias tradições, desde tempos pré-históricos, encontramos o sacrifício de animais negros às divindades ctônicas. O negro do luto e da penitência é ao mesmo tempo uma promessa de ressurreição futura. Na alquimia, o negro (nigredo) é a cor do caos, da indeterminação, da prima matéria confusa, que deve ser trabalhada. Esta matéria negra é fecunda e por operações sucessivas deve ser extraída a fecundidade que nela se acha escondida. Estas concepções nos remetem à própria origem da alquimia egípcia, onde essa matéria tinha o nome de al-kemiya, confundida com a própria lama negra das margens do rio Nilo, produzida pelas inundações anuais.

O trabalho do adepto, em várias tradições filosófico-religiosas, começava sempre pelo negro, cor que as futuras terapias do psiquismo, nos tempos modernos, adotarão para simbolizar o
ANÚBIS
inconsciente absoluto, a cor da descida às trevas do mundo subconsciente. Esse trabalho começa pela chamada obra em negro, cuja primeira etapa é conhecida pelo nome de nigredo. No Egito antigo, lembremos, a cor negra era uma promessa de regeneração; cor de Osíris, deus dos mortos, e de Anúbis, deus do embalsamamento e condutor das almas. 

ÉSQUILO
Em todas as tradições mítico-religiosas, a Terra sempre foi valorizada inicialmente por causa da sua capacidade infinita de gerar frutos. Concebida como mulher e mãe, a Terra sempre se opôs simbolicamente nessa condição ao céu. Ligada à fecundidade e à regeneração, a Terra, como dizia Ésquilo, gerava todos os seres e depois os recebia na morte. 

O interior da Terra, associado à escuridão, recebeu o nome de
NIGREDO  E  ALBEDO
inferno, palavra que significa o que está abaixo. A analogia com a noite era inevitável, com o inverno, com o frio, com a solidão, com as trevas. A descida ao inferno do qual falavam os mitos correspondia aos primeiros dias do outono, prelúdio de um período que significaria a completa ausência da luz. Num nível simbólico, o inverno representava uma morte simbólica; nas religiões de mistério, a estação lembrava o abandono, pelo iniciado, da sua natureza profana em celas escuras, a passagem do negro (nigredo) ao branco (albedo) dos alquimistas. 

Apesar dos povos da antiguidade terem apresentado concepções variadas do inferno, a maioria sempre o imaginou como um lugar subterrâneo misterioso e aterrorizante onde as almas dos mortos passavam por grandes sofrimentos em razão dos crimes e pecados cometidos na Terra, depois de terem sido submetidas a julgamento por um tribunal, imagens das quais a moderna psicologia se apropriaria para representar o consciente e o subconsciente. 



INFERNO  ( GUSTAVE  DORÉ )


O inferno significaria ainda segundo estas ideias o estado do psiquismo do ser humano que não sabe orientar a sua vida numa perspectiva evolutiva, segundo o caminho solar. Em muitas tradições, os seres humanos se aproximam do inferno toda vez que tomam a direção contrária do Sol, de oeste para leste, o inverso do caminho existencial progressivo. 

A ideia do inferno, no correr dos tempos, desde o fim do período neolítico, como um lugar para onde iam as almas dos mortos, foi sofrendo algumas mudanças. Tais mudanças foram causadas sobretudo por certas doutrinas filosóficas sobre a imortalidade da alma e sobre os castigos e as recompensas quando do seu julgamento no Outro Lado.


terça-feira, 1 de março de 2016

ASTROLOGIA E SAÚDE - V

 
                                           
WILLIAM  HERSCHEL
DESCOBRIDOR DE URANO
1738 - 1822
Urano – Conhecido como a oitava superior de Mercúrio, Urano tem a ver com a eletricidade cerebral (ligações com Mercúrio), regendo o influxo nervoso e, a rigor, tudo o que pulsa no nosso organismo. Espasmo é a palavra mais usada para se falar de um Urano com problemas. São dele, por isso, todos movimentos físicos involuntários, desde câimbras e fibrilações a tremores de natureza diversa, inclusive epilépticos (pequeno e grande-mal). Acessos súbitos, contorções, estreitamentos, choques, convulsões, distensões, nevralgias, desequilíbrios mentais, tendência a acidentes, gesticulação descontrolada etc. Sua atuação: é vibrante, inesperado, violento, radioativo, destruidor. Opera no sentido contrário e complementar do Sol, sendo o encarregado de levar o sangue arterial às extremidades do corpo. São dele, por exemplo, as diversas parestesias, os chamados formigamentos e o frio nas extremidades do corpo, mãos e pés. Rege Urano a parte da perna compreendida entre os joelhos e os pés, os tornozelos e a barriga da perna. São de Urano o éter, os raios, a eletricidade e os gases. Tem a ver com a hipófise ou a pituitária (ver o chakra ajña dos hindus) e, como tal, com a distribuição hormonal (etimologicamente, do grego hormao, excitar, pôr em movimento).

