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sexta-feira, 23 de março de 2012

MITOLOGIAS DO CÉU - A LUA (4)





Dentre os povos da Ásia Menor que desenvolveram uma mitologia lunar, não podemos esquecer dos hebreus, que, como aguerridos monoteístas, oficialmente sempre combateram cultos astrais. Viveram em constante luta contra o politeísmo dos povos vizinhos, especialmente o dos cananeus, mas, sobretudo, contra o próprio politeísmo, pois, não esqueçamos, os seus primeiros patriarcas vieram da Mesopotâmia.

Como "povo eleito", os rabinos hebreus atribuíam a uma infidelidade a Yahvé todas as catástrofes que se abatiam sobre Israel. É nas proibições da lei mosaica e na maldição dos seus profetas que encontramos informações sobre os cultos astrais tão combatidos. Punições e ameaças de danação eterna são encontradas aos montes em vários textos, todos com a finalidade de proclamar a superioridade de Yahvé.

Todavia, a cada momento, em inúmeras passagens dos livros sagrados, para o que souber ler ou mesmo para os que não o souberem, a persistência dos cultos astrais, da astrologia, é facilmente detectada. Numa passagem bíblica, por exemplo, encontramos em Isaías (III, 18) referências às pequenas luas (luetas), jóias em forma de crescente lunar, que as jovens ostentavam numa clara afronta aos textos religiosos.

Os hebreus, como se sabe, utilizavam um calendário lunar, como aliás o faziam todos os semitas. Enquanto foram nômades, só a Lua, com as suas fases bem distintas, lhes permitiu estabelecer a medição do tempo. Sedentarizados, o calendário lunar permaneceu útil. Suas festas religiosas podem ter perdido algumas características, pois de pastores passaram a agricultores, mas, no fundo, permaneceram as mesmas.

CALENDÁRIO LUNAR

Em hebraico a palavra mês e Lua são muito semelhantes. O calendário hebraico é lunar, contendo o ano doze ou treze meses lunares, começando cada um deles com a Lua nova. Quando o mundo foi criado, contam antigas histórias, a Lua era tão brilhante quanto o Sol. Porém, como não seria possível admitir a existência de dois astros do mesmo tamanho, o da Lua foi diminuído. O povo de Israel, desde sempre, sempre foi simbolizado pela Lua, um povo cuja “sorte” aumentava e diminuía conforme as fases do astro. No tempo do Messias, o Sol e a Lua voltarão a ter o mesmo tamanho, retomando Israel a sua antiga glória.


ISHTAR

Os eclipses da Lua sempre foram considerados como muito maléficos para os judeus, pois quando a Lua deixava de ser vista as forças do mal tinham o seu poder aumentado. Dormir à luz da Lua era sempre muito perigoso para os judeus, pois os que assim faziam podiam ser atacados pelo demônio feminino Agrat Bat Mahalat, cujo modelo era a deusa Ishtar, dos mesopotâmicos.

SAMAEL

Agrat Bat Mahalat é a rainha dos demônios, concubina de Samael, o gênio do Mal, rei dos demônios, que os judeus dizer ser neta do Ismael bíblico, ou seja, o ancestral dos ismaelitas árabes.

AGAR E ISMAEL EXPULSOS POR ABRAÃO. AO FUNDO, SARA E ISAAC

Ismael (Ismail) é irmão de Isaac, sendo este o ancestral dos judeus. Ambos eram filhos de Abraão, o primeiro nascido da escrava Agar e o outro de Sara, a esposa oficial. Tendo Ismael nascido antes de Isaac, Sara exigiu de Abraão que ele e a mãe fossem expulsos, obrigando-os a ir para o deserto. Segundo os judeus, Ismael e a mãe tornaram-se errantes até que um anjo de Deus os conduziu a um poço onde o Senhor anunciou a Agar que seu filho seria um verdadeiro animal selvagem que lutaria contra todos e todos contra ele. Deus prometeu também que de Ismael nasceria uma grande nação cujos membros seriam os “filhos do vento”, isto é, os povos do deserto, nômades e livres, os beduínos (de bedaw, deserto), que se consideram como os descendentes diretos de Ismael.


Dizem os judeus que a atividade nefasta de Agrat foi limitada pelo sábio Chanina Ben Dosa, milagreiro carismático galileu do séc.I, podendo ela atuar somente nas noites de terça-feira e de sexta-feira, após ela ter implorado para que ele não a banisse do mundo. O Talmud recomenda, pois, que ninguém saia sozinho nessas noites, que são, como se sabe, de Marte e de Vênus, astrologicamente. Os rabinos e místicos judeus recomendam também que se evite olhar a Lua nessas noites, podendo ela ser vislumbrada, porém, rapidamente quando da cerimônia da Lua nova. É a chamada kidush levaná, santificação da Lua nova.


As festas de celebração da Lua nova entre os judeus vêm provavelmente do período nômade, antigos cultos que profetas como Oseas e Isaías mais tarde passaram a condenar enfaticamente. Tais festas, como se sabe, são realizadas até hoje, com o nome de rosh chodesh, início, cabeça, do mês.



