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quarta-feira, 14 de março de 2018

SAGITÁRIO (5)


( 1896, ALPHONSE  MUCHA )
Na história de Israel, o  signo de Sagitário marca particularmente o período no qual as forças israelenses conseguiram vencer os exércitos greco-sírios. Para os astrólogos judeus, a Grécia sempre simbolizou o poder negativo do arco sagitariano, isto é, a expressão de uma filosofia materialista e invasora. Os gregos, sabe-se, tentaram destruir a tradição religiosa de Israel, impedindo que os seus textos sagrados circulassem. Esta ação, contudo, teve um lado positivo: provocou um grande desenvolvimento da transmissão oral da Torá. Nesses tempos de perseguição religiosa, destacou-se, na cultura judaica, a figura do tsadik, o homem justo, probo e bom. Esse homem tem em José o seu modelo. Filho de Jacó e de Raquel, José é o modelo do tsadik bíblico.


SEPHIROT

Pela sua conduta e exemplo, como fundamental para o mundo judaico, José sempre foi visto como uma espécie de parceiro de Deus e seu poder era tamanho que até podia anular decretos divinos. Não é por outra razão que na Cabala o tsadik representa a penúltima das sefirots. As sefirots são estruturas divinas através das quais o mundo surgiu pelo processo da emanação, formando os diferentes níveis da realidade. 



JOSÉ  INTERPRETANDO  OS  SONHOS  DO  FARAÓ
( PETER  VON  CORNELIUS , 1783 - 1867 )

O tsadik é o homem santo que governa o mundo do conhecimento, representado astrologicamente por Kislev, o nono mês lunar do calendário hebraico, a contar de Nissan. É o mês do êxodo e o terceiro a partir da festa do ano novo. Começa em fins de novembro ou início de dezembro.  No céu, é Júpiter (Zedek), palavra que
YOD,  HEH,  VAV,  HEH
significa o que é certo e correto. No simbolismo místico da Cabala, o arco vem com três flechas, que significam Graça, Julgamento e Harmonia ou Vitória, Glória e Fundação ou Sabedoria, Compreensão e Conhecimento. Estes atributos são, por sua vez, simbolizados  pelas três primeiras letras do Divino Nome, Yod, Heh e Vav (Y H V H ou Yahweh). Este tetragrama é o nome sob o qual o Eterno se revelou no antigo testamento (Eu sou aquele que é). A tradição rabínica proibiu que estas quatro letras fossem pronunciadas porque a sua pronúncia original se perdeu, provavelmente depois que Moisés as ouviu no Sinai. Na leitura oral, estas letras YHVH são substituídas por Adonai (Meu Senhor) ou por Ha Shem (O Nome).

Kislev, entre os judeus, é o nome do mês de Sagitário, palavra que denota confiança e força interior. A palavra contém também uma ideia de esperança que pode ser alimentada em função de uma atitude previsora. Esta esperança tem relação com o futuro. Os temas que derivam de Kislev vêm da cerimônia da Chanuká
JUDAS   MATATIAS
(dedicação, inauguração em hebraico), festa das luzes pós-bíblica, que dura oito dias e começa a 25 do mês. Esta cerimônia comemora a vitória dos macabeus em 165 aC. sobre os selêucidas da Palestina, que haviam profanado o templo e imposto sua religião helenística aos judeus. Macabeu é o sobrenome de Judas Matatias (200-160 aC), chefe de uma grande família sacerdotal, que comandou a revolta contra os referidos selêucidas. A vitória dos macabeus permitiu que os ensinamentos da Torá fossem preservados e mantidos, enquanto, afirmam os sacerdotes judeus, os de outras culturas, baseados em falsas ideias, já há muito haviam desaparecido. As luzes da Chanuká são consideradas como uma manifestação da luz oculta do Messias. 


SPINOSA
As influências celestes positivas de Kislev ajudam uma pessoa a obter elevação espiritual, a se interessar por questões religiosas, por filosofia, sendo citado o filósofo Baruch Spinosa (1.632-1.677, Holanda) como um exemplo. Os judeus ortodoxos usam o exemplo de Spinosa para falar dos desvios doutrinários negativos de alguém do signo, fato que motivou sua expulsão da sinagoga. Segundo a tradição religiosa judaica, Sagitário, o signo do arco, simboliza o poder da prece que emana das profundezas do coração e que alcança os céus. Expulso da sinagoga, Spinosa encontrou nos meios católicos os mestres que o iniciaram no saber científico (física, geometria e filosofia). Consagrou a sua vida à meditação, ganhando o seu sustento a polir lentes de microscópios. A obra principal de Spinosa chama-se A Ética, uma doutrina da salvação pelo conhecimento de Deus.