Tem Urano a ver com o sistema nervoso central, a aura física e magnética, as forças eletromagnéticas do organismo psicossomático. Algumas enfermidades: paralisias temporárias, desordens espasmódicas, psicose maníaco-depressiva, irritações nervosas repentinas, desordens sexuais (hermafroditismo, homossexualismo, impotência nervosa etc.). Frio e calor orgânico excessivos, paranoias, acidentes por raios, radiações e eletricidade.


Urano é responsável por súbitos ataques de moléstias, por rupturas, explosões elétricas e por ações perigosas, exageradas e extravagantes. Em Áries, debilitado, por exemplo, pode causar espasmos faciais, epilepsia, acidentes cardiovasculares (região da cabeça), convulsões. Em signos de ar, sugere males provocados por gases. Em signos de fogo, Urano pede cuidado com faíscas, com deslocamentos através de automóveis e aviões. 

Ao contrário de Saturno, que é hipo, Urano é sempre hiper. Numa relação dissonante com Mercúrio e Lua, afeta bastante a neuromentalidade, causando descontroles mentais e emocionais. Um Urano malogrado sugere anarquia, comportamento bizarro, incongruência, rebeldia e promiscuidade. Marte em mau aspecto com Urano indica acidentes em viagens, quando da prática de esportes radicais, problemas circulatórios e acidentes na região da cabeça etc. O mapa de Ayrton Senna é exemplar quanto a esta última característica.


EM  DIREÇÃO  DAS  ALTURAS
O uraniano, de um modo geral, não gosta de ser como os outros; por isso, comuns as ideias de demarcação, de limites, de distinção, de modo especial com relação às origens e aos ambientes de formação. 


Muito presente a necessidade de uma hiperindividualização, tendência que leva a unidade, o eu, a se considerar como um absoluto, traduzido por ações totais, exclusivas. Daí, muitas vezes, impulsos paroxísticos, conquistas elevadas, picos, grandes alturas, tudo ligado a uma grande inclinação para o incomum, o inabitual. Nada de normas, rotinas ou convenções. Daí os escândalos, a necessidade que muitos tipos uranianos têm de chamar a atenção, de ir na contracorrente. Comuns os risco da imposição da lei do frenesi, da busca das façanhas únicas, dos recordes, da necessidade de todo o espaço possível. Já ouve quem dissesse, quanto ao que expomos aqui, que o uraniano típico oscila entre uma figura prometeica e um aprendiz de feiticeiro. Como o leonino, há sempre o risco de uma inflação ególatra onde entram conceitos de grandeza, genialidade, de ereção vertical.

Comuns, em muitos uranianos, nos tipos mais malogrados, aquilo que a psicologia e psicanálise chamam de supercompensação. Sentindo-se inferiorizados de alguma maneira (feios, desajeitados socialmente, tímidos, com um discurso verbal inconvincente etc.) tais tipos partem (inconscientemente ?) para a supercompensação, uma reação desproporcionada, excessiva, à sensação de inferioridade, culpa ou desajuste que os leva a esforços exagerados no sentido de que tal sensação seja sobrepujada. Esta supercompensação costumar dar certo, embora sempre com certos riscos (anarquia, excentricidade, monomania etc.) quando voltada para realizações que explorem o seu potencial mental, a sua inventividade intelectual. Já explorada fisicamente (mania de recordes etc.) pode causar sérios danos à sua saúde.   


NETUNO
Netuno – Alquimicamente, é o planeta dono da solutio; Netuno é fértil, psíquico, misterioso, secreto. Rege os pés, exercendo poderosa influência sobre o sistema nervoso, as glândulas (principalmente a pineal), as mucosas, certas secreções líquidas do corpo (o pus, o líquido sinovial, por exemplo). Todo o processo quimioterápico é dele de algum
PSICOGRAFIA
modo. São dele também os analgésicos, os soporíferos, os anestésicos líquidos e gasosos. Tem relação com a vidência, a mediunidade, os estados sonambúlicos, as sufocações, o delírio, a demência, as obsessões, as intoxicações causadas pelo tabaco, pelas drogas, pela fumaça, pelos entorpecentes, pelo álcool.

Representa Netuno as doenças imaginárias, favorece a hipocondria e predispõe ao desenvolvimento de males por falta de reação, por inércia. A atuação de Netuno nunca é muito clara, é nebulosa, imprecisa, dificultando os diagnósticos e a dosagem dos remédios. O planeta, no eixo VI-XII de um mapa, oferece sempre dificuldades quanto à fixação da dosagem de remédios, principalmente os de “tarja preta”.

