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quinta-feira, 15 de julho de 2021

A CASA XII

         

PERSONIFICAÇÃO DA ASTROLOGIA
(GIOVANNI BARBIERI, CONHECIDO COMO GUERCINO, 1591-1666) 

A boa prática astrológica nos informa que o setor (casa) em que se encontra o Sol num mapa nele encontraremos o centro da existência do dono desse mapa, o lugar de suas experiências mais significativas, talvez, quem saiba, de suas maiores realizações. Se estiver nessa casa bem colocado por signo e bem relacionado por aspectos, podemos sempre esperar ali algum   fator de elevação, de distinção, de êxito. Conforme os mestres hindus nos apontam, o Sol, se favorecido num mapa por posição e aspectos, encontrará, principalmente, nas casas I (Ascendente) e X (Meio do Céu) as suas melhores possibilidades expressivas tendo-se em vista o que acabamos de colocar. Todavia, dizem-nos também os mestres hindus que isto não exclui possibilidades de realização mesmo que o Sol se encontre em casas  “difíceis”, que alguns chamam de maléficas, como as mokshabhavas (IV, VIII e XII). 




Como entender isto, se consideramos que a casa XII, sempre tida como difícil, é a casa final de um mapa? Nela encontramos (ou não) informações de como depois dos feitos mundanos (casa X), alguém com preocupações altruístas (casa XI) poderá entrar, inspirado por um entendimento mais vasto da vida cósmica, em contacto com sentimentos de compaixão, de solidão contemplativa e de autossacrifício. A cultura astrológica ocidental vê a casa XII como suscetível de ocasionar grandes provações durante a vida, de modo especial para os que nascem com o Sol nela posicionado. Estas provações tanto podem significar uma série de obstáculos que poderão se erguer diante do êxito de várias maneiras, desde crises de consciência,  como provações de ordem moral, como problemas crônicos de saúde ou como inimizades ocultas e inexplicáveis etc.

Segundo alguns mestres hindus, a casa XII poderá ser um “vale de lágrimas” ou uma “câmara de horrores”, um lugar de deformações, de tristezas, de sujeição, da “mão pesada do destino” se ela não for entendida como o lugar num mapa através do qual poderemos prestar alguma ajuda a pessoas que não podem ou não conseguem se ajudar a si mesmas. É por esta razão que muitas vezes encontramos pessoas que têm o eixo das casas VI-XII dinamizado pela presença de um Sol, de modo especial se ele estiver na casa XII. Sempre presente também a  a ideia de que é através dessa casa que podemos ter que prestar algum tipo de serviço, seja, por exemplo, como funcionário num asilo, como enfermeiro num hospital de alienados, numa prisão, num lugar onde se internam pessoas, numa prisão como carcereiro etc. O signo dessa casa, o planeta Netuno ou planetas presentes em Peixes nos informarão que tipos de serviço, além dos que deveremos prestar normalmente, teremos executar. Sempre será bom lembrar, entretanto, que onde Netuno estiver num mapa nesse setor do mapa poderemos  ter que, em algum momento de nossa vida (ou sempre), nos haver com algum tipo de autossubmissão, de autodedicação, de sacrifício, de autoengano, de desilusão etc. 

Um Sol de casa XII, no geral, predispõe a pessoa a “aparecer” menos na vida, seja por timidez, medo, insegurança, dúvidas etc. Ou seja, uma pessoa desejosa, quase sempre, de permanecer inexplicavelmente, ao lado, à sombra, escondida. Um Sol de casa XII não “gosta” de ser alvo de atenções, de ser notado, de “enfrentar” pessoas. Difícil para um Sol nesta posição ser direto, espontâneo, mesmo que lhe expliquem não haver nada a temer. 

Aspectos Sol-Netuno poderão apresentar também muitas das características de um Sol de casa XII, a saber: sensibilidade a correntes coletivas, receptividade às vagas sociais, sentido fortemente comunitário, político, messianismo, realização por uma via coletiva, ideológica ou místico-religiosa etc. A rondar este Sol sempre os perigos de atitudes anárquicas, escapistas, evasivas, caóticas, sonhadoras, com sérias repercussões de ordem psicossomática.


Um Sol de XII costuma inclinar a atitudes compassivas, a uma certa afinidade com o misterioso, o nebuloso e o imaginário que podem dificultar a percepção da realidade. Comum, por exemplo, que um Sol de XII se veja às vezes “mantendo” contactos como amigos imaginários ou “sinta” que o que lhe acontece de negativo deve-se a alguma falta criada pela sua imaginação.    

Um Sol de XII costuma também às vezes imaginar que haja alguma coisa errada a fazer parte de sua vida, mesmo que ninguém lhe apareça para cobrar algo, para apontar alguma falta ou erro. Comum por isso que a pessoa com um Sol de XII se “sinta” mal, fabricando culpas, muito mais por pressões imaginárias do que por algo de mal realmente cometido.  A predisposição a ligações com o mundo sobrenatural é também muito possível com o Sol de XII, muito comuns histórias fantásticas, fantasmas, vida depois da morte etc. 

Muito concretamente, por sua analogia com o signo de Peixes e Netuno, a casa XII nos informa sobre inimigos ocultos, sofrimentos físicos de longa duração (internações, hospitalizações etc.), sofrimentos morais, enganos e segredos. Refere-se também a casa aos grandes animais, aos trabalhos penosos, às doenças incuráveis, a prisões e exílios, a traições e muito mais.

Posicionado e aspectado favoravelmente na casa XII, o Sol pode proporcionar vitória sobre os inimigos ocultos, êxito nas profissões ligadas à cura do corpo e da mente, inclinação ao estudo e prática das chamas ciências ocultas. Presentes às vezes, mesmo com a condição solar acima apontada, sofrimentos causados pelos assuntos regidos pelo signo presente na casa. Dependendo da dignidade solar, podemos ter escândalos decorrentes de vida sentimental, problemas com filhos, jogos etc. 

De um modo geral, um Sol de XII costuma depender muito das chamadas reservas inconscientes, o que inclina a expressões através de grandes instituições, clínicas, lugares de retiro, asilos, hospitais etc. Pode-se mesmo afirmar que a única forma de um Sol de XII obter algum reconhecimento ou satisfação será a de prestar serviços nos quais não entrem ideias de retribuição ou de reciprocidade. 

Um Sol de casa XII, mesmo dignificado e bem aspectado, pode também encerrar quem o tem numa forma de existência marcada pelo retorno periódico de acontecimentos infelizes como se estivesse submetido a fatalidades provenientes do exterior. Todavia, se observarmos mais de perto, muitas dessas fatalidades parecem ser produzidas pela própria pessoa. É o caso daqueles que são os artífices de sua própria “infelicidade”, que não podem suportar a conquista daquilo que mais intensamente parecem desejar.

Já uma Lua de casa XII pode nos revelar que o humor de uma pessoa ou que suas respostas emocionais estão fortemente marcadas por influências de natureza inconsciente ou por experiências vividas anteriormente, mas que subsistem, no geral desconhecidas por quem as experimenta. Normalmente, uma Lua na casa XII inclina à timidez, à sujeição de temores, a sonhos e devaneios, sempre com muita dificuldade de separar a realidade da fantasia. 

Praticamente, a Lua na casa XII pode indicar trabalho em hospitais, sanatórios, orfanatos, educandários, asilos de crianças, através de entidades que lidam com o passado de um modo geral. Pode indicar separação da família de origem, sofrimento através do lado materno, perda de heranças. Se Câncer, por exemplo, ocupar a casa VI ou se a Lua for a indicadora de saúde, poderemos ter o caso de moléstias incuráveis transmitidas pela via familiar, de separação familiar, de sofrimentos causados por mulheres (mãe, esposa), questões de herança etc.

A Lua na casa XII pode tornar a infância infeliz, doentia, ocasionar provações afetivas pela via materna, inimizades familiares etc. De um modo geral, a Lua na XII indica timidez, imaginação perigosa, sobretudo com relação a culpas, remorsos, inferências, memórias etc. Particularmente, na casa XII, a Lua costuma se revelar também por lembranças infantis, aparentemente insignificantes, mas muito marcantes porque tomam geralmente a forma de fantasias inconscientes. A Lua em XII pode, por isso, adquirir uma feição paradoxal, ou seja, lembranças importantes de acontecimentos e fatos infantis  são “esquecidos” enquanto outros, aparentemente insignificantes, são conservados na lembrança.

Quem tem a Lua na casa XII sempre encontra alguma ou muita dificuldade para falar de seus sentimentos e emoções. Esta atitude costuma se explicar pela ideia de que as pessoas, diante desta exposição sentimental ou emocional, não as entenderiam ou poderiam alimentar pensamentos “errados” quanto ao que lhes estava sendo exposto. Uma Lua de casa XII costuma também “entender” que as pessoas, se a elas ela se “abrisse”, dificilmente a perceberiam como ela é de fato, na realidade. O que se poderá “dizer” diante deste “entendimento” lunar? Que esta Lua é “normal”, que não há porque serem escondidos sentimentos e emoções? Numa abordagem mais ampla, talvez pudéssemos dizer a esta Lua que ela deveria deixar de impedir a sua própria expressão mais livre.  Que deixasse de ser o seu próprio obstáculo. Isto certamente ajudaria tal pessoa a eliminar pensamentos negativos como os de que não seria aceita se falasse mais de sua interioridade, do que sente. 

Uma Lua na XII sempre necessita de muita segurança emocional, mas costuma encontrar  sempre muita dificuldade para obtê-la. Um pensamento que sempre lhe ocorre é o do que quando mais precisar de suporte ou de compreensão não os conseguirá. As pessoas que poderiam lhe ajudar estão ausentes, foram viajar, estão presas a outros compromissos dos quais não podem se desobrigar ou morreram, seja tudo isto verdadeiro ou não. De qualquer maneira, sempre muito difícil para uma Lua de XII confiar em alguém sob o ponto de vista emocional. Comum neste caso, a Lua de XII fabricar culpas, como a de que está sendo tratada dessa maneira porque cometeu alguma falta, da qual não se lembra, com relação a pessoas que poderiam lhe ajudar. 