As letras do alfabeto hebraico que fazem a ligação com o lado espiritual de Sagitário são Samech e Guimel, esta relacionada como planeta Júpiter. Juntas, elas traduzem uma ideia de segurança, bem-estar e esperança.  Estas ideias estão presentes num
dos símbolos do signo, o arco-íris, fenômeno celeste que, segundo a
Bíblia, apareceu para sinalizar o fim do dilúvio de Noé e indicar novos caminhos para a vida na terra. Segundo o Zohar, o arco-íris é um campo de energia que surge sempre depois de catástrofes, de cataclismas. Lembre-se que o arco-íris em todas as tradições é uma via de comunicação entre o céu e a terra.


ARCO - ÍRIS  ( MARC  CHAGALL , 1887 - 1985 )

Na medida em que Sagitário, diz-nos a tradição judaica, nos remete a uma ideia de transcendência interior pela qual o instinto e o ego poderão ser ultrapassados em direção do espiritual, do coletivo, da humanidade, pode esse signo ser considerado como a primeira pedra do edifício a ser construído no signo seguinte, de Capricórnio. Pedras, com sabemos, são elementos da coagulatio alquímica, e, como tal, funcionam simbolicamente como elementos de sedentarização, da cristalização de formas. Pedras têm uma função importante ao exprimir realização, construção, perseverança. Assim, a primeira pedra, a pedra fundamental, do edifício que vamos construir no signo seguinte, Capricórnio, signo de ascensão, é fixada em Sagitário. Dizem-nos mais os judeus que assim como as flechas do arco-íris atravessam as várias camadas do ar, assim as flechas de luz disparadas pelo arco sagitariano atravessaram a mundanidade material, rompendo o escudo do mundo sírio-helenístico. 

A   TRIBO   DE   BENJAMIN  ( MARC  CHAGALL )

O mês de Kislev tem relação com a tribo de Benjamin, o filho da mão direita, filho mais jovem de Jacó, nascido de Raquel, sua esposa preferida, que morreu após o parto. Esta criança se tornou no filho mais amado de Jacó e seus irmãos o cercaram de ternura. Sofrendo as dores do parto, Raquel o havia chamado de  Ben-Oni, isto é, o filho de minha Infelicidade, mas o pai mudou o nome, chamando-o de Benjamin, Criança da Felicidade. A tribo de Benjamin foi chamada por Moisés de a bem amada do Senhor. No Gênese, registra-se (49:27) que Jacó será como um lobo arrebatador; pela manhã devorará a presa e à tarde repartirá os despojos, devido às suas aptidões guerreiras. 



ENCONTRO  DE  RAQUEL  COM  JACÓ ( RAFAEL DE SANZIO , 1483 - 1520 )


DAVID   E   BETSABÁ
( MARC  CHAGALL )
Um dos atributos naturais do mês Kislev, segundo alguns intérpretes, é o sono enquanto ele possibilita o acesso a sonhos e às visões que alguém pode obter, como foi o caso do rei Salomão. Terceiro rei de Israel, filho de David e de Betsabá, Salomão recebeu de Deus a sabedoria e tinha o dom da profecia, recebidos num sonho. Salomão personifica o arquétipo da sabedoria e todos os seus atributos mais importantes pertencem a esse simbolismo.

José, o maior dos oniromantes, foi outro personagem a receber o poder de interpretar os sonhos. Na tradição judaica, sonho é chalom, cujo valor numérico é 78, três vezes o valor do nome divino (Yod Heh Vav Heh), cujo valor é 26. As três vezes do nome divino referem-se aos três atributos, Nezach, Hod e Yesod, Vitória, Glória e Fundação, respectivamente, as três flechas do arco de Sagitário. A energia do arco, como expressa nos sonhos de José, associa-se ao sono, atributo de Kislev, a própria natureza do signo. Segundo a astrologia judaica, Sagitário é signo que indica naturalmente habilidade psíquica de modo a permitir a visão de acontecimentos futuros, como a temos, de modo superlativo, em José.    

JOSÉ  ( MARC  CHAGALL )
José foi vendido aos ismaelitas, que simbolizam o arco impuro (o lado negativo de Sagitário), e levado para o Egito. A Grécia, lembremos, era também representada por esse lado impuro do arco para os judeus. O nome genérico dos ismaelitas é arav, que simboliza também Yesod (Vitória), mas aqui relacionada esta última palavra com Eruv, multidão, multiplicidade (a vitória do número, da quantidade, sobre a qualidade). Por estas relações, os astrólogos judeus nos falam da diferença entre o sagrado e o profano em Sagitário. É neste sentido que a multiplicidade de cores do arco-íris tem implicações negativas ao simbolizar o reino dos desejos (hakeshet, o arco, tem as mesmas letras que hatshuka, o desejo, o anseio). O reino do desejo tem o poder elevar o homem ao divino ou rebaixá-lo à materialidade mais vil. É por essa razão que as terras dos ismaelitas são governadas pelo signo de Escorpião (akrab), o mês do dilúvio, cujo término foi indicado a Noé por um arco-íris.


