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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

MAL DI LUNA



A   LUA ( TARSILA  DO  AMARAL , 1886 - 1973 ), MOMA, NY

Em razão de sua rápida movimentação e das transformações periódicas pelas quais passa na sua trajetória celeste, a Lua, em todas as culturas, sempre apareceu associada aos valores da mudança, da inconstância, da mobilidade.  No ser humano, ela rege a vida infantil, arcaica, anímica, tendo relação com a zona noturna da sua personalidade como matéria constitutiva da própria anima, do princípio feminino passivo, maternal, e das trevas do inconsciente. É deste modo que o astro lunar, quando pensamos no ser humano, tem relação com os temperamentos linfáticos, digestivos, dilatados, que caracterizam o chamado complexo maternal, que se traduz por uma sensibilidade crepuscular, voltada para a vida vegetativa, temperamentos fortemente marcados pelo instinto de conservação, pela prudência, pela propensão à calma e ao repouso. Seres que, ao invés de adquirir uma forma, de conquistar uma individualidade, sempre nos dão a impressão de tomados por um forte desejo de se demorar na infância, de prolongá-la, de preferirem o interior ao exterior, de viverem dentro de uma concha, de se refugiarem no passado.
O comportamento lunar apresenta, como tal, relação com a vida instintiva, anímica, infantil, caprichosa, inconstante, quimérica, sonhadora, inconsciente, noturna, por oposição à vida solar, racional, adulta, firme, brilhante, que se pretende constante, afirmativa e consciente. Sentimental e imaginativo, o lunático é o que sofre influência da Lua, sempre um indivíduo de humor inconstante, incoerente, excêntrico, muitas vezes idiossincrático ao extremo. Lunaticus era o adjetivo que os escritores romanos usavam para designar tanto o maníaco como o epiléptico, males sempre atribuídos a influências lunares. 

LUIGI   PIRANDELLO

MALE  DI  LUNA
Em 1913, Luigi Pirandello publicou uma novela chamada Male di Luna, que nos descreve um personagem que nas noites de Lua cheia apresentava mudanças no seu comportamento. Esta história, com outras quatro do mesmo escritor, foram filmadas pelos irmãos Taviani em l983. O filme, chamado pelos seus autores de Kaos, teve o seu nome retirado, segundo explicações deixadas pelo próprio Pirandello, que nasceu em 1867, num local chamado Càvusu, na língua regional, próximo de Agrigento, ao sul da Sicília. Depois o nome do lugar foi abreviado para Càusu, palavra derivada do grego kaos.


VITTORIO (1929-2018) E PAOLO TAVIANI (1931)
Male di luna, no filme dos Taviani, nos conta que Sidora, três dias depois de sua lua-de-mel, descobre que, durante a Lua cheia, seu marido, Batà, fora de casa, passava a noite uivando como um lobo, arranhando a porta e janelas da casa. Batà tentou salvar o seu casamento permitindo que o belo Saro passasse as noites dentro de sua casa, com a sua mulher, para protegê-la,

NA  ILHA  DE  LIPARI

O filme é todo de inspiração lunar. O seu epílogo, uma história chamada Colloquio con la madre (Conversa com a Mãe) descreve o próprio Pirandello fazendo uma visita ao seu lar na Sicília, muitos anos depois de sua mãe ter morrido. Na conversa que mantém com ela, o personagem lhe pede que conte a história de uma viagem que fez quando criança, à ilha de Malta, aonde foram visitar seu pai, lá exilado. A sequência final nos mostra crianças escorregando em direção do mar na ilha de Lipari.

KAOS
Os contos de Pirandello que dão origem ao belo filme dos Taviani têm relação com a sofrida vida camponesa, gente que trabalhava no campo, muitos permanentemente tomados pela ideia de emigrar. Interessante destacar que Pirandello chegou a afirmar algumas vezes que, a rigor, as histórias de Kaos não haviam sido escritas por ele; eram histórias que ele ouvira de Maristella, uma camponesa de Agrigento, sua ama, que dele cuidava e, à escondida dos pais, o levava à missa, sempre a lhe contar histórias da gente siciliana, histórias de vida e morte, de amor, de licantropia, de crendices e superstições

NOVO MUNDO
A esta altura, não é possível deixar de se aproximar este grande filme dos irmãos Taviani de Novo Mundo (Nuovomondo), de 2006, da bela e politicamente engajada obra de Emanuele Crialese (direção e roteiro).  Este filme, que complementa aquele de outro modo, retrata as enormes dificuldades de muitos sicilianos que, com crianças, mães e velhas avós, no início do século XX, tentaram entrar nos USA como emigrantes. 

PROUST  E  SUA  MÃE
Com um pouco de leituras e atenção, não precisamos fazer muito esforço para descobrir na literatura o escritor que talvez tenha vivido como ninguém o chamado complexo lunar em toda a sua amplitude. Referimo-nos a Marcel Proust (1871-1922). A mãe chamava-se Jeanne Weil, de uma família judaica, a quem o menino se ligou desde os primeiros meses de vida com uma ternura doentia, extravagante, quase morbosa, alimentada por Jeanne. Tomado por esse amor maternal exagerado, o pequeno Marcel, desde cedo, mimado como poucos, foi se entregando a uma ansiedade incontrolável, com relação à mãe, causadora de muitos de seus distúrbios psicossomáticos. 

Num dia em que, retornando de um passeio, teve a sua primeira crise de falta de ar, a vida do menino Marcel mudou drasticamente. Esta situação se agravou dias depois quando, antes dos seus dez anos, numa noite, sozinho no seu quarto, posto para dormir, ele voltou a ter outra crise, muito pior do que a primeira. Em baixo, os pais recebiam convidados no salão de festas da casa (uma reunião só para adultos) e a mãe não subira (esquecera-se?) para acariciá-lo, como sempre fazia nessas ocasiões. Nos dias seguintes, o diagnóstico médico veio: asma, uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias aéreas.  No caso de Proust, uma afecção também geradora de muita angústia, sempre um apelo à proteção e à ternura, como concluiu  André Maurois. 

