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sexta-feira, 15 de abril de 2016

PLUTÃO (1)





Plutão foi notado no dia 21 de janeiro de 1930, depois de muitas pesquisas. Desde o início do século XX que alguns astrônomos notavam certas irregularidades na órbita de Netuno, descoberto em meados do séc.XIX. O astro responsável por essas irregularidades, revelado em janeiro de 1930, teve o seu descobrimento anunciado a 12 de março do mesmo ano.

Para designar o planeta descoberto foram sugeridos centenas de nomes, mensagens enviadas de várias partes do mundo ao observatório Lowell. Segundo consta, o nome Plutão, divindade
PERCIVAL   LOWELL
infernal dos gregos, foi sugerido por uma menina de onze anos, de Oxford, interessada em mitologia grega e astronomia. A sugestão prendeu-se ao fato de ser o planeta descoberto frio, gelado, escuro, rochoso e extremamente sólido. No dia 24 de março de 1930, o nome sugerido pela menina foi aprovado oficialmente pelas entidades científicas. Outros historiadores da astronomia, entretanto, dizem que o nome foi escolhido para homenagear o astrônomo Percival Lowell (as duas primeiras letras de seu nome), aquele que primeiro mencionou a existência de tal planeta. 

O planeta descoberto era o mais distante do sistema solar, embora nem sempre esse afastamento se mantivesse de modo uniforme. Por causa da excentricidade de sua órbita, no seu periélio, ele invadia a órbita de Netuno, alterando-se essa posição, deixando Plutão de ser o limite do sistema solar. Tal alteração ocorria, como se constatou, sempre que Plutão transitava pelo signo de Escorpião, sendo o seu  afélio de quase 7,5 bilhões de km. Percebeu-se também que Plutão afetava tanto os movimentos de Urano como os de Netuno, muito maiores que ele, o que podia ser atribuído à sua densidade, nove vezes maior que a da Terra, e possuir ele uma poderosa força gravitacional, cinco vezes maior que a da Terra. 





Plutão dista do Sol, em média, cerca de 5 bilhões de km. Sua órbita tem grande inclinação, 17º, podendo ele levar de 12 a 32 anos para atravessar um signo. O diâmetro de Plutão é de 2.320 km. (66% do diâmetro da Lua). Seu passo médio anual é de 1º, sendo sua translação, também média, de 250 anos. O ano de Plutão tem o equivalente a 91.250 dias terrestres. Sua permanência média em cada signo é de 29 anos. Temperatura (média): -229º. Duração do dia (rotação): 6,5 dias terrestres.  Satélites: Charon (Caronte, que alguns acham não ser um satélite, mas que forma com Plutão um planeta binário), descoberto em 1978. Depois,  foram descobertos Nix e Hydra em 2005, Kerberos (Cérbero) em 2011 e Styx (Estige) em 2012. Com essas descobertas, Plutão passou a ter mais luas (satélites) que Mercúrio, Vênus, Terra e Marte juntos.

Astrologicamente, no símbolo de Plutão, incorporam-se os três elementos presentes na composição simbólica dos demais planetas, o círculo, o semicírculo e a cruz. Numa leitura “ascensional”, temos a alma elevando-se acima do corpo e o espírito situando-se acima desta, uma ilustração que se ajusta perfeitamente ao que Plutão representa astrologicamente como regente diurno do signo de Escorpião (Marte é o regente noturno). Plutão se exalta em Áries, tendo a sua queda em Libra. Urano, por sua vez, se exalta em Escorpião.

Alguns mestres hinduístas, no que coincidem com os filósofos existencialistas, Sartre especialmente, nos dizem que a nossa libertação não pressupõe a entrada ou chegada a algo fixado de antemão. A nossa libertação, sempre renovada, afirmam eles, só pode acontecer quando as energias do nosso eu interior e profundo nos são reveladas continuamente ao irem se rompendo as cadeias da nossa ignorância. 

Acho que essa observação, como introito à nossa “descida” simbólica ao reino de Plutão, seja bastante aceitável. Realmente, depois das ideias de purificação no signo de Virgem e  de julgamento no de Libra, o ser humano tem que fazer a sua descida
JYOTISH
noturna pela qual deve começar a aprender a se libertar da vida material a fim de melhor se relacionar com o seu eu profundo e entender  que por trás da multiplicidade se esconde a unidade. Dizem os mestres da antiga astrologia védica (Jyotish) que, assim caminhando, o ser humano percebe que ele tem que viver no relativo, mas com os olhos voltados para o Todo, o Absoluto, confundindo-se com a eternidade.

HADES
O signo de Escorpião, governado por Plutão (o deus Hades da mitologia grega), é o cadinho onde se funde e renova a personalidade do homem. Como signo fixo, a força de Escorpião é ilimitada, razão pela qual dois símbolos, dentre outros, lhe são atribuídos, a águia e a serpente. A primeira alcança alturas onde ninguém pode atingi-la. Já o veneno da serpente, animal sempre relacionado com a vida inconsciente, tanto pode salvar como matar.

Os poderes de Escorpião nos dão a vida e a possibilidade da

transcendência. No primeiro caso temos a sexualidade, o poder pelo qual a vida é criada; no segundo, temos a metamorfose, a mudança da forma e a passagem para novos planos da existência. Realmente, o signo de Escorpião e o seu planeta regente representam para o ser humano a mais completa metamorfose que podemos conhecer no microcosmo material, a morte. 

Antes, porém, da transformação total pela qual teremos que passar, os diferentes registros astrológicos numa carta astrológica do planeta Plutão nos informarão sempre quanto às  “mortes” que deveremos enfrentar na nossa trajetória existencial. Sabemos que Plutão e todos os planetas transaturninos são astros muito mal adaptado ao reino da matéria, cujos limites são fixados por Saturno. É por essa razão que esses três planetas, Urano, Netuno e Plutão, invisíveis a olho nu, dizem respeito à nossa vida inconsciente. 

A posição de Plutão num tema astrológico, sua angularidade, se for o caso, e seu domínio nos mostrarão, como se disse, o alcance das diferentes metamorfoses pelas quais  teremos  que passar, dando-nos por isso indicações claras daquilo que à falta de melhor nome chamamos de destino. É por essa razão que a palavra destino entre os gregos aparecia associada às Moiras, as donas do fio da via, as Fiandeiras, e ao verbo meiromai, obter por partilha, pelo acaso; entre os romanos temos a ideia de fatum, que tanto significava predição, oráculo, como destino, fatalidade. 



AS   FIANDEIRAS  ( DIEGO  VELÁSQUEZ - 1657 - MUSEU  DO  PRADO , MADRI )  


Realmente, onde  temos Plutão num mapa astrológico ali temos o Hades, o inferno da mitologia grega e o nome de sua divindade tutelar, lugar do nosso destino final, queiramos ou não. Daí Plutão, como planeta, representar, mais do que qualquer outro,  um poder
PLUTÃO
pelo qual certos acontecimentos estariam fixados de antemão, apesar dos seres humanos, por maior vontade e inteligência que tenham, tentem fazer algum coisa para evitá-lo. Os efeitos que Plutão produz num mapa astrológico são “vividos”, na maioria dos casos,  mais como resultantes de forças exteriores, distintas da nossa vontade, do que como produzidos a partir de nós mesmos.