O  ANJO,  ABRAÃO  E  SARA (JAN  PROVOOST ,1465 - 1529)

A ímpia manifestação de Keshet (arco), o poder da luxúria e do que é impuro é para os judeus simbolizado por Ismael (Deus entende, ouve). Ismael é o ancestral dos ismaelitas, os árabes, filho de Abraão e de Agar. Segundo o Gênese, Abraão tinha 86 anos e Sara, sua mulher, era muito velha para gerar filhos. Sara deu sua escrava Agar ao marido para que ela concebesse no seu lugar, Agar pôs no mundo então Ismael, mas Sara, milagrosamente, depois pariu também, gerando Isaac. Ela exigiu então que Abraão expulsasse
EXPULSÃO   DE   AGAR   E   ISMAEL
( PIETER  LASTMAN , 1583 - 1633 )
Agar e Ismael, enxotando-os para o deserto onde ficaram a perambular até que um anjo os guiou na direção de um poço. Nesse lugar, o Senhor lhes anunciou que Ismael seria um verdadeiro asno selvagem, sua mão contra todos, a mão de todos contra ele; e ele poria as suas tendas defronte de todos os seus irmãos. Deus prometeu ainda que de Ismael nasceria uma grande nação cujos membros seriam os filhos do vento, isto é, o povo do deserto, nômade e livre. É por isso que os beduínos se consideram como os únicos descendentes de Ismael, que morreu com 137 anos. Ele deixou doze filhos, chefes de tribos, conforme está no Gênese. 

A relação entre Kislev e Adar é explicada porque ambos são governados pelo mesmo corpo celeste, Zedek ou Tsedek, Júpiter, atuando ele nos festivais da Chanuká e do Purim, ambos associados à figura de José, o patriarca, o justo. Lembram os astrólogos judaicos que em aramaico, língua da antiga Babilônia, o significado da palavra Adar é mastro de barco a vela (Ruach, significando tanto vento como espírito). Isto representa o poder das influências deste mês, durante o qual é possível oferecer resistência a qualquer espírito que interfira na expressão da Torá. Em aramaico, a palavra Adar lembra também o significado de milagre oculto, como está na festa do Purim, cuja mensagem principal é que as coisas não são o que parecem e que Deus, e não o destino, determina o que sucederá.  

Para os judeus, lembre-se, o signo do arco influencia profundamente os períodos seguintes, Tevet (Capricórnio), Shevat (Aquário) e Adar (Peixes), cada um deles tendo atributos essenciais
ESTHER  ( MARC  CHAGALL )
(letras) que preexistem em Keshet (Sagitário).  A substância espiritual de que Capricórnio (Tevet) necessita para suportar os poderes do mal, nele particularmente ativos, é retirada de Keshet. A água, em Aquário, signo de ar, simboliza a tradição oral que veio dos cinco livros (Deuteronômio) onde estavam registradas as palavras de Moisés. Lembram os judeus que o início de sua grande tradição oral começou quando da vitória da festa das luzes (Chanuká). O mês de Adar, cujo signo é Peixes, signo de água, traz a ideia da aceitação voluntária da pureza da tradição oral por parte do povo judeu, segundo o milagre de Esther. 

Segundo a astrologia judaica, as pessoas nascidas em Kislev têm muita confiança em si mesmas, são otimistas e sempre se voltam para o distante. A esperança de algo futuro desperta nelas a força interior para que os obstáculos encontrados sejam removidos, possibilitando-as atingir os objetivos estabelecidos. Estas virtudes encontraram sua maior expressão durante o período em que a dinastia dos hasmoneus (nome dinástico dos macabeus) governou o país até perto do início da era cristã. 

Nessa linha de pensamento, os sagitarianos têm sempre possibilidade de demonstrar um grande prazer pela vida, muito entusiasmo por ela, desde que tudo isto seja inspirado pelos valores espirituais da Torá. Do contrário, a expressão é negativa, há riscos devido ao gosto pela aventura e pelas extravagâncias. É também dado ao sagitariano superior o poder de unificar as massas, representando-o, por isso, mais do que ninguém, o patriarca José, filho de Jacó, que unificou o Egito e os seus irmãos. Etimologicamente, José tem relação com a palavra Asif, que significa reunir, trazer junto. Yasop significa juntar. O nome Joseph, muito rico quando pensamos em jogo de letras e significados, permite lembrar que Raquel deu à luz o filho Joseph depois de um longo período de esterilidade. Esta habilidade que Sagitário tem de unir é indicada também pela aproximação das palavras keshet (arco) e lekasher, (reunir, juntar. A palavra keshet significa também arco-íris, cujas cores indicam harmonia. Segundo a Cabala, as três principais cores do arco-íris, o branco, o amarelo e verde amarelado, simbolizam, respectivamente, Vitória, Glória e Fundação.