ROBERT  DE  MONTESQUIOU
( GIOVANNI  BOLDINI , 1842 - 1931 )
Charles Briand nos revela (Le Secret de Marcel Proust) que, ao aceitar e cultivar a doença, Proust parece tê-la achado muito melhor, bem mais aprazível “vivê-la” do que enfrentar a vida real, com as suas inúmeras, constantes e aborrecidas dificuldades. Escapismo, evasão e sonho, de um lado, levaram-no à literatura, para uma realização literária genial e única. De outro, antes mesmo de chegar à puberdade, um crescente envolvimento com o que chamou de “pântano dos prazeres”, cultivado por sua exigente sensualidade, seu confuso erotismo e uma filosofia de vida hedonista de jovem burguês rico, com fumaças aristocráticas, inspiradas pelo conde Robert de Montesquiou, modelo do seu personagem Charlus.



Em 1906, Proust foi morar num apartamento do boulevard Haussmann, mandando revestir de cortiça o seu quarto para se proteger dos ruídos das ruas. Nesse endereço, isolado do mundo,  escreveu À La Recheche Du Temps Perdu, talvez o melhor romance da literatura moderna. 


A Proust, um canceriano de nascimento, aplicam-se exemplarmente alguns dos traços que descrevem o que chamamos aqui de comportamento lunar maternal: interiormente, a pessoa, embora adulta, parece se conservar sempre uma delicada e sensível criança em cuja vida terão lugar mais importante, sempre com lacrimejante emoção, as memórias, as reminiscências, os lugares da infância, a nostalgia, objetos do passado, cenários em que a figura materna se destacará sempre.  Um universo interior que, na maioria dos casos, passa a substituir o mundo exterior.

A Psicologia junguiana, ao falar do complexo materno descreve como suas principais características uma grande necessidade de seduzir, a homossexualidade e a impotência, o que leva aquele que por ele é tomado a desenvolver também uma personalidade puer. Puer, pueris, em latim, é criança. Na Psicologia a palavra foi usada para descrever o comportamento da criança, do pré-adolescente ou mesmo do adolescente que se recusa a “crescer, que não amadurece, desligado da realidade, dela descomprometido, sempre procurando proteção materna e preso geralmente às lembranças do passado, juntando objetos, muito mais fixado no seu valor emocional do que no seu valor econômico. 

PEDROLINO
( GIOVANNI  PELLESINI )
Atraente, fascinante e ao mesmo tempo temível, o mundo lunar dá origem a muitos personagens na arte, na literatura, na música e no cinema. Um deles, por exemplo, é o Pierrô. Sonhador, poeta, que vive no “mundo da Lua”; ele usa uma espécie de caftã branco aperolado. Oriundo da Commedia dell ́Arte, como o Arlequin, tem nela o nome italiano de Pedrolino. Apareceu em Paris no século XVI, de onde saltou para os teatros de feira, para a Ópera Cômica francesa e para o resto do mundo, inclusive para o carnaval brasileiro. 

JEAN-LOUIS  BARRAULT , 1910 - 1994
Mestre da pantomima, Pierrô não consegue falar, apenas sente. Ingênuo e sentimental, com sua roupa enfeitada de pompons e gola grande franzida; ama Colombina, também personagem da Commedia dell ́Arte, que não o ama, uma espécie de Afrodite Pandemia, sedutora, volúvel, esperta. O Pierrô foi imortalizado por um dos maiores atores do teatro e do cinema de todos os tempos, Jean-Louis Barrault. Como Baptiste (no papel de um mímico), o filme, Les Enfants Du Paradis, de 1945, aqui exibido com o título de Boulevard do Crime, tem a direção de Marcel Carné (1945) e roteiro de Jacques Prévert, obra considerada como uma das melhores da história cinematográfica. Dela participaram, além de Barrault, Arletty, Pierre Brasseur e Maria Casarès, três figuras inesquecíveis do cinema francês.

Jean-Luc Godard, em 1965, realizou seu décimo filme, sobre um jovem professor que se cansara da monotonia e do absurdo de sua vida profissional e familiar. O filme teve por base uma história do escritor norte-americano Lionel White e ficou conhecido por dois títulos de Demônio das Onze Horas e Pierrot Le Fou, um road-movie, cheio de peripécias, crimes e banhos de sangue.

PIERROT , LE  FOU
 Os principais personagens do filme, vividos por Jean-Paul Belmondo e Anna Karina. Ele um professor casado, com filhos, e ela uma babá, sua antiga amante, parecem tentar provar que o amor é a única salvação num mundo totalmente alienado (estamos na década de 1960!). Todavia, o que o filme nos mostra realmente, no qual os personagens se movimentam bastante, é um mundo anárquico, fragmentado, ilógico, assumindo o seu personagem principal o papel de um anti-herói. Sua companheira, a babá Marianne, num momento do filme, diante do seu comportamento, o chama de Pierrot, o Louco.   

GILLES  ( ANTOINE  WATEAU )
Nas artes plásticas, Antoine Watteau (1684-1721) utilizou o personagem na tela chamada Pierrot ou Gilles, nome que no séc. XVII designava um bufão de feira, ingênuo, simplório e tristonho. A obra pictórica de Watteau se inscreve na estética do rococó, uma derivação e, ao mesmo tempo, uma reação à suntuosidade e ao exibicionismo do barroco. Rococó é palavra de origem francesa, proveniente de rocaille, literalmente, rocha artificial. Rocaille, como termo arquitetônico, indicava ornamentação de grutas e jardins com o motivo das conchas de vieira (símbolo de Afrodite) e outros deste derivados. 

As grutas são simbolicamente verdadeiros reservatórios de energia e de lembranças, de complexos, de sentimentos e emoções que muitas vezes se agitam inexplicável e confusamente na interioridade do ser humano, perturbando a sua vida consciente. Antigos lugares de culto da humanidade, ornados de pinturas e gravuras, como nos mitos de gênese de antigos povos, desde recuados períodos, consideradas como um lugar materno, por excelência, as grutas sempre apareceram associadas aos órgãos genitais femininos e, como tal, à fertilidade. Vários povos, como sabemos, relacionaram num mesmo contexto simbólico a caverna, a mulher, a chuva e a Lua.

