Mostrando postagens com marcador CUCHULAIN. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CUCHULAIN. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

ANDROMEDA, AQUILA, AURIGA

                         
CONSTELAÇÃO DE ANDRÔMEDA

ANDROMEDA —  Está situada no polo norte celeste, fazendo parte de uma família real ali presente: Cepheus, o rei, seu pai, Cassiopeia, a rainha, sua mãe, e Perseu, o herói, o príncipe, que a salvou e que com ela se casou. A estas constelações, desde a pré-história, estão ligados os destinos da humanidade, juntamente com Draco e com as Ursas, a Major e a Minor.

ANDRÔMEDA ACORRENTADA
( REMBRANDT , 1631 )
Andrômeda (a que reina, a que comanda os homens, em grego), no mito, era, como se disse, filha dos reis da Etiópia. A rainha, sua mãe, tomada por imensa hybris, proclamou-se mais bela que todas as nereidas (filhas de Nereu, divindade marinha) e mesmo mais bela que Hera, a senhora do Olimpo. Inconformadas, as nereidas pediram a intervenção do deus dos oceanos, Poseidon, para que a ousadia de Cassiopeia fosse punida. O deus enviou um pavoroso monstro marinho para devastar o reino de Cepheus. 


CASSIOPEIA   E   CETUS
  JOACHIM  WTEWAEL (1566 - 1638
Consultado, o oráculo de Ámon revelou que o país só se livraria da punição se a princesa fosse entregue ao monstro como vitima expiatória. É nesse momento que passava pela Etiópia o herói Perseu, que voltava vitorioso da sua luta contra a Medusa. Tomado pelas virtudes heroicas (a defesa dos oprimidos, a luta contra as forças do mal e a batalha que leva à restauração da ordem), Perseu declarou a Cepheus que salvaria Andrômeda das garras do monstro, matando-o, desde que ela lhe fosse entregue como esposa. Os reis da Etiópia aceitam a proposta do herói, mantendo, contudo, em segredo, um fato muito grave: Cassiopeia já fora prometida em casamento a seu tio, Fineu, irmão de Cepheus.


PERSEU   RESGATA  ANDRÔMEDA  
( FREDERICH  LEIGHTON )  

Montado no Pégaso, o cavalo alado, Perseu matou o monstro. Indo buscar a princesa, teve contudo que entrar em luta contra um pequeno exército que contra ele os reis haviam enviado, arrependidos do negócio feito. Depois de matar vários homens, Perseu usou a cabeça da Medusa para petrificar os demais, inclusive o casal real. Partindo da Etiópia com a jovem princesa, o herói foi para Tirinto, seu reino, onde viveu com ela e com vários filhos que tiveram.

Enfrentar  monstros é tarefa de heróis.  Nos mitos, guardam passagens de difícil acesso, vivem em abismos, cavernas e grutas escondidas, florestas sombrias, em mares profundos,  sendo os naturais guardiães de tesouros,  símbolos de um conhecimento superior, de natureza espiritual, pondo o herói à prova para que ele, vencendo-os, tenha acesso a níveis mais elevados de existência, a uma nova forma de vida. Os monstros participam, por isso, do simbolismo dos ritos de passagem. Gilgamés, Marduk, Hércules, Cuchulain, Perseu, Dasharatha, Teseu e muitos outros, nas várias tradições míticas de todas as culturas, são, nesse sentido, exemplares.

O monstro é um agente provocador do esforço heroico, que exige habilidade, controle do medo, preparação adequada, maestria no domínio da ação. A Psicologia faz dos monstros símbolos da predominância no ser humano das forças instintivas ou irracionais que têm que ser sacrificadas, dominadas, em nome de uma vida superior, racional ou espiritual. Nesse sentido, são os monstros aspectos doentios do psiquismo humano, resistentes, quando não se opondo abertamente a tentativas de transformação de caráter evolutivo.  Aquele que no mito subjuga estas forças, orientado-as superiormente, é, como se disse, o herói, nos seus vários papéis de fundador de cidades, cavaleiro andante,  santo,  peregrino,  viajante ou o navegante. As forças liberadas por ele poderão assim ser colocadas a serviço de uma elevação, de uma transcendência, ou, na pior das hipóteses, ser objeto de uma sublimação. A conquista do tesouro representa, em suma, em histórias como a de Andrômeda e de Perseu uma prova  pela qual o herói tem de passar para descobrir a sua verdade interior, que começa pela busca de contacto  com o seu lado feminino, para se chegar a uma integração física, material e espiritual. 

PTOLOMEU
( JOOS  VAN  WASSENHOVE)
Nos céus, Andrômeda vai de 12º de Áries a 15º  de Touro. Segundo Ptolomeu, sua influência é de natureza venusiana, de uma Vênus Urânia, que nos fala menos dos prazeres da carne e mais da pureza, da castidade e da dignidade. Presentes também nesta influência riscos de desencorajamento e pouca firmeza diante das adversidades.


Astrologicamente, é pelas principais estrelas de Andrômeda que devemos buscar o seu sentido como constelação. A sua estrela alfa é Alpheratz, de 2ª magnitude, situada na região do pescoço da configuração constelacional; é por essa razão que muitos astrólogos da antiguidade viram em Andrômeda um perigo de morte por decapitação ou enforcamento,  se atacada Alpheratz por um astro maléfico. A estrela se encontra hoje a 13º37' de Áries, apontando para ideias de liberdade, independência, conforme o planeta a que ela esteja ligada ou se em aspecto com a cúspide das casas angulares. 



O nome Alpheratz nos vem do árabe, O Umbigo do Cavalo, referência à sua origem, a constelação do Pégaso, de onde saiu para ser incorporada a Andrômeda. Por isso, com Alpheratz, podemos ter também ideias de elevação, de sublimação. Se com Mercúrio aspectando-a, a estrela pode propor, por exemplo, livre pensar, mente independente; se com Marte, iniciativa, livre agir.

A segunda estrela de Andrômeda é Mirach, beta, também de 2ª magnitude, venusiana, estudada por Ptolomeu. Com ela, temos sugestões de elegância, arte, uniões, reciprocidade, sem o caráter de inocência ou de ingenuidade. Mirach é fértil conscientemente. O nome é árabe e tem o significado de cinto, espartilho. Mirach é também a parte superior da indumentária feminina, do colo até a cintura, que modela o busto e sustenta os seios. Lembra um pouco o cinto que Afrodite usa, onde a deusa guarda as suas habilidades na arte amorosa.


CONSTELAÇÃO   DE   AQUILA



ZEUS   E   GANIMEDES
( THORVALDSEN )
AQUILA — esta constelação tem a ver com a forma alada que Zeus tomou para raptar o jovem príncipe troiano Ganimedes, por quem se apaixonara. O belíssimo jovem foi levado para o Olimpo e depois colocado nos céus para dar forma à constelação de Aquário. A águia é, por excelência, a ave de Zeus. Faz parte de um universo simbólico que integra símbolos como  o carvalho, o raio, o javali, a trufa e o Sol, todos relacionados com o maior dos deuses.