No plano físico, lembremos, Plutão governa a sexualidade, a morte e a liberação da energia sob todas as suas formas. No plano físico, a liberação da energia pode acontecer explosivamente (Urano no signo ou na casa VIII, ou em aspecto com Plutão, pode aumentar o “estrago”), pois  esta possibilidade, se não considerada a nossa metamorfose final, nos leva sempre a um plano de existência a outro, desligando-nos muitas vezes de todos os nossos suportes materiais. 



No plano físico, Escorpião e Plutão celebram a vitórias das forças da destruição, das forças noturnas sobre as forças diurnas. Para amenizar um pouco o que aqui se disse de Plutão até agora, ouça September Song, um hino escorpiano ou veja o filme September Affair. Observação importante: composta por Kurt Weill e Maxwell Anderson, September Song tem que ser ouvida na gravação de 1938, de Walter Huston (1884-1950), como Woody Allen inclusive a colocou num de seus filmes. Mas, voltando: para os que só sabem se identificar com o seu corpo e com o lado físico da existência, Plutão costuma torna-se cruel. Neste caso, quando no lugar em que temos Plutão num mapa astrológico pensamos em renascimento, a metamorfose ali indicada costuma ser vivenciada com grande desapontamento. 





A grande lição de Plutão é que a energia por ele liberada deve, no nosso plano interior, se identificar com a energia universal (o Brahman dos hindus) e no plano exterior, simultaneamente, com a
FISSÃO   NUCLEAR
polaridade masculino-feminina, ou, se quisermos, com o deus e a sua shakti, através da qual devemos continuamente encontrar, perder e recuperar o nosso equilíbrio. A desintegração plutoniana tem a finalidade de transformar a matéria em energia. No plano científico, da Física moderna, a essa ruptura dá-se o nome de fissão nuclear, a separação dos átomos que antes estavam unidos.

Na perspectiva acima, é que podemos entender Plutão como o mestre das riquezas invisíveis (pluto, em grego, quer dizer rico, um eufemismo para designar o deus). Desintegrar, provocar a destruição para que haja a renovação, tanto no plano individual como coletivo. A radioatividade, força invisível, como se sabe pode provocar a morte, desequilibrando completamente a matéria. No

reino animal, o ser que pode suportar as maiores doses de radioatividade é o escorpião. Enquanto o ser humano pode suportar no máximo 600 roentgens o escorpião aguenta 75.000 unidades radioativas. Além do mais, o escorpião, no reino animal, é o ser mais resistente às infecções bacterianas; infecções que para os grandes animais ou para o ser humano podem ser mortais mal são registradas por ele. O escorpião pode suportar temperaturas muito baixas ou muito altas sem ser aparentemente afetado ou permanecer por mais de dois dias submerso sem que nada lhe aconteça. Um velho ditado astrológico nos diz que o signo zodiacal de onde saem os tipos mais resistentes só poderia ser representado pelo animal mais resistente da natureza.

ESCORPIÃO
O escorpião, aracnídeo muito perigoso por causa de seu aguilhão venenoso, também chamado lacrau ou lacraia, adquiriu desde a pré-história o significado de uma ameaça mortal. Em muitos povos do oriente e da África não se pronuncia seu nome, pois nomeá-lo seria atrair o mal que ele representa. Ele é um animal de hábitos crepusculares, noturnos, um formidável e solitário caçador, belicoso, “mal humorado”, sempre pronto a atacar e a matar. Por outro lado, em muitas culturas, segundo lendas que se contam a seu respeito, apesar desse seu lado demoníaco, ele (a fêmea) é também um símbolo da abnegação, já que as crias se alimentam das entranhas maternas antes de vir à luz. Quando há falta de alimento (o escorpião é carnívoro), ele pratica o canibalismo, isto é, pode devorar o seu semelhante. Há também histórias de que é o único animal, além do homem, obviamente, que se suicida quando não encontra saída diante de um perigo mortal.

Uma característica muito interessante do escorpião é a de que, no reino animal, ele parece ser o que, numa relação tamanho-consumo de alimentos, consome a maior quantidade alimentícia, sempre muito grande para o seu tamanho, de dez a quinze centímetros, embora alguns possam chegar a trinta centímetros. Constitutivamente, porém, só precisa de 10% do que consome para sobreviver, podendo passar até um ano sem se alimentar. Quanto à água, praticamente nenhum consumo, pouquíssimo, uma ou duas gotas, para uma vida inteira, que pode oscilar entre quatro anos e vinte anos, para algumas espécies (cerca de 2.000) mais resistentes. 


EXPLOSÃO  NUCLEAR
A radioatividade, astrologicamente, como se sabe, é governada pelo planeta Plutão como uma força que para regenerar deve, antes, destruir. Aliás, foi quando da descoberta de Plutão que a ciência moderna chegou realmente à Física atômica. Os artefatos bélicos, que têm por base a desintegração do átomo, quando explodem, reproduzem numa fração de segundo temperaturas que só o Sol pode atingir.

Os poderes do escorpião estão ligados ao vermelho e ao negro (cores muito usadas pelo nazismo), uma clara indicação de que entramos na vida pelo vermelho (signo de Áries) e saímos pelo negro (signo de Escorpião), cor do signo que marca o auge do terceiro quadrante zodiacal, quando a vida começa a desaparecer pela degradação da natureza, momento no ciclo anual em que as trevas começam a se impor definitivamente à luz.   

O poder de Escorpião, centrado na sexualidade, tem relação, nas escolas filosóficas da Índia, (darshanas) com a energia por elas chamada de kundalini. Essa energia, no Yoga, é divina e está retraída no interior do corpo humano grosseiramente, enrolada como uma serpente  dormente, na base da coluna vertebral, num lugar profundo, entre o sexo e a região anal, conhecido como muladhara (mula, raiz, e adhara, base). 





Na Índia, o sadhaka (buscador) pronuncia então os mantras para despertar essa energia enquanto controla as suas inalações, fazendo o pranayama com o objetivo de limpar o caminho (sushumna), ao lado da coluna vertebral, através do qual ela, a serpente, "subirá". Os sadhakas dão a essa prática o nome de “acordar a serpente”, que, erguendo a sua cabeça, ao subir, toca na sua passagem em certos pontos, centros (chakras) de energia. Os mestres hindus nos dizem que a consciência espiritual do homem só é despertada quando kundalini desperta também. Ninguém pode chegar à vida espiritual só pela leitura dos livros sagrados. 




Na Índia, na astrologia védica (Jyotish), o signo de Escorpião aparece associado ao que eles chamam de Kundalini Yoga ou o Yoga do Despertar da Energia Enrolada, que depende da perspectiva tântrica. Para esse Yoga, em Shiva (Realidade Suprema), consciência una e absoluta, sem diferença ou gradações, jaz, indiferenciada, a causa da manifestação universal, a que é dado o nome de Shakti, poder que cria o movimento e a multiplicidade por meio de limitações e divisões. 