A santificação da Lua acontece geralmente sábado à noite, recitam-se orações e participantes se cumprimentam com as palavras shalom aleichem (a paz esteja convosco). O ritual expressa a esperança de que Deus restaurará a luz da Lua e a antiga grandeza de Israel.


O shabat, que hoje tem um profundo sentido religioso entre os judeus, não era visto dessa maneira pelos profetas bíblicos do antigo testamento, pois tinha relação com a Lua cheia. Shabat era a festa da Lua cheia dos povos nômades. Shabater significava parar de crescer, isto é, representava o momento em que a Lua atingia no mês a sua plenitude, parando de crescer. Era uma festa alegre, de caráter orgiástico, momento de celebração em que a Lua se mostrava em toda a sua glória.

Com a sedentarização das tribos nômades, essa festa foi perdendo as suas características para os judeus, passando a ser vivida como uma cessação de atividades, repouso, período que devia ser consagrado a Deus, uma espécie de reprodução do sétimo dia da criação. Seu tempo, sagrado, se opunha assim ao profano.



Hoje, o shabat judaico vai do anoitecer de sexta-feira à noite de sábado. O judeu deve descansar, não realizando nenhum trabalho que signifique o controle do homem sobre a natureza. Há toda uma liturgia que regula a festa, luz, velas, cantos, visita à sinagoga. Textos rabínicos dizem que se os judeus conseguissem observar fielmente todos os preceitos estabelecidos para a festa, o Messias viria, pois a harmonia cósmica se realizaria. As forças do mal (Sitra Achra) não conseguiriam exercer qualquer ação no universo.

Com a implantação do cristianismo (séc.V dC), o shabat passou a ser considerado como uma festa em que feiticeiros se reuniam, libertando-se as forças do mal, que então podiam agir livremente. Tais festas, nessa visão, teriam origem nos cultos lunares provenientes de bacanais pagãs, nas quais o deus Baco (Dioniso) era invocado sob o nome de Sabazios.

Sabazios é palavra que também possui o sentido de efeminado e que designava um deus frígio, de culto orgiástico, semelhante ao de Dioniso. Na mitologia grega, lembro, Sabazios foi o nome dado ao chamado “primeiro Dioniso”, filho de Zeus e de Perséfone na forma de serpente, trucidado pelos titãs.


NOITE DE WALPURGIS

Havia dois Shabats: o Grande (assembleia geral) se realizava nas noites de 2 de fevereiro, 30 de abril (noite de Walpurgis), 23 de junho e 31 de outubro. O Pequeno se realizava através de reuniões menores, por regiões, em quaisquer dias da semana, mas de preferência na sexta-feira. Há inúmeras lendas medievais sobre estas reuniões, sempre realizadas nas noites de Lua cheia. Falam-nos elas de corpos cobertos de unguentos maravilhosos, deslocamentos aéreos, refeições à base de sapos, cadáveres de crianças não batizadas, de enforcados, de cães putrefatos etc. O sal era banido, assim como o vinho, o óleo e tudo mais que fosse usado pela igreja católica ou por ela bendito. Realizavam-se missas negras, cantava-se, dançava-se, uma orgia geral. Ao canto do galo, o shabat se dissolvia. Na tradição européia, os lugares desertos e abandonados, locais de realização dessas demoníacas celebrações, deviam ser evitados, facilmente reconhecíveis, aliás, pois nenhuma erva ou flor neles crescia, nenhum canto de pássaro neles era ouvido, lugares para sempre malditos.



Como o shabat, a festa da Páscoa (Pessach) era também ligada ao plenilúnio. Uns fazem derivar o nome da festa da palavra pesak, mancar, saltar, dançar ritualmente. A Bíblia dá outra explicação: a palavra significaria “passar sobre”.


Era a festa que celebraria a libertação dos escravos israelitas do Egito e que apontaria para a redenção do mundo na idade do Messias. Comemora-se também nessa festa a colheita da cevada e o fim da estação das chuvas.

O Pessach caía sempre na primavera, no meio do mês, período da Lua cheia, sendo proibido o consumo de pão levedado. A cerimônia começava no anoitecer da véspera do dia quinze de Nissan, a noite do êxodo, com uma refeição familiar. A festa era conhecida também como a do pão ázimo (fig.esq.), o pão dos escravos. Tudo terminava no momento em que os israelitas cruzavam o Mar Vermelho.

Vários acontecimentos estão incorporados à festa: a partida do Egito, o período nômade no deserto, a festa do décimo quarto dia do mês de Nissan, o primeiro mês lunar do calendário hebraico. Mês associado à primavera, ao signo de Áries, ao carneiro, Nissan começa no fim de março e se estende até meados de abril.


No Islã oficial, como em Israel, todos os fenômenos celestes estão submetidos a Deus. Conta-se que certa vez o Profeta se irritou quando ouviu interpretações sobre um eclipse. Disse, peremptório, que o Sol e a Lua eram apenas sinais de Allah. Afirmações com esta negavam toda autonomia a qualquer objeto, qualquer que fosse ele, pois tudo dependia de Allah, criador do céu e da terra. O mesmo afirmava (afirma hoje) a teologia oficial judaica, quando os rabinos diziam (dizem) que os judeus não precisam da astrologia, pois os livros sagrados continham todas as respostas.