A águia, rei dos pássaros, além de voar mais alto que todos, é conhecida sobretudo como emblema do poder e da combatividade. É por isso tão encontrada na heráldica, em símbolos nacionais e na arte dos brasões, aparecendo às vezes como bicéfala. Sob esta última imagem, a águia, pela duplicação da sua cabeça, exprime a dualidade ou a multiplicidade de corpos, como é o caso do império romano.


PRAÇA   NO   MÉXICO


Desde a antiguidade, se afirma que a águia tem o poder de olhar o Sol sem baixar os olhos.  Na Roma antiga, era costume, quando do enterro de imperadores, soltar uma águia enquanto se incinerava o corpo real (a alma subindo aos céus). Como matadora de serpentes e de dragões, a águia é símbolo da vitória da luz sobre as trevas. Em inúmeras tradições, como no México, temos imagens de águias matando serpentes. Nos meios militares astecas, a expressão "águia e jaguar" designava as ordens militares de elite. 

A Psicologia considera a águia como um símbolo alado e poderoso da evolução espiritual. Nos sonhos, é símbolo visto positivamente. Pode, contudo, em determinados contextos, devido ao seu lado predador, indicar tendências devoradoras, cruéis, quando então aponta para fortes traços de orgulho e de opressão. No cristianismo, é símbolo de João Evangelista, o mais próximo do mundo
JOÃO   EVANGELISTA  
( EL GRECO )
espiritual. As ressonâncias aquarianas na vida de João são notáveis se tivermos em mente que, por seu temperamento excitável e genioso, ele e seu irmão Tiago Maior (o apóstolo identificado com o signo de Aquário) receberam de Jesus o apelido de os "filhos do trovão" (Boanerges), tanto por sua eloquência quanto por sua orgulhosa conduta. É de João, segundo são Jerônimo, o mandamento Amai-vos uns aos outros, de natureza tipicamente aquariana sob o ponto de vista astrológico, signo que tem muitas relações com a águia.

Para aquele que se encontra sob a tutela da águia, as alturas são o único lugar cabível para viver. A águia, contudo, embora viva nas alturas, não resiste quando vê na terra uma presa. É por isso que no mundo cristão (Idade Média) a águia aparece associada a Adão, aquele que muito próximo do divino, nas alturas, não resistiu ao fruto proibido, sendo lançado por terra por essa razão.

RUY   BARBOSA
A águia é atributo de Zeus (Júpiter), de Cristo, emblema imperial dos césares, de Luís XIV, de Napoleão e de outros potentados. A universalidade do símbolo faz da águia também a imagem preferida de todos os que exercem algum tipo de poder, xamãs, reis, chefes, patriarcas, oradores eméritos, como é o caso de nosso Ruy Barbosa, o cognominado Águia de Haia.

A águia aparece também ligada à dualidade céu-terra, ou seja, à
GARUDA
oposição águia-serpente como, por exemplo, está nos textos védicos. O pássaro solar Garuda, montaria do deus Vishnu, é nagari, inimigo natural das serpentes. Este dualismo, como sabemos, representa a luta do anjo contra o demônio. Garuda é solar, a Naga é lunar. Garuda é símbolo de coragem, de penetração, de acuidade em todas as tradições indianas.

De um modo geral, hindus, persas e gregos, ao associarem a águia ao Sol deram-lhe um caráter predador como uma potência do fogo. Tal entendimento encontra plena justificação se o iluminamos astrologicamente. Ao representar o signo de Aquário (elemento ar), a águia predadora participa também, por ação reflexa, do elemento signo que lhe é oposto, Leão. Esta a razão, por exemplo, porque muitos aquarianos, que aparentemente têm um discurso democrático, são, no fundo, verdadeiros "leões" centralizadores, devoradores. 

URANO
Ressonâncias uranianas (Urano, planeta regente do signo de Aquário), de fundo astrológico, também podem esclarecer  porque os áugures do mundo greco-latino viram no voo e no canto das águias sinais de profecia. Segundo Píndaro, as águias costumam emitir sessenta e quatro "gritos", cada um deles tendo um sentido determinado. Dentre todas observações de pássaros, a mais importante em Roma, principalmente devido ao sentido do seu voo e dos sons emitidos, era a da águia. Os intérpretes naturais das profecias obtidas através das aves e dos pássaros eram os áugures na antiga Roma. Formavam tais intérpretes um colégio tutelado pelo Estado, gozando os seus membros de grande reputação.


ALEXANDRE   MAGNO
Entre os gregos romanos, a águia sempre apareceu associada às vitórias militares de Zeus ou Júpiter. Um dos exemplos mais famosos tem por personagem Alexandre Magno. Quando de sua campanha nas regiões mesopotâmicas, o adivinho que acompanhava a expedição garantiu-lhe uma vitória espetacular sobre Dario porque uma águia nos céus acompanhou o deslocamento das tropas macedônicas     

O aspecto noturno da águia (águia da esquerda) é maléfico, pois indica exagero de valor, perversão do poder, vã exaltação, tirania, dominação e paixão, características que lembram sempre a destruição da vida espiritual. Porque conduz as suas presas para as alturas, a lugares dos quais não podem escapar, a águia é símbolo da rapacidade, momento em que deixa de significar, como animal
real, pensamentos elevados (como o leão) para nos falar de vontade de poder, apenas. É sob este aspecto que a tradição cristã faz dela o símbolo do Anticristo. Alguns estudiosos relacionam a constelação da Águia com o nono trabalho de Hércules no qual o herói extermina as águias que infestavam a região do lago Estinfalo, impedindo que a luz do Sol o atingisse. A poluição foi tomando conta de tudo, as águas do lago cada vez mais sujas e pesadas, cheias de detritos, nada ali vicejando. Nosso herói, com o seu arco e as suas certeiras flechas, presente do deus Apolo, matou-as todas, saneando a região, depois de prolongada luta. Para comemorar o brilhante feito de Hércules, os deuses deram o nome de Aquila ao agrupamento estelar situado ao lado de Sagita e de Delphinus.

HÉRCULES  MATA  AS  AVES  DO  LAGO  ESTÍNFALO
( ALBRECHT  DÜRER , 1500 )

A constelação da Águia vai de 12º de Capricórnio a 15º de
ESTRELA   ALTAIR 
Aquário; é de natureza jupiteriana e marciana. Sua principal estrela, alfa, é Altair, águia em árabe, atualmente a 1º04´ de Aquário. Altair proporciona determinação, comando, ambição, desejo de sobrepujar, de dominar, de ousar na busca de novos meios de expressão. Não é por acaso que a constelação zodiacal de Aquário é representada por Ganimedes, jovem troiano de grande beleza, raptado por Zeus na forma de
JAMES   JOYCE
( JACQUES EMILE BLANCHE , 1935 )



águia. A constelação da Águia, nos céus, como que se superpõe à de Aquário, "cobrindo" uma boa parte dela. A estrela de Altair era conhecida por muitos astrólogos do Renascimento porque ocupava uma posição muito importante no mapa astral de Leonardo da Vinci, que tinha Altair começando a ascender enquanto Saturno ia para a culminação no Meio do Céu. Dentro desta mesma linha de pensamento, interessante para pesquisa é o mapa de James Joyce, que tinha Altair também ascendendo.   



