Mostrando postagens com marcador VELOCINO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador VELOCINO. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

ESCORPIÃO (4)


HADES  ( GIOVANNI  DA  MODENA , 1379 - 1455 )

As três divindades sobre as quais discorremos  em Escorpião (3), conforme as culturas em que aparecem, “convivem”, cada uma a seu modo, com o Hades grego no signo de Escorpião. Sugerem todas, com as suas histórias, o inexorável e constante fluir das formas quando chegamos ao equinócio de outono, período em que, através da destruição, se prepara, no mundo natural, um futuro renascimento. É destas aproximações que decorrem  naturalmente as associações que podemos fazer entre o inferno (Hades) e o oitavo signo astrológico. Ligado à obscuridade, às trevas, à invisibilidade, o inferno, em todas as cosmogonias, sempre apareceu “em baixo”, ctônico, subterrâneo, lembrando o frio, as trevas, as sombras, a solidão.

As ligações do número oito com o renascimento estão presentes em várias tradições. Na astrologia, depois do sete, o número do repouso provisório, o oito indica uma possibilidade de ressurreição sob uma nova forma. Uma das mais conhecidas ilustrações do que aqui se diz, sob o ponto de vista astrológico, é a referência que podemos fazer aos signos de Libra (7), Escorpião (8) e Sagitário
CASULO
(9), aparecendo Escorpião como o casulo, invólucro no qual a crisálida (em grego, krysallis, dos), a larva do inseto, adormecida e entorpecida, se transforma, ocultamente, em borboleta. É por esta razão que a borboleta sempre foi considerada como um símbolo do renascimento. Na antiguidade grega, borboletas esculpidas em túmulos eram indicações de crenças reencarnacionistas.

Quanto ao número oito, é preciso lembrar também que ele aparece em muitas doutrinas orientais, como a budista, por exemplo, através da chamada via óctupla, como um símbolo de
PIA  BATISMAL
SÉ VELHA DE COIMBRA
renascimento. Na tradição ocidental, grega, não é por outra razão que o número oito sempre apareceu associado a Dioniso, o deus das metamorfoses. Não podemos esquecer ainda que as antigas pias batismais, por essa mesma razão, tinham a forma octogonal, na qual o oito se compunha do quatro (símbolo do corpo material), do três (símbolo da alma) e do um (símbolo do divino). Assim, era o número oito, para os primitivos cristãos, aquele que reunia as condições necessárias ao aparecimento de um novo ser pelas águas do batismo


DESCIDA  AOS  INFERNOS ( JEAN  LE  TAVERNIER , ? - 1462 )

A chamada “descida aos infernos” de que nos falam os mitos corresponde na vida cósmica aos primeiros dias outonais, prelúdio do inverno por oposição à ascensão, que ocorre em março no equinócio da primavera. Em todas as religiões de mistério, a descida aos infernos é imagem da morte alegórica, o abandono pelo iniciado (mystes) de sua natureza profana na obscura cela da reflexão, a passagem do negro (nigredo) ao branco (albedo) dos alquimistas. 


CORÃO
O Corão faz do inferno uma entidade devoradora, atribuindo-lhe características de fornalha, de incêndio, de tortura e de abismo sem fundo. As suas sete portas são reservadas aos que não adoraram o verdadeiro Deus e, que, portanto, viveram em pecado. Isto é, os cristãos, os judeus, os magos, os idólatras, os hipócritas e os sabeístas (seguidores do sabeísmo, seita judaico-crista, baseada na magia e na adoração dos astros, do antigo reino de Sabá, sudoeste da Arábia).

O fogo devorador do inferno, em todas as tradições, o fogo que consome e destrói simboliza, dentre outros sentimentos de natureza passional, o remorso, a culpa, o medo do sofrimento moral e a inveja. O inferno católico, como o Tártaro grego, tem um caráter definitivo ao representar o desespero e o endurecimento no pecado e no erro pela total e irremediável incapacidade de mudança. 


HADES  ( PIETER  BRUEGEL , O VELHO , 1525 - 1569 )

As modernas psicologias, fazendo coro a tudo isto, representam o inferno do inconsciente como um mar noturno que é preciso atravessar, isto é, partir de uma situação consciente, no geral muito limitada, mas dolorosa invariavelmente, para que uma outra margem, uma outra forma de vida seja atingida. Este processo se confunde com o próprio processo de individuação que tem início pela descida de uma pessoa à sua interioridade, ao mesmo tempo uma regressão e a busca de uma renovada forma. 

Algumas correntes da moderna psicologia ocidental, numa “leitura” evidentemente retirada da mitologia grega, consideram o inferno um símbolo do recalque, um mecanismo de defesa que teoricamente tem por função fazer com que as exigências pulsionais, condutas e atitudes, além dos conteúdos psíquicos a elas ligados, passem do campo da consciência para o do inconsciente, ao entrarem em choque com exigências contrárias. Se num primeiro momento Hades é a divindade  que tem a ver com essa operação, ele pode, num segundo momento, significar como Plutão a reconstituição radical da personalidade vitimada pelo recalque sobre novas bases, pela rejeição dos elementos deletérios ou supérfluos que nas suas profundezas se encontram. 

Esta reconstituição costuma muitas vezes ocorrer subitamente, de modo imprevisível, uraniano. Qualquer que seja este processo, porém, instantâneo ou demorado, Plutão, astrologicamente, ao comandá-lo, é comumente representado com a cornucópia nas mãos, a nos mostrar que é nesse mundo subterrâneo (inconsciente) que estão todos os valores de que necessitamos, porém mal repartidos ou mal distribuídos. Por isso, a cercá-lo imagens de germinação, de passagens da morte à vida, de metamorfoses. A maieutikê (maia, em grego, parteira) socrática, a arte de fazer com que os espíritos trouxessem à luz, ao consciente, verdades que guardavam desconhecidas ou esquecidas dentro de si, é astrologicamente um método escorpiano para se chegar à “verdade”. Por determinadas perguntas feitas ao seu interlocutor, Sócrates o fazia “descobrir” verdades que estavam dentro dele. O filósofo levava-o a essa descoberta pela reminiscência, anamnese, partindo de dados matemáticos elementares ou de verdades morais universais. A Psicanálise freudiana é, neste sentido, um método maiêutico.

Ainda que muitas tradições antigas tenham do inferno concepções muito variadas, a maior parte delas o imagina como um subterrâneo misterioso e terrível onde as almas dos defuntos suportam sofrimentos indescritíveis como punição por crimes e pecados cometidos sobre a terra. As penas e sofrimentos infernais são estabelecidos por um tribunal, imagem simbólica da consciência, de um eu superior, como o encontramos nas psicologias freudiana e jungiana. 

Além disso, o reino dos mortos sempre foi organizado em vários andares, etapas que deveriam ser superadas conforme o nível de evolução das almas. Os romanos chegaram a um refinamento tal da ideia infernal  que o organizaram em vários degraus, etapas diferentes, onde eram acolhidos os natimortos, os suicidas, os amantes infiéis, os matricidas etc.


DIS PATER
Antes das infiltrações gregas, antigos povos da península itálica, com base em mitos etruscos, davam o nome de Orco (esconder, ocultar) não só ao reino subterrâneo dos mortos, mas à divindade que o governava. Posteriormente, devido ao sincretismo greco-latino, tendo por modelo o Plutão grego, os romanos passaram a dar o nome de Dis ou Ditis à divindade regente desse reino (dis, em latim, rico, opulento, abundante).



Os povos nórdicos, que possuem talvez o mais “escorpiano” reino dos mortos, davam, como os gregos também o faziam, o nome de Hel ao seu mundo infernal, sendo esse também o nome da divindade que o governava (vide a propósito o nome do computador que “trabalha” no filme de Stanley Kubrick, 2.001 – Uma Odisseia no Espaço). Hel se ligava por uma ponte ao mundo dos vivos e era dividido em nove regiões.