SHIVA  -  SHAKTI
Esses dois princípios, Shiva-Shakti, vão, pelo despertar de kundalini e por um jogo eterno de relações, produzir, como se disse, a vida universal. Com relação à Realidade Absoluta (Brahman) esses dois princípios são apena um. A Shakti, geradora da multiplicidade, suscita a possibilidade do esquecimento da Realidade Última. É o seu poder de obscurecimento (avarana), de ocultação; é ela quem faz o mundo sensível parecer diferente daquilo que é em essência. Por isso, ela é chamada também de Maya, Magia, a ilusão da separatividade. 

Essa Maya, no plano cósmico, corresponde no plano individual à ignorância espiritual (a incapacidade de ver o Todo), chamada avidya, nesciência, ajñana, causador do samsara. Essa doutrina explica, melhor do que qualquer tratado filosófico ou psicológico ocidental, porque um elemento de inconsciência está sempre presente em toda manifestação humana. Ou seja, tudo o que é limitado pelo corpo ou pelo psiquismo humano não é consciência pura, mas condicionada. Nada no mundo fenomenal é absolutamente consciente ou inconsciente. O consciente e o inconsciente estão sempre entremeados, eis uma das máximas do Kundalini-Yoga. Além do mais, quem conserva os traços e vestígios das encarnações passadas, segundo o Hinduísmo, é a Shakti.

Estas ideias parecem explicar  porque a consciência (Cit) nunca está ausente de nada, porque umas pessoas parecem ser mais consciente do que outras. A consciência sempre se manifesta em diferentes graus e maneiras. Os graus dessa manifestação são determinados pela natureza e pelo desenvolvimento da mente e do corpo nos quais está presente. A manifestação da energia universal no ser humano é difícil porque ela está sempre velada ou contraída, em maior ou menor grau, pela mente e pela matéria. 

O signo de Escorpião no seu sentido inverso nos revela assim que o aspecto maléfico da serpente (kundalini) significa no plano anímico o poder de dizer não e a recusa da luz. Este tema da rebeldia diante da luz é expresso, mais do que em qualquer outro, pelo signo astrológico de Escorpião e por mitos e tipos com ele relacionados. Se por um lado a serpente pode ser destrutiva, inimiga da luz, ela pode por outro se tornar salvadora, quando pensamos na filosofia do Yoga- Kundalini. 



PABLO   PICASSO
Não é por acaso que os grandes rebelados, no plano físico, no plano das ideias, no plano da arte, no plano da política, fecunda ou não a sua rebelião, saem todos do signo de Escorpião: Martin Luther King (ideias), Trotsky (revolução), Picasso (arte), de Gaulle (política), Lutero (religião), Racine (teatro), Stendhal (romance) etc.  


Também não é por acaso que a palavra Satã designa o grande adversário da luz  (Satan, em hebraico, é o adversário). Segundo os
LÚCIFER ( GUSTAVE  DORÉ )
judeus, Satã, rebelando-se contra Deus, passou a ser considerado como o rei dos demônios e, ao exilar-se do céu, levou consigo uma hoste de anjos caídos, tornando-se o seu líder. A rebelião começou quando Lúcifer, o que transporta a luz, este era o antigo nome de Satã, então o maior dos anjos, recusou-se a prestar homenagem a Adão. Como criatura, Adão fora feito de argila, enquanto Lúcifer fora feito de pura energia divina. Ele ficou com ciúmes do status de Adão e, além do mais, encheu-se de desejo por Eva. 



ADÃO  E  EVA
 CATEDRAL NOTRE DAME , PARIS
Foi Satã, diz a Bíblia, quem armou a trama da expulsão de Adão e Eva do Paraíso, do Jardim do Éden. Por meio da serpente (também símbolo do signo de Escorpião), Satã manteve relação sexual com Eva, tornando-a mãe de Caim, segundo explicam os mesmos judeus. Consta que foi também Satã quem induziu Noé a se embriagar e procurou fazer com que Abraão desobedecesse a Deus no episódio Akedá. Satã, em última instância, é no homem a inclinação para o mal, o grande tentador, aparecendo sob uma miríade de formas, todas enganadoras. 



SACRIFÍCIO   DE   ISAAC  ( REMBRANDT )



Escorpião como signo, lembre-se, tem a ver, por isso, tanto com a origem da vida, através do esperma, como com a expulsão da matéria através dos órgãos da excreção. O eixo Touro-Escorpião, como se sabe, simboliza o alimento e a sua excreção, a garganta e o ânus, a voz e o sexo, a matéria e o esperma. 

Em Escorpião temos astrologicamente o exílio de Vênus e a queda da Lua. O primeiro é o planeta que nos fala das ligações, do amor, da reciprocidade afetiva, sendo consultado no mapa astrológico para analisar as possibilidades amorosas de alguém, seu poder de atração e de sedução, as suas relações com o amor. Já a Lua vai refletir os nossos estados de ânimo e os nossos sentimentos tão rapidamente mutáveis e flutuantes, as nossas emoções. A Lua pode ser considerada como o ponto mais fraco da natureza humana porque ela se situa no limiar da nossa vida subconsciente, um lugar onde somos mais vulneráveis aos caprichos emocionais. Sempre que uma Lua estiver mal posicionada e/ou colocada num mapa astral teremos uma pessoa emocionalmente instável.

Enquanto mestres de Touro, Vênus e a Lua representam também a comida que possibilita o crescimento e o desenvolvimento de nosso corpo e, como tal, a sua permanência e duração. Ora, Escorpião, signo oposto, é o inimigo da matéria, da carne, ao anunciar o seu fim, o inimigo daquilo que quer durar. É por essa razão que os regentes do signo ou qualquer planeta na casa onde temos  Escorpião indicarão,  inclusive por seus aspectos, se os tivermos, situações nas quais teremos que experimentar alguma transformação sob o ponto de vista de nossos sentimentos. 

Se Touro se volta para a busca da matéria, Escorpião, como signo
TOURO
de água, se concentra na absorção das energias psíquicas que fluem das pessoas que vivem no ambiente em que  se encontre. Diferentemente dos tipos cancerianos e piscianos, os escorpianos estão preparados, com maior ou menor intensidade, mas sempre preparados, para se apropriar dessas energias. Muito curiosamente, porém, as pessoas que rodeiam os escorpianos, que estão “ali” para lhes dispensar o “alimento” psíquico de que necessitam, costumam ser atraídas por eles através de um secreto encanto (uma promessa de absoluto?). Deixam-se assim invariavelmente expropriar, sentindo-se “felizes” ao cumprir esse papel; muitas chegam até a agradecer o “benefício” recebido, quando, na realidade, é delas que parte esse jogo vítima-predador. Por esse processo, o jogo, isto é, a relação costuma se fortalecer cada vez mais.  
  
A formidável energia do signo é encontrada nas casas astrológicas onde temos Escorpião e os seus regentes, Plutão e Marte. Por essa observação astrológica fica fácil entender que a energia mais forte do signo é encontrada evidentemente na força do seu desejo, sempre de singular intensidade, desejo que tem seu centro na correspondência orgânica do signo, nos órgãos da sexualidade, representados pelos seus planetas regentes.


É nesta perspectiva que podemos associar simbolicamente a aranha ao signo (o escorpião, relembremos, é um aracnídeo). A aranha, como se sabe, ao invés de sair à caça, estende a sua rede, e espera; atraídas não se sabe bem por qual razão, as vítimas vão a ela, sendo devoradas. É famoso o conluio sexual entre as aranhas: a fêmea, logo depois de consumada a relação carnal, mata o macho. Raros os machos que escapam dessa relação que caracteriza realmente o ato sexual como uma “atração fatal”.