CONSTELAÇÃO   DO   AURIGA  ( HEVELIUS )

AURIGA é a constelação do Cocheiro ou do Carreiro (condutor do carro de bois), como a chamavam popularmente. Esta constelação entre os gregos aparece associada ao mito de Erictônio (o que provoca ruínas, em grego), um dos primeiros reis míticos de Atenas. Numa das versões sobre o seu nascimento, Erictônio passa por filho de Hefesto, ou melhor, um produto do violento desejo que o deus metalúrgico experimentou pela deusa Palas Athena. Esta, como se sabe, procurou  Hefesto para que ele lhe fabricasse algumas armas. O deus, ao vê la, não resistiu, atirando-se sobre ela. Ela fugiu, mas ele a alcançou, apesar de coxo. Agarrou-a, a deusa se defendeu, o que não impediu que Hefesto ejaculasse sobre as suas divinas pernas. Escapando do furor erótico dos deus das forjas, Palas Athena, horrorizada, limpou as suas pernas com um floco de lã, que atirou depois ao chão. Ao fazer isto, Athena fecundou a terra, dando origem então nascimento a Erictônio.



DESCOBERTA   DE   ERICTÔNIO   ( PETER  PAUL  RUBENS )


Sem que ninguém soubesse, a deusa recolheu a criança, escondendo-a num cofre, confiando a sua guarda às filhas de um antigo rei mítico da Ática. Curiosas, levianas, desatendendo a recomendações que a deusa fizera no sentido de que o cofre não fosse aberto, as jovens o abriram. Ficam aterrorizadas com o que viram: uma criança que da cintura para baixo era uma serpente, da cintura para cima, um ser normal, lindíssimo. Athena puniu as jovens, enlouquecendo-as, assumindo diretamente a educação da
PANATENEIAS
criança, levando-a para a Acrópole ateniense. Atingindo a maioridade, Erictônio, por interferência materna, assumiu o governo de Atenas. Para poder se locomover, o jovem rei inventou a quadriga, um carro puxado por quatro cavalos, que conduzia com inigualável perícia, decorrendo desse fato o nome dado à constelação. Deve-se ainda ao “filho” de Athena, ao rei-cocheiro, a introdução do uso do dinheiro em Atenas e a organização das Panateneias, as festas totais de Atenas em honra de sua “mãe”. Algumas versões nos informam que Erictônio foi apenas o idealizador da quadriga,  tendo-a construído o deus Hefesto.

Os celtas ligam a constelação do Auriga a uma passagem mítica da
BELONA
qual faz parte a deusa Macha, uma espécie de Belona céltica, deusa da guerra e dos cavalos. em Roma Tomando forma humana, a deusa uniu-se a um camponês, recomendando-lhe segredo absoluto sobre sua condição divina, só a ele revelada. Se assim o fizesse, tudo iria bem entre os dois. Muito orgulhoso, ele concordou. Pouco tempo depois, Macha lhe anunciou que estava grávida. Certo dia, porém, numa reunião entre os homens  do lugar, falando-se de cavalos, o camponês afirmou que sua mulher seria capaz de correr mais depressa que qualquer carro de cavalos, que seria inclusive mais veloz  que o carro real. Levada à presença do rei, Macha alegou que tudo não passava de um mal-entendido, que era apenas uma mulher grávida. O rei insistiu, Macha se irritou e resolveu então participar da disputa, vencendo-a facilmente. No momento, porém, em que ultrapassava a fita da chegada, Macha se deitou sobre o solo e ali mesmo deu a luz a dois filhos, gêmeos. 

Belona, entre os romanos, e Macha, entre os celtas, têm praticamente a mesma imagem e atributos, são deusas da guerra, lidam com cavalos. Levam lanças, açoites, tochas, ostentando capacete e escudo à vezes. Belona, entre os romanos, passa por irmã  ou por esposa do deus Marte, em cujo carro tem posição privilegiada. É habilíssima condutora de carros, bigas, trigas ou quadrigas, invencível nas disputas. Macha, no mundo celta, especialmente na Irlanda, é o seu equivalente.

Pela ousadia dos mortais, Macha, depois de ter dado a luz aos gêmeos, apresentou-se diante de todos os homens da região (Ulster) na sua condição divina e os puniu, obrigando-os a sentir as dores do parto sempre que se metessem em disputas bélicas. Esta maldição perpetuou-se por longo tempo. Quanto aos filhos da deusa, nada se sabe, nenhum registro no mito, mas, sim, na Astrologia, como se verá adiante.

PÉGASO  ( LEQUESNE )
Além destas histórias, acreditamos que uma outra leitura sobre a constelação do Auriga será tão ou mais pertinente, principalmente devido às sugestões astrológicas que oferece. 
Esta constelação sempre apareceu em todos os desenhos do céu muito ligada às que nos falam de cavalos, a do Pégaso, o Cavalo Voador, e a de Equuleus, a constelação do Potro. A grande preocupação que os antigos tiveram em colocar o cavalo nos céus se deve sem dúvida à importância que tinha então a arte de conduzi-lo, a Hípica, arte que teve como o maior dos mestres o centauro Kiron.

KIRON
 
Simbolicamente, a Hípica, a arte de conduzir cavalos, diz respeito ao controle da vida subconsciente, do psiquismo inconsciente, do qual os cavalos são representações. O Auriga que aqui aparece é aquele que tem o domínio tanto da sua vida instintiva, das suas emoções e paixões como dos seus processos mentais, todos   fogosos “cavalos”, que, se não dominados, só levam à dispersão e à destruição.  É o Auriga quem deve conduzir o carro e não os "cavalos". Nesta perspectiva, o Auriga representa a serenidade interior que deve saber unir as forças da matéria às do espírito.


MAHABHARATA

Uma das melhores ilustrações para se chegar ao sentido mais profundo e abrangente do que a constelação do Auriga sugere é a de aproximá-la do poema Bhagavad-Gita, integrado à famosa epopeia Mahabharata, dos hinduístas. No referido poema, Krishna, um avatar de Vishnu, ensina a Arjuna, príncipe dos Pandavas, como, condutor de seu carro de guerra, a se comportar numa batalha.


KRISHNA   E   ARJUNA

Um dos tópicos mais importantes do ensinamento de Krishna é o referente a carros e cavalos. Pelas palavras do avatar, no início do poema, Arjuna é instruído e começa a entender que os cavalos que puxam o seu carro de guerra podem ser considerados também como símbolos dos seus sentidos, dos sentidos humanos. O carro, prossegue o avatar, é a natureza física do homem, seus apetites, seu duplo sentido de conservação e de destruição, suas paixões inferiores, seus poderes de ordem material, o conjunto de suas forças físicas e psíquicas a conduzir. O condutor do carro, o auriga, representa (ou não) a natureza espiritual do homem, a sua consciência superior. Sem esta consciência na condução do "carro", só teremos sofrimento, dor e destruição. 