MIDGARD
Ao que parece também por influência cristã, o antigo deus Loki, uma espécie de demônio superior, sempre trabalhando no sentido contrário ao das demais divindades, foi assumindo a tutela do mundo do mal, passando Hel, mudando de gênero, a ser visto como sua filha. Hel conviveu desde que “nasceu” com os gigantes, com monstros, como o lobo Fenrir, e com a grande serpente Midgard. Ela dava abrigo, no seu reino, ao monstro Nidhog, que roía dia e noite a árvore Ygdrasil, que fazia a ligação terra-céu nos dois sentidos. 

Foi Odin quem determinou que ela ocupasse esse mundo, também chamado de Niflheim. Sua aparência era terrível, e seu palácio, na região mais profunda do seu reino, era uma réplica infernal do palácio celeste de Odin, o Valhala. Desconsideradas as influências cristãs, a deusa Hel tinha por função, como uma espécie de gerente de um grande hotel, distribuir as almas que chegavam ao seu reino nas dependências que lhes cabiam, conforme a sentença decorrente do seu julgamento. Hel evoca, como se disse, o Valhala dos germânicos, paraíso dos guerreiros mortos nos campos de batalha, recolhidos e levados para lá pelas Valquírias, tão celebradas por Richard Wagner. O Valhala tinha mais de quinhentas portas, tão grandes que oitocentos guerreiros podiam sair por uma delas ao mesmo tempo, quando tivessem que combater os lobos.
CAVALGADA  DAS  VALQUÍRIAS ( PETER NICOLAI ARBO, 1831 - 1892 )

O herói germânico amava a vida, os seus bens e prazeres, não temia a morte porque ela não tinha  para ele o significado de aniquilação inesperada e fatal. A morte era para ele tão só a consumação final de um destino. Mesmo com a chegada do cristianismo, essa ideia não desapareceu. O destino, entidade criadora e transformadora por excelência, é cósmico e nele as individualidades se dissolvem no devir constante e inexorável do universo. Nem os deuses escapam dele, sempre em luta contra a morte e a decadência que constantemente os ameaçam. 


DESCIDA AOS INFERNOS
G. DA  MODENA , 1379 - 1455 )
Aos seres desvalorizados não era consentido sobreviver à morte para gozar as delícias do Valhala. Os que haviam morrido ignominiosamente iam sempre para o Niflheim, o País dos Mortos, do Gelo e das Trevas, cuja entrada era guardada pelo cão Garm. Ali viviam seres monstruosos, os anões, os gigantes e todos aqueles que haviam morrido de velhice ou de doença. Esta região era o domínio de Hel, que encarnava o princípio da doença, da decadência, da morte ignóbil, cujo poder o próprio Odin/Wotan era obrigado a aceitar. Neste reino, ausente qualquer esperança de ressurreição, tudo era sombrio, gelado, trevoso. 

Na mitologia germano-escandinava, os fantasmas e os duplos dos mortos se envolviam frequentemente com os vivos, assombrando-os, aparecendo em sonhos. Essas formas, chamadas de fylgjur, podiam também se manifestar como animais perigosos. Há espíritos dos mortos que se manifestavam, sempre sedentos de sangue e cruéis, chamados druckgeister (espíritos de opressão). Tradição semelhante é encontrada na Escócia, onde temos criaturas hermafroditas com asas de morcego, rosto de mulher, olhos e cabelos de fogo, habitantes dos pântanos, sempre uma séria ameaça a quem, à noite, se aventure por esses lugares.

Foram os escandinavos que criaram um dos melhores cenários relacionados com mitos que universalmente descrevem as catástrofes naturais que ameaçam a humanidade não só em razão dos seus pecados e faltas como também em virtude de ciclos de tempo que se fecham, destruindo tudo o que existe, inclusive
O ANEL DOS NIBELUNGOS
deuses, para que um novo mundo apareça. Este cenário, chamado de Ragnarok (em velho escandinavo, destino fatal dos deuses) ou  de Crepúsculo dos Deuses, descreve um combate final em que os deuses serão mortos por gigantes (Odin engolido pelo lobo Fenris; Freyr morta por Surt; Thor envenenado depois de sua luta contra a serpente Midgard). Depois da catástrofe geral, o mundo renascerá, uma nova idade do ouro, sob a tutela do deus Balder ressuscitado (vide a ópera de Richard Wagner O Anel dos Nibelungos).

Uma das mais “escorpianas” histórias da mitologia grega é aquela que tem Alceste (a defensora, a que afasta o perigo) como personagem principal. Alceste era uma das filhas de Pélias, rei de Iolco. Era a mais bela de todas, muito requestada, cercada de pretendentes. Para evitar complicações diplomáticas, o pai estabeleceu condições praticamente impossíveis de serem cumpridas por qualquer candidato à mão da jovem: ele daria sua filha àquele que conseguisse atrelar, ao mesmo jugo, um javali selvagem e um leão. Além do mais, as bestas assim atreladas deveriam dar uma volta completa numa pista de corridas. 

Um dos candidatos, Admeto (o indomável), graças à cumplicidade do deus Apolo, conseguiu fazer com que Hércules domasse os dois animais, cumprindo assim os requisitos impostos por Pélias. Consta que essa interferência de Apolo se deve ao fato de o deus solar, quando do seu exílio terrestre, ter sido tratado com extrema deferência pelo pai de Admeto, o rei Feres. Outros, mais “venenosos”, afirmam que Apolo, enquanto permaneceu na corte de Feres, havia se apaixonado pelo jovem príncipe. De qualquer maneira, vitorioso, Admeto conquistou a mão de Alceste. Esqueceu-se ele, porém, como era obrigatório em casos de favorecimentos desta natureza, de fazer o devido sacrifício a Ártemis, a deusa da vida selvagem. 

Muito ressentida, a deusa, no dia das bodas de Admeto e Alceste, encheu a câmara nupcial de serpentes. Intervindo mais uma vez, Apolo conseguiu resolver o problema e os noivos puderam ter a sua lua-de-mel. Tudo parecia correr  bem, quando Admeto foi sorteado pelas Moiras e decretada a sua morte (algumas versões nos dizem que por interferência de Ártemis).  Apolo, mais uma vez,  que tinha por Admeto toda a solicitude que se possa ter por alguém, embriagou Átropos, retardando assim a morte de seu protegido, para que se procurasse uma outra pessoa para morrer em seu lugar. Consultados, os pais do soberano, embora muito velhos, mal enxergando a luz do dia, não quiseram fazer o sacrifício pelo filho.

ALCESTE   MORRENDO ( J. F. P. PEYRON , 1744 - 1814 )

Tudo estava nesse pé, quando Alceste, corajosamente, se ofereceu para dar a vida pelo marido, não só por amor a ele mas por considerar que a presença do pai seria bem mais importante que a da mãe para a educação dos filhos do casal. Versões: a) Alceste teria se matado logo, sacrificando-se, ingerindo veneno; ao descer ao Hades, Perséfone, achando absurdo e injusto tal sacrifício, a incitara a voltar e tomar de novo o seu lugar entre os vivos. b) Admeto, diante de Thanatos, que viera buscá-lo, oferecera, covardemente,  ao deus da morte a sua própria esposa como substituta. Quando Thanatos estava para agarrar Alceste, eis que surge Hércules, que recebera hospitalidade de Admeto, depois de ter cumprido o seu primeiro trabalho (As Éguas de Diomedes). Ciente do que ocorria, Hércules travou um violento combate com o deus da morte, conseguindo arrancar de suas garras a jovem e bela esposa de Admeto. 


HÉRCULES   LEVA  ALCESTE  A  ADMETO
( ANTOINE  COYPEL , 1661 - 1722 )
Modelo de uma esposa amantíssima e exemplar e de uma inexcedível piedade filial, a esposa de Admeto e filha de Pélias, com justa razão, deu seu nome ao que chamo de complexo de Alceste, isto é, aquele comportamento, parcial ou totalmente inconsciente, vinculado ao terreno da afetividade, que leva algumas mulheres a agir como a esposa de Admeto o fez com relação à sua vida familiar, como filha, como esposa e como mãe, a mais perfeita encarnação do ideal feminino segundo o mundo patriarcal.   