Nos piores casos, uma Lua de XII costuma também “trabalhar” muitas vezes com a hipótese de, faça o que fizer, estar sempre ferindo outras pessoas, se enchendo de dúvidas quanto à correção de sua maneira de agir. Por isso, cenas em que sabidamente haverá muitas descargas emocionais deverão ser evitadas por uma Lua de casa XII, principalmente as que envolvam questões de família. 

Uma Lua de casa XII predispõe, no geral, por isso, a uma infância infeliz, a doenças que durem muito (crônicas), a provações afetivas, familiares, dificuldades conforme seja o tema astral masculino (esposa “difícil”) ou feminino (marido “difícil”) etc. Inimizades públicas, perigo diante de multidões, viagens marítimas. Mal posicionada na XII, a Lua sugere uma receptividade exagerada, muita instabilidade emocional (signos de água, mutáveis), riscos com relação a tendências herdadas. É de se lembrar que num mapa a Lua representa a mulher, principalmente a mãe e, em menor extensão, a esposa. As forças inconscientes e sustentadoras da Lua têm relação com a alma, a vida instintiva, a memória, os hábitos, os atavismos e tudo aquilo que, de um modo geral, está ligado a ideias de abrigo e segurança. 

Uma Lua de casa XII pode inclinar à timidez, à empatia exagerada, a descontroles com relação à imaginação e à memória, podendo chegar a extremos pela incapacidade que gera quanto à separação da realidade da fantasia. A presença lunar na casa XII pode sugerir trabalhos em hospitais (infantis), sanatórios, orfanatos, educandários, leprosários. Mal posicionada e aspectada em XII, a Lua tende a restringir oportunidades diante da vida, sempre dificultando quem a tem a mostrar o seu valor, enchendo a pessoa de inibições, suposições, dúvidas etc. 

Mercúrio tende a se fechar quando na casa XII. Quem o tem nesta casa costuma apresentar uma tendência bem pronunciada quanto não só a manter seus pensamentos em segredo como, quando questionada, a se mostrar muito evasiva, reticente com relação ao que lhe perguntam. Comum um Mercúrio de XII fazer com que as pessoas sintam muita desconfiança de tal pessoa, mesmo que, aparentemente, não haja motivo para tanto. Há sempre uma ideia de que tal pessoa esteja escondendo algo. Em casos mais “sérios”, esta posição de Mercúrio pode fazer com que a pessoa se sinta muito insegura com relação às suas ideias. A envolver seus pensamentos e ideias, muitas vezes, o temor de que eles, por não serem adequados, convenientes, os possíveis interlocutores possam se mostrar pouco receptivos ou que seu julgamento será pouco ou nada simpático, benévolo. 

Esta posição de Mercúrio pode se tornar particularmente negativa para crianças e jovens quando na escola tiverem que ser submetidos a arguições orais. É por isso que, de um modo geral, as crianças e jovens com Mercúrio na XII preferem a “obscuridade”, Isto é, não se fazerem notados, se sentar no fundo da sala, procurando sempre chamar a mínima atenção, desejos de que os esqueçam. 

Mercúrio na XII costuma tornar as pessoas solitárias, incapazes muitas vezes de externar uma opinião sobre qualquer assunto. Possível que tornem a pessoa, para o bem ou para o mal, dependendo do astro, muito imaginativa, sonhadora, divagante mentalmente. Não esqueçamos que Netuno e Júpiter, os donos da casa XII, sempre ofereceram alguma ou muita dificuldade para se lidar com o “real presente”. Nesta perspectiva, Mercúrio na casa XII sempre oferecerá alguma dificuldade quanto à desejável objetividade quando tivermos que viver o nosso dia-a-dia. Não que Mercúrio nesta casa possa se tornar mentiroso, mas o fato é que neste setor ele sempre oferecerá dificuldades quanto a se trabalhar com um foco. É por isso que Mercúrio na XII pode nos fazer dizer coisas que não são propriamente falsidades ou mentiras, mas distorcê-las, “navegando” em assuntos que nada têm a ver com o que se está a discutir.

Mercúrio na XII (principalmente num mapa em que a dominante seja a água) pode tornar a pessoa, sem que saiba o porquê disso, muito sensível ao que está acontecendo na mente das pessoas com as quais dialoga. É por isso que Mercúrio nesta casa pode provocar alguns distúrbios (dúvidas, temores, fobias etc.) principalmente se a pessoa que o tem viver em ambientes muito excitantes, estressantes. É de se lembrar que Mercúrio na XII sempre pede que a pessoa viva em ambientes tranquilos, calmos. Mercúrio na casa XII costuma oferecer sempre alguma (ou muita) dificuldade para que lidemos com assuntos muito “exatos”, lógicos, como ciências ou matemática. 

Uma das maiores tarefas para Mercúrio em XII talvez seja a de procurar transmitir com clareza ideias a outras pessoas. Difícil para Mercúrio aqui falar ou escrever com objetividade. Para contornar este problema, se possível, quem tem Mercúrio em XII deve sempre procurar apresentar as suas ideias de modo ordenado, uma de cada vez, embora, como se sabe, tais ideais costumem aflorar em desordem, impregnadas de sentimentos, de impressões e através de imagens não muito claras. 

O que está acima, lembre-se, não significa que um Mercúrio de XII não possa ser inteligente. O que devemos lembrar é que ele nesta casa pode se mostrar muito intuitivo, inquieto, tímido, demasiadamente sensível. Nesta casa, o planeta costuma se impressionar fortemente diante de tudo que seja fortemente doloroso ou desagradável, com forte propensão para captar as chamadas vibrações de ambientes, pessoas ou coisas. Mercúrio na XII, em posição privilegiada por signos e aspectos, pode proporcionar grande habilidade para atividades ligadas à investigação e pesquisas de natureza psíquica, que exijam sigilo. 

Mais objetivamente, Mercúrio na XII, mal posicionado e aspectado, pode ocasionar dificuldades com relação a palavras e escritos (envolvimento com a Justiça, condenações, repúdio social etc.). Outras possibilidades: adolescência difícil, mente confusa (dificuldade para separar o falso do real), mania de perseguição, falta de memória), instabilidade física e mental, moléstia nervosa incurável, hostilidade de pessoas jovens, irmãos, vizinhos, nas vias públicas. Risco de cuidados e provações no campo intelectual. 

Prosseguindo: pensamentos influenciados por pressões do passado e por memórias inconscientes. Como assessor solar, seleção e escolha de informações comandadas mais por sentimentos do que avaliações racionais. Dificuldade para operar com objetividade e análise lógica dos fatos. Hábitos educacionais confusos, pouca capacidade de discriminação. Aprendizagem escolar deficiente.

Vênus na casa XII costuma tornar a pessoa reservada e tímida com relação à demonstração de seus sentimentos. Isto não quer dizer, em muitos casos, que pessoa, com esta posição de Vênus, não seja capaz de se mostrar afetuosa, receptiva. Contudo, sempre haverá com esta posição, se falamos de afetos, uma certa contenção, receios às vezes infundados, e desconfiança. Algo talvez ilógico, injustificável, mas, muitas vezes, sem dúvida, presente. 

Com Vênus na casa XII há, no geral, preferência para relações pessoais secretas, escondidas aos olhos dos demais. Nos contactos, tendência a interferir, a supor a presença de  pressões subconscientes, com muita profundidade emocional e, em muitos casos, com muita inspiração artística, falsa muitas vezes.. De modo geral, Vênus nesta casa costuma se mostrar bondoso e simpático para pessoas que porventura se encontrem em dificuldades, de modo especial com relação àqueles que demonstrem uma hipersensibilidade difícil de controlar. Em signos de água, Vênus sempre oferece algum perigo na medida que numa relação afetiva a pessoa pode se tornar muito empática. 

Vênus, nesta casa, pode também demonstrar alguma preferência por relações secretas, sendo comuns casos de adultério, de ligações ocultas etc. Se mal posicionado e aspectado, Vênus pode ocasionar aqui muitas dificuldades com relação às casas onde tivermos Touro e Libra. Problemas econômico-financeiros, com terras, com contratos em geral, litígios etc. Repúdio e condenação pública da sociedade por conduta imoral, escândalos amorosos, se Vênus estiver mal, podem ser esperados. Inimizade de mulheres.

Vênus pode indicar na casa XII êxito em ocupações de caráter beneficente e artístico, em trabalhos de assistência social. Difícil, porém, que nestas ocupações a pessoa possa colher mais abertamente o reconhecimento pela sua dedicação. Vênus, na XII, pede muito cuidado com tendências idealizantes com relação a pessoas ou atividades relacionadas com a casa. Comuns, por isso, as decepções, as desilusões. 

NAUSICAA
(1878, F. LEIGHTON
)
Um problema que Vênus costuma provocar quando na XII é o de oferecer muita dificuldade para a aceitação da realidade como ela é, especialmente com relação à vida social. Além do mais, comum que Vênus aqui faça as pessoas alimentarem temores se, numa relação afetiva, elas ousarem dar o primeiro passo em direção do outro. Muito comuns os casos de pessoas que com Vênus nesta casa, ainda que amem alguém, jamais conseguem se atrever a declarar para o outro o seu amor. A Mitologia grega ofereceu à Psicologia o nome para um complexo que vitima pessoas nesta situação, o chamado Complexo de Nausicaa, nome da infeliz amante de Ulisses, filha do rei Alcínoo.. 

Uma recomendação que pode ser feita para pessoas com Vênus na XII e/ou em mal aspecto com Netuno é a de que elas, se possível, lutem, recorrendo inclusive a aconselhamento técnico, para se tornarem como dizem os ingleses, um pouco mais outgoing de modo a que suas relações possam se tornar  mais compensadoras. Quanto a males que possam atingir de modo mais persistente (crônico) o corpo físico, especialmente se Vênus tiver relação com setores do mapa relacionados com a saúde, fica o alerta para os rins, os órgãos genitais femininos, a próstata, o pescoço, a nuca, a garganta, os seios, a epiderme, o sistema venoso. 







quinta-feira, 25 de março de 2021

OS MONSTROS - II

              

SOLUTIO

Evidentemente estas experiências relacionadas com a solutio são sempre dolorosas, pois, no geral, se dão, em meio a muito sofrimento, por uma descida ao mundo inconsciente, ao nosso inferno pessoal. Uma espécie de imersão acompanhada sempre de muita angústia e medo porque, de qualquer maneira, ela é sempre um desmentido da pretensa autonomia e do poder do nosso ego. Pode-se dizer, por isso, correndo o risco da generalização, que não há uma solutio agradável ou feliz.