Não é por acaso que a mais perigosa das aranhas peçonhentas é a chamada viúva negra, mencionando-se que a tarântula é também muito temível. Esta última, com a sua picada, inocula uma substância que, embora não mortal, causa febres altas e induz, segundo as crenças populares em várias partes do mundo, a movimentos convulsivos. Foi com base nestas histórias sobre as aranhas venenosas que nasceu a tarantela, dança popular e composição musical originária de Nápoles (transformadas em eruditas depois), de caráter vivo, acompanhada de castanholas e tamborins.






É por essa razão que no universo dos símbolos astrológicos a aranha deve ser associada ao escorpião e à serpente como representante do signo de Escorpião. Muito mais do que um símbolo da maternidade devorante, da mãe castradora, canibal, a aranha denota sempre uma feminilidade temível, profunda, da qual

os homens têm, como o demonstram a arte, a literatura, o teatro e o cinema, tanto horror, a chamada gimnofobia (horror à mulher, ao feminino). A aranha, neste sentido, é um emblema da mulher fatal, vampiresca, que esvazia o macho de suas forças, ameaçando-o de destruição (vide a fantástica história L´Homme qui rit, de Victor Hugo).



Examinando os símbolos de Marte, o antigo regente do signo, e de Escorpião, vemos que ambos têm na sua extremidade a ponta de uma flecha, um ferrão, a denotar um caráter belicoso, destrutivo. Foi necessário esperar vários séculos, milênios até, para se chegar à conclusão de que essa destruição poderia adquirir um caráter transformador, positivo. Esse entendimento, que já estava claro sob o ponto de vista mitológico, só ficou mais claro quando as doutrinas relacionadas com a vida subconsciente e inconsciente tomaram forma a partir do séc. XIX.

Desde tempos pré-históricos, o homem procurou dividir o espaço que habitava. A primeira ideia que desenvolveu para isso levou-o a uma concepção tripartite: a Terra, onde ele vivia; acima dela, o Céu, fonte de luz; e abaixo da Terra, um mundo subterrâneo, também chamado de ctônico, escuro, sempre associado à morte, pois era para ele que os mortos eram encaminhados.

Nessa estrutura, a Terra sempre representou um papel passivo. Ela era um dado imediato; sua extensão, sua solidez, a variedade de seu relevo e a sua vegetação eram percebidas concretamente, nenhuma suposição, nenhuma inferência. O espaço superior, ao contrário, era inacessível, imperscrutável, insondável. O que se podia apreender dele eram as suas manifestações fecundantes da Terra, esta o fundamento e tudo o que se encontrava sobre ela, apesar da sua aparente diversidade, formava uma grande unidade.

Aos poucos, principalmente depois do aparecimento da agricultura, a relação entre a inesgotável capacidade que a Terra tinha de gerar frutos e a mulher foi se estabelecendo. A solidariedade entre a fecundidade da Terra e a mulher constitui um dos traços fundamentais das sociedades agrícolas. A vida vegetal tinha seu início no interior da Terra, um acontecimento invisível aos olhos humanos. O mesmo se poderia dizer com relação ao nascimento de uma criança, originando-se a sua vida através de um processo também invisível aos olhos humanos. 

A partir destas constatações foi se fixando a ideia de que o interior da Terra era um lugar de transformações, de morte e de renascimento. A  semente “morria” para que o vegetal pudesse “nascer”. Essa transformação acontecia no escuro, ligando-se o negro, desde então, a uma ideia de renovação, relação confirmada, noutro plano, por exemplo, pelas práticas alquímicas, por visões religiosas etc. Por essa razão, havia uma analogia entre o útero da mulher e o interior da Terra, que passou a ser considerado como um lugar de riquezas escondidas.   






Não foi por acaso que em várias tradições, desde tempos pré-históricos, encontramos o sacrifício de animais negros às divindades ctônicas. O negro do luto e da penitência é ao mesmo tempo uma promessa de ressurreição futura. Na alquimia, o negro (nigredo) é a cor do caos, da indeterminação, da prima matéria confusa, que deve ser trabalhada. Esta matéria negra é fecunda e por operações sucessivas deve ser extraída a fecundidade que nela se acha escondida. Estas concepções nos remetem à própria origem da alquimia egípcia, onde essa matéria tinha o nome de al-kemiya, confundida com a própria lama negra das margens do rio Nilo, produzida pelas inundações anuais.

O trabalho do adepto, em várias tradições filosófico-religiosas, começava sempre pelo negro, cor que as futuras terapias do psiquismo, nos tempos modernos, adotarão para simbolizar o
ANÚBIS
inconsciente absoluto, a cor da descida às trevas do mundo subconsciente. Esse trabalho começa pela chamada obra em negro, cuja primeira etapa é conhecida pelo nome de nigredo. No Egito antigo, lembremos, a cor negra era uma promessa de regeneração; cor de Osíris, deus dos mortos, e de Anúbis, deus do embalsamamento e condutor das almas. 

ÉSQUILO
Em todas as tradições mítico-religiosas, a Terra sempre foi valorizada inicialmente por causa da sua capacidade infinita de gerar frutos. Concebida como mulher e mãe, a Terra sempre se opôs simbolicamente nessa condição ao céu. Ligada à fecundidade e à regeneração, a Terra, como dizia Ésquilo, gerava todos os seres e depois os recebia na morte. 

O interior da Terra, associado à escuridão, recebeu o nome de
NIGREDO  E  ALBEDO
inferno, palavra que significa o que está abaixo. A analogia com a noite era inevitável, com o inverno, com o frio, com a solidão, com as trevas. A descida ao inferno do qual falavam os mitos correspondia aos primeiros dias do outono, prelúdio de um período que significaria a completa ausência da luz. Num nível simbólico, o inverno representava uma morte simbólica; nas religiões de mistério, a estação lembrava o abandono, pelo iniciado, da sua natureza profana em celas escuras, a passagem do negro (nigredo) ao branco (albedo) dos alquimistas. 

Apesar dos povos da antiguidade terem apresentado concepções variadas do inferno, a maioria sempre o imaginou como um lugar subterrâneo misterioso e aterrorizante onde as almas dos mortos passavam por grandes sofrimentos em razão dos crimes e pecados cometidos na Terra, depois de terem sido submetidas a julgamento por um tribunal, imagens das quais a moderna psicologia se apropriaria para representar o consciente e o subconsciente. 



INFERNO  ( GUSTAVE  DORÉ )


O inferno significaria ainda segundo estas ideias o estado do psiquismo do ser humano que não sabe orientar a sua vida numa perspectiva evolutiva, segundo o caminho solar. Em muitas tradições, os seres humanos se aproximam do inferno toda vez que tomam a direção contrária do Sol, de oeste para leste, o inverso do caminho existencial progressivo. 