A inclusão da piedade filial como elemento deste complexo se deve a uma história que envolve Medeia, sobrinha de Circe, feiticeira como a tia. Tudo começou quando Jasão retornou a Iolco, depois da conquista do Velocino de Ouro. Passou a arquitetar com a grande feiticeira, sua esposa, um estratagema para eliminar Pélias, seu tio, que havia usurpado o trono do país, que por direito caberia a seu pai, condenado à morte pelo irmão.  

MEDEIA  E  FILHAS  DE  PÉLIAS
Por amor ao marido, muito humilhado pelo tio desde que voltara da Cólquida, Medeia se aproximou enganosamente das filhas de Pélias, que não sabiam da sua união com Jasão, e as convenceu de que poderia, com a sua arte mágica, rejuvenescê-lo, já muito avançado em anos que estava. Bastaria que as filhas o fizessem em pedaços e que os lançassem num caldeirão de bronze com muita água. Medeia, então, adicionaria a essa mistura um preparado que só ela conhecia, um segredo de sua família, trazendo Pélias de volta à vida numa forma muito rejuvenescida. Para demonstrar do que era capaz, a sobrinha de Circe, usando o processo acima descrito, transformou um velho e trôpego carneiro num jovem e saltitante cordeirinho. 

As pelíades, como a história registra, se entusiasmaram e diante do que lhes fora demonstrado não hesitaram em matar o pai e destroçá-lo. Procurada para que fosse aplicada a sua receita, Medeia não foi encontrada. Jasão e sua família estavam vingados. Dentre as pelíades, Alceste foi a única a não aderir à proposta de Medeia, combateu-a mesmo, afirmando que as leis de Cronos deveriam ser respeitadas por todos, que nem mesmo os deuses poderiam revogá-las, e que amava o pai mesmo velhinho. Assim, além de exemplo de piedade e de respeito familiar, de grande amor ao marido e aos filhos, da aceitação do papel que lhe cabia nesse
ESTER   NUM   PURIM
( E. LONG , 1829 - 1891 )
contexto de superiores valores masculinos, Alceste ofereceu também inegáveis provas de inexcedíveis sentimentos religiosos, merecendo, por isso, dar nome ao complexo que descrevi, tornando-se assim um insuperável exemplo para todas as mulheres atreladas ao mundo patriarcal. Como ela, talvez, ainda que não de todo satisfatória a comparação, pela excepcionalidade de seu exemplo, algumas matriarcas judias como Ester e Léa.

Os habitantes da antiga Acádia, na Mesopotâmia, davam o nome de Girtab ao escorpião, isto é, “àquele que pica”. Era o símbolo das trevas, pois trazia consigo a diminuição da potência solar, depois do equinócio de outono. Há uma passagem da mitologia grega que traduz, com outras palavras, este poder que o escorpião tem de afetar o Sol. O deus Hélio, o Sol considerado fisicamente, depois de muita insistência por parte de seu filho Faetonte, emprestou a ele seu carro.

FAETONTE  ( JAN EYCK , 1390 - 1441 )

Muitas foram as recomendações e advertências, de modo especial quanto à fogosidade dos cavalos e quanto às zonas que, ao transitar pelo Zodíaco, ele iria atravessar. Em cada uma delas um perigo, animais bravios, traiçoeiros, carneiros, touros, caranguejos, leões etc. Bem ou mal, saindo às vezes da eclíptica, encostando na terra, provocando incêndios, Faetonte conseguiu chegar até a sétima constelação, Libra, que não teve problemas para atravessar. Contudo, ao ingressar na constelação seguinte, qual não foi o seu espanto e o seu desespero. Os quatro cavalos, sentindo-se certamente não conduzidos por mãos hábeis, desarvoraram-se, assustados, enlouquecidos, diante do monstruoso escorpião que lá vivia. Faetonte, como a história registrou, perdeu totalmente o controle do carro. Os desastres se sucederam de tal modo que Zeus, a pedido da Mãe Geia, não teve outra alternativa senão a de fulminar o tresloucado jovem, que pagou a sua vida, mergulhando com o carro nas águas do rio Erídano.

Um dos grandes mitos da antiguidade que devemos associar ao eixo Escorpião-Touro é o do deus Mithra, que tem relação com o deus de mesmo nome da religião védica. O nome mithra, na origem mihr, queria dizer Sol. Depois, passou a significar contrato, na época aquemênida, também nome de uma divindade conciliadora para representar a alternância entre a luz e as trevas, assumindo inclusive as funções de um deus de natureza escatológica. Seu culto se espalhou pelo mundo helenístico e depois romano sob a forma de uma religião de mistério (sete graus de iniciação).


MITHRA

A estatuária helenística popularizou a cena da imolação de um touro por Mithra numa gruta. Era o taurobolium, o batismo pelo sangue do touro. De grande penetração no mundo greco-romano, o culto foi muito difundido nos meios militares. Como ideias essenciais do mitraísmo destacamos um zelo ardente pela pureza moral, obtida e conservada graças a uma atitude belicosa, a do “soldado da fé”. Daí, o prestígio do culto entre as legiões romanas, traduzido pela veneração da luz, sendo o único princípio “invencível” o Sol (Sol Invictus). A grande festa do mitraísmo era celebrada no dia 25 de dezembro, uma das datas aproveitadas pelos primitivos cristãos para nela fixar a sua festa de Natal. 

Mithra era, entre os antigos persas, o deus da luz criada, da veracidade, da boa fé e da justiça, sempre invocado como garantia da palavra dada e dos contratos em geral; uma espécie de juiz clarividente das ações humanas. Neste sentido era um mediador entre dois mundos opostos, o mundo luminoso superior (nona casa astrológica) e o mundo da luz criada pelos homens (sétima casa astrológica). Seu culto também estava baseado na doutrina da ressurreição por uma regeneração física e psíquica. As cerimônias eram celebradas numa gruta, em torno de uma lanterna, com ritos especiais, chamados sacramentos: um batismo pelo sangue, pela água pura, por aspersões de água lustral (purificação), por unções de mel, pela distribuição comunitária do vinho e do pão). Os iniciados tratavam-se entre si pelo título de irmãos, sendo os superiores, instrutores, chamados de pais.

TAUROBOLIUM
No séc.II da era cristã, o rito do taurobolium foi introduzido no mundo romano, onde já era grande também a influência do culto de Cibele, Grande-Mãe, oriundo da Ásia Menor. O taurobolium era o batismo pelo sangue do animal, uma aspersão sanguinolenta que transformava o mystes num renatus in aeterneum, nascido para uma nova vida, eternamente. A vigorosa energia do animal regenerava o corpo e a alma do iniciado, pondo-o em comunicação com formas superiores da vida espiritual. Os exércitos romanos difundiram o culto de Mithra por todo o império, com grandes celebrações no dia 25 de dezembro, logo depois do solstício de inverno, quando os dias começavam de novo a aumentar, festejando-se o renascimento do Sol, o Natalis Solis

O taurobolium significava também o controle da natureza primitiva e instintiva do homem, representada em muitas tradições por animais. Há cerimônias específicas para o estabelecimento dessa relação, principalmente em ritos de iniciação para jovens do sexo masculino. O jovem, através deste rito, entra na posse de sua alma racional e sacrifica o seu o lado instintivo, animal, por meio de um outro rito, sendo o mais comum o da circuncisão. Só então o jovem poderá ser considerado um ser humano. É por isso que, em muitas tradições, africanas especialmente, que os animais são considerados como seres não circuncidados. Assim, o sacrifício do touro pelo deus Mithra (sacrifício também encontrado nos cultos dionisíacos) pode ser considerado como um símbolo da vitória da natureza espiritual do homem sobre sua animalidade, da qual o touro é um símbolo comum. 

O que está acima pode, explicar, por exemplo, a popularidade das touradas e de temas míticos como o do Minotauro, símbolo das indomáveis forças instintivas do homem. O culto de Mithra, acredito, também pode ser compreendido, sob o ponto de vista astrológico, como a passagem da era cósmica de Touro para a de Áries, que começa em 1.662 aC., lembrando-se que o planeta Marte rege tanto o signo de Escorpião como o de Áries.