O caos, na perspectiva em que aqui o abordamos, precede sempre a existência. Lembre-se: a constituição da ordem cósmica implica três elementos, fixados na seguinte ordem, segundo A Teogonia, o poema de Hesíodo: caos, existência e cosmos. Esta é também a ordem do nosso processo de individuação, se o entendemos segundo a lei universal da correspondência:   inconsciente, consciente e supraconsciente. Por essa lei, sabemos que existe uma correspondência entre as leis e os fenômenos da natureza nos diversos planos da existência. Esta lei pode ser assim também resumida: o que está em cima é como o que está em baixo e o que está em baixo é como o que está em cima, tudo para que se perpetue a unidade. Esta lei não nos fala de igualdade ou semelhança, mas de analogia, de correspondência. 


GEIA  ( BRONZE )
A primeira entidade a sair do caos foi Geia, a Grande-Mãe Terra, o ponto de partida de todo processo criador, fato que consagra indiscutivelmente o princípio feminino como o ponto de partida de tudo o que entra na existência. Distando de Geia, simetricamente dispostos, um em oposição ao outro, temos acima dela o céu, por ela gerado, “em igualdade de esplendor e beleza para que ele a cubra”, como diz Hesíodo, e de outro, abaixo dela, o Tártaro, a mais profunda camada do mundo infernal, escuridão absoluta, região jamais atingida pela luz. Ou, se quisermos, sob o ponto de vista psicológico, de um lado, o céu para o supraconsciente e o inferno para o subconsciente (inconsciente). Entre eles, a Terra, para o homem e a sua consciência, o sentimento que cada ser humano tem de sua existência e de seus atos.

É próprio da matéria caótica e dos seres maléficos, monstruosos, que nela "vivem", oporem-se a qualquer tentativa de controle, de imposição de uma ordem. E mesmo que dominados a matéria caótica e os seus monstros  temos sempre, de um lado, quanto à primeira, a sua constante luta para escapar dos limites que a ela se procure impor e, de outro, quanto aos outros, o fato de, mesmo "morrendo", renascerem, ou se reproduzirem com extrema facilidade através de processos que lembram biologicamente a cissiparidade, a neoplasia  e  a partenogênese. Embora momentaneamente dominados, aproveitam-se os "nossos" monstros de qualquer oportunidade para retornar, ameaçando a nossa suposta autonomia, conquistada com tantos esforços.

Uma das ilustrações do que estamos a dizer pode ser encontrada na escuridão dos nossos intestinos. Pela lei da correspondência, por exemplo, como uma contrapartida do que acontece no nosso psiquismo, ocultamente aninhados, fazendo-nos muito mal, podemos  detectar alguns “monstros”, vermes cestoides, como as tênias, que, como se sabe, costumam atingir vários metros de comprimento. 


PHTONOS
Uma  analogia do que aqui estamos a dizer pode ser encontrada, pela lei da correspondência, quando aproximamos mente humana (vida psíquica) e intestinos. Em ambos temos ideias de escuridão, interioridade, inconsciência. Os monstros que vivem no Jardim de Perséfone, como Lyssa (Raiva), Phtonos (Inveja), Apateia (Apatia), Eris (Discordia), Algia (Dor), Geras (Velhice) e outros,  perfeitamente identificados no mito, que, do nosso inconsciente pessoal, invadem o campo da nossa consciência, infernizando a nossa vida, são equivalentes àqueles que na escuridão dos nossos intestinos, como tênias (vermes cestoides) e outros, por exemplo, podem ali ficar a se nutrir do que ingerimos. 

MERCÚRIO

A ciência moderna, hoje, combate com relativa facilidade os nossos vermes e outros seres que atacam o nosso a parelho gástrico, mas parece fracassar com relação aos monstros que se acomodam, com muita facilidade, no nosso psiquismo. Talvez um dia as coisas melhorem quando os homens da ciência entenderem que Mercúrio (Hermes grego), astrologicamente, é a  divindade que tanto governa  a mente humana como os intestinos. Sua função é a de receber o que entra, avaliar, separar, discriminar devidamente, rejeitar o desnecessário (dando a este o respectivo destino final) e distribuir adequadamente o aproveitável, o saudável, para garantir a nossa higidez em ambas as áreas, física e mental. Vale aqui lembrar o trabalho que damos ao nosso Mercúrio Virgo quando não temos noção de hábitos alimentares mais saudáveis, a sobrecarga que a ele "levamos" quando não controlamos  o que ingerimos. Ou, no outro plano, no mental, quando nos submetemos passivamente aos imbecilizantes  processos comunicacionais que a moderna tecnologia põe hoje em circulação em escala mundial.

Antes, porém, como caracterizar um monstro mítico? Para os nossos propósitos, ele não é, antes de mais nada, uma besta ou um animal qualquer que foi parar nas histórias mitológicas, um leão, um cavalo ou um cão. O que o caracteriza sobretudo é que ele não existe realmente, é uma invenção da nossa mente (imaginação) humana, mas sua  “realidade” é indiscutível. Não faz parte do mundo objetivo. Isto é, tem existência subjetiva, opondo-se, neste sentido, ao conceito de existência material, positiva. Monstros são símbolos, algo que o homem construiu para representar certos estados interiores que experimenta, medo, inveja, incerteza, culpa, remorso etc., que dificultam ou se opõem ao que ele considera como buscas de um sentido evolutivo de vida, desejos de sucesso, de felicidade, de transcendência.

CAPRICHOS  ( GOYA, 1746 - 1828 )

Desde a pré-história, os homens usam certas coisas, como imagens ou objetos, nas quais vêm alguma relação com o que querem representar, para significar outras, dando-lhes sentidos e valor. Este é o chamado processo simbólico, talvez a principal característica a distinguir o homem dos animais. Estes, ao que parece, não usam símbolos. Os homens, ao contrário, vivem mergulhados num universo simbólico. Lutam e morrem por eles, tornam-se brutais e violentos por causa deles, fazem guerras. 

Sabemos que dentre todas as formas de simbolismo a linguagem humana é a mais desenvolvida. Podemos fazer com que determinados sons que produzimos representem certos coisas que nos acontecem, afetando o nosso sistema nervoso. Mensagens verbais ou escritas que emitimos, risos, palmas, assobios, gritos são exemplos do que estamos a dizer. Na Internet, nos USA, inclusive, em certos meios, usar maiúsculas pode ser um sinal de agressividade. 


AQUILES
De um modo geral, aparentemente, acentue-se, símbolos e coisas simbolizadas não têm nada em comum. Entretanto, se os observarmos mais detidamente poderemos perceber que entre coisas tão distintas às vezes pode haver muita semelhança. Dá-se o nome de analogia a essa relação. O prefixo ana da palavra analogia, como se sabe, tem o sentido de repetição. Daí se falar em analogia entre sentimentos e cores, entre metais e seres humanos. O vermelho sempre expressou violência. Não é por acaso que Aquiles, o maior dos guerreiros gregos, tem um temperamento colérico e é ruivo, avermelhado; podemos falar de pessoas-antimônio, próximas da “perfeição”, mas que podem às vezes cair das suas “alturas”, ou de pessoas-chumbo, taciturnas, rabugentas, que vivem olhando para o passado e que podem ser um modelo de autodisciplina.

AMMIT
Os antigos egípcios, ainda exemplificando, quando tiveram que construir uma imagem para representar o assustador monstro devorador das almas condenadas que atuava na sua psicostasia, Ammit ou Ammut, o compuseram com partes do crocodilo, do hipopótamo e da pantera. O primeiro é um réptil, um animal das águas primordiais, uma sobrevivência ameaçadora, um representante do mal. Voraz e hipócrita (sempre com uma “cara” de quem não quer nada) infestava as águas do rio Nilo. Ele faz parte da grande galeria dos devoradores, animais que se 
MAKARA
distinguiam por sua enorme boca e goela com relação ao corpo (jaguar, lobo, leão, sucuri, anaconda, baleia, crocodilo) e que, por isso, foram usados para simbolizar as trevas, como a noite que tudo engole. Na Índia o crocodilo aparece associado ao solstício de inverno, período do ano em que o Sol é “engolido” pelas trevas hibernais, dando-se o nome de Makara (crocodilo, em sânscrito) a  Capricórnio, signo no qual o Sol ingressa em 21 de dezembro, anualmente (solstício de inverno).

SOBEK

Os egípcios, diga-se de passagem, davam uma posição proeminente no seu panteão ao deus-crocodilo Sobek ou Soukhos, ainda que uma aura de maldição cercasse esta divindade. Tal se devia a uma história em que se narrava o assassinato do deus Osíris por seu irmão Seth, que, para fugir da responsabilidade pelo crime, encontrara refúgio no corpo de um crocodilo. 


BEHEMOT ( WILLIAM BLAKE, 1757 - 1827 )

Já o hipopótamo (cavalo de rio), muito comum no Nilo, é um herbívoro, conhecido como devorador de colheitas. É considerado uma manifestação das forças negativas universais e inimigo dos humanos. Faz parte do séquito de Seth, gênio do mal, grande inimigo de Osíris. Lembremos que um dos grandes demônios do mundo judaico, Behemot (fera, em hebraico) teve a sua forma inspirada pelo hipopótamo egípcio.

MÊNADE COM TIRSO E PANTERA
Quanto à pantera (etimologicamente, animal do grande todo), consagrado a Dioniso na Grécia, é tradicionalmente vista como símbolo da astúcia diabólica e da heresia, “escondendo sob uma expressão de alabastro uma alma de ébano”, como nos dizem antigos textos. Além de Dioniso, a pantera aparece associada a Afrodite, à Grande-Mãe Cibele, da Ásia Menor, e à maga Circe.