ROCOCÓ
O rococó, além da França, ganhou muito destaque no sul da Alemanha e na Áustria. O rococó, voltado principalmente para os interiores, procurou o que os latinos chamaram de bellum, às vezes pejorativamente, expresso através do agradável, do delicado, do sutilmente sensual, do requinte que beirava o afetado, da graça, da brincadeira, mesmo na arquitetura. Para designar o barroco e suas manifestações artísticas, usavam-se qualificativos como belo,  íntegro, grandioso, palaciano, imponente, que os latinos procuraram sintetizar através do conceito de pulchrum, feito sobretudo para espantar, atrair e submeter. 

CHINOISERIES
Watteau participou de um grupo de pintores que se destacou na decoração de interiores, tornando-se muito requisitado para pintar arabescos e desenhos nas residências de nobres e aristocratas. Muito sucesso alcançou Watteau ao introduzir na pintura que fazia nessas residências, além de temas mitológicos e bucólicos, o que então foi chamado chinoiseries e singeries, pequenos motivos chineses e simiescos, que se tornaram muito afamados em toda a Europa. 

PIERRE-AUGUSTE RENOIR
( 1841 - 1919 )
 No fim da vida, no seu último ano de existência, certamente cansado e desiludido, passou de excepcional pintor a gênio, indo muito além de tudo o que fizera; deixou-nos, como legado maior de sua arte, a obra-prima que é Pierrot ou Gilles, algo muito diferente das suas fêtes galantes e das suas badinages. Sem nenhum bem, morreu pobremente, assistido por um único amigo em julho de 1721. Dentre muitos dos grandes das artes plásticas, como Renoir, Cézanne, Monet e outros, que, indo à commedia dell’arte, se valeram do lunar Pierrot, o mais impressionante é, sem dúvida, o de Watteau.   
PIERROT  LUNAIRE
Já na música, quem se valeu do lunar personagem foi Arnold Schoenberg para o seu melodrama lírico (quatro instrumentos e voz), com base num poema de A.Giraud, chamado Pierrot lunaire (1912). Revolucionária, esta obra utiliza o chamado Sprechgesang, o canto falado, que permite à voz a liberdade de fazer inflexões entre as notas. Esta obra exerceu grande influência sobre a música erudita do séc. XX.




PIERROT  LUNAIRE
Para compor a sua obra, Schoenberg se valeu de um ciclo de cincoenta poemas publicado em 1884 pelo poeta belga Albert Giraud, que geralmente aparece associado tanto ao movimento Simbolista como ao Decadentismo. O protagonista do ciclo é o lunar Pierrot, o servo cômico da Commedia dell'Arte francesa e, mais tarde, da pantomima da avenida parisiense.

LICANTROPIA
Para designar o modo pelo qual a claridade da Lua afetava certas pessoas os gregos criaram o verbo selenediazein, do nome Selene, pelo qual o astro noturno era conhecido. Sempre associada a um mundo perigoso, incompreensível, maléfico muitas vezes, doentio (licantropia; veja Mal da Lua, conto de Kaos), a Lua tornava lunáticos os seres por ela “feridos”, seres que se tornavam hipersensíveis, incoerentes, inadaptados para uma vida normal. Do verbo acima, para designar tais pessoas, saiu o substantivo seleniadzomenus, que no cristianismo (São Mateus) incorporou também o sentido de epilético.  

No mundo da arte, como estamos a expor, encontramos um grande número de “feridos” mais ou menos profundamente pela Lua, artistas que embora por ela “atacados” e/ou justamente por causa dela, nos deixaram uma produção de excepcional valor, um Schubert e um Debussy na Música, um Amedeo Modigliani na Pintura, Rousseau e Montaigne na Filosofia, Proust na Literatura etc. Dentre todos estes, aquele que talvez tenha sido um seleniadzomenus dos mais “feridos” pela Lua tenha sido o poeta francês Jules Laforgue, tanto pela participação da Lua em sua obra como pelo tipo de vida que levou.


JULES   LAFORGUE   E   LEAH   LEE

Jules Laforgue (1860-1887) nasceu no Uruguai (Montevideo) onde o pai trabalhava como professor. Em 1876, a família, de origem bretã (o pai, a mãe e nove filhos) voltou à França, ficando Jules e um de seus irmãos, por razões de dificuldades financeiras, na casa de um tio, em Tarbes. Tentando completar seus estudos regulares, Jules, que nunca foi um bom aluno, não o conseguiu.  Morrendo a mãe em 1877, Jules, já em Paris, tendo abandonado a escola, entregou-se à leitura de autores franceses (poetas principalmente) e a perambular por museus, onde adquiriu certa cultura artística.  Protegido por Paul Bourget, editor, e por Charles Ephrussi, rico colecionador de obras de arte, publicou o seu primeiro poema em 1879. 


Entre 1881 e 1886, Laforgue morou em Berlin, trabalhando como leitor e conselheiro cultural da Imperatriz Augusta. Em 1885, publicou L’Imitation de Notre-Dame La Lune, por muitos considerada a sua melhor obra. Retornando à França em 1886, casou-se com a inglesa Leah Lee, morrendo no ano seguinte, vitimado pela tuberculose. 