O que temos, porém, no Islã, na realidade, com relação às influências da Lua é que ela tem muito a ver com rituais religiosos, muitos deles, senão a maioria, provenientes da tradição árabe pré-islâmica. O astro lunar ocupava e ocupa, como se sabe, um lugar de destaque na refinada cultura superior islâmica. Antes do Islã, o conhecimento que os árabes possuíam da Lua reduzia-se às chamadas mansões lunares, conhecimento, aliás, fortemente influenciado pela tradição védica.

MANSÕES LUNARES
Foi sobretudo a astronomia-astrologia grega, quando Ptolomeu (séc. II dC) foi traduzido para o árabe (Almagesto), que deu um grande impulso aos estudos árabes nesta área do conhecimento, levando por exemplo os astrônomos a calcular não só com grande precisão os eclipses, mas a desenvolver uma avançada astrologia, depois transmitida ao ocidente cristão.

ALMAGESTO

O Almagesto (O Muito Grande), famoso tratado de Ptolomeu, foi traduzido para o árabe no séc.IX. Nele se expõe o sistema geocêntrico, dele fazendo parte uma lista de 1022 estrelas, cálculos sobre a distância do Sol e da Lua, descrição de eclipses e referências a instrumentos então usados para a observação do céu.

No mundo árabe, principalmente entre as elites, as influências lunares foram muito estudadas, sobretudo pela astrologia prática. Uma das ideias mais admitidas era a de que a Lua, astro das variações cíclicas, governava tudo o que era variável na Terra, tudo o que estava submetido ao crescimento e ao declínio.

AL-QAZWINI

Um texto, extraído de um tratado de cosmografia do séc.XIII, al-Qazwini, mais as informações que colhemos pessoalmente no Instituto do Mundo Árabe de Paris e na tese Images du Ciel d´Orient au Moyen Âge, de Anna Caiozzo), nos dizem que as influências da Lua dependem de seu caráter úmido, enquanto as do Sol provêm de seu caráter quente. Os autores dos textos exemplificam tudo isto discorrendo sobre o movimento das marés, da ação da Lua sobre o corpo dos humanos e dos animais, falando-nos da circulação dos humores, do sangue, das crises de saúde, da lactação das mulheres, da disposição física, das enxaquecas, da proliferação de insetos, da quantidade de peixes nos rios e mares, dos grandes e pequenos animais, do transplante de árvores, da frutificação nos pomares, dos frutos lunares e da sua coloração (ameixas, melões, sésamo, pepinos, abóboras, metais) tudo dependendo da maior ou menor umidade que a Terra recebe em função da fase lunar (começo, meio e fim do mês).

Mesmo Avicena (fig.dir.), por volta do ano mil, grande médico, místico e filósofo, árabe-islâmico, que muito polemizou com astrólogos, reconhecia o efeito das influências lunares no corpo humano. A astrologia suscitou sempre uma forte oposição religiosa quando os astrólogos começaram a discutir os ciclos da história mundial segundo as influências celestes. A doutrina alquímica, oriunda do mundo greco-alexandrino, também provocou inquietações e oposições declaradas de representantes do pensamento teológico oficial árabe. As teses astrológicas, contudo, iam se propagando com base na lei da correspondência. O corpo humano era o microcosmo, um reflexo do céu, o macrocosmo.


AL QAMAR (SURA)

A Lua tem entre os árabes o nome de “al Qamar” ou “Badr”. É representada por um personagem masculino sentado dentro de semicírculo ou crescente, pés nus, vestindo uma espécie de blusa azul, aberta no peito, as calças vermelhas. Uma representação talvez calcada em imagens védicas. Cada fase da Lua recebe um nome, chegando-se ao detalhe de dar uma designação aos períodos intermediário de cada uma delas. A Lua, como se viu, sempre evocou transformações, mudanças, passagens de um estado a outro, o eterno devenir das coisas. Como símbolo de beleza, a Lua é inspiradora de muitos nomes femininos, nomes como Kmar (Lua cheia), Kamriya (pequena Lua), Badr ou Bedra (Lua cheia), Badr an-nur (Lua de luz), Munira (luminosa) etc.

Pelas informações de Heródoto e de outros viajantes, além naturalmente dos registros que chegaram até nós, é possível afirmar que os persas pré-islâmicos tiveram um desenvolvido culto lunar. Para eles, Mah, a Lua, era a divindade que regulava os dias, sendo o décimo segundo dia do mês a ela consagrado, conforme hinos cantados em sua homenagem.


Os iranianos, como se sabe, fazem parte do mundo indo-europeu, do ramo ariano mais exatamente, que ocupou uma extensa região que fica num planalto a leste da Mesopotâmia. Eran, Eiran, de ária (nobre, leal, senhor), era o nome do país (compare com Erin, o nome celta da Irlanda). Os primeiros registros religiosos desse povo apareceram num texto chamado Avesta, dando corpo à chamada religião mazdeana. Esses textos foram destruídos quando da invasão de Alexandre e depois reconstituídos com base na tradição oral.