GOLEM E RABINO

Os monstros podem ser formados por várias partes de animais diferentes como é o caso de Ammit, acima apontado, ou do centauro-peixe apontado no início deste texto. Noutras vezes, são criados por multiplicação de partes do corpo, como  a Hidra de Lerna, com as suas nove cabeças, ou como Cérbero, cão infernal, tricéfalo. Alguns combinam o animal e o humano, como o Centauro, a Sereia ou o Minotauro. Outros são fabricados artificialmente, como o Golem ou Frankenstein, a partir do modelo humano.


TIFON ( VASO GREGO )
Não podemos esquecer, como já mencionei, aliás, que há uma estreita ligação entre os mitos de criação nas várias tradições e monstros. Lembremos da tradição mesopotâmica (O Épico da Criação), em que Tiamat, monstro feminino, símbolo do caos primordial, personificação do grande oceano, cria um grupo de monstros para a auxiliar na luta que trava contra Marduk, o deus-herói, que a obrigará a se fixar em determinados limites. Depois, Marduk matará os monstros por ela criados.

ÉQUIDNA
O drama da criação entre os gregos também inclui o aparecimento de monstruosas criaturas, como Tifon (Tempestade) e Équidna (Serpente), ambos filhos de Geia e do Tártaro, ou seja, da Terra e do Não-Ser. Agentes do caos, irmãos, ambos são poderosíssimos. A cabeça de Tifon ultrapassava as mais altas nuvens do céu; de braços abertos, ele alcançava com facilidade o leste e o oeste. Possuía asas, soltava fogo pelos olhos,  seu corpo era coberto de serpentes. Ao andar pelos oceanos, sua cabeça ficava sempre acima da superfície das águas. Équidna era mulher até a cintura e monstro daí para baixo. Muito fértil, unida ao irmão, o único que podia fecundá-la, gerou inúmeros monstros que tanto infelicitam a humanidade. É um dos grande símbolos da libido insaciável.

VRITRA
Dentre as várias características dos monstros míticos ressaltamos uma, muito importante, a da posse e o controle das forças naturais e dos elementos por alguns deles, como a água e o fogo. Em muitas histórias, temos dragões que soltam fogo pelas ventas ou que através do elemento líquido provocam grandes catástrofes. Na China, ao contrário do ocidente, os dragões exercem ações benéficas, controlando as águas e distribuindo as chuvas na medida certa, na estação devida. Recorde-se que na mitologia hindu, o dragão Vritra, demônio da seca, tem a sua casa nos céus e é responsável por longos períodos de estiagem que tanto prejudicam o território indiano. É preciso que Indra, o senhor do raio e dos elementos, o ataque para que a terra receba as chuvas necessárias, que podem vir dos céus, inclusive com grande violência. 

HESPÉRIDES

Dragões e serpentes na mitologia costumam exercer a função de guardiões, servindo de exemplos o de Delfos, de nome Piton, morto por Apolo, e o de nome Ladon, que dava assistência às ninfas do poente, as Hespérides, que guardavam no seu jardim os pomos de ouro recebidos por Zeus e Hera, da Mãe Geia, quando de seu casamento (3º trabalho de Hércules).

SÃO  JORGE  E  O DRAGÃO  ( PAOLO  UCCELLO, 1397 - 1475 )


A arte, a escultura principalmente, é de grande valia para o estudo dessas criaturas, muito usadas, pelo seu hibridismo, para marcar certas fronteiras e  limites entre o demoníaco, o humano e o sagrado. No Antigo Testamento, o dragão está na causa da morte, do afastamento do divino, e na origem do pecado. Estas ideias foram levadas para o Novo Testamento, passando o dragão a representar tudo que era de Satã e obra dele. O dragão foi muito usado pela Igreja Católica para simbolizar também a heresia. 

Na Idade Média, como se sabe, no seio da cristandade, surgiram várias heresias e cismas; quanto às primeiras, negações de doutrinas da Igreja oficialmente definidas e, quanto aos outros, movimentos de deliberada separação para a constituição de um corpo separado. O grande símbolo destes movimentos separatistas era o dragão, tendo sido fundadas diversas ordens de cavalaria que tinham por objetivo a “morte do dragão”, como foi o caso, exemplificando, da cruzada contra Jan Hus, reformador religioso tcheco (séc. XV).

Na Idade Média cristã, as bestas míticas perderam um pouco a sua dimensão de inimigas da ordem cósmica e da sua grande ferocidade, tornando-se, em muitos casos, símbolos das paixões humanas e dos ataques do mundo sobrenatural àqueles que pretendiam trilhar o caminho da ascese cristã. Por essa razão, por exemplo, o Lycorne (Lyon Cornu, Leão de Chifre), símbolo do signo astrológico de Capricórnio foi transformado no doce e gentil Unicórnio sob as carícias da Dame, como temos no fantástico  conjunto das seis tapeçarias de La Dame à la Licorne, confeccionadas entre 1484 e 1500, por Jean La Viste, hoje no Museu Nacional da Idade Média, nas Termas de Cluny, em Paris, França.


Este conjunto forma uma alegoria dos cinco sentidos, que se fecha, na sexta tapeçaria, com uma frase que a encima: À mon seul désir, ou seja, segundo o meu livre-arbítrio, sem nenhuma sujeição ao que os sentidos pedem. Esta tapeçaria lembra, sob o ponto de vista astrológico, que o caminho de Leão, quinto signo zodiacal, até Capricórnio, o décimo, passa obrigatoriamente pela Dama (sétima casa astrológica), pela integração do masculino e do feminino. Ou seja, o nosso caminho de Leão, que tem a ver com a conquista de um eu autônomo, até Capricórnio, simbolizado por picos de montanhas, tem que admitir a participação do outro, a sétima casa astrológica, Libra, a Dame da tapeçaria, e o controle dos nossos desejos pessoais. É nesse sentido que Capricórnio (10) é duas vezes Leão (5).   

ILUMINURA ,   IDADE   MÉDIA

Historicamente, é oportuno lembrar que no final da Idade Média, com o término das guerras e das cruzadas (a violência permitida em nome de Deus, segundo tese de Santo Agostinho), os cavaleiros voltaram para os castelos, para os seus feudos. Embora aristocratas (aristocracia: governo dos bons), eram grossos, boçais, sujos e mal-educados. Alguns meios católicos procuraram, pelo incentivo da adoção de regras de boas maneiras, da cortesia & mesura, amenizar um pouco esse cenário de deseducação e ignorância, movimento que recebeu uma apreciável contribuição da arte, principalmente da produção poética da época.  A tapeçaria acima mencionada pede obrigatoriamente referências a este contexto histórico e à matéria astrológica para um melhor alcance de todas as suas possibilidades significativas. 



terça-feira, 1 de março de 2016

ASTROLOGIA E SAÚDE - V

 
                                           
WILLIAM  HERSCHEL
DESCOBRIDOR DE URANO
1738 - 1822
Urano – Conhecido como a oitava superior de Mercúrio, Urano tem a ver com a eletricidade cerebral (ligações com Mercúrio), regendo o influxo nervoso e, a rigor, tudo o que pulsa no nosso organismo. Espasmo é a palavra mais usada para se falar de um Urano com problemas. São dele, por isso, todos os movimentos físicos involuntários, desde câimbras e fibrilações a tremores de natureza diversa, inclusive epilépticos (pequeno e grande-mal). Acessos súbitos, contorções, estreitamentos, choques, convulsões, distensões, nevralgias, desequilíbrios mentais, tendência a acidentes, gesticulação descontrolada etc. Sua atuação: é vibrante, inesperado, violento, radioativo, destruidor. Opera no sentido contrário e complementar do Sol, sendo o encarregado de levar o sangue arterial às extremidades do corpo. São dele, por exemplo, as diversas parestesias, os chamados formigamentos e o frio nas extremidades do corpo, mãos e pés. Rege Urano a parte da perna compreendida entre os joelhos e os pés, os tornozelos e a barriga da perna. São de Urano o éter, os raios, a eletricidade e os gases. Tem a ver com a hipófise ou a pituitária (ver o chakra ajña dos hindus) e, como tal, com a distribuição hormonal (etimologicamente, do grego hormao, excitar, pôr em movimento).

Tem Urano a ver com o sistema nervoso central, a aura física e magnética, as forças eletromagnéticas do organismo psicossomático. Algumas enfermidades: paralisias temporárias, desordens espasmódicas, psicose maníaco-depressiva, irritações nervosas repentinas, desordens sexuais (hermafroditismo, homossexualismo, impotência nervosa etc.). Frio e calor orgânico excessivos, paranoias, acidentes por raios, radiações e eletricidade.


Urano é responsável por súbitos ataques de moléstias, por rupturas, explosões elétricas e por ações perigosas, exageradas e extravagantes. Em Áries, debilitado, por exemplo, pode causar espasmos faciais, epilepsia, acidentes cardiovasculares (região da cabeça), convulsões. Em signos de ar, sugere males provocados por gases. Em signos de fogo, Urano pede cuidado com faíscas, com deslocamentos através de automóveis e aviões. 

Ao contrário de Saturno, que é hipo, Urano é sempre hiper. Numa relação dissonante com Mercúrio e Lua, afeta bastante a neuromentalidade, causando descontroles mentais e emocionais. Um Urano malogrado sugere anarquia, comportamento bizarro, incongruência, rebeldia e promiscuidade. Marte em mau aspecto com Urano indica acidentes em viagens, quando da prática de esportes radicais, problemas circulatórios e acidentes na região da cabeça etc. O mapa de Ayrton Senna é exemplar quanto a esta última característica.


EM  DIREÇÃO  DAS  ALTURAS
O uraniano, de um modo geral, não gosta de ser como os outros; por isso, comuns as ideias de demarcação, de limites, de distinção, de modo especial com relação às origens e aos ambientes de formação. 