LITANIAS  DA  LUA 
Foi influenciado por Walt Whitman na poesia e, de modo especial, no plano das ideias (filosofia), por Schopenhauer e por Von Hartman. Cultivou, em especial, nos seus poemas, por influência maior do primeiro, do qual foi grande leitor, dois veios carregados de melancolia e de spleen. Um dos primeiros poetas na França a aderir ao verso livre, à linguagem coloquial, influenciou bastante Ezra Pound, Marcel Duchamp e o jovem T.S. Eliot. Entre nós, além de outros, foram tocados por ele de algum modo Pedro Kilkerry, Manoel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Seus versos foram aqui traduzidos, com destaque para Litanias da Lua (tradução e organização de Regis Bonvicino, Edit. Iluminuras) e Os Últimos Poemas do Pierrô Lunar (tradução de Luiz Carlos de B. Rezende, Edit. 7 Letras).  



domingo, 3 de janeiro de 2016

ASTROLOGIA E SAÚDE - III

             

                   

Planetas e doenças: quando pensamos em doenças que podem nos vitimar, três planetas devem ser considerados antes dos demais: Marte, Saturno e Netuno. O primeiro tem relação com a inflamação, a infecção, o ferimento, o acidente, a agressão, a utilização da nossa energia, as dores em geral e os problemas do nosso sistema muscular. O segundo tem a ver com tudo o que é hipo (o contrário de Júpiter), limitante, subdesenvolvido (hipertrofia), obstrutor. O terceiro diz respeito a todas as ilusões que nos vitimam física ou psiquicamente. Em aspecto com qualquer planeta, aspecto dissonante sobretudo, de modo especial com os pessoais, Netuno sempre falseia a realidade, induzindo-nos a erros, dificultando sobremaneira os diagnósticos.

Planetas como significadores:

Sol – governa o coração, a coluna vertebral e os olhos. Tem a ver com as artérias, as espáduas, o baço, a distribuição do calor. É quente e seco, com predomínio do primeiro.  A sua importância, sobretudo num tema masculino, deve ser sempre observada de modo especial. Todo ataque ao Sol (aspectos dissonantes) pode significar hiperatividade, complexo de Zeus (Sol-Júpiter); rupturas bruscas, espasmos, arritmias (Sol-Urano); hipotonia, estenose mitral,
PROSPER  MÉNIÈRE
depressão, obstrução, complexo de Isaac ou de Cronos (Sol-Saturno); necrose (Sol-Plutão), inflamação (Sol-Marte); Sol com Vênus e Netuno, excessos alimentares, vertigens, síndrome de Ménière; falta de oxigenação do miocárdio (Mercúrio); hábitos alimentares afetando o funcionamento do coração, síndrome do pânico (Sol-Lua). O Sol aflito em Áries, por exemplo, inclina à violência, à prepotência, às febres, às crises hipertensivas e às hemorragias. Embora a vitalidade esteja favorecida, pode tornar a pessoa impulsiva, dificultando bastante as suas relações sociais (cabeça quente). 



SACRIFÍCIO   DE   ISAAC   ( CARAVAGGIO )

Já os aspectos harmônicos do Sol podem proporcionar um bom potencial de vitalidade (Júpiter), boa resistência orgânica (Saturno), boa capacidade de recuperação, bons efeitos, por exemplo, de um tratamento por laser (Plutão).

O Sol representa a força vital, a disposição para a vida. Sua energia obviamente fluirá melhor nos signos de fogo e de ar (nestes, um pouco menos). Em signos de terra, ligados à materialidade, ficam favorecidas mais a constância e a tenacidade que a vitalidade. É nos signos de água que o Sol encontra a maior dificuldade para brilhar e se afirmar. Por isso, exemplificando, banhos quentes muito frequentes são desaconselhados aos de signos de água, de modo especial cancerianos e piscianos de ascendente.

O Sol, em qualquer mapa, sempre fala de nossas motivações e propósitos principais. É ele quem deve nos orientar (a partir da casa em que se encontre) no sentido de objetivarmos conscientemente a nossa caminhada existencial. Os planetas que formam aspectos com ele mostram como isto se realizará, se tornará difícil ou impossível. É claro que isto só será válido para as pessoas que conseguirem se abrir para questionamentos com relação à sua vida interior. Quanto maior esta percepção, mais facilitada a caminhada. Um Sol, devidamente “trabalhado” desta maneira, nos permitirá projetar nossas energias mais adequadamente, de modo especial fazendo-nos lidar melhor com o nosso cotidiano, que é sempre, afinal, a área de maior importância de nossa vida e dos controles que sobre ela poderemos exercer (casa 6). O Sol é vitalizante, hiperêmico; quanto menos afetado, melhor; maior a vitalidade e a capacidade de recuperação. 


MARLON   BRANDO
Como exemplo de estudo, tome-se o tema astral de Marlon Brando, que sempre usou os valores do fogo para se projetar. Ele tinha o ascendente em Sagitário e o Sol, a Lua e Mercúrio em Áries. Sua aparência, quando surgiu no cinema, era a de um hipermacho e assim se manteve por um certo tempo. As quadraturas Sol-Marte Sol-Plutão, este na casa 8, ambos regentes da casa 12, o transformaram no agente de sua própria destruição.

Mercúrio – é frio e seco, com predominância do primeiro sobre o segundo. É considerado também como um planeta bissexuado, neutro, conversível, nervoso e estéril. É o significador geral do movimento físico e mental, sendo responsável pelo papel que podemos desempenhar como emissores e receptores de mensagens (trocas com o meio ambiente); é o mais instável dos planetas. Por isso, sua relação com a Lua é notável, como o perceberam claramente os antigos egípcios e hindus. Os latinos chamavam o metal mercúrio de hydrargyrus (prata líquida). Governa Mercúrio as funções de movimento, a respiração e a circulação, sendo responsável pela ligação das várias partes do corpo humano. Tudo que é duplo no nosso corpo tem a ver com ele.

Mercúrio rege os pulmões, os dedos, as mãos, os braços, as espáduas (Gêmeos); em Virgo, rege a purificação mental (função crítica, separadora), os intestinos (função separadora), órgão duplo atuando como o encarregado da purificação em qualquer nível. Os movimentos da massa intestinal são dele (intestino delgado). Mercúrio governa também a atividade nervosa, o tato e os órgãos da fala e da audição. Com Urano, tem muito a ver com a eletricidade cerebral. Suas funções fazem dele, enfim, um grande coordenador orgânico. Um Mercúrio muito lesado, por exemplo, pode provocar infantilismo e danos ao sistema nervoso central. 

São de Mercúrio ainda a glândula tireoide (a paratireoide é de Saturno), o cérebro (principalmente o lado direito), o segmento motriz da coluna, as cordas vocais, os órgãos da palavra, a língua, as mãos como instrumentos da inteligência e as vias respiratórias em geral. 