São dele também: os órgãos da percepção extrassensorial, faculdades telepáticas, o plexo solar (que divide com Mercúrio), os glóbulos brancos, também de Vênus. Outros males: desequilíbrios endócrinos por causas inexplicáveis; transes, catalepsia, fenômenos de possessão,
GOYA:  O  REINO  DE  PLUTÃO

alucinações, asfixias, envenenamentos, coma, doenças sem diagnóstico, contágios, alergias, rugas prematuras, sonambulismo. 
Pode-se mesmo afirmar que qualquer pessoa que tenha um Netuno muito debilitado costuma apresentar uma forte tendência para se tornar dependente de uma droga,  fisicamente (maconha, LSD, por exemplo) ou viver moralmente de simulações, fraudes, mentiras, mitomania, hipocrisia, falsa espiritualidade etc. Netuno bem aspectado, principalmente com os luminares, proporciona estados mentais e psíquicos superiores, inclinando á religiosidade, à fé, à compaixão, mas sempre exigindo muito cuidado quando entramos nesse chamado “mundo da espiritualidade”. 

São de Netuno o amor sacrificial, o amor oblativo, o abandono do ego, a recusa do eu para que seja facilitada a adesão com o Todo, a chamada via mística (Quem perde a sua vida a
OSCAR  WILDE
salvará, quem quer ganhar a sua vida a perderá, como está na Bíblia
).  Como se disse, a ação de Netuno nunca é muito nítida e seus efeitos são muitas vezes decepcionantes. É, com razão, o planeta da desilusão, das promessas que não se cumprem. O mapa de Oscar Wilde é um bom exemplo para o estudo das influências netunianas enganadoras aqui levantadas.

Netuno está relacionado, quando em maus aspectos, com o engano na sua forma mais negativa. Pode ser muito difícil para um médico clínico estabelecer diagnósticos para pessoas que têm Netuno na sexta casa. Netuno costuma mascarar o que apresenta. Às vezes, é possível confundir as influências de Saturno com as de Netuno, pois ambos têm efeitos “hipo”. Netuno, na casa 12, muito debilitado, parece ser o responsável pelo autismo em muitas crianças.

Netuno é, com razão, o arquétipo da dissolução universal com relação à participação num todo maior. Daí, quando malogrado, o perigo da invasão, da permeação, da infiltração, da adesão incontrolável, da identificação, da empatia. A grande tendência das personalidades netunianas é a plasticidade psíquica, a grande maleabilidade. Quanto à fisiopatologia, sempre o perigo das permeações viróticas, microbianas, parasitárias, dos contágios, da proliferação celular anárquica causadora de quistos e fibromas moles. 

As patologias de Netuno são sempre difíceis de diagnosticar, misteriosas, geralmente de evolução lenta e perniciosa. Ao contrário da ação dos demais planetas, a de Netuno nunca é muito clara, sendo seus efeitos muitas vezes surpreendentes. Sua ação costuma aparecer associada à vida subconsciente como produtora de moléstias mentais, manias etc. Já no plano social, Netuno, além influenciar praticamente toda a produção artística e política da segunda metade do século XIX (Impressionismo e Simbolismo, especialmente)  deixou a sua  marca também no anarquismo (Netuno exaltado em Leão) e no socialismo.


IMPRESSÃO : O NASCER DO SOL  ( MONET , 1874 )

Netuno é a rejeição do sólido e do coerente. Por isso, são dele as comunidades e pessoas (doente ou não) que vivem fora do mundo normal. É por esse entendimento que damos a Netuno a regência da vida religiosa, dos hospitais, das prisões, dos asilos, dos retiros, dos eremitérios. É por essa razão que para um autêntico pisciano a salvação só pode acontecer dentro de uma comunidade (alcoólatras anônimos, drogados etc.). 

A civilização moderna pode ser considerada, no entendimento que aqui damos a Netuno, como uma verdadeira droga. Tudo que ela oferece é fake, postiço, inautêntico, artificial, produzido pelos vários excitantes que ela inocula através dos meios de comunicação, pela criação incessante de falsos modelos de vida, de falsos deuses (Deus Mercado), e pela consequente impossibilidade que ela produz no nosso interior de alimentarmos qualquer forma de confiança, de fé, de solidariedade no que quer que seja. 


PLUTÃO E CÉRBERO
Plutão – Rege os hormônios, a sexualidade, a reprodução, a renovação das células e dos tecidos, os fermentos solúveis, as deformações, as amputações e as extirpações; tem a ver com cirurgias transformadoras, com as perturbações do equilíbrio ácido do organismo, dores artríticas, o câncer, a esclerose cerebral, acidentes e catástrofes coletivas, erupções do mundo subterrâneo, cataclismos, convulsões, impele a mudanças interiores, exacerba forças secretas. Relaciona-se com o inconsciente de um modo geral, com a psicanálise, sobretudo; marca os passos evolutivos da humanidade, dando o tom da morbidade e da destruição num determinado período ao transitar por um signo. Tem relação com grandes acontecimentos coletivos, com as atividades nucleares e cibernéticas, com assuntos internacionais. Violento sempre, destrói as formas que não sabem se renovar; atua muitas vezes através de sequestros, raptos, ações ocultas (tocaia) e de ataques à traição.  