Muito presente a necessidade de uma hiperindividualização, tendência que leva a unidade, o eu, a se considerar como um absoluto, traduzido por ações totais, exclusivas. Daí, muitas vezes, impulsos paroxísticos, conquistas elevadas, picos, grandes alturas, tudo ligado a uma grande inclinação para o incomum, o inabitual. Nada de normas, rotinas ou convenções. Daí os escândalos, a necessidade que muitos tipos uranianos têm de chamar atenção, de ir na contracorrente. Comuns os risco da imposição da lei do frenesi, da busca das façanhas únicas, dos recordes, da necessidade de todo o espaço possível. Já houve quem dissesse, quanto ao que expomos aqui, que o uraniano típico oscila entre uma figura prometeica e um aprendiz de feiticeiro. Como o leonino, há sempre o risco de uma inflação ególatra onde entram conceitos de grandeza, genialidade, de ereção vertical.

Comuns, em muitos uranianos, nos tipos mais malogrados, aquilo que a psicologia e psicanálise chamam de supercompensação. Sentindo-se inferiorizados de alguma maneira (feios, desajeitados socialmente, tímidos, com um discurso verbal inconvincente etc.) tais tipos partem (inconscientemente ?) para a supercompensação, uma reação desproporcionada, excessiva, à sensação de inferioridade, culpa ou desajuste que os leva a esforços exagerados no sentido de que tal sensação seja sobrepujada. Esta supercompensação costumar dar certo, embora sempre com certos riscos (anarquia, excentricidade, monomania etc.) quando voltada para realizações que explorem o seu potencial mental, a sua inventividade intelectual. Já explorada fisicamente (mania de recordes etc.) pode causar sérios danos à sua saúde.   


NETUNO
Netuno – Alquimicamente, é o planeta dono da solutio; Netuno é fértil, psíquico, misterioso, secreto. Rege os pés, exercendo poderosa influência sobre o sistema nervoso, as glândulas (principalmente a pineal), as mucosas, certas secreções líquidas do corpo (o pus, o líquido sinovial, por exemplo). Todo o processo quimioterápico é dele de algum
PSICOGRAFIA
modo. São dele também os analgésicos, os soporíferos, os anestésicos líquidos e gasosos. Tem relação com a vidência, a mediunidade, os estados sonambúlicos, as sufocações, o delírio, a demência, as obsessões, as intoxicações causadas pelo tabaco, pelas drogas, pela fumaça, pelos entorpecentes, pelo álcool.

Representa Netuno as doenças imaginárias, favorece a hipocondria e predispõe ao desenvolvimento de males por falta de reação, por inércia. A atuação de Netuno nunca é muito clara, é nebulosa, imprecisa, dificultando os diagnósticos e a dosagem dos remédios. O planeta, no eixo VI-XII de um mapa, oferece sempre dificuldades quanto à fixação da dosagem de remédios, principalmente os de “tarja preta”.

São dele também: os órgãos da percepção extrassensorial, faculdades telepáticas, o plexo solar (que divide com Mercúrio), os glóbulos brancos, também de Vênus. Outros males: desequilíbrios endócrinos por causas inexplicáveis; transes, catalepsia, fenômenos de possessão,
GOYA:  O  REINO  DE  PLUTÃO

alucinações, asfixias, envenenamentos, coma, doenças sem diagnóstico, contágios, alergias, rugas prematuras, sonambulismo. 
Pode-se mesmo afirmar que qualquer pessoa que tenha um Netuno muito debilitado costuma apresentar uma forte tendência para se tornar dependente de uma droga,  fisicamente (maconha, LSD, por exemplo) ou viver moralmente de simulações, fraudes, mentiras, mitomania, hipocrisia, falsa espiritualidade etc. Netuno bem aspectado, principalmente com os luminares, proporciona estados mentais e psíquicos superiores, inclinando à religiosidade, à fé, à compaixão, mas sempre exigindo muito cuidado quando entramos nesse chamado “mundo da espiritualidade”. 

São de Netuno o amor sacrificial, o amor oblativo, o abandono do ego, a recusa do eu para que seja facilitada a adesão com o Todo, a chamada via mística (Quem perde a sua vida a
OSCAR  WILDE
salvará, quem quer ganhar a sua vida a perderá, como está na Bíblia
).  Como se disse, a ação de Netuno nunca é muito nítida e seus efeitos são muitas vezes decepcionantes. É, com razão, o planeta da desilusão, das promessas que não se cumprem. O mapa de Oscar Wilde é um bom exemplo para o estudo das influências netunianas enganadoras aqui levantadas.

Netuno está relacionado, quando em maus aspectos, com o engano na sua forma mais negativa. Pode ser muito difícil para um médico clínico estabelecer diagnósticos para pessoas que têm Netuno na sexta casa. Netuno costuma mascarar o que apresenta. Às vezes, é possível confundir as influências de Saturno com as de Netuno, pois ambos têm efeitos “hipo”. Netuno, na casa 12, muito debilitado, parece ser o responsável pelo autismo em muitas crianças.

Netuno é, com razão, o arquétipo da dissolução universal com relação à participação num todo maior. Daí, quando malogrado, o perigo da invasão, da permeação, da infiltração, da adesão incontrolável, da identificação, da empatia. A grande tendência das personalidades netunianas é a plasticidade psíquica, a grande maleabilidade. Quanto à fisiopatologia, sempre o perigo das permeações viróticas, microbianas, parasitárias, dos contágios, da proliferação celular anárquica causadora de quistos e fibromas moles. 

As patologias de Netuno são sempre difíceis de diagnosticar, misteriosas, geralmente de evolução lenta e perniciosa. Ao contrário da ação dos demais planetas, a de Netuno nunca é muito clara, sendo seus efeitos muitas vezes surpreendentes. Sua ação costuma aparecer associada à vida subconsciente como produtora de moléstias mentais, manias etc. Já no plano social, Netuno, além influenciar praticamente toda a produção artística e política da segunda metade do século XIX (Impressionismo e Simbolismo, especialmente)  deixou a sua  marca também no anarquismo (Netuno exaltado em Leão) e no socialismo.


IMPRESSÃO : O NASCER DO SOL  ( MONET , 1874 )

Netuno é a rejeição do sólido e do coerente. Por isso, são dele as comunidades e pessoas (doente ou não) que vivem fora do mundo normal. É por esse entendimento que damos a Netuno a regência da vida religiosa, dos hospitais, das prisões, dos asilos, dos retiros, dos eremitérios. É por essa razão que para um autêntico pisciano a salvação só pode acontecer dentro de uma comunidade (alcoólatras anônimos, drogados etc.). 

A civilização moderna pode ser considerada, no entendimento que aqui damos a Netuno, como uma verdadeira droga. Tudo que ela oferece é fake, postiço, inautêntico, artificial, produzido pelos vários excitantes que ela inocula através dos meios de comunicação, pela criação incessante de falsos modelos de vida, de falsos deuses (Deus Mercado), e pela consequente impossibilidade que ela produz no nosso interior de alimentarmos qualquer forma de confiança, de fé, de solidariedade no que quer que seja. 


PLUTÃO E CÉRBERO
Plutão – Rege os hormônios, a sexualidade, a reprodução, a renovação das células e dos tecidos, os fermentos solúveis, as deformações, as amputações e as extirpações; tem a ver com cirurgias transformadoras, com as perturbações do equilíbrio ácido do organismo, dores artríticas, o câncer, a esclerose cerebral, acidentes e catástrofes coletivas, erupções do mundo subterrâneo, cataclismos, convulsões, impele a mudanças interiores, exacerba forças secretas. Relaciona-se com o inconsciente de um modo geral, com a psicanálise, sobretudo; marca os passos evolutivos da humanidade, dando o tom da morbidade e da destruição num determinado período ao transitar por um signo. Tem relação com os grandes acontecimentos coletivos, com as atividades nucleares e cibernéticas, com os assuntos internacionais. Violento sempre, destrói as formas que não sabem se renovar; atua muitas vezes através de sequestros, raptos, ações ocultas (tocaia) e de ataques à traição.  

Maus aspectos de Plutão com Vênus (quadraturas) são responsáveis muitas vezes, em mulheres, por problemas ovarianos; nos homens, problemas na próstata; se Júpiter participar negativamente, neste caso, risco de malignidade. Há estudos sérios a nos indicar que Plutão representa qualquer tendência hereditária para as doenças.
SIGMUND  FREUD
Além do mais, Plutão representa também crescimentos anormais (sinais de nascença, verrugas, neoplasias etc.). O planeta aponta, através do signo em que se encontra, para regiões corporais ou órgãos onde temos grandes possibilidades de crescimentos anormais. O mapa de Sigmund Freud é exemplar para o estudo do que acabamos de mencionar.  


Em última instância, Plutão representa o mais profundo das nossas trevas interiores, as camadas mais profundas do nosso psiquismo. Neste sentido, é que apresenta grande afinidade com o que os gregos designavam por Tártaro quando se referiam ao seu mundo infernal (o Hades). Todas as expressões da agressividade destrutiva são dele. As grandes crises de consciência são dele, como o são também o remorso, a culpa, a mágoa, as obsessões, as ideias fixas, os demônios noturnos que nos tiram o sono. Mas é através de Plutão que, apesar de tudo, podemos ter acesso aos tesouros que estão enterrados dentro de nós.

De um modo geral, a localização de Plutão num mapa, sua angularidade, sua dignidade ou debilidade, sempre nos informarão sobre a extensão e as diferentes metamorfoses de uma personalidade e do seu destino. Fisicamente, Plutão, com seus grandes poderes destruidores ou transformadores, marca o triunfo das trevas sobre a luz.  O desequilíbrio material que ele provoca tem muitas vezes a finalidade abrir um acesso ao plano espiritual. Positivamente, a escuridão que Plutão traz está sempre ligada a uma forma de regeneração. Plutão assinala por sua posição um lugar de transformações tão profundas que ali será sempre exigida uma mudança das formas materiais. É por Plutão, como mestre de Escorpião, pelo desequilíbrio que impõe, que se abre o caminho que vai do micro ao macrocosmo, a evasão definitiva do mundo da dualidade, o retorno do múltiplo à unidade.