Outra aproximação muito significativa que podemos fazer com relação ao signo de Escorpião é o cotejá-lo com as crenças celtas relacionadas com a morte, com o outro mundo e com as ideias de renascimento. É importante dizer de início que os celtas continentais tinham uma atitude muito  positiva com respeito à morte como está demonstrado tanto por evidências arqueológicas como por testemunhos literários. Julio Cesar, o imperador romano, como se sabe, escreveu uma obra sobre as guerras que os romanos travaram na Gália, contra os celtas. Ele nos informa, pois os conhecia muito bem, que eles honravam deuses muito semelhantes aos dos romanos, inclusive o seu Dispater, a divindade que governava o mundo infernal; informou-nos mais Cesar que os druidas, os sacerdotes celtas, atribuíam muita importância à crença da transmigração das almas. Comentando, porém, esta última informação, ele acrescenta uma venenosa observação: a de que os druidas propalavam essa ideia para que os guerreiros celtas não tivessem medo de morrer. 


LUCANO
O poeta latino Lucano, no primeiro século da era cristã, observou que os celtas encaravam a morte simplesmente como um estágio entre uma vida e outra. Outras fontes literárias (Diodorus Siculus) afirmam a mesma coisa. As tradições mitológicas celtas projetam uma imagem muito ambígua sobre o seu inferno. Fala-se mesmo de uma vida melhor no Outro Lado. Não há dor, sofrimento, decadência; há festas, música, beleza, embora encontremos registros de combates entre heróis que nele se encontram. Outro aspecto, muito contrastante com o que está acima, é o de que inferno pode se tornar um lugar muito perigoso, sombrio, se visitado por humanos antes da morte. 

O aspecto tenebroso do mundo infernal é representado pelos celtas de modo especial nas festividades do Samain, realizada quando o Sol ingressa no sigo de Escorpião. Na Irlanda, era a maior festa, celebrada no início de novembro, marcando o fim de um ano e o início de outro. A festa era um ponto de transição cujos ritos procuravam garantir a renovação e a prosperidade terrena, os êxitos tribais, a germinação da boa sorte para a primavera e o verão seguintes.


SAMAIN  ( F. J. GOYA Y LUCIENTES , 1746 - 1828 )

LUPERCÁLIAS
O Samain corresponde ao Halloween anglo-saxão e equivale à festa de Todos-os-Santos e dos Mortos dos cristãos latinos. Marca, na segunda quinzena do mês de Samon (novembro), o começo da estação sombria, estabelecendo-se então uma comunicação temporária com os mortos. Em oposição a esta festa, no mês Imbolc (fevereiro), temos as celebrações associadas à deusa Brigit, equivalentes às Lupercálias romanas e ao Mardi Gras (terça-feira gorda, último dia do carnaval), festas que assinalavam o fim do período hibernal e o renascimento da vida e do mundo vegetal. A
SANTA  BRÍGIDA , 1280
deusa Brigit era, na origem, uma deusa ligada à terra, ao fogo e à poesia (esta última era considerada como uma expressão do fogo, tendo um caráter não material). Quando da chegada do cristianismo, muitas divindades celtas foram transformadas em santos, como foi o caso de Brigit, que virou Santa Brígida, chamada a Maria dos celtas, venerada tanto quanto São Patrício, o evangelizador dos irlandeses.



LUGNASAD  ( PIETER BRUEGEL, O VELHO , 1525 - 1529)

Em maio, tínhamos as festas chamadas Belteine, que marcavam o início da estação estival. Em agosto, realizavam-se as Lugnasad, em homenagem ao deus Lug, período das grandes assembleias. Estas festas, ao que parece, eram fixadas com base na observação de estrelas importantes. Samain e Belteine tinham início, respectivamente, quando da ascensão helíaca de Antares (Escorpião) e de Aldebarã (Touro). Assim, quando da ascensão helíaca de uma delas, o céu noturno era dominado pela outra. O ano era assim dividido em duas estações, uma sombria, de 179 dias, e outra luminosa, de 186 dias, em harmonia com o calendário climático e agrícola da Europa temperada. As datas das duas outras festas eram determinadas pela ascensão helíaca de Sirius (Lugnasad) e de Capella (Imbolc). 

CALDEIRÃO
O mais importante símbolo de regeneração do mundo celta era o caldeirão, nos seus três níveis: abundância, ressurreição e sacrifício. A maior parte dos caldeirões encontrados em várias tradições míticas deve a sua força mágica à capacidade que eles têm de transformar tudo o que neles é lançado numa massa confusa, equivalente à nigredo alquímica, para que a partir dela possa ser criada uma nova forma. O caldeirão celta lembra a cornucópia, tendo o alimento que nele se prepara um caráter inesgotável, símbolo de um conhecimento sem limites, no que se aproxima bastante de outro símbolo celta, cristianizado, o Santo Graal. O caldeirão celta podia restaurar a vida dos guerreiros, que renasciam mais fortes do que antes. A serpente era outro símbolo usado pelos celtas  para o renascimento, ao representar o conjunto dos ciclos da manifestação universal, o encadeamento do ser à cadeia indefinida dos renascimentos.

Ao falar do caldeirão, não podemos esquecer de Héstia, a deusa
HÉSTIA
grega da lareira. Um de seus atributos era justamente o caldeirão, identificando-o os gregos como uma representação do tesouro particular ou do tesouro público, ou seja, tanto das casas como da polis. Héstia “recebia” o que nelas entrasse. No primeiro caso, dinheiro e alimentos. No segundo, os tributos em geral. Em ambas as hipóteses, tudo era levado para o seu caldeirão, posto em comum, preparando-se uma grande “sopa”, distribuída para os da casa ou para os habitantes da polis, segundo as necessidades de cada um. 



quarta-feira, 23 de março de 2016

ASTROLOGIA E SAÚDE - XI

                                   
Sagitário – Para muitos do signo, refeições podem ser acontecimentos culturais. Tendo-se, porém, em mente o que Júpiter significa essencialmente, prudente será investir nas restrições quanto às quantidades, gorduras, frituras etc. Combater a tendência a consumir sempre mais que o devido. Tentações: pratos exóticos (fascínio do exterior), tendência que piora se Urano entrar de modo dissonante com as suas extravagâncias, levando o sagitariano, como já vi, a buscar coisas como o fugu (peixe baiacu) do Japão, os camarões bêbados da China ou o balut filipino (ovo de pato com embrião). Cuidar, sempre, para que  o ácido úrico (juntas doloridas) não se faça presente.



BALUT   ( OVOS  DE  PATA )

Dentre os tipos astrológicos que mais se desequilibram sob o ponto de vista alimentar, os sagitarianos fazem parte dos grupos mais representativos, principalmente os mais abonados, contumazes frequentadores de restaurantes estrangeiros e, por isso, forte candidatos à gota. Doença reumática provocada pelo ácido úrico, produto final do metabolismo das células do corpo, eliminado pelos rins, a gota, segundo a Medicina, é doença de origem genética, muito mais comum em homens que mulheres. A crise aguda dessa doença, como se sabe, ocorre geralmente à noite e se inicia por uma leve dor no hálux (dedão do pé) e vai aumentando até se tornar insuportável, quando, então, há que se correr em busca de um pronto-socorro.  

Alimentos e álcool são os grandes geradores das crises apontadas. Citemos alguns, quanto aos primeiros: frutos do mar (marisco, vôngole, lula, camarão são os mais importantes), miúdos (moela, fígado, rins e intestino) e excesso de carne vermelha (churrasco e feijoada). Lembro que durante muito tempo, foram tidos como causadores de gota (desaconselhado o seu consumo pelos médicos) lentilhas, tomates e ervilhas. Hoje, ao que parece, felizmente, não mais. Mas, em qualquer hipótese, não há como fugir: o gotoso é invariavelmente um sagitariano, tanto pelo ascendente como pelo eixo das casas seis-doze, observadas sempre, é óbvio, a posição e aspectos dos regentes dessas casas. É por essa razão que muitos sagitarianos estão entre os que mais cometem o pecado da gula, pecado capital, e acabam se transformando em personagens rabelaisianos. Ademais, é bom lembrar, que os sagitarianos solarizados  se sentem muito bem em banquetes, academias e rega-bofes, nos quais buscam honras, sem se dar muitas vezes conta da sua vaidade.  