A ideia do inferno, no correr dos tempos, desde o fim do período neolítico, como um lugar para onde iam as almas dos mortos, foi sofrendo algumas mudanças. Tais mudanças foram causadas sobretudo por certas doutrinas filosóficas sobre a imortalidade da alma e sobre os castigos e as recompensas quando do seu julgamento no Outro Lado.


terça-feira, 21 de abril de 2015

MITOLOGIAS DO CÉU - JÚPITER (3)

                                  
Se na mitologia os conceitos solar e jupiteriano se aproximam muitas vezes, na astrologia as diferenças são grandes. Apesar do heliocentrismo da ciência moderna, o Sol, para a astrologia, continua sendo um “planeta”, válidas portanto para os astrólogos as teses ptolomaicas. Isto se deve evidentemente à sua revolução aparente em torno do Terra, determinante do ciclo anual. Há também a considerar que o Sol é  o mais “pessoal” de todos os chamados “planetas” pessoais (Lua, Mercúrio, Vênus e Marte), já que simbolicamente tem a ver com a força vital do homem, com a sua posição no mundo, com a sua vontade e individualidade mais interiorizada.




Desde tempos imemoriais, o Sol sempre foi considerado por todas as civilizações como uma divindade suprema ou como um aspecto visível da  manifestação dessa divindade, fazendo-se do  luminoso astro um símbolo do poder criador. É nesse sentido, como poder criador, que ao Sol foi atribuída a regência do signo de Leão, auge do verão, período em que no hemisfério norte o nosso planeta recebe a maior quantidade de luz solar.

O Sol  será então a força vital presente em cada um dos seres humanos, que precisam controlá-la  e lhe dar um direcionamento segundo vários objetivos. É aqui que entra Júpiter para nos propor perguntas como a de que maneira isso poderá ser feito, como nossa energia funcionará na escala social. Caberá ao Júpiter de cada um de nós, na nossa carta astral, responder a essas questões.

Como manifestação dinâmica Júpiter marca a inserção do ser humano no mundo externo através de uma ação ativa e direta. Lembra ele sempre que a afirmação individual terá que levar em consideração os aspectos éticos e morais dessa inserção. É Júpiter quem vai colocar as virtudes marcianas (atividade física, decisão, pioneirismo, sexualidade) e solares (conquista de um ego autônomo, soberania, independência) numa perspectiva social correta. As primeiras, se desviadas, podem levar à agressividade, à cólera, à violência, a guerra. As outras, sem a consideração do outro, podem levar à tirania, à egolatria, ao narcisismo, ao autoritarismo. É Júpiter, como regente do signo de Sagitário, que poderá transformar o leonino de tipo hercúleo, horizontal, realista, eficaz, num leonino verticalizado, de tipo apolíneo, idealista, espiritualmente orientado em direção do grande todo, isto é, da humanidade, da coletividade.


SAGITÁRIO

Como “rei” dos planetas, Júpiter é uma espécie de administrador do cosmos. Pessoas com um Júpiter dignificado, bem aspectado ou elevado, têm um “mental superior” que as orienta. Se o Sol é a energia do nosso eu profundo voltada para este ou aquele objetivo, conforme a casa que ocupar, devidamente assessorado pelos demais planetas pessoais, Júpiter é aquele que vai dar um sentido correto à exteriorização solar. Um Júpiter bem aspectado num tema astrológico nos diz que essa exteriorização poderá se dar de forma generosa, benevolente, amigável.

É a partir destas considerações que devemos pensar também em Saturno, outro planeta relacionado com o social, quando pensamos em Júpiter. Ambos têm uma polaridade natural. Se Júpiter significa a possibilidade (habilidade) que temos de desenvolver a nossa personalidade em direção do social, do coletivo, através de linhas espirituais, aumentando bastante o nosso campo de ação, de modo a visualizar o mundo de modo mais abrangente, Saturno é o princípio da limitação e da ordem.

Saturno representa as regras de qualquer atividade em que nos empenhemos, o jogo da vida como um todo, se quisermos, definindo o que pode e o que não pode ser feito. Se Saturno nos faz ver o mundo em termos de separação, de fronteira, de barreira, Júpiter aponta para relações onde entrem aspectos de interdependência e conexão.

Assim, se um é expansão, dilatação, crescimento, desenvolvimento, oportunidade, o outro é obstáculo, limitação, restrição, o que deve ser observado e respeitado. Quando ambos os planetas estão equilibrados no nosso mapa, quando têm um certo balanceamento, podemos planejar melhor a nossa caminhada, o nosso desenvolvimento social em direção do coletivo.


JÚPITER , SATURNO E  NETUNO  EM  ASPECTO

Exemplificando: se Júpiter e Saturno estiverem totalmente desconectados num mapa, podemos pensar em sérias dificuldades para uma pessoa se desenvolver, crescer ou se expandir de modo harmonioso, equilibrado. Se temos um Júpiter muito ativado e um Saturno fraco sob o ponto de vista astrológico, podemos pensar em indisciplina, imoderação, presunção. A arrogância é uma das características de um Júpiter muito forte (em fogo, mesmo em Sagitário, com aspectos dissonantes de Marte, Urano ou Sol, ou angular, por exemplo).

Um Saturno muito forte e um Júpiter enfraquecido poderão fazer alguém se sentir muito cobrado quanto às responsabilidades e deveres, especialmente quando criança ou jovem. Evidentemente, quando temos um Saturno muito forte em qualquer mapa temos que levar em consideração, obrigatoriamente, como a influência paterna aparece nesse contexto.

Os gregos davam o nome de Zen, Zes ou Zeus ao maior dos seus deuses. Os poetas romanos o chamaram de Jove, jovem, por ter nascido na terceira dinastia divina e ser o último dos olímpicos a nascer. Por trás de Zeus está o radical indo-europeu div, com o significado de luz, luminosidade celeste. Desse radical saíram Dyaus, Delos (brilhante), deus, Dyaus Pitar, Júpiter.

Desde sempre Zeus se ligou, não ao céu, à abóbada ou ao espaço celeste, mas, sim, às manifestações atmosféricas que atingiam a Terra a partir do céu. É neste sentido que seus apelidos vão aparecendo, Chuvoso (Ombrios), O Que Envia Ventos Favoráveis (Urios), O Trovejante (Brontaios), O Relampejante (Astrapaios) etc.


ZEUS

Zeus era filho de Cronos e de Reia, divindades titulares da segunda dinastia divina (Esquizogenia), sendo o mais novo dos seis filhos, antecedendo-o Héstia, Deméter, Hera, Hades e Poseidon. Para se
REIA, A PEDRA E CRONOS
transformar em Senhor do Universo, sua primeira batalha foi travada contra o pai, que engolia todos os filhos que Reia, a mãe, gerava. O único filho que Cronos não engoliu foi justamente Zeus. Grávida dele, Reia refugiou-se em Creta. Nascendo o filho, ela o escondeu numa gruta da ilha e levou para o marido, no lugar da criança, uma enorme pedra envolvida em panos para que ele, como havia acontecido com os demais filhos, o devorasse.

Quem fixou o lugar de nascimento de Zeus para nós foi Hesíodo,
MONTE  IDA
em Creta, como se disse, no monte Lictos. Outros autores apontam, porém, para o monte Dicteu ou para o monte Ida. Os beócios, por seu turno, afirmam que o Senhor dos Deuses nasceu em Tebas, os aqueus nos dizem que tal ocorreu numa de suas cidades, perto de Corinto; os Messênios, em Messena, perto de Pilos; os arcádios, no Monte Lico. Enfim, cada povo procura fazer de Zeus seu compatriota.Isto nada terá de estranho se tivermos  alguma familiaridade com o mito e soubermos que há mais de trezentos Zeus espalhados pelo mundo Mediterrâneo e Ásia Menor, o que o torna a divindade com o maior número de apelidos e, portanto, a mais cultuada. Se lembrarmos que Apolo, o grande operador do sistema religioso olímpico tinha cerca de duzentos apelidos, ficará fácil entender como Zeus era o “maior de todos”.