Suas enfermidades são as desordens nervosas ou problemas de saúde por excitação, tensão ou excesso de trabalho; resfriados, bronquites, afecções pulmonares, enxaqueca, perda da memória, excessos salivares, respiração deficiente, eliminação débil, diarreias, neurastenia, inquietação, insônia, distúrbios mentais, sinusite, bócio, palpitações. 


OGMIOS  ,  O MERCÚRIO DOS CELTAS

Mercúrio é a nossa constituição mental básica, definindo a habilidade natural para o estabelecimento de contactos com o mundo. O nosso grau de adaptabilidade e de agilidade metal é mostrado por ele. Como regente de Virgo, aparece associado aos nossos poderes de observação, à nossa instrução (a crítica e a retenção com relação ao que o Mercúrio geminiano obtém é dele), com o pensamento empírico.

Um Mercúrio atacado por aspectos dissonantes sempre afetará em maior ou menor grau as áreas, órgãos ou funções por ele regidas. Um Mercúrio atacado por Saturno pode ocasionar artrose (mãos) ou compressão do nervo (cordão cilíndrico esbranquiçado, formado por fibras motoras e sensitivas, que conduz impulsos de uma parte a outra do corpo) mediano (movimento dos dedos). 

Um Mercúrio débil sugere mente medíocre, que não sabe discriminar; pode revelar, neste caso, indecisão, impulsividade, gerando conflitos que tendem a afetar a saúde (sistema nervoso). Dificuldades na comunicação, problemas de atenção, raciocínio difícil, falta de concentração e dispersão têm sempre a ver com um Mercúrio malogrado. Um Mercúrio mal aspectado por Plutão pode, por exemplo, nos fazer pensar em paranoia, ameaças, em sequestros, raptos etc. Já um Mercúrio muito aflito em Peixes aponta para moléstias nervosas e mesmo para alienação mental. Um Mercúrio muito afetado por Urano, por exemplo, além de outros problemas, pode causar tremores nas mãos, gagueira, dificuldade de concentração. 

No ser humano, a inteligência, que Mercúrio representa, é o conjunto de todas as funções que têm por objetivo o conhecimento no seu sentido mais amplo e a troca de informações com o ambiente; compõe-se esse conjunto de sensação, associação, memória, imaginação, entendimento, razão e consciência. Opõe-se normalmente ao instinto e à intuição.

Já bons aspectos de Mercúrio poderão sugerir adolescência esportiva (Marte), destreza manual (Urano), sucesso com talassoterapia (Netuno), memória conservada na velhice, erudição, oxigenação garantida nas montanhas (Saturno), facilidade para línguas (Júpiter) etc.

Como regente de Virgo e dono da casa 6, a casa onde encontramos informações sobre as nossas atitudes com relação a cuidados corporais; Mercúrio tem muito a ver com a escolha de tratamentos e de profissionais que cuidarão da nossa saúde, sempre se tendo em vista a inspiração superior que devemos receber da casa 9 (Júpiter-Kiron). 

Quando debilitado e em maus aspectos com Urano, Netuno ou a Lua, Mercúrio pode indicar perturbações mentais, males nervosos. Se estiver num signo mudo e sofrer ataque de Saturno, podemos ter o caso de inibições comunicacionais, mutismo etc. Ataques de Júpiter, quando Mercúrio é regente do ascendente, costumam sugerir problemas pulmonares, pleurisias. Se Saturno estiver envolvido, tuberculose, enfisema etc.

FRANZ   KAFKA
Como exemplo, podemos tomar o mapa astral de Franz Kafka, grande escritor tcheco, de expressão alemã, autor de romances e novelas que marcaram a literatura do século XX. Vitimado pela tuberculose, faleceu em 1924.

Lua – Excessivamente úmida e muito fria, a Lua é magnética e fecunda. Rege o estômago, o tórax, a assimilação, a nutrição, órgãos reprodutores femininos, o sistema límbico (conjunto de estruturas cerebrais situadas na região mediana e profunda do cérebro, que desempenha várias funções, especialmente com relação à memória e às emoções, além de influenciar o comportamento humano), o sistema linfático, o hipotálamo (parte do encéfalo situada na base do cérebro, onde se concentram numerosos centros do sistema nervoso simpático e parassimpático, reguladores do sono, do apetite, da temperatura corporal etc.), os fluidos corporais, as superfícies mucosas e aquosas, o ciclo menstrual, seios e vasos lactíferos, a fertilidade, os tratos alimentar e estomacal (quimo), o útero durante a gravidez, o olho direito na mulher e o esquerdo no homem. São dela o esôfago, o duodeno, o fluxo das secreções, o útero, os ovários, várias membranas, tecido celular, a capa dos nervos, testículos, óleos, soros sanguíneos, processos glandulares, vasos linfáticos, mucosas, o sistema ganglionar e a saliva com a sua química.

Suas principais enfermidades: desequilíbrio endócrino, inflamação de gânglios, alergias, desordens femininas do sistema reprodutor, hidropisia e excesso de líquido nos tecidos, infecções catarrais, vista esquerda, linfatismo, epilepsia, instabilidade mental, depressão emocional, histeria, hipocondria, apatia, psicoses, lunatismo, obesidade e dispepsia.


KAOS  -  MAL DI  LUNA  -  IRMÃOS  TAVIANI

A Lua é sempre fecundante, nutritiva, receptiva, anemiante, depressora, apática. Onde estiver (signo), mostra o que precisamos atender para que nos sintamos bem. Em Libra, precisamos de paz; em Touro, de segurança; em Áries, de ação; em Capricórnio, de envolvimento com coisas sérias e significativas; em Peixes, tornarmo-nos cada vez mais compassivos. Os padrões das reações lunares são mais notáveis na infância, período em que ela afeta mais a nossa saúde, a menos que seja o astro Hyleg ou significadora particular de doenças. 