Maus aspectos de Plutão com Vênus (quadraturas) são responsáveis muitas vezes, em mulheres, por problemas ovarianos; nos homens, problemas na próstata; se Júpiter participar negativamente, neste caso, risco de malignidade. Há estudos sérios a nos indicar que Plutão representa qualquer tendência hereditária para as doenças.
SIGMUND  FREUD
Além do mais, Plutão representa também crescimentos anormais (sinais de nascença, verrugas, neoplasias etc.). O planeta aponta, através do signo em que se encontra, para regiões corporais ou órgãos onde temos grandes possibilidades de crescimentos anormais. O mapa de Sigmund Freud é exemplar para o estudo do que acabamos de mencionar.  


Em última instância, Plutão representa o mais profundo das nossas trevas interiores, as camadas mais profundas do nosso psiquismo. Neste sentido, é que apresenta grande afinidade com o que os gregos designavam por Tártaro quando se referiam ao seu mundo infernal (Hades). Todas as expressões da agressividade destrutiva são dele. As grandes crises de consciência são dele, como o são também o remorso, a culpa, a mágoa, as obsessões, as ideias fixas, os demônios noturnos que nos tiram o sono. Mas é através de Plutão que, apesar de tudo, podemos ter acesso aos tesouros que estão enterrados dentro de nós.

De um modo geral, a localização de Plutão num mapa, sua angularidade, sua dignidade ou debilidade, sempre nos informarão sobre a extensão e as diferentes metamorfoses de uma personalidade e do seu destino. Fisicamente, Plutão, com seus grandes poderes destruidores ou transformadores, marca o triunfo das trevas sobre a luz.  O desequilíbrio material que ele provoca tem muitas vezes a finalidade abrir um acesso ao plano espiritual. Positivamente, a escuridão que Plutão traz está sempre ligada a uma forma de regeneração. Plutão assinala por sua posição um lugar de transformações tão profundas que ali será sempre exigida uma mudança das formas materiais. É por Plutão, como mestre de Escorpião, pelo desequilíbrio que impõe, que se abre o caminho que vai do micro ao macrocosmo, a evasão definitiva do mundo da dualidade, o retorno do múltiplo à unidade.

                                      

quarta-feira, 9 de julho de 2014

HÉRCULES - DÉCIMO SEGUNDO TRABALHO


BOIS   DE   GERIÃO

OS BOIS DE GERIÃO - Como último trabalho, Hércules havia recebido a incumbência de libertar os bois vermelhos aprisionados
GERIÃO
por Gerião, o gigante de três corpos e de seis braços. O gado estava na ilha Eritia que ficava nos confins do Ocidente, no reino do deus Oceano, além do jardim das Hespérides, as ninfas do poente. Os animais avermelhados eram guardados por um pastor chamado Eurítion e pelo seu monstruoso cão Ortro, filho de Tifon e de Équidna. Gerião governava a ilha. O rebanho deveria ser trazido por Hércules para Micenas.



ORTRO

Antes de partir, Hércules fez oferendas ao deus Hélio, o deus solar, pondo-se depois a caminho da ilha que, sabia, ficava muito além, nas brumas do Ocidente. Havia partido sem ter resolvido um dos grandes problemas, talvez o maior, que enfrentaria: como trazer de volta os animais, como transportá-los?  Ao atravessar o grande deserto líbio, entrou em luta contra vários monstros e assaltantes que infestavam a região. O Sol abrasava, causticante. Lembrou-se então de pedir por empréstimo ao deus Hélio a sua grande barca, a chamada Taça do Sol, gigantesca, que o astro-rei usava todas as noites para mergulhar no oceano ao retornar ao seu palácio no Oriente. Hélio negou-se a atendê-lo. Hércules então ameaçou vará-lo com as suas infalíveis flechas apolíneas. O deus resolveu então lhe ceder a grande Taça.


HÉLIO

O tema da Barca Solar traz a ideia da vida como viagem, uma travessia cheia de perigos, uma viagem que diariamente se renova. Fonte de luz, o Sol é aqui esperança de  renascimento para um outro tipo de vida, já que ele, ao fim de cada dia, toma a sua Barca para atravessar o reino das trevas, reaparecendo a cada manhã, vitoriosamente. Assim como ele, os que entram na sua Barca também retornarão da viagem que a cada noite terão que fazer.