Na tradição védica, realmente, os carros e seus condutores formam um todo que tem de ser considerado sob diversos aspectos, sempre numa situação conflitual e dinâmica. É o carro nesse sentido o veículo da alma e de suas circunstâncias, o próprio corpo físico que lhe serve de suporte. Os cavalos e aquele que os conduz, o auriga, podem ser vistos como um conjunto que integra inseparavelmente o eu e suas pulsões. É por essa razão que os cavalos brancos aparecem sempre ligados a temas ascensionais, como no caso das ilustrações do Bhagavad Gita



SURYA

Em muitas tradições, cavalos brancos eram sacrificados às divindades celestes enquanto os negros o eram às divindades infernais. O animal branco é montaria de heróis, de santos, de conquistadores espirituais, de figuras messiânicas. No mundo védico, por exemplo, o carro do Sol (Surya) era puxado por sete cavalos brancos. Krishna dirige o carro de Arjuna, ao qual estão atrelados cavalos brancos, movimentando-se assim o carro sob a influência do bem, da pureza, da cor branca, que é a cor da guna sattva (energia equilibrada, controlada). Um dos nomes pelos quais Krishna é  conhecido é Madhava. Esta palavra tanto significa protetor do bem, o que patrocina o bem-estar, como aquele que conduz para o caminho da retidão. Este apelido foi dado a Krishna por ele ter vencido o demônio chamado Madhu, sempre associado ao descontrole a ao caos. Assim, na concepção exposta, o eu superior (atman) deve ser o condutor do carro, isto é, o corpo físico (sarira), a carruagem; a consciência (mental superior) é buddhi; o cocheiro é representado pelas rédeas e pelo mental inferior (manas, o planeta Budha, Mercúrio, astrologicamente); os cavalos são os sentidos, as forças que movimentam o carro, o corpo. 


SIDARTA   GAUTAMA
Ainda nos valendo de exemplos indianos, não é por outra razão que o príncipe Sidarta Gautama se transformou em Buda, o Iluminado, quando aprendeu a aquietar os seus "cavalos", o seu turbilhão mental e emocional interior. Tal acontecimento, como registra a tradição, ocorreu numa Lua cheia (oposição Sol-Lua, conflito consciente-inconsciente), num local (Bodhgaya) ao norte da Índia, onde havia uma árvore (ficus religiosa), sob a qual ele se postou, árvore chamada pipal ou ashavattha (etimologicamente, a árvore sob a qual os cavalos se aquietam). 

Estas referências, acreditamos, permitem uma leitura mais

abrangente e adequada das influências desta constelação. No seu 
todo, o Auriga, segundo Ptolomeu, tem características de Marte e de Mercúrio, sugerindo interesses educacionais (a ideia de conduzir; educar é conduzir bem), curiosidade, atitudes pedagógicas. Quanto aos riscos, possibilidade de dispersão, razão pela qual, por exemplo, podemos aproximar o Auriga do arcano 15 do Tarot, O Diabo. 

Este arcano lembra, oportunamente, que a vida instintiva nada tem de mau em si mesma, mas se torna muito nociva quando não está sob controle. Lembremos que etimologicamente Diabo é palavra que tem a ver com desconcentração, dispersão, multiplicidade. Negativamente, este arcano sinaliza com ausência de ética, libertação desordenada dos instintos, perversões mentais.

Ainda sob o ponto de vista astrológico é interessante notar que os celtas colocaram os gêmeos, filhos da deusa Macha, em duas estrelas

menores da constelação do Auriga, Maaz e Duo Haedi, desprezadas por sua baixa magnitude. A estrela mais importante do Auriga é Capella (pequena cabra), alfa, de 1ª magnitude, hoje a 21ª10´ de Gêmeos. Duas tradições deram muito realce a esta estrela, a egípcia e a grega. Os egípcios, nos últimos séculos da era cósmica de Câncer (8.142-5.982 aC), já haviam alinhado na direção da estrela Capella alguns templos erguidos em honra às Grandes-Mães.   



CABRA   AMALTEIA   ( JAKOB  JORDANO )



MELISSA
Entre os gregos, no mito, a estrela Capella está ligada à infância de Zeus. Para proteger o filho caçula contra a sanha devoradora do pai, Cronos, Reia o escondeu no monte Ida, em Creta. Lá, ele foi alimentado pela cabra Amalteia (generosa, doce, em grego) e pelas ninfas Melissas (abelhas), ficando todos sob a proteção dos Curetes, demônios míticos, guerreiros. Um dia, brincando com a sua ama-de-leite, Zeus lhe quebrou um dos chifres, mas, a título de compensação e em agradecimento à sua dedicação, prometeu que o chifre partido se encheria doravante de todos os frutos e benesses quando ela o desejasse. Esta é a origem da cornucópia, o corno da abundância, que, simbolicamente, significa a profusão gratuita de dons divinos. 


A   ABUNDÂNCIA  ( RUBENS )

Quanto a Amalteia, quando ela morreu, Zeus a colocou nos céus, como a estrela alfa da constelação do Auriga. Da pele de Amalteia Zeus fez uma égide invulnerável. A égide (aigis, idis, escudo, em grego), que servia de arma ofensiva e defensiva, foi parar depois nas mãos da deusa Palas Athena.

A cabra, entre os gregos, sempre foi um símbolo do relâmpago, aliás, uma das armas de Zeus, juntamente com o trovão e o raio.  Capella é uma estrela que anuncia tempestades. Capella é uma das estrelas mais bonitas do céu, associando-de o seu surgimento heliacal na antiguidade a muitas celebrações e rituais (diz-se heliacal o nascer ou o pôr de um astro quanto este acontecimento coincide com o nascer ou o pôr do Sol).

Uma outra explicação sobre esta estrela procura relacionar os nomes gregos aigis, idis, escudo, e  aiks, aigos, cabra, a verbos que significam disparar, arrojar, precipitar, que dão origem a uma palavra (kataigis) que significa “tormenta repentina” ou “cabra para baixo”, literalmente. É de se lembrar que na Grécia antiga, quando o nascimento heliacal de Capella ocorria nos primeiros dias da primavera a ela eram atribuídas tempestades e tormentas.

PTOLOMEU  ( JOOS VAN WASSENHOVE )

Segundo Ptolomeu, Capella tem a natureza de Marte e de Mercúrio. Com ela, há desejo de liberdade, de independência, conforme á area do mapa e o planeta aspectado. Há sugestão de posições eminentes, de renome, dando mente inquisitiva e curiosa. Inclinações à maternidade (nutrição, alimentação e educação) sob o ponto de vista físico ou místico podem aparecer, com possibilidade, porém, de conflito com o desejo e sugestão acima descritos.



sexta-feira, 7 de março de 2014

MITOLOGIAS DO CÉU - O SOL (6)




BONZO

Sabemos que na mitologia chinesa misturam-se elementos oriundos de três religiões diferentes, taoismo, confucionismo e budismo. A primeira e a última têm (tinham) templos e sacerdotes, os taoches e  bonzos, respectivamente. A última tinha templos sem sacerdotes. Interpenetraram-se, passaram por modificações profundas, principalmente sob a influência de textos literários e do teatro.

A organização do panteão chinês se assemelha a uma organização política terrestre. Uma vasta organização burocrática com uma série de ministérios, tendo cada um o seu chefe e o seu pessoal. 

Os deuses são como funcionários hierarquizados e com atribuições perfeitamente definidas. Nesse mundo, tudo é anotado, registrado; circulam nele papéis e documentos como prestações de contas, informes, relatórios, memorandos, declarações formais, tudo com a finalidade de manter informado, para a sua devida apreciação e julgamento, a suprema divindade, chamada Yu Ti, o Augusto de Jade. Por trás de toda essa organização, sempre presentes, três conceitos fundamentais, inseparáveis, a Totalidade, a Ordem e a Eficácia. Os deuses podem ser destituídos de suas funções, não são vitalícios, segundo as determinação da soberana divindade.  