ZEUS  E  EUROPA
Dentre os mais notáveis Zeus, fora da Grécia, temos, por exemplo o de Amon, na Líbia, talvez um dos mais antigos; os egípcios têm o de Serapis; os persas têm um Zeus Urânio; há um, de nome Asterio, em Creta, que raptou a princesa fenícia Europa. Diodoro Sículo faz de Zeus o rei dos Atlantes. Se trouxermos os romanos para estas considerações, veremos que Cícero admite dois Zeus: um filho do Éter, nascido na Arcádia, que gerou Baco e Proserpina, e outro, também arcádio, filho de Urano e pai de Minerva. Em Creta foi encontrado um túmulo muito antigo com a inscrição: Ci git Zan.

OS   CURETES
Na gruta de Creta, Zeus, recém-nascido, foi entregue aos cuidados dos Curetes (de kouros, jovens, jovens guerreiros, no caso), seres divinos, que, armados, o protegiam e executavam continuamente em torno do seu berço   uma dança guerreira a fim de encobrir o seu choro. Os Curetes faziam parte do séquito de Zeus-menino; suas armas de bronze, escudos, lanças e espadas, produziam um ruído ensurdecedor, que, entretanto, o nunca impediu, entretanto, o sono da criança divina.


AMAMENTAÇÃO  DE  ZEUS  ( POUSSIN )

A alimentação de Zeus, além dos cuidados corporais, ficou sob a incumbência das ninfas Melissai (abelhas, em grego). O seu regime alimentar era completado pela solicitude da maravilhosa cabra Amalteia (generosa, doce; malthakos, em grego, é suave), que lhe fornecia enormes quantidades de leite. Consta do mito que Zeus, ainda criança, mas já crescido, um dia, brincando com a sua ama-de-leite na gruta, acidentalmente quebrou um de seus chifres. Prometeu a ela, e assim foi feito, que o chifre seria transformado na cornucópia, o corno da abundância.


CORNUCÓPIA

Símbolo de riquezas inesgotáveis oferecidas ao ser humano sem que ele faça qualquer esforço para merecê-las (profusão gratuita dos dons divinos), a cornucópia é um chifre do qual  saem frutos e outras delícias ininterruptamente. Uma outra versão grega, porém, nos narra que a origem da cornucópia é outra. Seria ela um chifre do rio Aqueloo, filho de Oceano e de Tétis, que Hércules dele arrancou, quando havia tomado uma forma taurina, numa disputa pela bela Djanira (etimologicamente, a matadora de homens). Para recuperar o chifre arrancado pelo herói, Aqueloo lhe propôs dar em troca o chifre de Amalteia, então sua prisioneira. A proposta foi aceita e Hércules recebeu assim o maravilhoso presente.

É de se registrar que a cornucópia foi parar na mitologia romana como atributo das deusas Flora e Fortuna. A primeira, como se sabe, representa o eterno renascer da vegetação na primavera e, neste sentido, presidia tanto a floração dos vegetais em geral (da videira, em especial), de árvores frutíferas e plantas ornamentais, protegendo-as de qualquer moléstia. Como deusa, Fortuna é a favorável, a propícia e também a adversa, ou seja, a boa ou a má fortuna. Aos poucos, no mundo romano, passou a significar só os dons da fortuna, da riqueza. De certa maneira, opõe-se ao Fado, Destino, e aproxima-se da deusa  grega Tykhe, o Acaso, passando a significar aquilo que o homem alcança  ou realiza por decisão dos deuses sem que estejam evidentes para os humanos as razões para isso. Fortuna é representada com a cornucópia (prosperidade) e empunha um remo (símbolo da reta direção que deve tomar a busca da riqueza). Aparece sentada, às vezes em pé, sempre cega em qualquer representação. Da pele da cabra Amalteia, invulnerável, Zeus fez uma égide (aigós), arma tanto ofensiva quanto defensiva, depois entregue a Palas Athena, nela se fixando a cabeça da Medusa, morta pelo herói Perseu.

HÉSTIA
Chegando à idade adulta, Zeus, sentindo-se apto, resolveu enfrentar o pai. Aconselhado pela deusa Metis, o Juízo Avisado, e por ela apoiado, dela recebeu uma droga maravilhosa, um vomitório, conseguindo fazer com que o pai inadvertidamente o engolisse. Com isto, Zeus trouxe seus irmãos de volta à vida. Embora primogênita, lembremos, Héstia, com o seu grande espírito de sacrifício, foi, sponte sua, a última sair das entranhas do pai.


Auxiliado pelos irmãos, Poseidon e Hades, Zeus iniciou então uma longa luta contra Cronos e os membros da segunda dinastia, seus tios. Este episódio será conhecido pelo nome de Titanomaquia, ou seja, a luta dos futuros olímpicos, terceira dinastia (Autogenia), contra os titãs, os filhos de Urano e Geia (1ª dinastia, Cosmogenia).


CÍCLOPES

Consta que a luta entre Zeus, um crônida (filho de Cronos), contra o pai e seus irmãos durou dez anos. Vitoriosos, Zeus e seus irmãos os expulsaram dos céus e os lançaram no Tártaro. Não se pode esquecer que a vitória dos futuros olímpicos se deve em grande parte ao poderoso auxílio que receberam dos Cíclopes e dos Hecatônquiros, filhos de Urano e Geia. Foi Geia quem sugeriu a Zeus que libertasse os seus monstruosos filhos do Tártaro, nele encerrados por Urano, que os detestava. Agradecidos, os Cíclopes cederam a Zeus o trovão, o relâmpago e o raio, atributos de cada um deles, respectivamente de Brontes, Estérope e Arges. A Hades, os Cíclopes deram o elmo da invisibilidade e a Poseidon o tridente, que abala as terras e o mar. Terminada a grande batalha contra os titãs (os que levantaram as mãos contra o pai e os do cálcio: duas etimologias admitidas para a palavra titã), num sorteio manipulado por Zeus, o grande artífice da vitória olímpica, sem dúvida, o mundo líquido (oceano, mares, lagos e rios) coube a Poseidon; o mundo ctônico coube a Hades, que desde então passou a ser chamado também de Plutão; a Zeus coube não só os céus, ou melhor, o controle e a distribuição de todos os fenômenos celestes, como a supremacia do Universo.


TEMPLO  DE  ZEUS
Por seu nome, Zeus evoca, além de uma ideia de céu luminoso, os seus fenômenos atmosféricos. Além do trovão, do relâmpago e do raio, é o senhor dos ventos, das nuvens e das chuvas, fecundantes ou destrutivas. Vive acima das nuvens, residindo  como todos os demais deuses no Éter, acima do Ar. Por essa razão, na Terra, sempre foi honrado em lugares elevados, como no Liceu, na Arcádia, no monte Apesas, na Argólida, no monte Hymeto, na Ática, no monte Helicon, na Beócia, no monte Ida em Creta etc.