O culto do fogo, típico das tribos indo-européias, ocupava o centro de todo o movimento religioso, ao lado dos ritos relacionados com o haoma (Soma védico; fig.dir.), que falavam de imortalidade. Nesse recuado período da história persa, Mitra era então a principal divindade (lugar depois tomado por Ahura Mazda), nele se reunindo, em termos absolutos, o poder sobre as regiões celestes (conduzia o carro solar), o poder militar, o conhecimento etc.

Sob inspiração da astrologia caldaica (mesopotâmica), os astros eram objeto de cultos muito especiais, principalmente: Hvare-Khchaeta (Sol), Mah (Lua), Anahita (Vênus) e Tichtriya (Sirius).


Os organizadores desses cultos eram os Magos, que constituíam uma importante corporação sacerdotal, mantendo inclusive, com grande pureza, as primitivas práticas rituais arianas.

Devido a reformas religiosas posteriores (zoroastrismo e maniqueísmo), as antigas divindades astrais passaram a ocupar uma posição de menor relevo. A pregação do reformador Mani (fig.esq.), cerca de 240 aC, falava da existência de um conflito cósmico entre o reino da luz (Bem) e o das trevas (Mal). O homem teria que ajudar as forças do Bem através de várias práticas ascéticas. As forças do Bem nessa luta eram guiadas pelos seis “Imortais Benfeitores” (Amesha Spenta), algo semelhantes aos arcanjos bíblicos, cada um deles responsável por um setor da criação.



A Lua (Mah), nesta nova ordem, colocou-se sob as ordens de um destes Benfeitores, chamado Bahman, o Espírito do Bem, que era, dentre outras funções, o grande protetor dos rebanhos.


Esta posição da Lua se devia, segundo os antigos cultos, à sua natureza bovina, identificação seguida, aliás, universalmente e que explica sua submissão a Bahman. Mah funcionava neste esquema como uma intermediária entre o Espírito tutelar e os rebanhos, mais exatamente como protetora da “Vaca Primordial”, personificação não só de toda a espécie, mas de centro simbólico no qual se juntam ideias de fecundidade, de maternidade, de abundância, e de imagens como a da nuvem celeste, de brancura, de leite etc. Neste contexto religioso, a Lua funciona também como purificadora dos mares porque ela provoca movimentos de alternância, o movimento das marés, ligados diretamente às suas fases.

AHURA MAZDA

Os antigos persas viam também nas fases da Lua a marcha do tempo. Quando criados, os astros, o Sol, a Lua e as estrelas, não se moviam, segundo os antigos textos. Com o assalto das forças do mal (a luta eterna entre Ahura Mazda ou Ormazd, as forças da luz, e Ahriman, as forças das trevas), os astros tiveram que percorrer o caminho que lhes foi designado para que a renovação pudesse acontecer, expulsando-se o mal do mundo.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

OS COMETAS*

Etimologicamente, cometa quer dizer astro cabeludo. A palavra vem de kome (grego) ou coma (latim), significando cabeleira. Desde a antiguidade que o aparecimento de cometas se associou a ideia de infortúnio, de luto, de desgraça, de acontecimentos funestos. A imagem era a de uma mulher desgrenhada, descabelada, sem cabeça para se compor, para se arrumar, por causa, exatamente, da ideia de luto. Uma dor tão grande que a impedia de se pentear. Daí a designação de cometa (cabeleira) e a conotação de desastre.


Desde a pré-história, sabia-se que a regularidade do movimento dos corpos celestes era perturbada algumas vezes por certos acontecimentos excepcionais, imprevisíveis, irregulares, sempre interpretados, por isso, como perigosos. Eclipses, cometas, meteoros, estrelas cadentes e alguns bólidos eram os sinais da desordem num mundo que se achava sempre caracterizado pela ordem e pela perfeição. Foram os chineses, no ano 240 aC, os primeiros a nos deixar registros sobre a passagem desses astros.

Dentre os vários sinais celestes apontados, os cometas alinharam-se entre os mais ameaçadores. Plínio, o Velho, em sua História Natural, já dizia que eles semeavam o terror. Muitos acontecimentos históricos foram marcados pelo aparecimento deles, todos no geral de funesto presságio, ligados à morte de pessoas poderosas, de reis, de potentados. Uma exceção nesse cenário de pavor foi a atitude do imperador Augusto (fig.dir.) que os considerou de bom augúrio. Este entendimento se deveu ao fato de um cometa ter aparecido durante os jogos organizados em homenagem ao imperador Júlio Cesar logo depois de sua morte. Augusto entendeu que tal aparecimento anunciava que a alma do falecido imperador havia sido recebida entre as potências divinas. Acontecimentos semelhantes se sucederam. No ano de 66 dC, um cometa prenunciou a destruição do templo de Jerusalém, no ano de 70. A ascensão de Nero ao poder coincidiu com a passagem de um cometa pelos céus da Itália. A prisão e a morte do rei inca Atahualpa por Pizarro foram, para muitos, anunciadas por um cometa no ano de 1533.