O trabalho, mencione-se logo, refere-se ao signo de Peixes, o fim do inverno. Iconograficamente, o peixe em todas as culturas do mundo indo-europeu é um emblema da salvação. Por viver nas profundezas do elemento líquido, tem relação com as forças sagradas do abismo, portanto, com a vida inconsciente.  A cultura hinduísta, por exemplo, usará o peixe (matsya) como símbolo do primeiro avatar do deus Vishnu, a segunda pessoa da sua trindade, para designar aquele que salva do dilúvio Manu, o homem mítico, o legislador do ciclo atual.  No Cristianismo, o peixe (ichtus) adquire o 
VISHNU   E   MANU
mesmo sentido, o da salvação. O pastor é a imagem simbólica do guardião que protege dos agressores. A imagem nos vem dos povos nômades, pastores. David, que defendia os rebanhos contra os leões e os ursos, entre os judeus, é um exemplo. Jesus será chamado por isso de o Bom Pastor, imagem muito difundida nos meios cristãos. Na mitologia grega, lembremos, um dos nomes do deus Hermes era Crióforo, o pastor que carregava nos ombros o animal tresmalhado, uma imagem de solicitude com relação aos que se perdem na vida. Nesse sentido, era a divindade protetora dos pastores nômades do mundo indo-europeu. 



HERMES   CRIÓFORO

O simbolismo do pastor põe em evidência características de sabedoria intuitiva e experimental, de proteção ligada a um conhecimento. Além disso, nos fala sempre de uma função que para o seu exercício requer constante atitude vigilante. Por outro lado, o pastor é sempre um nômade, um desenraizado, sempre alguém que está de passagem, como a alma que um dia tem de abandonar o corpo físico para continuar a sua viagem num outro plano.

Preso ao Mediterrâneo com a enorme Taça, Hércules tem outra ideia engenhosa. Criar uma passagem deste mar para o grande oceano. Com a Taça do Sol força a passagem, abrindo um estreito, de 15 km. de largura e de 350 m. de profundidade, separando assim os dois continentes e levantando em cada uma das margens, da europeia e da africana, duas enormes colunas para celebrar essa separação. Essas colunas receberam o nome de Colunas de Hércules; a "coluna europeia" é hoje constituída de Gilbraltar, Algesira e Tarifa; a "africana", de Ceuta e Tânger.




Entrando no grande oceano, nosso herói chega à ilha Eritia, a ilha vermelha, enfrentando logo o monstruoso cão, morto a golpes de clava. O pastor Eurítion aproximou-se de Hércules, que logo se preparou para também lutar contra ele. Mas não houve luta, o pastor era inofensivo, Hércules acabou concedendo-lhe a graça da vida. Aproximando-se da manada, Hércules viu surgir diante si, colérico, em meio a uma grande nuvem de poeira, entre urros e berros, a figura monstruosa de Gerião.

Gerião quer dizer fazer ruídos com a voz, fazer ressoar, estertorar (estertor é a respiração dos moribundos, respiração agônica, como o estourar de bolhas). Uma outra etimologia admitida para Gerião nos diz que o nome se aproxima mais de palavras como canto e discurso ao invés de ruidoso ou barulhento. O gigante é, em geral, representado não só com três cabeças como com três corpos, além de dois pares de pernas, e, em algumas versões, com asas.  


PERSEU   COM   A   CABEÇA   DA   MEDUSA

Era filho de Crisaor (filho de Poseidon e da Medusa), a "espada de ouro", nascido do pescoço ensanguentado da Górgona quando decapitada por Perseu. Desde seu nascimento, tinha em suas mãos uma espada de ouro. No momento em que a nuvem de poeira baixou em torno de Gerião, Hércules conseguiu com uma de suas flechas apolíneas, disparada com grande violência e como que orientada por mão divina, atravessar os três corpos do gigante, prostrando-o ferido de morte, inapelavelmente.

O trabalho prosseguiu: Hércules tentava, com grande esforço, juntar os animais, extremamente indisciplinados. Aos poucos, com muita paciência, empurrou-os para dentro da Barca Solar. Partiu, então, em direção do continente. Fez o caminho de volta pelo norte,
RUINA  DAS  TORRES   DE   HÉRCULES
entrando pelo noroeste do que é a Espanha de hoje, pela Galícia, onde até hoje, segundo a tradição local, perto de la Coruña existem, como lembrança dessa passagem, ruínas de duas torres, conhecidas deste tempos imemoriais como as "torres de Hércules". Com o seu "gado vermelho", Hércules entrou pela Gália, descendo pela Itália. Além de tentar recuperar muitos animais que fugiam e se extraviavam constantemente, um trabalho insano, Hércules teve que travar muitas lutas para protegê-los não só de ladrões como de falsos pastores que tentavam atraí-los de várias maneiras. Na Ligúria, perto da futura Gênova, lutou contra dois gigantescos filhos do deus Poseidon, que tentaram, em nome do pai, se apossar do rebanho. No Lácio, perto da futura Roma, mais lutas. Recebido pelo rei Evandro, seguiu depois em direção do sul. Muitos animais fugiram, entrando nas águas, dispersando-se em direção da Sicília. Hércules os trouxe de volta, matando o rei da ilha, que deles se apossara. O nome Itália, lembremos, tem origem neste trabalho de Hércules. Em Latim, uitulus é vitelo, bezerro. De uitulus, uitela, portanto, saiu Itália.