As divindades vivem no céu, mas não juntas. Cada uma tem o seu
YU TI
palácio. O céu é dividido em andares (o número varia; para uns, nove, para outros trinta e três); os deuses mais velhos ou mais importantes residem nos andares superiores. Acima de todos vive Yu Ti, com sua numerosa corte. Ele é chamado de Pai do Céu (Lao-tien-yeh). Seu palácio é muito semelhante ao do imperador terrestre. Ao seu lado vive Wang, a rainha-mãe. Tudo nos palácios é cerimonioso, rico, muito refinado, cuidado, os ambientes, a arte, a música, a gesticulação, a indumentária dos deuses, as joias, as roupas, os móveis, os objetos. Embora reconhecido como o maior dos deuses, Yu-Ti era apenas o segundo elemento da tríade suprema. Ele era precedido por uma divindade chamada Venerável Divindade Original. Depois dele vinha aquele que um dia assumiria o seu lugar, o Venerável Celeste da Aurora de Jade da Porta de Ouro.


WANG - RAINHA MÃE

 Na terra, o imperador oferecia a cada ano a Yu-Ti dois sacrifícios solenes, um no equinócio da primavera e outro no solstício de inverno. O Sol era objeto de um culto oficial o ano todo, culto ligado sobretudo aos aspectos astronômicos. Popularmente, porém, o Sol era venerado como uma antiga divindade, representada desde sempre por um galo, que, por ter caminhado pela Via celeste (eclíptica) havia tomado a forma humana. Era honrado no início ano, na primavera, e no dia do aniversário do imperador.

O culto solar chinês personificava no galo cinco virtudes: 1) as virtudes civis, representadas pela sua crista, emblema dos mandarins; 2) as virtudes militares, representadas pelos seus esporões; 3) a coragem, em virtude de seu comportamento nos
combates; 4) a bondade, porque ele divide a sua comida com os pintos; 5) a segurança, demonstrada pela sua confiança ao anunciar o início do dia. Era costume popular, quando do nascimento de um filho, o sacrifício de um galo aos ancestrais à guisa de agradecimento. Era costume também a oferenda familiar de um galo ao professor quando do uma criança (do sexo masculino) ia à escola pela primeira vez. Todas estas práticas tinham por base a ideia de que o canto matinal do galo dissipava as trevas e abria a terra à luz e à vida.

YAO
     
Uma antiga tradição chinesa, de inspiração solar, preconizava que o soberano (Yao) deveria fazer periodicamente uma volta pelo império, começando pelo levante e seguindo a marcha do Sol, de modo a adequar exatamente o tempo e o espaço. Esta obrigação de imitar o Sol era obrigatória a cada cinco anos. Neste quinto ano se fazia uma celebração, a da promulgação de um novo calendário real, podendo o imperador nos quatro anos de cada período quinquenal permanecer na capital. 

MING TANG

Toda capital chinesa, para ter este nome, deveria obrigatoriamente possuir um Ming Tang, que era a marca distintiva da prerrogativa real e sinal de um poder solidamente estabelecido. Este Ming Tang era também a Casa do Calendário, um microcosmos, um universo concentrado. O edifício do Ming Tang era levantado sobre uma base quadrada, símbolo da Terra, sendo o edifício recoberto por uma forma abobadada, que representava o céu.

Na primeira estação do ano, o imperador usava vestes verdes, sentando-se num trono na parte leste do edifício. Quando terminava o verão, a segunda estação, com vestes amarelas, ele passava a ocupar o centro do Ming Tang. É a partir deste ponto central que ele animava o espaço, dando um centro ao ano. Para permitir ao soberano exercer a sua ação central, entre o sexto mês (fim do verão) e o sétimo (início do outono), era necessário instituir um tempo de repouso de um mês, uma preparação para o hemiciclo seguinte.

O imperador, seja circulando pelo Ming Tang ou pelo império, fazia sempre o caminho solar. O trono imperial ocupava a posição central do Ming Tang, cujo número é o cinco, conforme a
QUADRADO MÁGICO
representação do quadrado mágico chinês. Os quatro lados do Ming Tang, com três portas em cada um, num total de doze, correspondiam às quatro estações com os três meses de cada uma. Ao circular pelo edifício, o imperador refazia o caminho zodiacal do Sol, conforme a ordem celeste e assegurava a ordem terrestre. Para ocupar a posição central (nº 5) do Ming Tang, o imperador devia vencer os quatro dragões que guardavam os seus quatro cantos do horizonte, os quatro cantos do Ming Tang. Essa vitória lhe assegurava a saída da dispersão e a conquista de um centro no qual se instalava como um Sol central e fixo. As cerimônias litúrgicas se distribuíam ao longo do ano com base na divisão dos quatro quadrantes formados pelos eixos equinocial e solsticial, o que dava o ritmo do tempo para toda a sociedade.

                     Foram os primeiros astrônomos os responsáveis pelas noções do Yin e do Yang encontradas no pensamento filosófico-religioso da China. Já em antigos calendários de vários séculos aC estas noções eram notadas, aplicadas a todas manifestações da vida
YIN YANG
chinesa. O conceito Yang sugere uma ideia de solarização, de calor, de luz, podendo servir para representar desde um dançarino em pleno movimento aos dias da primavera e do verão e muitas coisas mais. O yang é o princípio masculino, a luz que surge das trevas, o consciente que sai do inconsciente. Constituem o Yang o movimento, o Sol do leste, o verão, a claridade, o dia, as regiões meridionais, a energia solar, a casa, o ouro, o jade. No nível pessoal, o Yang é o aspecto paternal, o método, a justiça, a severidade e os ossos (corpo físico). O Yin, o elemento feminino, procede do que é obscuro, negativo, feminino, existencial, potencial e natural. Tem relação com a noite, com as trevas do caos primordial, com a fecundidade. São dele o oeste, as regiões setentrionais, a Terra-Mãe, o jardim, a quietude, a coagulação alquímica, a Lua, as águas, a prata, a pérola, as forças da contração, de condensação e de retração. Sua contrapartida no organismo é a carne. Individualmente, Yin é o aspecto maternal, a indulgência e a sabedoria, a passividade, a doçura, a gentileza. 


Os japoneses antigos divinizavam as forças da natureza sob o nome de Kami. As grandes montanhas, as velhas árvores, os rios, os homens superiores eram chamados de Kami, palavra que tanto quer dizer “ espíritos” como “aqueles que estão nas alturas”. Os Kami eram venerados, mas não podiam ser considerados como divindades. Muitas vezes, eram chamados de poderosos (chi-haya-buru). A denominação Kami se aplicava também aos sete planetas conhecidos e também ao Sol.