                                      

domingo, 3 de janeiro de 2016

ASTROLOGIA E SAÚDE - III

             

                   

Planetas e doenças: quando pensamos em doenças que podem nos vitimar, três planetas devem ser considerados antes dos demais: Marte, Saturno e Netuno. O primeiro tem relação com a inflamação, a infecção, o ferimento, o acidente, a agressão, a utilização da nossa energia, as dores em geral e os problemas do nosso sistema muscular. O segundo tem a ver com tudo o que é hipo (o contrário de Júpiter), limitante, subdesenvolvido (hipertrofia), obstrutor. O terceiro diz respeito a todas as ilusões que nos vitimam física ou psiquicamente. Em aspecto com qualquer planeta, aspecto dissonante sobretudo, de modo especial com os pessoais, Netuno sempre falseia a realidade, induzindo-nos a erros, dificultando sobremaneira os diagnósticos.

Planetas como significadores:

Sol – governa o coração, a coluna vertebral e os olhos. Tem a ver com as artérias, as espáduas, o baço, a distribuição do calor. É quente e seco, com predomínio do primeiro.  A sua importância, sobretudo num tema masculino, deve ser sempre observada de modo especial. Todo ataque ao Sol (aspectos dissonantes) pode significar hiperatividade, complexo de Zeus (Sol-Júpiter); rupturas bruscas, espasmos, arritmias (Sol-Urano); hipotonia, estenose mitral,
PROSPER  MÉNIÈRE
depressão, obstrução, complexo de Isaac ou de Cronos (Sol-Saturno); necrose (Sol-Plutão), inflamação (Sol-Marte); Sol com Vênus e Netuno, excessos alimentares, vertigens, síndrome de Ménière; falta de oxigenação do miocárdio (Mercúrio); hábitos alimentares afetando o funcionamento do coração, síndrome do pânico (Sol-Lua). O Sol aflito em Áries, por exemplo, inclina à violência, à prepotência, às febres, às crises hipertensivas e às hemorragias. Embora a vitalidade esteja favorecida, pode tornar a pessoa impulsiva, dificultando bastante as suas relações sociais (cabeça quente). 



SACRIFÍCIO   DE   ISAAC   ( CARAVAGGIO )

Já os aspectos harmônicos do Sol podem proporcionar um bom potencial de vitalidade (Júpiter), boa resistência orgânica (Saturno), boa capacidade de recuperação, bons efeitos, por exemplo, de um tratamento por laser (Plutão).

O Sol representa a força vital, a disposição para a vida. Sua energia obviamente fluirá melhor nos signos de fogo e de ar (nestes, um pouco menos). Em signos de terra, ligados à materialidade, ficam favorecidas mais a constância e a tenacidade que a vitalidade. É nos signos de água que o Sol encontra a maior dificuldade para brilhar e se afirmar. Por isso, exemplificando, banhos quentes muito frequentes são desaconselhados aos de signos de água, de modo especial cancerianos e piscianos de ascendente.

O Sol, em qualquer mapa, sempre fala de nossas motivações e propósitos principais. É ele quem deve nos orientar (a partir da casa em que se encontre) no sentido de objetivarmos conscientemente a nossa caminhada existencial. Os planetas que formam aspectos com ele mostram como isto se realizará, se tornará difícil ou impossível. É claro que isto só será válido para as pessoas que conseguirem se abrir para questionamentos com relação à sua vida interior. Quanto maior esta percepção, mais facilitada a caminhada. Um Sol, devidamente “trabalhado” desta maneira, nos permitirá projetar nossas energias mais adequadamente, de modo especial fazendo-nos lidar melhor com o nosso cotidiano, que é sempre, afinal, a área de maior importância de nossa vida e dos controles que sobre ela poderemos exercer (casa 6). O Sol é vitalizante, hiperêmico; quanto menos afetado, melhor; maior a vitalidade e a capacidade de recuperação. 


MARLON   BRANDO
Como exemplo de estudo, tome-se o tema astral de Marlon Brando, que sempre usou os valores do fogo para se projetar. Ele tinha o ascendente em Sagitário e o Sol, a Lua e Mercúrio em Áries. Sua aparência, quando surgiu no cinema, era a de um hipermacho e assim se manteve por um certo tempo. As quadraturas Sol-Marte Sol-Plutão, este na casa 8, ambos regentes da casa 12, o transformaram no agente de sua própria destruição.

Mercúrio – é frio e seco, com predominância do primeiro sobre o segundo. É considerado também como um planeta bissexuado, neutro, conversível, nervoso e estéril. É o significador geral do movimento físico e mental, sendo responsável pelo papel que podemos desempenhar como emissores e receptores de mensagens (trocas com o meio ambiente); é o mais instável dos planetas. Por isso, sua relação com a Lua é notável, como o perceberam claramente os antigos egípcios e hindus. Os latinos chamavam o metal mercúrio de hydrargyrus (prata líquida). Governa Mercúrio as funções de movimento, a respiração e a circulação, sendo responsável pela ligação das várias partes do corpo humano. Tudo que é duplo no nosso corpo tem a ver com ele.

Mercúrio rege os pulmões, os dedos, as mãos, os braços, as espáduas (Gêmeos); em Virgo, rege a purificação mental (função crítica, separadora), os intestinos (função separadora), órgão duplo atuando como o encarregado da purificação em qualquer nível. Os movimentos da massa intestinal são dele (intestino delgado). Mercúrio governa também a atividade nervosa, o tato e os órgãos da fala e da audição. Com Urano, tem muito a ver com a eletricidade cerebral. Suas funções fazem dele, enfim, um grande coordenador orgânico. Um Mercúrio muito lesado, por exemplo, pode provocar infantilismo e danos ao sistema nervoso central. 

São de Mercúrio ainda a glândula tireoide (a paratireoide é de Saturno), o cérebro (principalmente o lado direito), o segmento motriz da coluna, as cordas vocais, os órgãos da palavra, a língua, as mãos como instrumentos da inteligência e as vias respiratórias em geral. 

Suas enfermidades são as desordens nervosas ou problemas de saúde por excitação, tensão ou excesso de trabalho; resfriados, bronquites, afecções pulmonares, enxaqueca, perda da memória, excessos salivares, respiração deficiente, eliminação débil, diarreias, neurastenia, inquietação, insônia, distúrbios mentais, sinusite, bócio, palpitações. 


OGMIOS  ,  O MERCÚRIO DOS CELTAS

Mercúrio é a nossa constituição mental básica, definindo a habilidade natural para o estabelecimento de contactos com o mundo. O nosso grau de adaptabilidade e de agilidade metal é mostrado por ele. Como regente de Virgo, aparece associado aos nossos poderes de observação, à nossa instrução (a crítica e a retenção com relação ao que o Mercúrio geminiano obtém é dele), com o pensamento empírico.

Um Mercúrio atacado por aspectos dissonantes sempre afetará em maior ou menor grau as áreas, órgãos ou funções por ele regidas. Um Mercúrio atacado por Saturno pode ocasionar artrose (mãos) ou compressão do nervo (cordão cilíndrico esbranquiçado, formado por fibras motoras e sensitivas, que conduz impulsos de uma parte a outra do corpo) mediano (movimento dos dedos). 

Um Mercúrio débil sugere mente medíocre, que não sabe discriminar; pode revelar, neste caso, indecisão, impulsividade, gerando conflitos que tendem a afetar a saúde (sistema nervoso). Dificuldades na comunicação, problemas de atenção, raciocínio difícil, falta de concentração e dispersão têm sempre a ver com um Mercúrio malogrado. Um Mercúrio mal aspectado por Plutão pode, por exemplo, nos fazer pensar em paranoia, ameaças, em sequestros, raptos etc. Já um Mercúrio muito aflito em Peixes aponta para moléstias nervosas e mesmo para alienação mental. Um Mercúrio muito afetado por Urano, por exemplo, além de outros problemas, pode causar tremores nas mãos, gagueira, dificuldade de concentração. 

No ser humano, a inteligência, que Mercúrio representa, é o conjunto de todas as funções que têm por objetivo o conhecimento no seu sentido mais amplo e a troca de informações com o ambiente; compõe-se esse conjunto de sensação, associação, memória, imaginação, entendimento, razão e consciência. Opõe-se normalmente ao instinto e à intuição.

Já bons aspectos de Mercúrio poderão sugerir adolescência esportiva (Marte), destreza manual (Urano), sucesso com talassoterapia (Netuno), memória conservada na velhice, erudição, oxigenação garantida nas montanhas (Saturno), facilidade para línguas (Júpiter) etc.

Como regente de Virgo e dono da casa 6, a casa onde encontramos informações sobre as nossas atitudes com relação a cuidados corporais; Mercúrio tem muito a ver com a escolha de tratamentos e de profissionais que cuidarão da nossa saúde, sempre se tendo em vista a inspiração superior que devemos receber da casa 9 (Júpiter-Kiron). 

Quando debilitado e em maus aspectos com Urano, Netuno ou a Lua, Mercúrio pode indicar perturbações mentais, males nervosos. Se estiver num signo mudo e sofrer ataque de Saturno, podemos ter o caso de inibições comunicacionais, mutismo etc. Ataques de Júpiter, quando Mercúrio é regente do ascendente, costumam sugerir problemas pulmonares, pleurisias. Se Saturno estiver envolvido, tuberculose, enfisema etc.

FRANZ   KAFKA
Como exemplo, podemos tomar o mapa astral de Franz Kafka, grande escritor tcheco, de expressão alemã, autor de romances e novelas que marcaram a literatura do século XX. Vitimado pela tuberculose, faleceu em 1924.