  
Depois de muitos esforços, recuperando os animais que se extraviavam, perdendo alguns, o restante do rebanho, ainda assim muito numeroso, foi atacado por moscardos gigantescos, enviados pela deusa Hera. Este ataque quase enlouqueceu os animais. Com muita paciência e obstinação Hércules conseguiu recuperar quase todos, inclusive os que haviam se dispersado pelas montanhas da Trácia. Ao final, depois de tão acidentada e penosa viagem, nosso herói deu por terminado o seu último trabalho, entregando os animais a Euristeu em Micenas, que mandou soltá-los nos pastos.

O gado vermelho mencionado neste trabalho é, metaforicamente, a humanidade, a manada, submetida ao monstro de três cabeças, cada uma delas representando os três corpos que aprisionam o homem-massa, a vida instintiva, a vida afetivo-emocional e a vida conduzida pelo mental inferior, fixando-a nos seus desejos inferiores. O vermelho, como sabemos, é a cor do princípio vital, enquanto representa força, a circulação do sangue, a vida instintiva, o impulso vital. O vermelho é a cor das pulsões fundamentais e também das paixões, lembrando a indiferenciação, a vida inconsciente, não reflexiva. Neste sentido, o vermelho tem relação com o mundo infernal, algo devorador, a cor de uma goela chamejante e profunda que indiscriminadamente tudo engole.

        Astrologicamente, como dissemos, estamos no signo de Peixes,
final do inverno, o período que antecede o equinócio de primavera. Tudo o que ainda estava preso a uma forma aqui a perderá. Ideias de liquefação, de dissolução. Tudo é desfeito, a coesão se igualará a zero, fusão com o todo. Retorno ao ilimitado, comunhão, confusão. Dois peixes (matéria e espírito) unidos por um fio, em sentido contrário, um subindo e outro descendo, libertação final. Corta-se aqui o fio para que o corpo deixe de reter a energia. Não mais, então, o corpo como prisão da alma.

Peixes é o último signo do elemento água, associado ao mundo hibernal, onde aparecem os fluxos do degelo que criam o dilúvio purificador, onde tudo é posto em comum, onde as fronteiras são
abolidas. É neste momento que a alma aprisionada faz o seu retorno. Termina o processo iniciado em Câncer (águas ligadas ao nascimento, origem da vida orgânica), que passou pelas águas paradas de Escorpião, lugar de germinações ocultas, de fermentações, de estagnação. Em Peixes, temos as águas em permanente movimento, a imensidão oceânica, a alma se libertando das suas funções terrestres e retornando à sua fonte original, na sua mais perfeita representação, que é a do Brahman dos hindus. 

Enquanto Virgo, signo oposto ao de Peixes, é detalhe, minúcia, particularidade, limite, fronteira, medida certa, este último é o ilimitado, o global, o infinito, o inclassificável, o inapreensível, o inefável, o inconsciente. Duas dimensões: Virgo é a microscopia, a patologia, a relojoaria, a filatelia, a precisão mecânica; Peixes é a telescopia, a astronomia, a nuvem, a imensidão, a galáxia.  Em
MESSIANISMO
Peixes temos, no lugar da ideia de um homem, a de "todos os seres humanos", um oceano comunitário onde não deve haver diferenciação. Peixes engloba por isso o que não é mais, o que está além das fronteiras individuais. No signo, assim, sempre presentes ideias de dilatação, superação, misturas, indistinção, fusão do eu com o não-eu. São do signo os movimentos coletivos de solidariedade, o messianismo, a salvação, o socialismo nas suas diversas formas, o impressionismo na arte. Negativamente, o signo é caos, abulia, anarquia, escândalo, alucinação, droga, visionarismo, escapismo, afinidade com mundos utópicos, perda da identidade, com rendição, em favor do todo.



IMPRESSIONISMO   -   MONET

O planeta de Peixes é Netuno, cujo símbolo é o tridente (trikala, na Índia). Dois deuses na Mitologia grega o usam de modo especial, Poseidon e Hipnos. Nas mãos do primeiro, é indiferenciação, anulação de fronteiras, a indistinção primordial que antecede a criação. É de Peixes que parte a manifestação original, simbolizada, conforme o caso, pela ilha, pelo lotus, pelo carneiro, pelo impulso primaveril, pela montanha etc. Na Índia, quem usa o tridente (trishula) é Shiva, terceira pessoa da trindade hinduísta, o transformador dos mundos e destruidor das aparências. As três pontas do tridente representam o passado, o presente e o futuro ou os três gunas (rajas, tamas e sattva).