 KAMI

A mitologia japonesa nos conta que no tempo em que o céu e a terra se formaram três divindades apareceram nas alturas celestes, autogeradas. Depois, apareceram mais duas, também autogeradas. Nenhuma delas se manifestou. Depois, sete gerações divinas se
IZANAGI E IZANAMI
sucederam. A última delas, formada por um par, Izanagi e Izanami, recebeu ordens para consolidar e fecundar a terra, dando início à ordem cósmica. Foram eles que criaram diversas ilhas (origem do Japão) e várias divindades, a do Vento, a das Árvores, a da Montanha etc. O último a nascer foi o deus do Fogo, que, vindo ao mundo, queimou a deusa Izanami, provocando-lhe grandes sofrimentos. Agonizante, antes de morrer, dos seus vômitos, de sua urina e de suas fezes nasceram outros deuses. Das lágrimas de seu marido, Izanagi, nasceu a deusa do Regato Lamentoso. Furioso com o filho que causou a morte de Izanami, Izanagi cortou a cabeça do recém-nascido. Gotas de sangue se espalharam sobre a terra, delas nascendo oito divindades diferentes, que deram nome a oito montanhas.

Izanagi resolveu ir ao mundo infernal para trazer de volta Izanami. Ela, contudo, se recusou a voltar, enviando inclusive entidades
SUSANO
infernais para dar combate a Izanagi, que se defendeu, valendo-se do seu grande conhecimento das artes mágicas. Rompendo com a sua antiga companheira, Izanagi escapou do mundo infernal, mergulhando em seguida no oceano para se purificar. Ao se lavar, esfregando o seu olho esquerdo, deu nascimento a Amaterasu, que logo assumiu a sua condição de deusa solar. Da sua vista direita nasceu o deus lunar Tsukiyomi. Da limpeza de seu nariz nasceu o deus Susano. Izanagi ordenou então que a sua filha primogênita governasse a abóbada celeste, dando-lhe como presente um colar com muitas joias. Ao deus lunar deu-lhe a noite por reino, enquanto ao terceiro filho atribuía a tutela do céu tempestuoso e das chuvas.


AMATERASU

Amaterasu e Tsukiyomi vivem de costas e ocupam as regiões celestes alternativamente e suas cortes são muito semelhantes às do Japão imperial. Aliás, é da deusa Amaterasu que descende a família imperial japonesa, sendo imperador considerado um filho da deusa. As relações de Amaterasu com Susano nunca foram fraternais. O caráter deste último era muito instável e violento. Um dia, ele, a pretexto de se despedir dela (ia visitar sua mãe, que vivia num país distante, o mundo infernal), causou tanta confusão com o barulho e os tremores que causava à sua passagem, pondo o universo em sobressalto. Este comportamento de Susano provocou inclusive a destruição dos campos de arroz na terra. Amaterasu se recolheu então a uma caverna e dali não saiu até que, encorajada por uma multidão de divindades menores, que dançavam freneticamente com gestos obscenos à entrada do seu refúgio, se dispôs a voltar, vencida pela curiosidade. Ao sair, viu a sua imagem refletida num espelho que as divindades menores tinham pendurado numa árvore, desde que se refugiara na caverna.

A história acima é uma dentre as muitas que fazem parte da crônica da deusa Amaterasu, explicando-se por ela a origem do dia e da noite. É por essa razão também que o espelho passou a fazer parte das insígnias reais do Japão. O espelho (yata-no-kagami) é um dos
XINTOISMO  - TAPA
três tesouros imperiais, transmitidos com o trono, com a espada e as três joias, símbolo das três virtudes, conhecimento (chi), bravura (yu) e benevolência (jin). A tradição xintoísta (antiga religião politeísta do Japão de origem autóctone e ainda hoje professada, caracterizada pela veneração de divindades que
TRÊS TESOUROS
representam as forças da natureza e pela ausência de escrituras sagradas, que busca a salvação por prescrições de conduta) associa o espelho óctuplo ao simbolismo do metal e da espada cósmica da deusa Amaterasu. Foi o espelho, na história acima mencionada, que fez a deusa sair da caverna para onde se retirara, a fim de que ela iluminasse de novo a terra.

O retorno de Amaterasu foi motivado também, além do espelho e da dança das divindades menores, por inúmeros galos que estas colocaram perto da entrada da caverna, cujo canto, como se sabe, anuncia a aurora. Os japoneses sempre entenderam, como outras tradições também o fazem, que as danças obscenas têm sempre um caráter agrário, pois, nas religiões primitivas, a obscenidade sempre se ligou a festas celebradas nos campos depois das colheitas, sendo um rito de fecundação, cujo objetivo é de garantir o retorno da vida vegetal.

DAJBOR

O Sol (Dajbog; daj, luz, dia, e bog, divindade), entre os povos do leste europeu, antes de sua cristianização, era filho do céu (Svarog; a raiz svar, que quer dizer brilhante, pode ser encontrada na língua sânscrita). Svarog era também pai do fogo (Svarogitch, literalmente filho de Svarog). Depois de ter reinado sobre o universo, Svarog entregou o poder aos filhos. 

SVAROG

Dajbog vive no oriente, num país de eterno verão e de abundância. Parte a cada manhã do seu palácio dourado, no seu carro puxado por cavalos brancos que soltam fogo pelas ventas, para fazer o seu giro pela abóbada celeste. Quanto no palácio, sentado num trono de
KUPALO (A MORTE DO SOL)
ouro e púrpura, tem ao seu lado duas belas virgens, a Aurora matinal e a Aurora vespertina, sete juízes, os planetas, e sete mensageiros, que voam através do universo com o aspecto de estrelas com logas caudas (cometas). Possui doze reinos. Nos mitos, os movimentos diurnos do Sol na esfera celeste são marcados por uma mudança na sua idade: quando o Sol nasce a cada manhã uma criança o representa; ao meio-dia é um homem maduro que morre no crepúsculo (Kupalo). O movimento anual do Sol é representado da mesma forma.



MENELAU E HERÓIS GREGOS

O Sol e os heróis - Na cultura ocidental, os temas heroicos na mitologia aparecem invariavelmente ligados ao Sol, elaborados todos naquele período que astrologicamente denominamos era de Áries, signo de exaltação solar (entre 1.662 aC e 498 dC). Nesses temas encontramos sempre a glorificação de determinados seres que se destacaram sobretudo por feitos guerreiros, por seus esforços físicos, pela luta que travaram contra monstros e malfeitores. A esses seres se deu o nome de heróis. A palavra veio do grego (heros); latinizada, passou a designar os chamados semideuses, filhos de uma divindade e de um (a) mortal, mais raramente um ser humano divinizado após a sua morte (evemerização). Lembravam esses semideuses, união das forças terrestres com as celestes, um esforço evolutivo, um exemplo que poderia iluminar a vida das pessoas.  

BYRON - HERÓI ROMÂNTICO

Aos poucos, o sentido da palavra foi se ampliando, admitindo-se o seu uso para apontar pessoas que tiveram um destino incomum. Do século XVIII em diante, com o Romantismo em especial, uma nova dimensão foi incorporada à palavra, principalmente através da Arte (literatura). Determinados personagens que problematizavam sua relação com a sociedade começaram a ser chamados de heróis, nada tendo exemplares na maioria dos casos.

AQUILES FERIDO MORTALMENTE.