BANQUETE   DOS   DEUSES  -  FRANS  FLORIS ,  1550

Fraquezas: problemas na circulação arterial e hepáticos,
CIÁTICA
hiperlipidemia sanguínea, autointoxicação, dores ciáticas, musculares (coxas sobretudo) diabetes que passa. Todo sagitariano deve lembrar que fígado e excessos gastronômicos estão relacionados, com reflexos vesiculares (as chamadas crises de fígado). Como
bon vivant, o sagitariano médio nunca deve perder também de vista o estado de suas coronárias. 

De um modo geral, os do signo, pelo ascendente mais, têm um bom potencial de energia e de resistência. É por esta razão que muitos relutam em tomar medicamentos. No geral, devem a sua boa saúde
FÊMUR
a um certo amor pelo ar livre e pela natureza. Pernas e quadris (bacia) pedem uma observação atenta, já que há uma predisposição para o reumatismo. Muito comuns em temas femininos (ascendente Capricórnio e Sagitário na casa doze), quando da menopausa, as fraturas do colo do fêmur; maior perigo obviamente quanto pior a situação de Saturno. 


Dentre os pecados que podem comprometer a saúde dos sagitarianos destacamos a imprudência e a mania das apostas, o que os leva a “dar o passo maior do que a perna”. A ideia de perda da

liberdade os deprime bastante, muito mais talvez do que  aos tipos dos outros signos. Por isso, recomenda-se que só os otimistas os visitem  quando acamados. Sagitarianos, assim, se doentes, não devem conversar nem receber a visita de virginianos e capricornianos, os tipos mais “pessimistas” da astrologia.


O gosto dos sagitarianos pelas aventuras se relaciona com a sua ânsia por viagens, por buscas físicas distantes. Muitos, por isso, arriscam a vida desnecessariamente. Depois de atingida a meia-idade é conveniente que aprendam a moderar a sua intensidade de viver. É conveniente também que, como de costume, não esperem muito para consultar os médicos. Hemogramas anuais serão sempre recomendados, de modo especial depois dos quarenta anos.

Embora se acentue que o sagitariano costuma se mostrar bastante extrovertido (signo de fogo), aberto às tentações da aventura, sempre buscando horizontes novos, não podemos esquecer que muitos do signo enveredam pelos caminhos da introversão, pela busca de viagens interiores, mentais, espirituais ou religiosas, sempre presente um ideal de perfeição e sabedoria. Se o primeiro tipo é o mais sujeito a acidentes (é o caso dos que vivem Sagitário como o signo das apostas idiotas), o segundo tipo pode aparecer como revoltado, inadaptado, não-convencional e até belicoso. Se a dominante fogo aparecer redobrada através, principalmente, de componentes arianos, o perigo aumenta. Estes serão os adeptos da guerra santa, os colonialistas, de índole fascista, cujo modelo arquetípico encontramos no mito grego da conquista do velocino de ouro.



VELOCINO   DE   OURO  ( VASO  GREGO )

Sob o ponto de vista físico, a grande ameaça aos sagitarianos é naturalmente a sua clara tendência aos excessos. Estes excessos encontram as suas mais perigosas expressões na vida social e profissional. Uma comparação: enquanto os excessos aquarianos pedem pouco envolvimento físico, pois eles contam com os recursos da tecnologia, os dos sagitários, ao contrário, exigem presença física, deslocamentos, esforços, musculatura, pois eles gostam de sempre estar “lá, à frente, onde as coisas acontecem”, desejosos de reconhecimentos e de honras, as suas grandes motivações. Além do mais, nunca se deve esquecer que Júpiter, o planeta regente do signo, representa o guia, o condutor, o “homem que sabe”. Aliás, esta noção de guia que encontramos em Sagitário pode ser ampliada e melhor compreendida se ligarmos (aspectos harmônicos) Júpiter a Plutão (guia nas trevas, mestres espirituais), Júpiter a Saturno (guia que leva às alturas), Júpiter a Lua (guia que conduz a multidão), Júpiter a Mercúrio (guia intelectual) etc. 

Enquanto ao signo oposto, Gêmeos, correspondem os braços e a atividade pulmonar, ao signo de Sagitário correspondem as pernas
COXO - FEMURAL
(o coxo-femural), o fígado e as artérias. Os acupunturistas, há muito, nos ensinaram sobre a influência recíproca que há entre pulmões e fígado, já que problemas num destes órgãos influenciam negativamente o outro. Por outro lado, presentes os exageros alimentares, com o consequente aumento dos riscos das arteriopatias obliterantes, há que se partir, radicalmente, para a supressão do fumo, do álcool, dos queijos gordos e das gorduras animais. O tratamento clássico, como sabemos, utiliza vasodilatadores e anticoagulantes. Bons aspectos entre Júpiter e Urano podem recomendar, em casos extremos, intervenções cirúrgicas no sistema arterial. 


Já a diabetes, uma enfermidade de natureza sagitariana, é um mal ligado à nutrição (com fortes ligações emocionais, lunares), gerador de problemas com relação à secreção pancreática (dificuldade na utilização dos glicídios). Caracterizada, no geral, por uma excreção exagerada de urina e sede intensa, a diabetes é palavra que vem do verbo grego diabenai, atravessar, de onde saiu a palavra grega diabetes, sifão. Numa tradução aproximada, diabetes seria então a enfermidade que faz com que a água atravesse o corpo, que passa a funcionar como um sifão. Aspectos dissonantes entre Júpiter, Lua e Vênus recomendam, quanto a esta enfermidade, desde cedo, observação acurada se temos Sagitário no ascendente e no eixo seis-doze. Nas pancreatites, comuns as dissonâncias entre Saturno (obstrução) e Júpiter (pâncreas e vias biliares) e, consequentemente, as suas complicações arteriais, jupiterianas.     
  
Capricórnio – formal como Libra à mesa, é um grande adepto das virtudes frias:  conservadorismo, parcimônia, seriedade, circunspecção. Como Virgo, gosta de observar os horários, o que sempre é muito conveniente para a saúde. Uma tendência a transformar as refeições em cerimonias familiares pode aparecer. Problemas digestivos costumam se manifestar (ação reflexa se a casa doze for canceriana). 

Há, de um modo geral, como quanto aos de Virgo, preferência por bebidas “íntegras”, que respondam exclusivamente às necessidades do corpo. Nada de caprichos, de fazer concessão ao instante. Um grande problema: Capricórnio é um signo melancólico, taciturno muitas vezes, que costuma buscar isolamento. Para muitos, presos a estas características, o lado social das refeições não existe. Os reflexos deste comportamento costumam se manifestar, como a astrologia mostra, nos mais fechados, como problemas digestivos e psicológicos. 

O capricorniano médio tende a dar preferência a uma cozinha de

sabores restritos. Os cereais serão apresentados sem qualquer artifício, muitas vezes cozidos apenas em água. Estatisticamente, é entre os capricornianos que encontramos o maior número de macrobióticos e vegetarianos. Costumam ser grandes consumidores (tendência saturnina), para obter a sacarose e a glucose de que necessitam, muitas vezes sem o saber, de frutos secos. 


Fraquezas: desmineralizações em geral; fraqueza nos joelhos, perda do líquido sinovial, reumatismos articulares; dermatoses crônicas, ectima (forma grave do impetigo), rosácea, verrugas, alopecia, envelhecimento cutâneo (sobretudo o de causas genéticas) etc. Digestões lentas, neurastenia, hipocondria, esquizofrenia, melancolia grave, esta comumente associada à depressão. Há muitas vezes decidida preferência pela medicina tradicional (médico da família) e por medicamentos também tradicionais. 