POSEIDON   (  NETUNO  )

Quando Hipnos, o deus do sono, irmão gêmeo de Thanatos, deus da morte, toca com o tridente as nossas pálpebras, fechamos os olhos, dormimos; o tempo é abolido, Morfeu, o de mil formas, seu filho, poderá então se manifestar, vindo como Oniro, o sonho enganador, ou Hypar, o sonho premonitório. É em Peixes e com os seus astros regentes (Netuno e Júpiter) que as fronteiras entre o pessoal e o cósmico desaparecem. Os do signo são, por isso, os que menos se pertencem, os que têm mais facilidade para fazer desaparecer o egocentrismo e o individualismo. Daí, os grandes temas piscianos como renúncia, sacrifício, martírio, adaptação extrema, subjetivismo cósmico, plasticidade psicológica excepcional, maleabilidade, receptividade absorvente, sugestionabilidade, vulnerabilidade. Tudo isto pode transformar o pisciano numa caixa indiscriminada de ressonâncias. Ao mesmo tempo, pode ocorrer uma expansão extrema do ser, que levará invariavelmente, os tipos mais malogrados do signo, ao abandono da vontade (não querer ser, não escolher, não decidir), a um deixar-se absorver, ao sacrifício do eu em prol do todo, a êxtases místicos. 

Manias de perseguição podem se apresentar, tendências à fuga, evasão, falta de impulsos energéticos. Em muitos, temos os casos de o menos direcionado dos psiquismos, onde tudo é difuso, oscilante, ficando os tipos mais inferiores sempre sujeitos à mínima vibração ambiental. Nascem neles então, o conformismo, a adaptação, o desejo de serem tratados de modo diferente já que se apresentam como seres muito indefesos. Nos tipos mais passivos, comuns as táticas, o teatro, o papel de vítima que nada faz,  mas que quer ser levada a sério, o irresponsável que pede considerações especiais; arte inconsciente, estratégias infantis, mimetismo, identificação; sensação de vítima sem meios de reação, impotência, resignação. Os mais negativos escolhem suas vítimas, submetem-se a elas, servem-nas, mas as escravizam, nelas criando sentimentos de culpa. Peixes é o signo que mais dificuldades encontra para obter alimento para o seu psiquismo. Por isso, o vampirismo psíquico é uma das grandes marcas do pisciano malogrado.

Os tipos superiores, ao contrário, redimem-se, escolhem, usando as antenas da sua enorme sensibilidade para aliviar males, curar, auxiliar, servir, salvar. Não mais a doença e o sofrimento como refúgio. Agora, um servidor da humanidade. Não mais o complexo de mártir ou de fuga. Transformar o martírio em serviço. Mesmo no pisciano superior, contudo, as características mais positivas estão, muitas vezes, latentes, inibidas, devido à grande pressão do ambiente que o faz captar demais, sentir, desenvolver tendências altamente empáticas. Neste sentido, Peixes é o signo dos embaraços e dos obstáculos. O excesso de água pode impedir que os  traços superiores se manifestem. A saída muitas vezes é feita pelo emocional ou pela imaginação.



As propostas são, pois, as que o décimo segundo trabalho sugere: libertar a alma das pressões dos três corpos, libertar a humanidade do cativeiro, a alma das suas pressões instintivas, afetivo-emocionais e mentais (inferiores). Transmutar o inferior em elevado, a negatividade e impotência em controle; a mediunidade inconsciente em intermediação consciente, a autopiedade e autocomiseração em trabalho aplicado. O dilema pisciano é, em certo sentido, afundar ou nadar. Se nadar, não mais o amor sacrificado, mas o amor oblativo (oblatus, oferecido). "Quem perder a sua vida se salvará! Quem quiser ganhá-la, se perderá!" 

Netuno, o planeta de Peixes, nas suas expressões superiores, é sublime, elevado, relaciona-se com o social, com os salvadores da humanidade, tem a ver com a dinâmica pela qual as obrigações sociais podem ser observadas como resposta a um sentimento obscuro de culpa ou de dever espiritual. Prestar serviços à sociedade, libertá-la, contribuir de algum modo, desenvolver a sensibilidade à injustiça, jogar-se nas utopias com os pés no chão, elevação acima das paixões negativas, ideias de mitigar, de dar alívio, entregar-se a uma causa, proteger, dedicar-se.

É de Peixes a frase: "Feche os olhos e veja!" A riqueza de
SURREALISMO   NO   CINEMA

possibilidades nos do signo pode levar muitas vezes à irresolução, à vida projetada nos sonhos, sempre uma espécie de neblina a envolvê-la, uma neblina que enfraquece os contornos (o Impressionismo e o Simbolismo aparecem como movimentos artísticos quando da descoberta de Netuno em meados do séc. XIX, 1846; são do signo, também, o Surrealismo e o Cinema, a "arte de mentir", que apareceriam mais tarde). 