GIGANTE

A Grande-Mãe Geia ficou profundamente irritada com Zeus e seus irmãos por terem lançados os titãs, seus filhos, no Tártaro. Incitou contra eles os Gigantes, seus filhos, nascidos do sangue derramado de Urano sobre ela, quando de sua castração. Este episódio é conhecido pelo nome de Gigantomaquia e nele se descreve a luta e a vitória dos olímpicos sobre os monstruosos filhos de Geia.

Os Gigantes só poderiam ser feridos mortalmente se a agressão fosse praticada por um deus e por um mortal, atuando solidariamente. Havia ainda uma famosa planta, uma erva mágica, produzida por Geia, que, se aplicada sobre o ferimento, poderia torná-los imortais. E como se tudo isto não bastasse eles haviam sido criados por Geia de modo que, se golpeados, desde que tocassem a superfície terrestre, poderiam recompor-se, recuperando as suas forças. Como se pode ver, eram praticamente invencíveis. A única forma de abatê-los era a mencionada no início deste parágrafo e, mesmo assim, sempre, com ingentíssimos esforços.

Dois dos gigantes, Alcioneu e Porfirion, eram exceções: escapavam da condição retro mencionada, tornando-se imortais, desde que nunca deixassem de manter contacto com a sua mãe através da planta dos pés. Os Gigantes (literalmente, os gerados por Geia, pela Terra) desde que nasceram sempre se insurgiram contra as divindades, em especial contra os olímpicos. Fortíssimos, enormes, barba hirsuta, cabeleira desgrenhada, viviam  afastados, isoladamente ou em pequenos grupos.


GIGANTOMAQUIA
Na Gigantomaquia, lançavam petardos contra o Olimpo, grandes blocos de pedra, troncos de árvores inflamados, lavas vulcânicas, sempre ameaçando as estruturas do palácio dos deuses. Quando apareceram nos campos Flegreos, o campo de batalha, os deuses se assustaram com a aparência deles. Horrendos, alguns tinham a forma dracôntica, algo nunca visto pela maioria dos deuses, acostumados a uma convivência harmoniosa com seres luminosos, de esplêndida beleza.

Lembre-se que numerosas antigas culturas consideravam os gigantes como símbolos da natureza primitiva e informe. Antes que os seres humanos pudessem gozar dos benefícios da civilização só os seres que possuíssem um grande vigor físico poderiam sobreviver num mundo sem lei e sem ordem, num mundo natural, de forças naturais descontroladas, povoado de monstros, cruel e impiedoso. Os gigantes e os chamados monstros pré-históricos, enormes, além de outros, eram os seres desse mundo, que “sobrevivem” em nós de algum modo como reminiscências desse tipo de vida.

Os gigantes, em todas as mitologias, como a celta, por exemplo,
O  GIGANTE  E  A  MULHER
sempre se caracterizaram por sua grande oposição ao ser humano (racional) e aos deuses (espiritual). Os gigantes desempenhavam na natureza primitiva, ainda mal separada do caos primordial, uma oposição aberta à constituição do que os gregos chamaram de cosmos, a natureza visível e a sua ordem. Na própria Bíblia, aliás, encontramos referência a gigantes, quando se diz que certas mulheres teriam se unido a eles; esta passagem é sem dúvida uma reminiscência de mitologias orientais anteriores e particularmente a mesopotâmica. Estas uniões denotam no texto bíblico a perversão (domínio da vida instintiva sobre a racional e a espiritual) crescente dos homens que irá dar causa ao dilúvio para a devida purificação do mundo criado.


Do ponto de vista das crenças populares, atribui-se aos gigantes, principalmente, a formação de montanhas, a autoria de construções megalíticas (dólmens e menhirs) e de grandes muralhas etc. Muitas
MONTE  ATHOS  ( MOSTEIRO  DE  SIMONOPETRA ) , HOJE
dessas montanhas, por exemplo, depois se tornaram sagradas, como é o caso do monte Athos, na Grécia, um antigo gigante, um dos mais ativos na Gigantomaquia. Hoje, o Monte Athos é a montanha sagrada da Igreja Ortodoxa grega. Totalmente interditado às mulheres e aos animais (fêmeas), dede o ano de 1060, o monte Athos também está fechado aos turistas. Só alguns privilegiados, que aleguem razões religiosas e culturais, muito bem fundamentadas, podem visitá-lo e, excepcionalmente, nele se hospedar.


Quanto ao mais, lembremos que o nome cíclope, que designa os
MURALHAS   CICLÓPICAS
gigantes de um só olho no meio da testa, filhos de Urano e Geia, foi parar na arquitetura. Chamam-se kyklopicas, ciclópicas, as construções, principalmente muralhas enormes, levantadas com grandes blocos de pedra, sem argamassa para fixá-las. Um dos melhores exemplos deste tipo de construção está em Micenas, onde encontramos enormes blocos de pedra superpostos, entre 3 e 8 metros de comprimento, que chegam, cada um deles, os maiores, a pesar 800 toneladas


Zeus, sem dúvida nenhuma, é o grande inimigo dos gigantes, símbolos criados pelos seres humanos para representar o seu descontrole, as suas tendências involutivas ou regressivas, a serem vencidas para que seja possível o predomínio do mental sobre o racional e ambos a serviço de uma progressiva espiritualização.

As vitórias de Zeus permitiram que ele tomasse a forma de uma divindade que atuava sobretudo nos planos moral e espiritual, reunindo para isso inúmeros atributos: era todo-poderoso, via tudo, ouvia tudo; estava presente em todos os oráculos onde se
ZEUS   GAMELIOS
procurasse obter as sentenças divinas (Dodona, Olímpia etc.), mesmo em Delfos, tutelado por seu filho Apolo. Soberano e sábio, organizava tudo, inclusive as leis do Destino (Moros) e das suas principais agentes, as Moiras, com os quais confundia a sua vontade. Bom e misericordioso, acessível à piedade, quando punia ou afastava o mal (Alexicacos) pode ser violento. Protegia os fracos, os indigentes, os que se perdiam na vida e, de um modo geral, todos os suplicantes, sendo então chamado de Meilichios. Sua solicitude se estendia também à família, como deus do interior da casa (Ephestios), do casamento (Gamelios), da amizade (Philios), da hospitalidade (Xenios), da ordem social como deus da polis (Polieus), deus das assembleias populares (Agoraios). Zeus era assim o deus protetor de toda a Grécia e de todos os territórios aos quais se estendesse o poder grego. Uma divindade pan-helênica, portanto.


ZEUS   MEILICHIOS
Alguns dos seus atributos foram conquistados, como é o caso, por exemplo, de Meilichios. Este nome designava em antiquíssimos rituais um demônio de natureza ctônica, infernal, de forma dracôntica. Impondo-se, o culto de Zeus incorporou esse lado infernal de Meilichios sob uma forma benéfica, uma espécie de protetor das almas que desciam ao mundo ctônico. Meilichios, como Plutão, era um eufemismo, e tinha o significado de furioso, sedento de sangue (o nome vem de maimakies, furioso).