São bastante conhecidas as influências da Lua sobre a vida e a saúde. É por isso que na astrologia dos hindus a Lua é sempre considerada como um segundo ascendente. Há, como sabemos, estatísticas que comprovam haver um pico com relação a nascimentos quando da Lua cheia e um decréscimo quando da Lua nova. Há também registros de casos de hemorragias pós-operatórias, com um significativo aumento delas nos períodos de Lua cheia. Ponderáveis razões recomendam que sejam evitadas intervenções cirúrgicas na fase da Lua cheia e no período em que a Lua se encontrar “fora de curso”, de modo especial se no mapa natal tivermos a conjunção Lua-Netuno em signos de água. Também não é recomendada a intervenção quando a Lua estiver presente no signo que tem relação com a parte do corpo ou órgão a ser operado. 

A Lua afeta (maus aspectos) bastante o pensamento racional (mentalidade); como “mãe das inferências” (conclusões baseadas em fatos não totalmente comprovados, generalizações infundadas, paranoia etc.), podendo nos tornar muito imaginativos e suspicazes. As tendências hipocondríacas, especialmente se estiver mal relacionada com Netuno, Mercúrio e Saturno, são comuns. Incluo neste quadro o caso de uma Lua fortemente atacada por um planeta significador de doenças (regente da casa 12).

Relações dissonantes entre Lua e Mercúrio, Lua e Urano e Lua e Netuno podem sinalizar a possibilidade de distúrbios mentais. Relações desarmônicas entre Lua e Vênus indicam, às vezes, doenças da bexiga. Lua em signo estéril, atacada por Saturno, esterilidade. Como luminares, o Sol e a Lua mal aspectados, podem indicar problemas de visão; se nebulosas estiverem envolvidas na relação, maior perigo. Lua e Júpiter em aspecto dissonante com ataque violento de Plutão assinala a possibilidade de proliferação de células (câncer, metásteses).

A Lua pode, em certo sentido, ser considerada como o “ponto fraco” de nossa personalidade, pois, ao atuar no limiar da vida subconsciente, ela nos torna muito vulneráveis a caprichos (etimologicamente, esta palavra tem relação com a cabra, animal lunar) emocionais e a pressões da memória. Há sempre uma estreita relação entre uma Lua débil e desequilíbrios emocionais. Na medida em que o Sol nos fala de algo adiante, a ser construído no tempo, a conquista de uma individualidade, a Lua é regressiva, nos leva para o passado, para a vida subconsciente.

 BOLSA  DE  NOVA   YORK
Um dos melhores exemplos do que estamos aqui a mencionar é o mapa de Marcel Proust, nascido em Paris, a 10 de julho de 1871, às 23:30 hs. Tinha o Sol e Mercúrio no signo de Câncer, dominados a partir de Touro (casa 2) pela Lua, em conjunção com Plutão. Sofreu a vida inteira de asma, doença respiratória crônica, caracterizada pela inflamação dos brônquios. Há um estreitamento das vias aéreas que torna difícil a passagem do ar pelos pulmões. Daí, os sintomas: falta de ar, chiado, aperto no peito e tosse. Alérgenos (ácaros, mofo, pelo de animais, fumaça de cigarro, frio, poluição), tudo afetava o asmático Proust, um lunar hipersensível física e psiquicamente.


MARCEL   PROUST

Vênus – Como regente de Touro, Vênus se relaciona com recursos, valores, lucros, talentos de natureza prática, construção, riqueza, quantificação. Como regente de Libra, Vênus significa vida afetiva, relacionamentos em geral, receptividade, contratos. É um planeta feminino bastante úmido e moderadamente quente. É um astro fecundo, tem relação com a paz e a harmonia, exalta a sensibilidade e refina as sensações nos bons aspectos e indica promiscuidade nos maus. Suas vibrações podem ir do amor-sexo mais grosseiro (excessos eróticos) a elevadas formas de amabilidade. É conhecido como Fortuna Menor, ligando-se concretamente a todas as expressões artísticas e à estética corporal e ambiental.

No corpo humano, domina ou tem influência sobre os rins, o tato, as virilhas, os órgãos genitais femininos (ovários), a próstata, o pescoço, a nuca, os ouvidos, os hormônios sexuais femininos, a garganta, os órgãos da fala, os seios, a barriga, o monte de Vênus (proeminência criada por uma camada de gordura acima da sínfise pubiana da mulher), a pele, cuja regência divide com Saturno. Para a astrologia, a pele, sob o ponto de vista físico, é de Saturno enquanto, sob o ponto de vista estético, é de Vênus.

São também de Vênus a glândula timo, o sentido do tato, o sistema genital feminino, o brilho dos cabelos e da cútis, a harmonia das formas femininas, o ventre, as nádegas, o púbis, os seios, o colo,  as células reprodutoras femininas, o conduto dos ouvidos, a circulação venosa. Mais: impurezas do sangue de natureza intoxicante que causam amigdalites, faringites, laringites, enfermidades pustulosas, sarampo, varíola, varizes, abcessos, furúnculos, tumores, flebite, celulite, náuseas, moléstias do aparelho geniturinário, desarranjos menstruais, excesso de secreções, sensibilidade das mucosas nasais, adenoides. 

A beleza da pele, mais exatamente da película que a recobre, a epiderme, também chamada de cútis (do grego, skytos, encoberto, escondido, recoberto) é de Vênus. As injúrias que nela aparecem têm, em muitos casos, muito mais a ver com complicações afetivas, com os chamados males do amor, do que com agressões externas. Quando Vênus está mal colocado num tema, por signo e casa, recebendo inclusive aspectos dissonantes, ele oferecerá, no geral, muitos problemas com relação à sociabilidade  e, em particular, com relação à vida afetiva e sexual. 

Comuns os casos, conforme a astrologia comprova, de casais que nada mais tendo em comum continuam a viver juntos, por razões várias, questões financeiras, patrimoniais, familiares, filhos, às vezes motivos religiosos, comodismo etc. Para acomodar situações como esta é que inconscientemente (?) um dos parceiros, ou, mais raramente, ambos, um certo dia aparece(m) com problemas cutâneos, dermatopatias. Civilizadamente, está criada uma justificativa bastante aceitável para a rejeição: um não mais tocará o corpo do outro, justificativa sobretudo conveniente para ambos e para se dar satisfações à curiosidade externa sobre a “distância” que há entre eles. 