PÉS   E   PLEXO   SOLAR


Saúde física e psiquismo em Peixes são, mais do que em qualquer outro signo, inseparáveis. Outro aspecto importante: a repercussão que a vida coletiva tem sobre a saúde. É o pisciano o primeiro a captar o sinal das epidemias, hipotéticas ou ainda distantes, o primeiro a estudá-las. Já se observou que o pisciano não é um doente que se escuta, mas um doente que escuta (leitura de publicações médicas, hipocondria, farta documentação etc.). Daí, os diagnósticos difíceis, os erros médicos e de exames laboratoriais, já que há grande tendência de que as causas das doenças estejam sempre em lugares diferentes dos apontados. Mais do que qualquer outro tipo astrológico, são os piscianos os que mais necessitam de médicos generalistas, médicos da família. Grande é a tendência a delírios psicológicos de natureza sensorial. No geral, disfunções glandulares, mucosas, pulmões, problemas alérgicos. A porta de entrada de várias doenças está em muitos casos nos pés. Comuns os inchaços, as varizes, as deformações nos pés. Estudar as relações entre plexo solar (Virgo) e os pés (Peixes). Tudo o que aparece sob o rótulo de veneno, toxina, álcool, droga, de produto sintético ou
artificial é muito prejudicial a Peixes.  Grande vulnerabilidade dos do signo a tipos astrológicos que tenham signos "fortes" e "dinâmicos". Grande afinidade com asilos, creches, prisões, serviços sociais, enfermarias, teatros, cinema, lugares isolados, ilhas, refúgios,  laboratórios. As lágrimas são do signo como líquido do sofrimento. Nos tipos superiores, a lágrima é a água que faz renascer para uma outra vida.

O pisciano superior vai fazer da sua grande capacidade de sentir, da sua piedade natural, da sua compaixão, o impulso básico da sua vida. Transforma assim a ideia de sina, de destino cego, de maldição, a sua hipersensibilidade, num fator positivo. Ele será então capaz de compreender tudo, de perdoar tudo, não mais na base da complacência absurda, mas na perspectiva de que as coisas não mais voltarão a ocorrer. Não mais fazer que não vê, não mais deixar passar, aquela horrível sensação de rendição, de desproteção diante da vida, não mais a simulação da doença. De Sagitário a Peixes, das coxas para baixo até os pés, estes que são os agentes que tudo suportam, resignados, espremidos, apertados, maltratados. Mas são eles, a dor do mundo, que nos põem de pé, verticalmente. É por esta razão que Leonardo da Vinci destacou os pés de Bartolomeu, iluminando-os, o apóstolo que representa o signo, na sua Última Ceia.   


ÚLTIMA   CEIA  -  ESBOÇO  A  CARVÃO  -  ( LEONARDO  DA VINCI )
   
Na galeria dos piscianos, pelo signo solar ou pelo ascendente, encontramos: Schopenhauer, o solitário de Frankfurt, com seu cão Atma; Georges Bernanos (Fico feliz por ter construído tão mal a minha vida...), Gorki, Lenin, Saint Just, Victor Hugo, Chopin (esquizoide, um ferido pela vida); Bach, Oscar Wilde, Flammarion, Rudolf Steiner, Leonardo da Vinci, Galileu, Michelangelo, Einstein, Lautreamond, Montaigne, Petrarca, Ronsard, Edgar Alan Poe, Lindbergh, Leão XIII, Santa Teresa de Lisieux, Renan,   Cesário Verde, Anna Magnani,  Camilo Castelo Branco, Ovídio, Dirk Bogard.

Quando o Sol chega à constelação de Peixes, como se disse, estamos no último mês do inverno, a totalidade criada chega ao fim. Nada mais ficará preso a uma forma. O signo de Peixes se situa no limite entre dois universos, um que está deixando ser e outro que ainda não é.  Por isso, o símbolo do signo, dois peixes nadando em sentido contrário, expressam tão bem esse setor do zodíaco.

É por essa razão que aos nativos do signo é impossível aplicar a lógica do signo oposto (Virgem), a análise, já que vivem mergulhados na sua interioridade, intimamente relacionados com o êxtase e a compaixão. Eis porque o signo acolhe gente como Johan Sebastian Bach, com as suas catedrais musicais, Michelangelo, o pintor do juízo final, e Einstein, com a sua formulação do infinito cósmico diante da finitude terrestre.


JUÍZO   FINAL   -   MICHELANGELO   

 É neste período do ano, fevereiro - março, em que o úmido reina soberano, que temos, com toda a sua evidência, sinais de difusão, de diluição, de fusão das partes na totalidade, de uma imensidão fluida. A água é o elemento em que os mais profundos mistérios da vida se radicam. Nascimento e morte, passado, presente e futuro, tudo se interliga com a água. É por essa razão que os espíritos da água profetizam; para eles, não há fronteiras entre o passado, o presente e o futuro. O tridente de Netuno põe tudo em comum