 Nas antigas culturas, a história do nascimento, da infância e da juventude dos personagens heroicos costumava se revestir de traços fantásticos, extraordinários, que vão sempre além da esfera do humano. A Grécia clássica procurou transmitir para as gerações futuras uma visão sublime do herói. Na realidade, os heróis gregos não eram tão heroicos assim. Todos eram marcados por uma forte dualidade, por inúmeras contradições. A maior parte dos heróis gregos tem um comportamento sexual aberrante, comete estupros, são chegados à homossexualidade, atacam os próprios deuses, podem ser feridos, têm acessos de cólera sem nenhum motivo, desrespeitam de um modo que beira a anarquia as normas da convivência e as regras da hospitalidade. O traço mais característico do herói solar grego é, sem dúvida, a hybris, a desmedida, em escala superlativa, lembrando ela que o Sol tanto dá a vida, vitaliza, ilumina, cura, higieniza, fertiliza como pode secar, cegar, ser um agente patológico, enlouquecer, incendiar, destruir, matar. 

HERÓIS   GREGOS 
 
Os heróis gregos, enquanto simbolizam propostas de impulsos evolutivos, revelam também a situação de conflito do psiquismo humano pelos combates que nele se travam entre as forças da luz (atributos solares) e as forças das trevas, lunares (monstros, malfeitores, gigantes, dragões femininos), lembrando tendências regressivas, uma espécie de fatum a persegui-los. Sempre para eles a vida como luta (agonística), como criação de novas formas de
ULISSES E SEREIAS
relacionamento com o mundo a partir dos conflitos internos, as conquistas sempre ameaçadas de dissolução. Um processo de interiorização e de exteriorização constante. Pressões internas imaginárias, temores, fobias, tentações, dúvidas. De outro lado, o mundo com os seus monstros, dragões, seres ameaçadores, sedutores. Ao lado dos ingredientes da vida heroica, da excepcionalidade (areté) e da honorabilidade pessoal (timé) que estão na base das vitórias interiores, sempre, de outro lado, as ameaças das origens inconscientes, a vaidade, o orgulho, a fama, o renome través da consideração pública.

Sob muitos aspectos, os mitos celtas e as suas fontes literárias não são muito esclarecedores sobre os seus cultos solares. É preciso muitas vezes recorrer à arqueologia para se ir pouco mais profundamente nesse mundo. Sabe-se que desde a chamada Idade
do Bronze muitas comunidades do ocidente europeu veneravam o Sol, representando-o por uma roda, um disco, um círculo. Evidentemente, a escolha para o simbolizar o Sol desta maneira levou em conta duas dentre as suas principais características, a sua forma e o seu movimento. Sabe-se que na Idade do Ferro os guerreiros costumavam usar amuletos com a forma solar, mortos eram enterrados com miniaturas do Sol com objetivo de ter iluminado o seu caminho no “Outro Mundo”. 

CULTO SOLAR

MENHIRES E DÓLMEN
É no mundo celta que encontramos uma das mais ricas simbologias solares. Refiro-me aos dólmens, menhires e outras pedras que simbolizam para os celtas o instante do nascimento do Sol. Em virtude de sua dureza, forma, permanência, grandeza, imponência, as pedras sempre impressionaram profundamente os celtas. É nesse mundo que encontramos, talvez, uma das melhores expressões da androgenia. O menhir, ereto, símbolo
LINGAN E YONE
da primavera, do masculino, da força, associava-se a uma forma rochosa deitada, que representava o princípio feminino, a matéria. Este símbolo solar tem muita semelhança com o lingan (a pedra ereta, masculina) e a yone (a pedra deitada, circular, feminina). Os povos da Índia védica (árias) e os celtas, como se sabe, têm a mesma origem indoeuropeia. 


MUNDO CELTA
     
Para nos situarmos melhor quanto ao que aqui se expõe, é preciso ter em mente que grande parte da Europa ocidental foi ocupada pela civilização celta, situando-se a sua história entre os anos de 600 aC e 400 dC. A área ocupada compreendia uma extensa região que se estendia pelo centro da Europa, do mar Negro à costa atlântica francesa, uma parte do norte da Itália, quase que toda a pensínsula ibérica e mais as ilhas britânicas e a Irlanda. Dentro de sua mitologia, os principais temas foram as selvagens deusas da guerra, os deuses solares, os sacrifícios aos deuses, o mundo dos espíritos e a vida do além-túmulo.

O chamado período romano-celta da história europeia conheceu um grande desenvolvimento dos cultos solares. A complexidade desses cultos pode ser inferida pela descoberta de muitas
JÚPITER
representações do papel que o astro desempenhava no seu relacionamento com a Terra. Várias imagens solares ligavam o astro à guerra, ao deus Júpiter e lhe atribuíam uma função apotropaica, a de afastar as trevas e do mal. Foram encontradas também grandes colunas feitas de troncos de árvores com a mesma função, chamadas de “As colunas gigantescas de Júpiter”. Embora a iconografia deste período apresente muitas influências romanas, encontramos na tradição celta mais isenta destas influências um deus da luz e da vida, montado num cavalo (os cavalos entre os celtas sempre apareceram intimamente ligados aos cultos solares), carregando numa das mãos um disco à guisa de escudo e na outra um raio como arma, atacando uma serpente gigantesca, símbolo das forças ctônicas. 

O calor e a luz deram origem a cultos relacionados com a cura de doenças e com a fertilidade, com a abundância. Muitas imagens solares (discos, rodas) faziam parte da paisagem onde se encontram fontes de águas curativas. Aliás, a deusa que pontificava no grande santuário de Bath (depois estação termal inglesa muito famosa nos séc. XVIII e XIX) tinha o nome de Sulis. Um Apolo céltico, como
APOLO BELENUS
divindade da luz e das curas, estendia o seu poder às fontes de águas termais. Era o deus Apolo Belenus, o “Brilhante”, cuja tutela alcançava fontes tão distantes como as da Nórica (Áustria). Havia um grande festival celta nas ilhas britânicas presidido por esta divindade, no começo do verão, com a finalidade de prevenir doenças, constituído de inúmeros ritos de purificação. Outro Apolo tinha o sobrenome de Vindonnus, nome celta que significa puro, claro, luminoso. Grande dos cultos do Apolo celta era voltada, na área médica, para a cura de moléstias dos olhos. Em várias regiões da Gália e da Inglaterra os símbolos solares, como talismãs e amuletos, apareciam associados às deusas da fertilidade, sendo comuns os discos solares e pequenos chifres (cornucópias) agregados numa mesma peça. 

Grandes festivais celtas do fogo se realizavam por toda a Europa com a finalidade de celebrar o poder solar. A ideia era a de que o fogo dava e destruía a vida, que ele purificava e que das cinzas nascia sempre o novo. Estes festivais se baseavam no princípio da magia simpática com a finalidade de fazer o Sol voltar no período hibernal. Muitas festas cristãs, saliente-se, foram instituídas nas mesmas datas das festas celtas.

A  penetração  da  luz  solar  nas  trevas,  a  sua caminhada noturna,
TARANIS
serviu de base, por exemplo, para que em muitos túmulos fossem encontrados pequenos discos solares. Os celtas achavam que o melhor lugar para a realização do culto das forças celestes e solares, em especial, era o alto das montanhas. É do período romano da história celta que nos vêm nomes como Ladicus e  Poeninus, que lembram montanhas, sempre ligados a Júpiter. As divindades celtas honradas nas montanhas sempre apareceram ligadas a tempestades, como Taranis (de taran, raio na língua celta), o equivalente do Júpiter Tonans.