ADORAÇÃO DOS REIS MAGOS (GIOTTO)

Em tempos mais recuados encontramos também alguns registros artísticos da passagem desses corpos celestes, sob a forma de imagens. Em 1301, Giotto, célebre pintor pré-renascentista italiano, em sua Adoração dos Reis Magos, deixou a sua visão de um deles. Na famosa tapeçaria de Bayeux, chamada também da rainha Matilde, no início do milênio, temos um registro semelhante.


TAPEÇARIA DE BAYEUX


                Em fins de 1644, a passagem de um cometa pela constelação da Hydra foi registrada por artistas.
Até a Renascença os cometas foram explicados pelas teses de Aristóteles, para quem o mundo estava hierarquizado pela ordem dos quatro elementos: primeiro a terra, depois a água, envolvendo-a, e a seguir o ar e o fogo. Isto, segundo Aristóteles, formava o mundo sublunar, o mundo humano. Além deste mundo, ficavam as esferas invisíveis onde se fixavam os astros luminosos. Era o éter, a quintessência do universo. Os cometas seriam exalações da Terra, gases secos e quentes que se inflamavam em contacto com o fogo. Sua aparição, ainda segundo a tese aristotélica, indicaria ventos e secura, além de
 outras calamidades.


Em 1543, Copérnico reviu a cosmologia do universo. Quanto aos cometas, é certo que, embora a tradição aristotélica tivesse prevalecido até a Renascença, Sêneca, por volta de 50 d.C., já havia afirmado que eles se moviam regularmente em órbitas prescritas pela Natureza. Mas foi só com Tycho-Brahe, em fins do séc. XVI, que tivemos uma revisão desse asssunto. Vieram a seguir Galileu, Kepler, Newton e, por fim, Halley, cada um deles acresentando algo à matéria.

Foi no séc.XVI que os vários documentos existentes sobre os cometas acabaram sendo reunidos em obras que receberam o nome de Cometografias. O mais importante desses trabalhos foi o Theatrum Cometicum. Pelo título, a ideia era a de que esses compêndios funcionariam como teatros (etimologicamente, do grego, theatron, lugar onde se vê alguma coisa, de theasthai, olhar, ver), de Johan Stanilas Lubienietz, publicado na Holanda em 1667.

Halley (etimologicamente, do antigo inglês, floresta do estreito vale) era um tipo curioso, meio aventureiro, que curtia a boa vida, filho de pai rico. Aos 19 anos já pesquisava os céus; era um autodidata. Flamsteed, astrônomo real da época, dizia que Edmund Halley “falava, transpirava e bebia como um capitão de longo curso”. Valendo-se das descobertas de Newton, seu amigo, Halley faz as suas previsões e apontou o retorno do astro que acabaria por receber o seu nome.

Para os antigos, os cometas apareciam como círculos indistintos de luz, de contorno indefinido. Os maometanos, por exemplo, lhes atribuiam a forma de espadas (armas cristãs) e os cristãos os viam como adagas (armas maometanas). Para outros povos, seriam os cometas tochas ardentes, lanças, cabeças ensanguentadas etc. Quanto à coloração, se o cometa tendesse para o verde, teria um fundo saturnino e, neste caso, seria um significador de mortes, peste, gelo, fome. Se tendesse para o branco, se revestiria de características jupiterianas, sendo indício de morte de reis ou potentados.



As interpretações sobre a forma dos cometas acabaram se tornando puro delírio. No imaginário popular, cometas eram sempre coisa do Diabo; procurava-se ver a região celeste para a qual eles se dirigiam, a estrela que mais os influenciava, a forma que eles podiam tomar. Se o cometa tomasse uma forma alongada, como um caniço, lembrando uma flauta, era preciso prestar atenção aos assuntos da arte musical. Se um cometa passasse pelas “vergonhas” da imagem de uma constelação, era de se esperar um grande aumento no desregramento dos costumes, na degradação da vida social.



Basicamente, pelo que sabemos até agora, os cometas têm um núcleo relativamente pequeno (uns poucos quilômetros de diâmetro), rochoso, formado por neve congelada e poeira cósmica. Uma bola de neve suja. Na sua passagem, vão absorvendo alguma poeira, sendo por isso chamados de lixeiros cósmicos. No seu afélio são pequenos. À medida, porém, que se aproximam do Sol, ganham tamanho devido à sublimação do núcleo, que se reveste de um belo halo luminoso, formando-se a coma, a cabeleira, uma espécie de cauda bifurcada, luminosa, de milhões de km. muitas vezes. Formada por partículas ionizadas, esta cauda apresenta sempre uma posição contrária ao Sol. É o chamado vento solar que provoca esse fenômeno.