Nestes casos, é geralmente na “parte mais fraca” da parceria que se desenvolve a dermatopatia. O que temos aqui em ação é uma das leis fundamentais da vida universal, a da polaridade. No jogo amoroso, esta lei se traduz pelo conflito que nele sempre está presente, embora raramente conscientizado pelas partes envolvidas. Por isso, ao lado de tantas demonstrações de afetividade, mesmo de paixão, há tanta mentira, traição, inveja e destruição no jogo amoroso. O fato é que em toda relação afetiva, em qualquer vinculação sentimental, é preciso reconhecer, vive sempre ocultamente o elemento destrutivo. O aparecimento desse elemento
EROS
pode se verificar de muitas maneiras. Ora ele irrompe violentamente como agressão, ora, como no exemplo aqui apresentado, como doença, sempre uma forma disfarçada de agressão. Como o seu “eros” (libido para os especialistas) não consegue chegar ao “outro lado”, ao parceiro, a aqui denominada “parte mais fraca” o volta contra si mesma, agredindo-se. Não podendo atacar o parceiro, a “parte mais fraca” faz o seu “eros”, aqui transformado em ódio muitas vezes, ferver na sua pele. 


Isto fica claro quando examinamos os nomes que os antigos gregos deram a muitas doenças que “enfeiam” a pele: eczema, erisipela, psoríase, leucodermia (vitiligo) e outras. Ao processo inflamatório (vermelhidão, exsudação, coceira) que nela se manifesta, de modo agudo ou crônico, os gregos deram, por exemplo, o nome de eczema (eczein, em grego, quer dizer ferver, entrar em ebulição). Erisipela, etimologicamente, pele vermelha, e assim por diante. 

A astrologia nos deixa claro que todas as dermatopatias, de um modo geral, são reveladas por dissonâncias relacionadas com Vênus. Uma das mais agressivas, por exemplo, é o herpes-zóster. O nome vem do grego, herpein, arrastar-se, movimentar-se como uma serpente, um réptil. Aliás, a raiz indoeuropeia da palavra é serp, que deu a palavra grega herpaton, réptil. O herpes, registrado e estudado na antiguidade grega, se caracteriza por lesões cutâneas vesiculares, que causam dores e febres. Quando a doença faz um caminho circular ao nome se acrescenta zóster, do grego, com o significado de cinturão, de algo circular, mal popularmente chamado de cobreiro.  Aparecendo geralmente em áreas do corpo dominadas astrologicamente por Vênus (Touro e Libra) e por Plutão (Escorpião), o herpes costuma se manifestar, segundo a Medicina, em “períodos de baixa resistência”. É nestes períodos, como sabemos, que o corpo fica mais desprotegido pela queda de imunidade. Nosso sistema de proteção, como se disse, depende muito de Vênus Tais períodos, como a astrologia nos mostra, têm muito a ver com problemas de segurança material e afetiva, que são
BENZEDEIRA  DE COBREIRO
da alçada de Vênus no mapa natal. As áreas corporais mais afetadas nestes períodos são exatamente as relacionadas com Vênus. Os sinais aparecem: estresse, infecções de pele, abcessos e doenças causados por fungos, vírus ou bactérias, falta de apetite etc. Comuns os casos de herpes na boca (região taurina), casos recorrentes de amigdalites (região taurina), estomatites (problemas de alimentação, de Vênus, portanto) etc.


O lúpus eritematoso cutâneo ou o sistêmico, por exemplo, é outra doença inflamatória, de origem autoimune, encontrada em muitas pessoas em cujos mapas astrológicos se nota a polaridade Vênus-Marte severamente afetada. O cenário astrológico é bem conhecido: Vênus entra, no caso, com as dificuldades afetivas, com o sistema imunológico deficiente, com a cútis e Marte colabora negativamente com o ódio consciente ou não entre os parceiros (ou alguém que desempenhe este papel na relação), com a agressão, com a inflamação, com o eritema, que vem do grego com o significado de vermelhidão.

Há muito que se discute a origem do nome desta doença, já, ao que parece, descrita por Hipócrates. O nome lupus (lobo, em latim), vem de longe, e já era registrado para a doença na alta Idade Média, sugerindo vida instintiva, voracidade, que o lobo simboliza. A pessoa que é atacada pelo lúpus eritematoso cutâneo vê-se dominada simbolicamente pelo lobo, pela sua vida instintiva. Não é por acaso que em muitas gravuras medievais e posteriores que a Alquimia nos deixou encontramos imagens de um lobo (vida instintiva) devorando as entranhas de um rei (vida racional). Não podendo descarregar a sua violência no “outro”, um dos parceiros se agride, faz inconscientemente com que sua violência se volte contra si mesmo. 

É interessante notar que o lúpus eritematoso cutâneo se caracteriza pelo aparecimento, na pele, na região do rosto, principalmente de pequenas manchas vermelhas em forma de asas  de  mariposa, símbolo de Sagitário, regido por Júpiter, signo de fogo, relacionado com vida superior, vida espiritual, enquanto o signo de Áries, regido por Marte, tem relação com vida instintiva e que o signo de Leão, também signo de fogo, regido pelo Sol, tem relação com a vida racional.


Quem sofre do lúpus eritematoso fica prisioneiro do “seu” lobo. O mesmo raciocínio astrológico poderia ser estendido ao lúpus eritematoso sistêmico, quando ataca os rins, dominados astrologicamente pelo planeta Vênus, regente do signo de Libra, que se polariza com Marte, regente de Áries. 

O nosso sistema imunológico, como se sabe, é formado por um conjunto de estruturas e processos que protege o nosso organismo contra os ataques das doenças. Desarranjado, esse conjunto não consegue dar as respostas imunológicas adequadas, podendo atacar órgãos saudáveis do corpo. Quando isso acontece, temos as chamadas doenças autoimunes, que são muitas. A Medicina não sabe até hoje como isso acontece, ou seja, não sabe explicar essa autoagressão. Ao nos revelar que o nosso sistema imunológico, como se disse, tem muito a ver com o planeta Vênus, a astrologia poderá nos ajudar a detectar a possibilidade da manifestação de tais doenças autoimunes em pessoas que apresentem severas aflições deste planeta em seus mapas astrais. 