O nome do Sol na língua céltica era do gênero feminino, como acontece aliás nas línguas indo-europeias. Personificado mitologicamente ele é Lug (luminoso), considerado como um dos elementos fundamentais do universo. Os celtas da Irlanda, por
exemplo, sempre faziam seus juramentos em nome das forças celestes, nelas se incluindo, com destaque, uma menção ao deus solar. Entre os celtas da Irlanda, Lug ou Lugh (brilhante) era o deus da luz. Seu mais importante festival era o Lughnasad. É interessante notar que na língua gálica a palavra “lugos” quer dizer corvo, ave que aparece ligada ao deus Lugh. É de se lembrar também que na mitologia germânica, o deus Wodan, Odin para os escandinavos, anda sempre com dois corvos nos seu ombro, Hugin (Pensamento) e Munin (Memória), que são encarregados de recolher na vastidão do mundo e relatar a ele tudo o que acontece. 


LUGDUNUM

A cidade de Lyon, na França, era Lugdunum (colina de Lugh) porque foi o corvo de deus que, pousando sobre ela, indicou o lugar onde a futura cidade deveria ser levantada. O corvo, também na antiga Grécia, era uma ave divina, solar, consagrada a Apolo. Foram os corvos que indicaram o lugar do omphalos de Delfos. Como mensageiros dos deuses, os corvos desempenham funções proféticas, funções estas que na mitologia grega colocam-se sob a tutela de Apolo (mântica profética).

Os melhores exemplos de heróis solares (astrologicamente, o Sol
GILGAMÉS
nos três signos de fogo), nós os encontramos em Gilgamés (mesopotâmico), Hércules (grego) e Cuchulain (celta). O primeiro é o mais famoso herói babilônico, nascido entre o humano e o divino, figura central de um vasto poema intitulado “Aquele que descobriu a fonte” ou “Aquele que tudo viu”. O poema contém doze cantos, com cerca de trezentos versos em cada um. A versão disponível é do séc.VII aC 
(biblioteca de Assurbanipal, de Nínive); o poema é de muito antes, tendo sido composto por volta do ano 2000 aC. Gilgamés é “aquele que parte em busca da imortalidade”. Encontrou-a na forma de uma planta colhida por ele no fundo do oceano e a perdeu, levada por uma serpente.

Hércules, o mais célebre herói da mitologia grega, filho de Zeus e da mortal Alcmena, é famoso, dentre outros feitos, por ter realizado doze trabalhos, que lembram de algum modo os do herói mesopotâmico. Estes trabalhos simbolizam, como se sabe, a caminhada do Sol pelos signos zodiacais, desde o primeiro, a captura e morte das éguas geradoras de cavalos antropófagos do rei Diomedes (signo de Áries) até o último, a libertação do gado vermelho aprisionado pelo Gerião (signo de Peixes).


Cuchulain, grande modelo heroico dos celtas (Ulster, Irlanda do norte), um guerreiro de feitos extraordinários, cujo verdadeiro pai é
CUCHULAIN
o deus Lug.  Sua vida se assemelha muito à de Gilgamés e à de Hércules. Já na infância suas façanhas eram notáveis, sua força é prodigiosa. Quando colérico, um calor intenso emanava de seu corpo, derretendo a neve, afetando o que estava à sua volta. A magia fazia parte de sua vida; matador de gigantes, participou de guerras, amou deusas.

Por  último,  uma  referência  a  um  famoso mito grego  que  muito
tem a ver com o Sol, o de Narciso, nome que lembra embotamento, entorpecimento. Filho do deus-rio Cefiso e da ninfa Liríope, era de uma beleza quase divina. Cresceu o jovem despertando paixões, mas nunca amando, indiferente a tudo e a todos. Era visto, não via. Tudo se concentrava nele. Uma ninfa se apaixonou e o procurou. Ele, como sempre, nenhuma atenção lhe deu. A jovem foi definhando, transformando-se num rochedo que passou a repetir os últimos sons que lhe chegavam. Recebeu, por isso, o nome de Eco.

NARCISO

As demais ninfas recorreram à deusa Nêmesis, pedindo que o belíssimo filho de Liríope fosse punido. A deusa condenou-o a amar um amor impossível. Um dia, debruçando-se num lago, o jovem viu sua imagem refletida nas águas. Não conseguiu mais sair dali. Apaixonou-se  pelo seu próprio reflexo. As pessoas, a princípio, nada notaram. Os dias se passaram e o jovem ali, imóvel, olhando o lago. Um dia, porém, a sua ausência foi notada. Procuraram-no. O jovem caíra e seu corpo descera ao fundo das águas, foi a conclusão de todos. Seu corpo jamais foi encontrado. No lugar, apenas uma pequena flor amarela com pétalas brancas. Deram a ela o nome de Narciso (narke, narkissos, narcótico), o “embriagado de si mesmo”.

O narcisismo, como podemos perceber, tem como fundamento os
ORPHÉE - JEAN COSTEAU
espelhos, o fascínio que eles exercem. Espelhos, como sabemos, têm relação mágica com seus donos, podem aprisionar a sua imagem ou a sua essência vital. São muitas vezes símbolos de vaidade, sensualidade, de orgulho. Podemos dizer que depois de Lewis Carroll e de Jean Cocteau devemos desconfiar deles. Os espelhos, além do seu interesse poético, transformaram-se em armadilhas (trompe-l'oeil) mágicas. Aliás, não foi por acaso que se deu o nome de psyché, em francês
PSICHÊ
(psichê, em português) a um grande espelho móvel montado num chassis com pinos, graças aos quais esse espelho pode ser inclinado para se olhar o corpo todo. A palavra, vinda do grego, psykhé, alma, foi usada também para designar o conjunto dos fenômenos psíquicos, considerados como formadores de uma personalidade. Na mitologia, o espelho era o instrumento de Psiquê, personificação da alma no conto de Apuleio.

Os dicionários definem o narcisismo como amor-próprio ou auto admiração de natureza mórbida. Outros sentidos podem ser admitidos, ligando-o a pessoas que se centralizam em si mesmas, com excesso de preocupações com a própria imagem, pessoas em cujos discursos o pronome pessoal eu é repetido insistentemente. Define-se também o narcisismo filosoficamente como uma forma de solipsismo (ipse, a, um, mesmo, de si mesmo), doutrina segundo a qual só existem efetivamente o eu (Sol) e suas sensações, sendo os outros entes (seres e objetos) meras impressões sem existência própria. Tendência a fazer de si mesmo o ponto de referência em torno do qual se organiza a experiência. Extremo individualismo, ausência de interesse pelo passado e pelo futuro, falta de consideração pelos outros, desinteresse absoluto por questões sociais.

REI DOS ANIMAIS.

Astrologicamente, como se pode notar, o narcisismo é um fenômeno tipicamente leonino, isto é, solar. Filosoficamente, esse fenômeno da vida psíquica consiste na sustentação de que o eu individual, do qual se tem consciência, com as suas modificações subjetivas, é toda a realidade e que os outros não passam de representações oníricas, são “sonhados”.