A sublimação (esquentamento), passagem do sólido ao gasoso, sem haver passagem pelo líquido, significa perda de substância, pois o material se espalha sempre de algum modo. Por isso, a cada volta, apesar das possíveis incorporações de poeira, os cometas estão menos espetaculares. O Biela, por exemplo, já sumiu; o Encke volta sempre menos espetacular; o Kohoutek que, em dezembro de 1973, prometia um “show” sem precedentes, uma cauda do tamanho da lua cheia, perdeu muito da sua magnitude e acabou não sendo visto.

A sublimação, como se sabe, tem hoje lugar destacado na psicanálise freudiana como uma modificação da orientação originalmente sexual de um impulso ou de sua energia de maneira a levá-los a um outro ato, aceito e valorizado pela sociedade. Ou seja, a transformação de um motivo primitivo violento e/ou de caráter antissocial e a sua substituição por outro, considerado mais elevado, de valor superior.


Com relação ao Sol, os cometas têm afélio (ponto mais distante do Sol) e periélio (ponto mais próximo do Sol). A periodicidade pode ser curta (menos de 200 anos) ou longa. Alguns têm trajetória parabólica, entrando apenas uma vez no sistema solar e não mais retornando. Centenas de cometas, cerca de 900, entram no sistema solar, segundo a teoria mais aceita; provêm eles de uma nuvem situada a uma distância de alguns anos-luz do sistema solar. É a chamada nuvem de Oort (Jan Hendrick Oort, cientista que formulou a hipótese, fig. dir.), um anel contendo bilhões de cometas.



Apesar de mais bem conhecidos e estudados hoje, os cometas continuam como anomalia dentro do sistema solar. São extravagantes, variáveis, não seguem uma trajetória uniforme, como os demais astros do sistema solar. São mesmo o oposto de toda a previsibilidade que o sistema solar possa apresentar. Grandes viajantes, mudam de tamanho, de grandeza, sofrem interferências nos seus deslocamentos. Além disso, podem morrer, havendo até casos de suicídio, quando mergulham no Sol. Os cometas, enfim, são astros que se curvam diante do Sol, como todos os demais do sistema solar.


HALLEY - 1835

Em outubro de 1982, o cometa Halley foi captado pelo olho gigante de Palomar . Estava além de Saturno, na constelação do Cão Menor. Os astrônomos o consideram hoje como parte da memória gelada do universo, contemporâneo do Sol, contendo as chamadas células mãe, matéria original da formação universal.


IMAGEM DE 1557

O Halley vem dos confins do sistema solar, pois tem o seu afélio entre as órbitas e Netuno e Plutão. Lá não passa de uma bola de mais ou menos 3 km. de diâmetro, com uma velocidade de 3.600 km/h. Esta velocidade irá aumentando ao se aproximar ele do Sol, podendo chegar até a 200.000 km/h. Em novembro de 1985, estava a 90 milhões de km. da Terra, liberando gases, jatos de água gelada, cianogênio. A 9 de fevereiro de 1986 alcançou a maior proximidade do Sol, cerca de 85 milhões de km., no periélio, estando o Sol em Aquário. Em abril desse ano teremos a melhor oportunidade de vê-lo. Depois do dia 23 de abril ultrapassará Marte e não mais será visto. Sua cauda deverá apresentar alguns milhões de km., mas não como a que apresentou em 1843, quando atingiu 320 milhões de km. Depois desta passagem, a segunda no século (a anterior foi a de 1910, quando passou bem mais próximo da Terra do que atualmente), restará aguardar o seu retorno, a ocorrer provavelmente em 2061, num período variável entre 74 e 79 anos. As pesquisas nos mostram que o Halley, entre 240 aC e 1910, foi visto vinte e oito vezes.

Apesar de todo o alvoroço, a ciência oficial procura banalizar esta visita (1986), reduzindo-a apenas a um fato astronômico. Alguns programas foram montados para estudá-lo. Japoneses, russos, americanos e outros países europeus tentam dele se aproximar. O programa mais audacioso é o da nave Giotto, de um consórcio europeu. Um programa kamikaze. A nave procurará entrar na intimidade do núcleo do cometa, aproximando-se dele cerca de 500 km., e, por isso, deverá desaparecer, depois de nos ter enviado os dados previstos.



NAVE GIOTTO

Os mercadores do templo, por outro lado, como sempre, já investiram centenas de milhões de dólares na exploração comercial do acontecimento. É o Halley’s money. Nesta onda de exploração, na Europa e nos USA, especialmente neste, temos as camisas, lenços, vinhos, chapéus, chaveiros, pílulas, sem falar dos aparelhos e instrumentos. Cerca de 10 mil americanos deverão se deslocar para o hemisfério sul a fim de ver melhor o cometa, numa vastíssima operação turística marítima e aérea.

Sob um ponto de vista astrológico está claro que os cometas têm uma natureza aquariana: são extravagantes, imprevisiveis, irregulares, catastróficos até, como alguns aquarianos. Eles se opõem ao sistema solar como um todo, que é de natureza leonina. Em outros termos, esta visita do Halley nos faz pensar na oposição Aquário-Leão e na sua respectiva complementaridade, pois, como sabemos, os signos são opostos e complementares.