De um modo geral, o capricorniano médio tem uma boa resistência às doenças. Quando doente, porém, não é fácil de ser tratado. Insistência quanto aos pormenores e demasiadas preocupações (educação, tradicionalismo, peso dos mais velhos, consciente ou não) costumam repercutir negativamente no seu estado físico. Com dificuldades para estabelecer contactos e para se abrir com relação aos seus problemas, é sempre importante que os capricornianos encontrem pessoas que “os possam compreender”, tanto no plano físico como afetivo. Para isso, terão que vencer a sua “necessidade” de isolamento. Para o capricorniano, o contacto humano será sempre o melhor antídoto para as suas “normais” tendências depressivas. 

A secundariedade, como se pode concluir facilmente, é de Capricórnio. Dos signos, Capricórnio talvez seja o que mais tipos fleugmáticos forneça (impassibilidade, autocontrole, frieza, aparente apatia). A tipologia capricorniana pode ser definida, basicamente, através de três modelos. O primeiro, simbolizado pela

cabra montanhesa, é o capricorniano ambicioso, no qual encontramos um forte desejo de poder (alto da montanha, picos elevados). Costuma ser calculista, obstinado,  altamente direcionado, principalmente se Marte estiver em Capricórnio. Suas metas são de médio para longo prazo, nunca imediatistas. Este tipo, como todo capricorniano, aliás, costuma ter um começo de vida difícil, já que terá de vencer o que carrega, como todos, dentro de si, a ideia de que o “olhar dos mais velhos” está sempre pousado sobre ele. Conquistador de picos montanhosos, este tipo, voltado unicamente para as conquistas materiais, se não cair por si mesmo (por não calcular bem o ”pulo” de uma pedra para a outra) ou for derrubado (alguns o são), costuma terminar os seus dias na solidão, envolvido por um clima de austeridade, temor e isolamento, só visitado por parentes algumas vezes, muito a contragosto, por causa dos bens que poderá deixar como herança.



CRONOS
FRANCISCO  GOYA  Y  LUCIENTES
1823
O tipo capricorniano mais doentio talvez seja, como dissemos, o vitimado pelos complexos de Cronos ou de Isaac: submissão incondicional, em ambos os casos, à figura paterna e/ao que ela representa. Na iconografia capricorniana, estes tipos complexados podem ser representados por uma obediente e disciplinada cabrinha de fundo de quintal. Jamais tendo conhecido qualquer sentido de elevação, este tipo tem, simbolicamente, na astrologia hindu, o seu Sol engolido por um crocodilo (Makara, nome que lá tem o signo de Capricórnio).

O terceiro tipo é o mais raro, sendo simbolizado pelo Lycorne, isto é, pelo Leão de Chifre (Lyon Cornu). O chifre, como se sabe, aparece em todas as tradições da antiguidade para representar a penetração do espiritual ou do divino no plano da matéria. É, pois, o caso do capricorniano que procura simbolicamente sair do pico da montanha para algo mais elevado ainda (uma espécie de troca de matéria por energia). O tipo Lycorne é uma espécie bem mais refinada e evoluída que o tipo montanhês. Do topo da montanha, onde se encontra, este tipo usa o poder material que conquistou e de que dispõe para se tornar um servidor da humanidade (às vezes, projetos e ideais de casa onze, de um Saturno aquariano). Uma variante deste tipo é a do Lycorne que abandona tudo, o mundo, que radicaliza, se desfaz de todas as suas conquistas e toma o caminho do despojamento, para se voltar para uma ascese de natureza exclusivamente espiritual, passando a viver em lugares ermos e solitários (muitos escolhem as grutas, que são do signo oposto, Câncer). São muito poucos, mas existem. O Lycorne que aqui menciono nada tem a ver aquele cavalinho branco, delicado, de chifre, acariciado por uma Virgem, que a iconografia medieval, de fundo cristão, introduziu na arte, dela expulsando o “verdadeiro” lycorne, o Leão de Chifre. Astrologicamente, este leão, de número dez, como fica fácil constatar, é duas vezes leão, cujo número é o cinco. 


TAPEÇARIA   DE   LA   DAME   À   LA   LYCORNE  ( MUSÉE DE CLUNY , PARIS )

O planeta regente de Capricórnio, Saturno, atua sempre no sentido da concentração, do endurecimento, da supressão, da obstrução e da atrofia de órgãos e funções. Daí Capricórnio lembrar enfermidades ligadas à retenção, à cristalização e ao depósito de substâncias que normalmente deveriam ser eliminadas pelo corpo. 
Um grande perigo que ronda os capricornianos é o que, sob o ponto de vista astrológico, chamo de desmineralização, a perda excessiva de substâncias minerais que costuma ocorrer em idosos, como a óssea, por exemplo. Esta desmineralização aparece em muitos capricornianos como responsável, conforme o caso, pela fraqueza dos joelhos, por derrames da sinóvia, por dermatoses crônicas (psoríase) etc. 

A sobriedade de muitos capricornianos (Sol, ascendente, Saturno poderoso) pode ser uma garantia de longevidade, mas pode levá-los, na mesma proporção, a restrições alimentares perigosas. Isto acontece principalmente quando eles adotam certos regimes vegetarianos, frugívoros e outros, sem uma competente orientação, que acabam por causar sérios problemas de desnutrição.   

Aquário – Refeições e comensalidade (ágape) andam juntos. A reunião às vezes será mais importante que o alimento, este nem sempre merecendo a devida atenção, qualitativamente falando. No geral, há, porém, rejeição do tradicional pelas novidades (o perigo da junk food). Problemas circulatórios (acidentes vasculares) costumam aparecer por erros alimentares. O cerebralismo (não a inteligência) e a procura do diferente e do excepcional podem fazer o aquariano experimentar modas e produtos dietéticos diversos. O tipo médio, “normal”, tem predileção pelo que chamamos de bebidas “elétricas”, que simbolizam a contestação, a modernidade. Grandes adeptos das “colas”, de bebidas de sabor e coloração “metálicos” (gosto de matéria plástica).

Um perigo: o aquariano médio gosta de evitar o que chama de “monotonia dos horários”. Daí, as refeições em horários estapafúrdios, a falta de regularidade, essencial para uma boa saúde. A alimentação é pautada muitas vezes pelo não-conformismo nutricional, sendo eles os “naturais” inimigos das receitas lunares. Embora um pouco exagerada a afirmação, já se disse que todo aquariano é um “andrógino latente” (no que lembra muito o geminiano) e que isto vai se refletir nas suas escolhas nutricionais. O gosto pelas invenções e pela tecnologia podem levá-

lo a possuir a “mais moderna das cozinhas” (vidros, metais, utensílios ultramodernos, desenho industrial revolucionário, fogões, geladeiras, batedeiras que “só faltam falar” etc.). Comum que muitos possuidores destas “maravilhas” não as saibam usar. O elã futurista pode fazê-lo um adepto de formas de nutrição onde entrem comprimidos desidratados, pílulas, ampolas rejuvenescedoras etc. A pouca motivação culinária e a tecnologia (aparelhos que fazem tudo sozinhos) tornam muitos aquarianos os mais propensos, dentro do zodíaco, a ter decepções com os resultados da sua cozinha (passar do ponto, temperaturas inadequadas, carbonizações etc.).


Os aquarianos são os campeões quanto ao consumo de pratos pré-cozidos e de alimentos congelados. Não é por acaso que muitos consideram a preparação de alimentos uma perda de tempo (o conflito Saturno-Urano ou o espaço versus o tempo). 

Fraquezas: fragilidade do sistema venoso, varizes, flebites, úlceras varicosas, problemas de capilaridade circulatória, espasmofilia, movimentos físicos involuntários,  hipersimpaticotonia, ciclotimia,
MEDICINA   NUCLEAR
depressões nervosas. Nos tratamentos, o aquariano é sempre pelo “mais moderno” (adora hospitais que exibam as suas últimas conquistas). São muito seduzidos por scaners, prescrições informatizadas, operações a laser, medicina nuclear etc. Consciente ou não, é o maior adepto e propagandista da “medicina do futuro”, ou seja, da medicina tipicamente norte-americana. Nesse ínterim, muitos se esquecem de prestar atenção aos seus tornozelos, pernas, artérias, circulação venosa e hipófise.