SANTUÁRIO  DE  DODONA
O mais famoso e antigo santuário de Zeus era o de Dodona, no Épiro, centro religioso antiquíssimo, desde o tempo dos pelasgos, um povo pré-helênico que habitou o que seria mais tarde a Grécia e a Itália. A Dodona acorriam peregrinos de todo o mundo grego e da Ásia Menor para consultar o oráculo, representado por um carvalho sagrado, cujos ruídos e murmúrios de sua  ramagem eram  considerados como palavras do próprio Zeus.

Heródoto nos relata a história da origem deste famoso santuário. Conta ele, segundo ouviu dos seus sacerdotes, que duas pombas negras, partiram de Tebas, no Egito, indo uma em direção da Líbia e outra em direção de Dodona. Esta pousou num majestoso carvalho e se pôs a falar com voz humana, declarando que, ali, naquele local, por desígnio divino, deveria ser ser fundado um oráculo de Zeus. Assim foi feito, ficando a cargo de um colégio sacerdotal, os Sellos (nome dos antigos habitantes de Dodona), então constituído, a interpretação das manifestações do carvalho sagrado.

Os sacerdotes de Dodona praticavam o ascetismo, deitavam-se diretamente sobre o solo, jamais deixando de tocá-lo. Mais tarde, o colégio sacerdotal dos Sellos admitiu a participação feminina, três sacerdotisas que receberam o nome de Peleiades, a serviço da deusa Dione, uma divindade dos pelasgos, segundo Hesíodo uma filha de Oceano e de Tétis, e que junto de Zeus, em Dodona, assumia o papel de sua esposa, no que foi substituída mais tarde por Hera.

CARVALHO  ( ROBUR )
O carvalho, pela sua altura, copa majestosa, protetora, pelo seu destaque dentre todas as demais árvores, sempre foi considerado um símbolo de sabedoria por sua excepcional longevidade (mais de 2.000 anos, segundo a tradição local). As bolotas do carvalho sempre foram utilizadas, desde a mais remota antiguidade, como alimento. Sinônimo de força, o carvalho tinha para o homem da pré-história o mesmo valor que um templo. Os latinos darão a ele, pelo seu aspecto físico, o nome de robur, palavra que lembra dureza, firmeza, usada depois analogicamente para representar a vida moral.

Solidez, potência, longevidade e altura são características que fizeram do carvalho, para os povos mediterrâneos, um símbolo axial, isto é, um centro em torno do qual a vida social se organiza, e que servia, ao mesmo tempo, de comunicação entre a Terra e o Céu. As árvores, inclusive as florestas como um todo, lembremos, foram, além das grutas, os primeiros templos do homem pré-histórico, que atribuía a elas um valor sagrado. É por isso que encontramos, entre os gregos e os celtas, um respeito tão grande pelo carvalho. Esse respeito alcançava outros vegetais (árvores), como, por exemplo, a tília de Afrodite (Tília era o nome da mãe do centauro Kiron e símbolo de terna fidelidade), o loureiro de Apolo, a vinha de Dioniso, a oliveira de Palas Athena etc.

As florestas eram lugares privilegiados de culto, a elas se levando oferendas aos deuses, sendo de se notar que no interior de alguns países europeus e asiáticos, longe dos meios urbanos, ainda encontramos árvores ao pé das quais se depositam ex-votos, indicando-se assim a persistência dessas antigas tradições. Germanos e gauleses, por exemplo, prestavam cultos às árvores acendendo alguns lumes perto delas. O poeta Luciano, do primeiro século de nossa era, nos fala de uma floresta perto de Marselha, totalmente preservada pelos celtas franceses (gauleses), derrubada, em nome do “progresso”, pelos romanos, ainda que temerosos pelo sacrilégio que estavam cometendo.


ÁLAMO
É de se mencionar ainda que no período da revolução francesa de 1789, em memória da tradição gaulesa, o carvalho e o o álamo (peuplier, em francês, do latim populus, povo) foram escolhidos como símbolos da liberdade, da esperança e da continuidade, conquistadas pelo povo. Foram ambas as árvores consideradas como monumentos públicos, protegidos por leis. Os celtas franceses celebravam sob a sombra protetora dos carvalhos não só os seus mais importantes atos político-sociais como ali pronunciavam os seus sermões cívicos.

ARISTÓTELES
Dentre outros importantes santuários de Zeus é preciso destacar o do monte Lyceu, na Arcádia, no cume do qual havia um pequeno outeiro, precedido de duas colunas, nas quais duas águias estavam gravadas. Registre-se que o radical grego lyx (em latim, lux) está na origem da palavra Liceu, nome dado a um ginásio situado fora dos muros de Atenas, perto de um templo de Apolo Lykaios, deus da luz, solar, cuja mãe, Leto, se transformou em loba. Era no Liceu que Aristóteles ministrava os seus cursos.

Lykos, em grego, é tanto lobo quanto luz, sendo Apolo chamado de Lycogenes, o gerado pela loba. Animal que caça no escuro, antes do Sol nascer, o lobo sempre esteve presente em antigos cultos, sendo ao tempo conhecido pela sua voracidade e selvageria (o seu lado infernal) e pelo seu lado fecundo como vencedor as trevas (o seu lado solar). Uma das formas que Zeus tomou em tempos muitos remotos, tempos em que os homens do campo usavam a magia agrícola, foi exatamente a de Lykaios, a ele se fazendo sacrifícios humanos a fim de se pôr fim à seca e a outras catástrofes naturais. Honrado devidamente, Zeus enviava então dos céus as benfazejas chuvas.


ZEUS   E   ÁGUIA

Outro símbolo que tem relação direta com Zeus é a águia. Ave solar, de grande longevidade, voando mais alta que todas, ela simboliza naturalmente a luz (pode olhar o Sol sem baixar os olhos, uma das histórias que sempre se propagaram sobre ela), a conquista, a consciência e o instinto natural de poder. Por seu olhos que tudo percebem, a águia foi usada simbolizar a divindade vigilante, Zeus, o Olho que tudo vê, e a Providência. Com razão, é a ave solar por excelência em todas as civilizações.


ÁGUIA  -  ALQUIMIA
Não é por outra razão que o esoterismo alquímico vê a águia como um símbolo da desmaterialização, da sublimação, da vitória sobras as forças da gravidade. Na tradição ocidental, a águia é também um símbolo do rejuvenescimento, já que ela, segundo consta, costuma expor-se por longo tempo aos raios solares, no pico das montanhas, para depois mergulhar a sua brilhante plumagem, na água pura das nascentes intocadas pelo homem. Esse processo é visto pelos alquimistas como a imagem da iniciação, ao implicar a passagem pelo fogo e pela água. Lembremos, ainda, que pela seu tamanho e características a águia foi escolhida como emblema por poderosos impérios e nações que em  algum momento se acharam como centro da história do homem: Roma, França, Áustria, Alemanha, USA etc. A psicanálise entende que a águia nos sonhos pode simbolizar pensamentos elevados, mas também, segundo o contexto, a vontade de poder e o orgulho devorador, que podem fazer o homem se afastar das suas atividades cotidianas, destruir os seus reais valores e mesmo a sua personalidade. Os gregos, com base em antiga simbologia do mundo indo-ariano, confiaram à águia um outro atributo ígneo, o relâmpago, o que fez dela a ave das divindades supremas.