Além dessa cogitação, entendo que o Halley nos remete a uma outra. Não nos esqueçamos que ele vem dos confins do sistema solar. A energia que ele nos traz dessa região é muito sutil. Na sua trajetória do afélio ao periélio forma-se como que um canal, um nadi, digamos, para a energização do centro do nosso sistema e de suas regiões vizinhas, numa das quais está o nosso planeta. Nadi é uma palavra que em sânscrito significa rio e também canal do corpo sutil, canal de energia. Os nadis do Yoga não são artérias ou veias, mas canais que veiculam os sopros vitais e a energia básica, enrolada serpentinamente, na base da coluna vertebral, isto é, kundalini, elevandos-os, para que possamos atingir níveis superiores de existência.


Mais exatamente o Halley vem de uma região netuniana, região através da qual o nosso sistema entra em contacto com as forças da galáxia, região que nos aponta para o Grande Todo, o Brahman dos hindus. Netuno é a porta de entrada dessas energias. Netuno, no corpo humano governa a pineal, pequena glândula situada no centro do cérebro. No Yoga a pineal está associada ao sétimo chakra, o Brahmarandra, a porta que se abre para o Brahma, ou o Sahasrara-padma, o lótus de mil pétalas. O Halley transita assim por um grande canal, algo semelhante ao que se encontra junto da nossa coluna vertebral, o grande Nadi, que na geografia sagrada da Índia recebe o nome de rio Sarasvati.







NAS IMAGENS ACIMA, A PINEAL, A HIPÓFISE E O TIMO


A pineal, para a maior parte da humanidade, assustadoramente, ainda está fora de função. O ser humano comum só tem plenamente ativadas, como se sabe, as gônadas, as suprarrenais, o pâncreas, a tireóide, as glândulas que justamente correspondem ao seu eu inferior, animal. A hipófise ou pituitária só recentemente, com a descoberta de Urano em fins do séc. XVIII, começou a ser ativada, mas ainda há um longo para se aprender a usá-la superiomente. Quanto ao timo e à pineal, que na Astrologia têm relação respectivamente, com planeta Vênus e à sua oitava superior, Netuno, poucos seres humanos os possuem ativados.

A pequenina pineal ou epífese ocupa o centro da massa cerebral; desenvolvida, ela pode tornar o ser humano apto a receber a energia cósmica e a transmiti-la através de suas ideias, pensamentos e ações até sem necessidade do uso de palavras. Evidentemente, isto não significa que a pineal possa trabalhar sozinha, pois nenhum órgão do corpo humano trabalha isoladamente, devendo a atividade de cada um completar a ação do outro.



Para efeitos mais exotéricos, contudo, acredito ser necessário ressaltar mais, nesta visita do Halley, as aproximações entre Leão e Aquário, o signo em direção do qual o Sol caminha hoje rapidamente. Estamos no final da era de Peixes, era que teve seu início no ano de 498 d.C.. Peixes é água, elemento que se liga à emoção, à sensibilidade, à imaginação. Estamos passando da água para o ar (elemento de Aquário), que é intelecto, movimento, flexibilidade, inventividade. Estamos passando do crer para o conhecer. Mas será que isso nos basta?


AQUÁRIO

Na proporção em que nos aproximamos de Aquário crescem as influências deste signo sobre a humanidade. A rigor, as influências aquarianas começaram a se fazer sentir principalmente com a descoberta de Urano, regente do signo, em 1781, como se disse. E desde então temos nos preocupado muito mais com o lado técnico de Aquário do que realmente com as suas propostas humanitárias e altruistas. Passamos pelo século XX e entramos no XXI com uma grande ânsia de reduzir as distâncias, de aproximar os seres humanos. Contudo, depois de tanto progresso (?), parece que nunca nos sentimos tão sós como hoje.

A era da Comunicação, na qual estamos entrando, de características marcadamente aquarianas, se apoia na transmissão de sinais e na sua acelerada multiplicação. Os satélites tribalizaram a Terra, criando o que alguns técnicos chamaram de aldeia global. A comunicação é hoje praticamente instantânea, unificadora. Todavia, a solidão parece aumentar na medida em que nos tornamos mais velozes, mais rápidos.


Esquecemos que Aquário é fraternidade, altruísmo, aversão a quaisquer forma de segregação, política, social, econômica, racial. Uma parte da juventude se lembrou há alguns anos destas propostas, é certo, mas o sonho aquariano de fazer da Terra um paraíso para o gênero humano não prospera porque esquecemos exatamente de que Aquário e Leão precisam trabalhar juntos.

Aquário é anti-convencional, anti-rotineiro, abre-se para o futuro, para a invenção, numa tentativa de antecipar os limites do horizonte. Esta ânsia de antecipar, de chegar logo, sem um controle, sem um comando, é que está nos desequilibrando, acentuando exageradamente o individualismo aquariano, apesar dos discursos comunitários aquarianos, muito mais teóricos que práticos.