Referência especial merece esta última: colocada sob a regência de Urano, a hipófise é uma pequena glândula situada no cérebro, mais adentro, atrás do nariz; é considerada como a glândula cibernética (glândula-mãe para outros) ao controlar a função de várias outras como a tireoide, os ovários, os testículos e as suprarrenais. Fabrica alguns hormônios próprios, como o do crescimento (o gigantismo e o nanismo são descontroles uranianos; neste particular, veja o mapa

astrológico de Lewis Carroll neste blog) e o antidiurético também chamado de vasopressina, cuja função é aumentar a pressão arterial e diminuir o volume da urina; é usado como antidiurético no tratamento do diabetes insípido. Ligada ao hipotálamo, é uma espécie de processador central do nosso organismo, controlando uma série de funções voluntárias com temperatura, fome, sono etc., além de exercer uma função semelhante à de um termostato (feed-back).


Um parêntese: a diabetes, acima referida, é, no geral, um distúrbio que se caracteriza por uma excreção excessiva de urina (poliúria) e sede intensa (polidipsia). De um modo geral, como já dito anteriormente, três astros aparecem envolvidos desarmonicamente, no diabetes, Júpiter, Vênus e Lua. No diabetes insípido,  também como se disse, pela falta de vasopressina, a urina é muito clara e de baixa densidade específica. Conforme se pode constatar é um desequilíbrio ligado ao elemento água e, como tal, ao emocional, já que os três mencionados planetas têm relação direta com o elemento.  Já o diabetes melito, é também chamado de açucarado, sacarino ou melitúria. Neste, como características principais, temos hiperglicemia, glicosúria, alterações do metabolismo das proteínas e das gorduras. Conclusão: urinas abundantes, muita sede, perda de peso etc., um quadro muito perigoso que costuma levar à morte. Fecha-se aqui o parêntese. 

Por exigirem muito de si mesmos, muitos aquarianos tendem a estragar a sua saúde. Como seu sistema nervoso é muito sensível, muitos são vitimados por esgotamentos cerebrais e, consequentemente, por males psicossomáticos. Um ponto que deve merecer a atenção dos aquarianos é o sistema nervoso vegetativo (parte do sistema nervoso constituída de neurônios sensitivos e motores que regula funções como a respiração, a digestão, a excreção e a circulação, dividindo-se em sistema nervoso simpático e parassimpático, cujas funções se complementam de modo a coordenar  o funcionamento de todos os órgãos). Muitas das extravagâncias atribuídas a personalidades aquarianas decorrem de desajustes entre estes dois últimos sistemas.




De um modo geral, os aquarianos não têm “tempo” para moléstias ou tratamentos prolongados. São grandes adeptos de terapias de grupo. Grandes riscos também para aqueles que gostam de experimentar, sem o conhecimento adequado, terapias e remédios no caso de resultados não satisfatórios com as respectivas ortodoxias nestas áreas. Além de tudo, é bom lembrar que uma casa seis aquariana muito “espaçosa” pode comprometer bastante a saúde de quem a tem, pois, devido à falta de tempo, as refeições serão consumidas muito rapidamente, se é que sejam feitas.

Capricórnio e Aquário, cada um a seu modo, são signos de elevação. A corrupção deste último se dá quando os aquarianos, abandonando os ideais humanitários do signo, pensam que podem melhorar o mundo somente através da via tecnológica (complexo de Ícaro). Outro perigo que ronda Aquário é ação reflexa leonina, sempre uma ameaça que se concretiza até com muita frequência; a de que por trás de discursos democráticos e idealistas se escondam monumentais egos centralizadores, ávidos de poder. 

Mais ainda: embora a dialética ar-água esteja na base da compreensão do signo, a tendência altamente volátil dos aquarianos, o seu grande ideal de desprendimento pela via tecnológica ou não, em nome de ideais, da ciência, da criatividade, da inventividade, da novidade, os leva a não mais tocar a terra, ficando eles a pairar nas alturas. Daí, o chamado complexo de Prometeu, do qual muitos são vítimas. Muitos, neste caso, vivem sempre num clima de alta tensão, inadaptados, excêntricos, originais e revoltados, voltando as costas para as convenções, quando não adotando um comportamento totalmente antissocial. Serão estes certamente os mais sujeitos a contratempos, a grandes viradas do destino e a acidentes, principalmente se houver uma dominante fogo desarmônica, de características arianas e sagitarianas principalmente. 

Muitos aquarianos, inteiramente tomados por ideias futuristas e
SISTEMA   VENOSO
fantasiosas, acham que podem antecipar certas sacadas da medicina que lhes proporcionariam tanto a longevidade como a saúde eternas. Esquecem-se, nesse afã, por exemplo, de prestar atenção num de seus pontos mais fracos, a circulação venosa. Frágil, o sistema venoso dos aquarianos é responsável por muitos males que os acometem nesta área, varizes, flebites, úlceras varicosas, problemas de capilaridade etc.   


Peixes – Quanto à alimentação e refeições, hábitos irregulares, indiscriminação, preguiça (o alimento costuma ir diretamente da geladeira para o prato). Alguns facilmente chegam à anarquia alimentar. É preciso evitar bebidas alcoólicas antes das refeições (destruição das enzimas). Comum também o caso do pisciano que, em razão de uma visão idealista do mundo, passe a vida a procurar um modelo de pureza alimentar nunca encontrado. 

Todos sabemos do perigo que ronda os piscianos malogrados, desejosos de escapar dos seus limites físicos. Ameaça-os sempre a tentação das drogas e do álcool. As estruturas psíquicas dos piscianos são muito frágeis, daí a necessidade de ser buscada uma educação, um certo controle. Tudo isto os leva muitas vezes a se refugiar nas dietas frugívoras (carpófagos) ou vegetarianas, em dogmas nutricionais que defendem a abstenção de proteínas animais ou em ideais simbólicos (forma e cor dos alimentos). 



ABSINTO   ( DEGAS , 1876 )

Tudo o que é denso, pesado e consistente (tamásico, como dizem os hindus), costuma assustar muitos piscianos; daí, as preferências por alimentos e refeições que não sejam volumosos; tudo o que lembra a água, o esponjoso, o líquido, o que está em estado de dissolução, enfim, costuma seduzi-los: pepinos, melões, melancias, iogurtes, sopas, papas, caldos, queijos cremosos e, naturalmente, os peixes de carne delicada.  

Fraquezas: problemas no sistema fibro-ligamentoso, nos pés principalmente, sensibilidade das vias respiratórias e dos intestinos (ação reflexa de Virgo); sudação excessiva das extremidades (participação emotiva), tendência depressiva, temperamento esquizoide, alergias, infecções generalizadas, problemas com a dosagem dos remédios, simulação de doenças. Acima de tudo, porém, lembrar que os grandes males dos piscianos, mais do que os de quaisquer outros dos tipos zodiacais, são de natureza anímica. Muitas vezes, em Peixes, não é o corpo que sofre, mas a alma. É neste sentido que tudo o que afasta da realidade seduz o pisciano, a fotografia, o cinema, a religião, a droga, a anestesia, o sonho...

Os piscianos costumam se descuidar bastante com relação à sua saúde. Sintomas de caráter psicossomático são comuns; por isso, muitos encontram refúgio nesse tipo de sintomatologia. Merecem

cuidado especial as perturbações relacionadas com os líquidos contidos no corpo, em especial a linfa e as glândulas que a segregam. Por razões óbvias, por isso, quaisquer ferimentos devem ser desinfetados prontamente. Evitar também que a procura de tratamento ocorra só quando o mal já estiver instalado e mesmo tiver prosperado, tendência de muitos nativos do signo. 