Lua – Excessivamente úmida e muito fria, a Lua é magnética e fecunda. Rege o estômago, o tórax, a assimilação, a nutrição, órgãos reprodutores femininos, o sistema límbico (conjunto de estruturas cerebrais situadas na região mediana e profunda do cérebro, que desempenha várias funções, especialmente com relação à memória e às emoções, além de influenciar o comportamento humano), o sistema linfático, o hipotálamo (parte do encéfalo situada na base do cérebro, onde se concentram numerosos centros do sistema nervoso simpático e parassimpático, reguladores do sono, do apetite, da temperatura corporal etc.), os fluidos corporais, as superfícies mucosas e aquosas, o ciclo menstrual, seios e vasos lactíferos, a fertilidade, os tratos alimentar e estomacal (quimo), o útero durante a gravidez, o olho direito na mulher e o esquerdo no homem. São dela o esôfago, o duodeno, o fluxo das secreções, o útero, os ovários, várias membranas, tecido celular, a capa dos nervos, testículos, óleos, soros sanguíneos, processos glandulares, vasos linfáticos, mucosas, o sistema ganglionar e a saliva com a sua química.

Suas principais enfermidades: desequilíbrio endócrino, inflamação de gânglios, alergias, desordens femininas do sistema reprodutor, hidropisia e excesso de líquido nos tecidos, infecções catarrais, vista esquerda, linfatismo, epilepsia, instabilidade mental, depressão emocional, histeria, hipocondria, apatia, psicoses, lunatismo, obesidade e dispepsia.


KAOS  -  MAL DI  LUNA  -  IRMÃOS  TAVIANI

A Lua é sempre fecundante, nutritiva, receptiva, anemiante, depressora, apática. Onde estiver (signo), mostra o que precisamos atender para que nos sintamos bem. Em Libra, precisamos de paz; em Touro, de segurança; em Áries, de ação; em Capricórnio, de envolvimento com coisas sérias e significativas; em Peixes, tornarmo-nos cada vez mais compassivos. Os padrões das reações lunares são mais notáveis na infância, período em que ela afeta mais a nossa saúde, a menos que seja o astro Hyleg ou significadora particular de doenças. 

São bastante conhecidas as influências da Lua sobre a vida e a saúde. É por isso que na astrologia dos hindus a Lua é sempre considerada como um segundo ascendente. Há, como sabemos, estatísticas que comprovam haver um pico com relação a nascimentos quando da Lua cheia e um decréscimo quando da Lua nova. Há também registros de casos de hemorragias pós-operatórias, com um significativo aumento delas nos períodos de Lua cheia. Ponderáveis razões recomendam que sejam evitadas intervenções cirúrgicas na fase da Lua cheia e no período em que a Lua se encontrar “fora de curso”, de modo especial se no mapa natal tivermos a conjunção Lua-Netuno em signos de água. Também não é recomendada a intervenção quando a Lua estiver presente no signo que tem relação com a parte do corpo ou órgão a ser operado. 

A Lua afeta (maus aspectos) bastante o pensamento racional (mentalidade); como “mãe das inferências” (conclusões baseadas em fatos não totalmente comprovados, generalizações infundadas, paranoia etc.), podendo nos tornar muito imaginativos e suspicazes. As tendências hipocondríacas, especialmente se estiver mal relacionada com Netuno, Mercúrio e Saturno, são comuns. Incluo neste quadro o caso de uma Lua fortemente atacada por um planeta significador de doenças (regente da casa 12).

Relações dissonantes entre Lua e Mercúrio, Lua e Urano e Lua e Netuno podem sinalizar a possibilidade de distúrbios mentais. Relações desarmônicas entre Lua e Vênus indicam, às vezes, doenças da bexiga. Lua em signo estéril, atacada por Saturno, esterilidade. Como luminares, o Sol e a Lua mal aspectados, podem indicar problemas de visão; se nebulosas estiverem envolvidas na relação, maior perigo. Lua e Júpiter em aspecto dissonante com ataque violento de Plutão assinala a possibilidade de proliferação de células (câncer, metásteses).

A Lua pode, em certo sentido, ser considerada como o “ponto fraco” de nossa personalidade, pois, ao atuar no limiar da vida subconsciente, ela nos torna muito vulneráveis a caprichos (etimologicamente, esta palavra tem relação com a cabra, animal lunar) emocionais e a pressões da memória. Há sempre uma estreita relação entre uma Lua débil e desequilíbrios emocionais. Na medida em que o Sol nos fala de algo adiante, a ser construído no tempo, a conquista de uma individualidade, a Lua é regressiva, nos leva para o passado, para a vida subconsciente.

 BOLSA  DE  NOVA   YORK
Um dos melhores exemplos do que estamos aqui a mencionar é o mapa de Marcel Proust, nascido em Paris, a 10 de julho de 1871, às 23:30 hs. Tinha o Sol e Mercúrio no signo de Câncer, dominados a partir de Touro (casa 2) pela Lua, em conjunção com Plutão. Sofreu a vida inteira de asma, doença respiratória crônica, caracterizada pela inflamação dos brônquios. Há um estreitamento das vias aéreas que torna difícil a passagem do ar pelos pulmões. Daí, os sintomas: falta de ar, chiado, aperto no peito e tosse. Alérgenos (ácaros, mofo, pelo de animais, fumaça de cigarro, frio, poluição), tudo afetava o asmático Proust, um lunar hipersensível física e psiquicamente.


MARCEL   PROUST

Vênus – Como regente de Touro, Vênus se relaciona com recursos, valores, lucros, talentos de natureza prática, construção, riqueza, quantificação. Como regente de Libra, Vênus significa vida afetiva, relacionamentos em geral, receptividade, contratos. É um planeta feminino bastante úmido e moderadamente quente. É um astro fecundo, tem relação com a paz e a harmonia, exalta a sensibilidade e refina as sensações nos bons aspectos e indica promiscuidade nos maus. Suas vibrações podem ir do amor-sexo mais grosseiro (excessos eróticos) a elevadas formas de amabilidade. É conhecido como Fortuna Menor, ligando-se concretamente a todas as expressões artísticas e à estética corporal e ambiental.

No corpo humano, domina ou tem influência sobre os rins, o tato, as virilhas, os órgãos genitais femininos (ovários), a próstata, o pescoço, a nuca, os ouvidos, os hormônios sexuais femininos, a garganta, os órgãos da fala, os seios, a barriga, o monte de Vênus (proeminência criada por uma camada de gordura acima da sínfise pubiana da mulher), a pele, cuja regência divide com Saturno. Para a astrologia, a pele, sob o ponto de vista físico, é de Saturno enquanto, sob o ponto de vista estético, é de Vênus.

São também de Vênus a glândula timo, o sentido do tato, o sistema genital feminino, o brilho dos cabelos e da cútis, a harmonia das formas femininas, o ventre, as nádegas, o púbis, os seios, o colo,  as células reprodutoras femininas, o conduto dos ouvidos, a circulação venosa. Mais: impurezas do sangue de natureza intoxicante que causam amigdalites, faringites, laringites, enfermidades pustulosas, sarampo, varíola, varizes, abcessos, furúnculos, tumores, flebite, celulite, náuseas, moléstias do aparelho geniturinário, desarranjos menstruais, excesso de secreções, sensibilidade das mucosas nasais, adenoides. 

A beleza da pele, mais exatamente da película que a recobre, a epiderme, também chamada de cútis (do grego, skytos, encoberto, escondido, recoberto) é de Vênus. As injúrias que nela aparecem têm, em muitos casos, muito mais a ver com complicações afetivas, com os chamados males do amor, do que com agressões externas. Quando Vênus está mal colocado num tema, por signo e casa, recebendo inclusive aspectos dissonantes, ele oferecerá, no geral, muitos problemas com relação à sociabilidade  e, em particular, com relação à vida afetiva e sexual. 

Comuns os casos, conforme a astrologia comprova, de casais que nada mais tendo em comum continuam a viver juntos, por razões várias, questões financeiras, patrimoniais, familiares, filhos, às vezes motivos religiosos, comodismo etc. Para acomodar situações como esta é que inconscientemente (?) um dos parceiros, ou, mais raramente, ambos, um certo dia aparece(m) com problemas cutâneos, dermatopatias. Civilizadamente, está criada uma justificativa bastante aceitável para a rejeição: um não mais tocará o corpo do outro, justificativa sobretudo conveniente para ambos e para se dar satisfações à curiosidade externa sobre a “distância” que há entre eles. 

Nestes casos, é geralmente na “parte mais fraca” da parceria que se desenvolve a dermatopatia. O que temos aqui em ação é uma das leis fundamentais da vida universal, a da polaridade. No jogo amoroso, esta lei se traduz pelo conflito que nele sempre está presente, embora raramente conscientizado pelas partes envolvidas. Por isso, ao lado de tantas demonstrações de afetividade, mesmo de paixão, há tanta mentira, traição, inveja e destruição no jogo amoroso. O fato é que em toda relação afetiva, em qualquer vinculação sentimental, é preciso reconhecer, vive sempre ocultamente o elemento destrutivo. O aparecimento desse elemento
EROS
pode se verificar de muitas maneiras. Ora ele irrompe violentamente como agressão, ora, como no exemplo aqui apresentado, como doença, sempre uma forma disfarçada de agressão. Como o seu “eros” (libido para os especialistas) não consegue chegar ao “outro lado”, ao parceiro, a aqui denominada “parte mais fraca” o volta contra si mesma, agredindo-se. Não podendo atacar o parceiro, a “parte mais fraca” faz o seu “eros”, aqui transformado em ódio muitas vezes, ferver na sua pele. 


Isto fica claro quando examinamos os nomes que os antigos gregos deram a muitas doenças que “enfeiam” a pele: eczema, erisipela, psoríase, leucodermia (vitiligo) e outras. Ao processo inflamatório (vermelhidão, exsudação, coceira) que nela se manifesta, de modo agudo ou crônico, os gregos deram, por exemplo, o nome de eczema (eczein, em grego, quer dizer ferver, entrar em ebulição). Erisipela, etimologicamente, pele vermelha, e assim por diante. 