O movimento hippie e os seus componentes (droga, escapismo, álcool, música, Woodstock etc.) se constituíram num exemplo claro do que acabamos de dizer. A origem deste movimento que consagrou a fórmula paz e amor, que protestou contra as guerras e a violência, que procurou se aproximar das fontes espirituais do oriente, pode ser encontrada, astrologicamente, na entrada de Netuno em Libra, o que ocorreu em 1942. Netuno ficou nessa posição até 1957. As gerações nascidas nesse período têm Netuno em Libra e, dependendo dos seus mapas, serão tocadas mais ou menos intensamente por essas forças. Urano em 1942 entrou em Gêmeos, formando um trígono com os planetas alojados em Libra, Netuno no caso.

Entre 1952 e 1956 (Urano em Câncer e Netuno em Libra) os dois astros formaram uma quadratura, que sugere rebeldia, mas algo difuso, impreciso; rejeição das tradições sociais, das obrigações, e também uma tendência a deixar as coisas acontecerem, à não participação. O emocional, com esse aspecto, se canalizou para alguma forma de arte, de música ou de pseudo-religiões. Nos mapas malogrados, a quadratura apontada fez agrandes estragos: bebida, droga, sexo, neuroses, embora muitas vezes as intenções tivessem sido elevadas.

A volta do Halley nos faz pensar em tudo isto, nestes tempos em que encontramos muita dificuldade para estabelecer o justo equilíbrio entre todas estas forças. Se o movimento hippie representou num momento uma reação contra a hipocrisia, contra o farisaísmo, contra a caretice, acabou ele, porque desvinculado de Leão, caindo no oposto, no descontrole e na dispersão.

Daí a reação que se segue: a ameaça de se partir para os excessos leoninos, caracterizados pelas ditaduras, pelos governos autoritários, despóticos, pelo centralismo exagerado, sempre perigosos. São as tentativas de leonização do universalismo aquariano. No bojo destes movimentos, de natureza centrípeta, há sempre uma procura de síntese em termos nacionais, valorização do passado, ufanismo, controle, ordem, estruturas fechadas, colonialismo através dos recursos aquarianos (tecnologia). A História está repleta de exemplos sugestivos: o governo Reagan, nos USA, é bem uma reação leonina aos desequilíbrios aquarianos anteriores. Não é por acaso que Reagan aparece como uma espécie de “sheriff” na politica mundial e que os heróis americanos atualmente são símbolos da força bruta, da energia e da boçalidade. Rambo (fig.dir.) é o nome da fera, aquele que vai restabelecer a honra perdida no Vietnã. Não é por acaso também que as atividades guerreiras estão sendo levadas aos céus, região uraniana, através do belicista programa Guerra nas Estrelas (Não fosse Reagan um aquariano !). Mas o Halley está aí, entre nós, bem próximo, anunciando que, façam o que fizerem os poderosos, entraremos inevitavelmente em Aquário, algo a ser conquistado pelo nosso trabalho, pela nossa fé. Não aquele paraíso que receberíamos de graça, sem qualquer esforço, uma visão idiota da tecnologia. A destruição da nave Challenger, um acontecimento nacional, presenciado por toda a nação pela TV, já não será uma “reação” aquariana aos excessos leoninos? À tentativa de se levar a guerra ao cosmos?

Daí a pergunta: até que ponto a passagem dos cometas pela Terra pode ser associada a desastres? Será que os antigos não chegaram a perceber alguma relação mais profunda nesses acontecimentos? Algo que hoje nos escapa? Estamos ainda procurando decifrar os diversos significados da passagem desses astros. Que não se constituem em simples acontecimentos físicos, como pretendem os astrônomos e os desinformados. Desafiados por reis, excomungados por papas, a lição, no fundo, é a mesma, integrar Aquário e Leão.

Estamos hoje nos últimos graus da era de Peixes. Matematicamente, só entraremos em Aquário no ano de 2658. Tudo o que o homem descobriu e criou até agora ainda está impregnado de influências piscianas, já que os campos magnéticos dos dois signos se interpenetram. Precisamos ter uma consciência clara de tudo isto. Quando entrarmos de fato na era de Aquário será que as barreiras entre os países desaparecerão, o mundo viverá numa comunidade, teremos um governo mundial, um só padrão monetário, uma língua universal? Nada de reis, potentados, países dominadores ditando regras para o mundo. O homem viajará pelo espaço cósmico, visitará os outros planetas (aventuras colonialistas?), irá às outras galáxias. Estará ele preparado para essa grande aventura?


*Este texto, agora revisto, foi escrito entre 1985/6 quando o cometa Halley estava para ser visto nos céus brasileiros (promessa de um grande espetáculo que não aconteceu). Eu o dedico à memória do prof. Waldyr Bonadei Fücher, recentemente falecido. Ele e eu, nesse já longínquo ano de 1986, participamos, por iniciativa dele, de um grupo que estudou o acontecimento e procurou ver o Halley mais de perto, usando para tanto aviões e fazendo observações em lugares elevados com telescópios, lunetas etc. Para esse grupo e convidados, fiz, no referido ano, num fim de semana, no Hotel Leão da Montanha (!), em Campos do Jordão, a palestra ora transformada neste texto.