Influenciáveis e crédulos, os piscianos (malogrados) devem se
XAMÃ
precaver com relação às promessas de cura, evitar os milagreiros, os taumaturgos, os xamãs, os famosos “passes”, as imposições das mãos etc. Como Peixes é o signo que mais dificuldade tem para avaliar quem merece confiança ou não, é preciso que os do signo sempre procurem um bom aconselhamento quando se tratar de ir a um médico, a um terapeuta. Familiares e amigos (vá lá!) são sempre os mais confiáveis. 


Muitos piscianos mergulham de cabeça na espiritualidade e esquecem no geral do corpo físico, maltratando-o bastante. Ambos, ou todos, o corpo físico, o afetivo-emocional, o mental e o espiritual, o consciente e o inconsciente, como um todo, como sabemos, devem merecer a nossa atenção (vide a teoria dos elementos).

Em Peixes, temos ideias de imensidão, de infinito, de ilimitado, do que não pode ser apreendido, medido, classificado (Mercúrio exilado). O ser se expande e dilata para passar a fazer parte de um todo maior. No signo, reinam Júpiter, o planeta da dilatação, da expansão, e Netuno, o astro da solutio e da integração universais. Daí, o grande perigo para os do signo: a sua plasticidade excepcional, a sua receptividade, a sua impressionabilidade. A pergunta se impõe: será possível aos do signo dar um pouco de organização ao “seu” caos? Impedir as permeações, que se traduzem geralmente como males psicossomáticos, alergias especialmente. 

Netuno, como sabemos, tem a ver com choques anafiláticos. A anafilaxia é uma reação alérgica grave, sistêmica, podendo envolver vários órgãos do corpo simultaneamente. É sempre, por isso, uma emergência médica. Causas: alimentos (frutos do mar e nozes), látex (borracha), medicamentos (penicilina), veneno de insetos. Algumas substâncias idem, anti-inflamatórios, contrastes para exames etc. O perigo aumenta quando a infiltração e a permeação aumentam. Perigos: o ascendente em signo de água, com Netuno, Lua ou Vênus como hyleg ou dissonâncias entre esses três planetas, principalmente se Marte ou Plutão (significadores de cirurgias) participam negativamente do grupo. Trânsitos da Lua (ou Lua cheia) sobre esse grupo requerem muita atenção (mude a data da operação, se possível ou, então, “pague para ver”).

Qualquer que seja a tipologia pisciana, a dilatada, expansiva, ou a introvertida, a do tipo que se volta sobre si mesmo, para a sua interioridade, reduzindo o seu espaço vital, o perigo, parece-me, é sempre o mesmo. Se o primeiro deixa-se levar, às vezes fisicamente, pelas correntes marinhas embalado pelas velas do sonho, sempre em busca de paraísos inatingíveis, noutras vezes instigado pela sua imaginação, o outro se fixa numa ilha interior ou no seu equivalente em terra firme e nela permanece. 

O pisciano (como o seu oposto virginiano) está sempre envolvido em questões que digam respeito à saúde, mas, no geral, ele as considera de um modo muito peculiar. Explicando melhor: enquanto Virgo vai da interpretação dos sinais e dos sintomas que sente para definir mais claramente uma patologia, Peixes costuma se preocupar antes com o que acontece coletivamente, de como o “todo” o afetará, epidemias, contágios etc. Já se disse que o virginiano é um doente que se escuta e que o pisciano é um doente que escuta. Como o virginiano, o pisciano costuma ser grande leitor
MICRÓBIOS
de revistas especializadas em saúde, publicações sobre os mais variados tipos de tratamentos e terapias. O pisciano médio tem grande horror, quando falamos de doenças, de tudo que é invisível, microscópico, bacilos, vírus, micróbios etc. Por isso, muitos, inclusive os virginianos, são grandes conhecedores de produtos médicos e higiênicos usados na medicina e na limpeza doméstica, nas cozinhas e nos banheiros.


O que fica de Peixes é que a saúde de seus nativos dependerá bastante (totalmente ?), muito mais do que da alimentação, do ambiente (recipiente) em que viverem. Os pés, como se disse, costumam ser a parte corporal por onde muitas doenças atacam os piscianos. Os pés dos piscianos (ascendente, em especial) são pequenos, achatados, têm pouca musculatura e ossos frágeis, muito afetados por tudo, pelo solo em que pisam, pela grande quantidade de sapatos que muitos vão juntando com o tempo etc. Tenho para mim que o maior sofrimento dos pés de um pé pisciano chama-se nostalgia do mar, um sonho impossível, inconsciente, de voltarem a

ser barbatanas. Realmente, essa “parte fraca” costuma apresentar grandes problemas: deformações, joanetes, quedas do arco, unhas encravadas, dedos tortos, encavalados etc. No mais, aqui vão alguns dos problemas: o famoso pé-chato (pé plano-valgo) e o seu contrário, o pé cavo (pode ter origem neurológica), o pé torto congênito (limitação da flexão plantar ou planta do pé voltada para dentro etc.), o pé reumático, o hálux valgo ou joanete (dez vezes mais frequente em mulheres que em homens) etc.


Sugestões podem afetar bastante a saúde de piscianos, principalmente as influências exercidas por pessoas de signos fortes e dinâmicos. Por essa razão, muitas pessoas, inclusive médicos em geral, que ignoram tudo isto, costumam considerar os problemas de saúde dos piscianos apenas como um caso médico e não psicológico. Embora esta avaliação não esteja totalmente equivocada, sempre será possível ajudar o pisciano a vencer os seus problemas reais ou imaginários. 

Em primeiro lugar, piscianos não devem viver em lugares e atmosferas “escorpianos”, sombrios, carregados, parados. O pisciano, literalmente, afundará. Sabe-se que a imobilidade e a umidade costumam lhes fazer muito mal. O realismo que se pede a um pisciano médio é que ele procure sempre equilibrar adequadamente a sua dieta de proteínas animais, que corresponda a suas necessidades físicas, já que os do signo não são de prestar muita atenção a este importante detalhe. Nada de ideais de pureza quando se tratar deste problema. Uma alimentação pisciana que procure só as proteínas em ovos e queijos, como se disse, sobrecarregará a filtragem renal e hepática pela grande contribuição lipídica, agravado o quadro pela considerável fraqueza emunctória que muitos possuem. Muita reserva, pois, com relação ao leite e aos seus derivados na alimentação cotidiana. O natural linfatismo (pernas e pés pesados) e mesmo problemas circulatórios, reumatismos e outros dos piscianos poderá ser combatido, com certo sucesso, com o devido controle médico, pelo uso de algas, que, como se sabe, contêm iodo em grandes proporções.

A maior parte dos problemas de saúde dos piscianos está ligada a alergias, reações anormais do organismo após sensibilização por substâncias (alimentos, remédios, bebidas etc.) que não geram problemas semelhantes na maior parte de outras pessoas. A alergia é sempre um sentimento de antipatia, de aversão. Regimes alimentares adequados poderão ajudar na correção dos problemas nesta área. A Medicina não sabe porque certas substâncias provocam alergia e outras não e também porque nem todas as pessoas apresentam o problema quando em contacto com um determinado alérgeno (substância inofensiva que provoca uma reação desproporcionada do sistema imunológico). 

 O que aqui se diz com relação aos piscianos, quanto às alergias, pode ser estendido quando tivermos que analisar o papel de Netuno em qualquer mapa astral, de piscianos ou não. Será sempre ele o deflagrador dos processos alérgicos. No caso específico destes problemas sob o ponto de vista alimentar deverão ser observadas naturalmente as relações de Netuno, Vênus e Lua e aspectos estabelecidos entre o ascendente e as casas quatro, seis e doze, principalmente.  



A melhor educação que um pisciano pode obter é aquela que a via alquímica oferece, uma educação que o ajude a estruturar melhor o seu frágil psiquismo, sempre voltado para a liquefacio e pouco ou nada para a coagulatio, isto é, sempre voltado para o natural afastamento de tudo o que denso, tamásico, como dizem os astrólogos hindus. Estas observações poderão ajudá-lo, por exemplo, vencidos os seus pruridos “espirituais” de pureza, a incluir alguma proteína animal para equilibrar melhor as suas necessidades fisiológicas, afastando-o certamente do risco de carências nutricionais mais graves.