Detive-me um pouco mais sobre sobre este tema, o das chamadas doenças autoimunes, sempre uma autoagressão, para destacar o quanto elas estão relacionadas com a vida psíquica. A psicanálise e/ou a psicologia profunda, com relação a pessoas adultas que as desenvolvam, têm muito a falar sobre elas, sem dúvida. Não conseguirão dizer nada, porém, quando tais doenças aparecem em crianças, lúpus, herpes etc. Invocar a hereditariedade (sempre cômoda, quando diagnósticos nada explicam) não basta, pois muita coisa ficará de fora. É na astrologia da Índia (Jyotish) que encontramos as melhores explicações sobre as causas das doenças autoimunes e de muitas outras, principalmente em crianças. 
(Para os que se dispuserem a ir um pouco mais fundo nesta questão, vejam neste blog a matéria Astrologia, Karma e Reencarnação).   
  
Como regente dos princípios da harmonia e do equilíbrio, Vênus adquire particular importância quando pensamos no estressante mundo moderno e no processo de regulação pelo qual um organismo mantém constante o seu equilíbrio. Este processo tem o nome de homeostase (etimologicamente, permanecer o mesmo): é o estado de equilíbrio do corpo e das suas diversas funções e composições químicas (temperatura, pulso, pressão arterial, taxa de açúcar no sangue etc.). Isto é, fazer o corpo funcionar adequadamente, equilibrado, quaisquer que sejam as circunstâncias externas. Um dos grandes recursos, por exemplo, para nos ajudar a recuperar, se perdida, a eficiência (equilíbrio) do nosso organismo, tanto no plano físico como psicológico, poderia vir de noções cibernéticas como a da retroalimentação (feed back), um processo pelo qual podemos corrigir as nossas ações se soubermos utilizar corretamente as mensagens de retorno do meio em que atuamos.  
  
Sabemos que os rins filtram todo o material solúvel indesejável do sangue e mantêm o equilíbrio correto entre a acidez e a alcalinidade. Os rins elaboram a urina a partir da filtração do sangue, regulando a pressão arterial e transformando a vitamina D (essencial para a deposição de cálcio nos ossos e dentes) na sua forma ativa. Exemplo: Vênus aflito em Áries pode trazer riscos hipertensivos por causa de moléstia renal. 

Ataques a Vênus, Marte, Saturno e Netuno, com a participação lunar (trânsitos), podem, por exemplo, causar estados vertiginosos, perda de equilíbrio, inclusive com náusea e vômito, mal que designamos geralmente (embora muitas vezes não o seja) pelo nome de labirintite. Labirinto é o nome de uma porção óssea do ouvido interno onde há um líquido (endolinfa) que, quando nos movimentamos, garante o nosso equilíbrio.

O planeta Vênus tem a ver com tudo o que chamamos de venoso no nosso organismo. Venoso é o que diz respeito às veias. O chamado sangue venoso, que tem pouco oxigênio, volta para o coração pelas veias para ir novamente aos pulmões receber oxigênio e ser novamente bombeado pelo coração para as artérias. Vênus, aflita em Aquário ou mal aspectada por Saturno, é geralmente sinal de males venosos (problemas na circulação de retorno), isquemias (literalmente, falta de circulação). As isquemias podem ocorrer em qualquer parte do corpo, no pé, no intestino, no cérebro etc. Quando um tecido “morre” por falta de irrigação sanguínea, podemos ter a chamada gangrena (etimologicamente, corrupção); se Plutão estiver envolvido, podemos ter necroses. Um quadro perigoso, pois, uma Vênus débil, atacada simultaneamente por Saturno e por Plutão. 

São também de Vênus os males que antes se designavam pelo nome de venéreos, hoje englobados pela sigla DST (doenças sexualmente transmissíveis), causados por vírus, bactérias ou micróbios. Lembro que quando Urano, em 1968, ingressou em
SWING
Libra, signo regido por Vênus, e lá permaneceu até 1974, a promiscuidade sexual entrou em moda. Ideias de casamento “aberto”, troca de casais (swing), relações sexuais breves e superficiais, troca de parceiros, ausência de regras, inversões etc. Foi nesse período que a Aids se instalou, anunciada “oficialmente” pela entrada de Plutão em Escorpião no início dos anos 80. Plutão, curiosamente, em grego, tem também o nome de Aides, cuja transliteração nos deu em português Hades.     

Relações desarmônicas agudas entre Vênus-Marte, por exemplo, podem ocasionar problemas de coagulação, além de dores de garganta, amigdalites, faringites etc. Um mau aspecto Vênus-Júpiter é comumente indício de problemas alimentares (Vênus tem relação com a boca, os doces, o açúcar). É evidente que estas afirmações devem ser localizadas no mapa, lembrando-se que a casa 2 nos dá informações com relação ao que nos agarramos real ou simbolicamente, inclusive sobre alimentos que mais costumamos levar à boca (alimentos têm relação com signos); a casa 5 nos fala da preparação de alimentos e a 6 de nossos hábitos alimentares (a nossa mesa), influenciando em grande parte o cenário de nossas refeições.  

Gota (problema na eliminação do ácido úrico; causa dolorosas inflamações nas pequenas e grandes articulações, levando à imobilidade), obesidade e diabetes, males dos excessos da boca, são comuns neste quadro, no qual o planeta Vênus costuma ocupar posição importante.  Se a Lua estiver envolvida, teremos o famoso tripé da diabetes, da melitúria (diabetes melitus): distúrbio do metabolismo que se traduz geralmente pela elevação de glicose no
MASTROIANNI
sangue. Nessa moléstia, grande é o papel do pâncreas, o produtor de insulina no nosso corpo. Problemas no pâncreas têm geralmente relação com exageros na ingestão de álcool e comida. Muito comuns esses problemas em librianos que vivem evitando conflitos, adaptando-se demais, e que compensam essa “rendição” com comida, doces, bebidas etc. Um caso exemplar é o do libriano Marcelo Mastroianni, que morreu vitimado por um câncer no pâncreas.