A astrologia nos deixa claro que todas as dermatopatias, de um modo geral, são reveladas por dissonâncias relacionadas com Vênus. Uma das mais agressivas, por exemplo, é o herpes-zóster. O nome vem do grego, herpein, arrastar-se, movimentar-se como uma serpente, um réptil. Aliás, a raiz indoeuropeia da palavra é serp, que deu a palavra grega herpaton, réptil. O herpes, registrado e estudado na antiguidade grega, se caracteriza por lesões cutâneas vesiculares, que causam dores e febres. Quando a doença faz um caminho circular ao nome se acrescenta zóster, do grego, com o significado de cinturão, de algo circular, mal popularmente chamado de cobreiro.  Aparecendo geralmente em áreas do corpo dominadas astrologicamente por Vênus (Touro e Libra) e por Plutão (Escorpião), o herpes costuma se manifestar, segundo a Medicina, em “períodos de baixa resistência”. É nestes períodos, como sabemos, que o corpo fica mais desprotegido pela queda de imunidade. Nosso sistema de proteção, como se disse, depende muito de Vênus Tais períodos, como a astrologia nos mostra, têm muito a ver com problemas de segurança material e afetiva, que são
BENZEDEIRA  DE COBREIRO
da alçada de Vênus no mapa natal. As áreas corporais mais afetadas nestes períodos são exatamente as relacionadas com Vênus. Os sinais aparecem: estresse, infecções de pele, abcessos e doenças causados por fungos, vírus ou bactérias, falta de apetite etc. Comuns os casos de herpes na boca (região taurina), casos recorrentes de amigdalites (região taurina), estomatites (problemas de alimentação, de Vênus, portanto) etc.


O lúpus eritematoso cutâneo ou o sistêmico, por exemplo, é outra doença inflamatória, de origem autoimune, encontrada em muitas pessoas em cujos mapas astrológicos se nota a polaridade Vênus-Marte severamente afetada. O cenário astrológico é bem conhecido: Vênus entra, no caso, com as dificuldades afetivas, com o sistema imunológico deficiente, com a cútis e Marte colabora negativamente com o ódio consciente ou não entre os parceiros (ou alguém que desempenhe este papel na relação), com a agressão, com a inflamação, com o eritema, que vem do grego com o significado de vermelhidão.

Há muito que se discute a origem do nome desta doença, já, ao que parece, descrita por Hipócrates. O nome lupus (lobo, em latim), vem de longe, e já era registrado para a doença na alta Idade Média, sugerindo vida instintiva, voracidade, que o lobo simboliza. A pessoa que é atacada pelo lúpus eritematoso cutâneo vê-se dominada simbolicamente pelo lobo, pela sua vida instintiva. Não é por acaso que em muitas gravuras medievais e posteriores que a Alquimia nos deixou encontramos imagens de um lobo (vida instintiva) devorando as entranhas de um rei (vida racional). Não podendo descarregar a sua violência no “outro”, um dos parceiros se agride, faz inconscientemente com que sua violência se volte contra si mesmo. 

É interessante notar que o lúpus eritematoso cutâneo se caracteriza pelo aparecimento, na pele, na região do rosto, principalmente de pequenas manchas vermelhas em forma de asas  de  mariposa, símbolo de Sagitário, regido por Júpiter, signo de fogo, relacionado com vida superior, vida espiritual, enquanto o signo de Áries, regido por Marte, tem relação com vida instintiva e que o signo de Leão, também signo de fogo, regido pelo Sol, tem relação com a vida racional.


Quem sofre do lúpus eritematoso fica prisioneiro do “seu” lobo. O mesmo raciocínio astrológico poderia ser estendido ao lúpus eritematoso sistêmico, quando ataca os rins, dominados astrologicamente pelo planeta Vênus, regente do signo de Libra, que se polariza com Marte, regente de Áries. 

O nosso sistema imunológico, como se sabe, é formado por um conjunto de estruturas e processos que protege o nosso organismo contra os ataques das doenças. Desarranjado, esse conjunto não consegue dar as respostas imunológicas adequadas, podendo atacar órgãos saudáveis do corpo. Quando isso acontece, temos as chamadas doenças autoimunes, que são muitas. A Medicina não sabe até hoje como isso acontece, ou seja, não sabe explicar essa autoagressão. Ao nos revelar que o nosso sistema imunológico, como se disse, tem muito a ver com o planeta Vênus, a astrologia poderá nos ajudar a detectar a possibilidade da manifestação de tais doenças autoimunes em pessoas que apresentem severas aflições deste planeta em seus mapas astrais. 

Detive-me um pouco mais sobre sobre este tema, o das chamadas doenças autoimunes, sempre uma autoagressão, para destacar o quanto elas estão relacionadas com a vida psíquica. A psicanálise e/ou a psicologia profunda, com relação a pessoas adultas que as desenvolvam, têm muito a falar sobre elas, sem dúvida. Não conseguirão dizer nada, porém, quando tais doenças aparecem em crianças, lúpus, herpes etc. Invocar a hereditariedade (sempre cômoda, quando diagnósticos nada explicam) não basta, pois muita coisa ficará de fora. É na astrologia da Índia (Jyotish) que encontramos as melhores explicações sobre as causas das doenças autoimunes e de muitas outras, principalmente em crianças. 
(Para os que se dispuserem a ir um pouco mais fundo nesta questão, vejam neste blog a matéria Astrologia, Karma e Reencarnação).   
  
Como regente dos princípios da harmonia e do equilíbrio, Vênus adquire particular importância quando pensamos no estressante mundo moderno e no processo de regulação pelo qual um organismo mantém constante o seu equilíbrio. Este processo tem o nome de homeostase (etimologicamente, permanecer o mesmo): é o estado de equilíbrio do corpo e das suas diversas funções e composições químicas (temperatura, pulso, pressão arterial, taxa de açúcar no sangue etc.). Isto é, fazer o corpo funcionar adequadamente, equilibrado, quaisquer que sejam as circunstâncias externas. Um dos grandes recursos, por exemplo, para nos ajudar a recuperar, se perdida, a eficiência (equilíbrio) do nosso organismo, tanto no plano físico como psicológico, poderia vir de noções cibernéticas como a da retroalimentação (feed back), um processo pelo qual podemos corrigir as nossas ações se soubermos utilizar corretamente as mensagens de retorno do meio em que atuamos.  
  
Sabemos que os rins filtram todo o material solúvel indesejável do sangue e mantêm o equilíbrio correto entre a acidez e a alcalinidade. Os rins elaboram a urina a partir da filtração do sangue, regulando a pressão arterial e transformando a vitamina D (essencial para a deposição de cálcio nos ossos e dentes) na sua forma ativa. Exemplo: Vênus aflito em Áries pode trazer riscos hipertensivos por causa de moléstia renal. 

Ataques a Vênus, Marte, Saturno e Netuno, com a participação lunar (trânsitos), podem, por exemplo, causar estados vertiginosos, perda de equilíbrio, inclusive com náusea e vômito, mal que designamos geralmente (embora muitas vezes não o seja) pelo nome de labirintite. Labirinto é o nome de uma porção óssea do ouvido interno onde há um líquido (endolinfa) que, quando nos movimentamos, garante o nosso equilíbrio.

O planeta Vênus tem a ver com tudo o que chamamos de venoso no nosso organismo. Venoso é o que diz respeito às veias. O chamado sangue venoso, que tem pouco oxigênio, volta para o coração pelas veias para ir novamente aos pulmões receber oxigênio e ser novamente bombeado pelo coração para as artérias. Vênus, aflita em Aquário ou mal aspectada por Saturno, é geralmente sinal de males venosos (problemas na circulação de retorno), isquemias (literalmente, falta de circulação). As isquemias podem ocorrer em qualquer parte do corpo, no pé, no intestino, no cérebro etc. Quando um tecido “morre” por falta de irrigação sanguínea, podemos ter a chamada gangrena (etimologicamente, corrupção); se Plutão estiver envolvido, podemos ter necroses. Um quadro perigoso, pois, uma Vênus débil, atacada simultaneamente por Saturno e por Plutão. 

São também de Vênus os males que antes se designavam pelo nome de venéreos, hoje englobados pela sigla DST (doenças sexualmente transmissíveis), causados por vírus, bactérias ou micróbios. Lembro que quando Urano, em 1968, ingressou em
SWING
Libra, signo regido por Vênus, e lá permaneceu até 1974, a promiscuidade sexual entrou em moda. Ideias de casamento “aberto”, troca de casais (swing), relações sexuais breves e superficiais, troca de parceiros, ausência de regras, inversões etc. Foi nesse período que a Aids se instalou, anunciada “oficialmente” pela entrada de Plutão em Escorpião no início dos anos 80. Plutão, curiosamente, em grego, tem também o nome de Aides, cuja transliteração nos deu em português Hades.     

Relações desarmônicas agudas entre Vênus-Marte, por exemplo, podem ocasionar problemas de coagulação, além de dores de garganta, amigdalites, faringites etc. Um mau aspecto Vênus-Júpiter é comumente indício de problemas alimentares (Vênus tem relação com a boca, os doces, o açúcar). É evidente que estas afirmações devem ser localizadas no mapa, lembrando-se que a casa 2 nos dá informações com relação ao que nos agarramos real ou simbolicamente, inclusive sobre alimentos que mais costumamos levar à boca (alimentos têm relação com signos); a casa 5 nos fala da preparação de alimentos e a 6 de nossos hábitos alimentares (a nossa mesa), influenciando em grande parte o cenário de nossas refeições.  

Gota (problema na eliminação do ácido úrico; causa dolorosas inflamações nas pequenas e grandes articulações, levando à imobilidade), obesidade e diabetes, males dos excessos da boca, são comuns neste quadro, no qual o planeta Vênus costuma ocupar posição importante.  Se a Lua estiver envolvida, teremos o famoso tripé da diabetes, da melitúria (diabetes melitus): distúrbio do metabolismo que se traduz geralmente pela elevação de glicose no
MASTROIANNI
sangue. Nessa moléstia, grande é o papel do pâncreas, o produtor de insulina no nosso corpo. Problemas no pâncreas têm geralmente relação com exageros na ingestão de álcool e comida. Muito comuns esses problemas em librianos que vivem evitando conflitos, adaptando-se demais, e que compensam essa “rendição” com comida, doces, bebidas etc. Um caso exemplar é o do libriano Marcelo Mastroianni, que morreu vitimado por um câncer no pâncreas.