ARCO - ÍRIS  ( ROBERT  DELAUNAY , 1885 - 1941 )

Segundo, aliás, uma tradição universal, o arco-íris, por sua forma que lembra uma ponte, sugere a comunicação entre dois mundos. Uma das passagens citadas para confirmar este entendimento é a que se encontra no Gênese, no capítulo IX, em que se declara que o arco-íris é a materialização da aliança entre Deus e os homens, inclusive os das gerações futuras. De um modo geral, é esse fenômeno um sinal do pacto estabelecido com os descendentes de Noé, pacto segundo o qual Deus nunca mais destruiria o mundo dessa maneira. O aparecimento de um arco-íris pode servir todavia de um alerta, pois sua ocorrência poderá ser interpretada como um indício de perda, por parte da humanidade, de valores superiores, honra, justiça, retidão... E isto porque é a vida meritória da humanidade que deve afastar a ameaça de catástrofes. Perdendo-se as referidas qualidades superiores, afastando-se a humanidade da vida meritória, ficam o mundo e tudo o que nele vive desprotegidos, rompendo-se o pacto com o divino. Lembremos que este simbolismo, o do arco-íris, costuma aparecer associado às imagens dos cavaleiros que anunciam o Apocalipse, quando o fogo e a água, conforme as profecias, reinarão juntos num único dia.    

SAINT  MIGUEL  ARCANJO 
O mundo judaico-cristão nos oferece, dentre outras, duas figuras que estão integradas ao ideário sagitariano.  Miguel é uma delas, o arcanjo da mais alta hierarquia. Príncipe da Água e Anjo da Prata, Miguel, no período bíblico, anunciou a Sara que ela daria à luz a Isaac. Ordenou depois, na akedá, que Abraão, não sacrificasse o filho. Lutou contra Jacó e alimentou os israelitas nas suas perambulações pelo deserto. Miguel atua com advogado do povo de Israel e apresenta as preces dos homens diante de Deus. Sua posição o coloca à direita do trono da glória e à direita do homem no plano terrestre. Está associado a Gabriel, Rafael e a Uriel, mas é superior a todos eles porque voa para cumprir as suas missões com um movimento só. Seu principal inimigo é Samael, o anjo caído que lidera as forças do Mal (Sitra Achra) e que faz constantes acusações contra Israel no céu. Miguel acompanha os devotos ao céu após a morte. Na idade do Messias ele fará soar o shofar na ressurreição dos mortos. Foi citado pelo profeta Daniel como um dos protetores de Israel. Os judeus trouxeram do Egito a ideia da psicostasia que, unida à figura de Miguel, deu motivos para que ele fosse representado com uma balança nas mãos. Miguel ficou com o atributo de defensor de Deus, atuando contra os demônios e os vícios. 

No mundo cristão, Miguel é príncipe da milícia celestial, o que combate Satanás desde sempre. Miguel é, por isso, considerado como o patrono dos cavaleiros no ocidente cristão Os pintores do Renascimento o usaram como motivo, sempre apresentado como um homem jovem e vigoroso, com uma espada fulgurante ou uma lança de prata. Como soldado e guerreiro, Miguel é muito popular no Brasil, sendo protetor dos valentes, patrono dos capoeiristas, sendo identificado, pelo sincretismo, como Xangô nas macumbas do Rio de Janeiro, como Oxóssi (orixá das matas, da caça e dos caçadores) na Bahia e como Odé (outro nome de Oxóssi) em Recife.


SÃO JORGE
(GUSTAVE MOREAU ,1826-1898)
No cristianismo, São Jorge costuma aparecer associado a Sagitário. Quase nada se sabe dele. A sua história foi difundida no ocidente pelo compêndio Legenda Áurea, dos fins da Idade Média. Seria ele um mártir cristão cujo culto existia na Lydia (Palestina) desde o séc. V. Ele se tornou conhecido por uma lenda: para salvar uma virgem, teria enfrentado e morto um dragão. O culto de São Jorge se espalhou a partir do séc. VI pela Europa, trazido pelos cruzados. Tornou-se patrono de Gênova, Veneza, Barcelona e da  Inglaterra. Sua festa é celebrada no dia 23 de abril, data em que segundo consta foi martirizado. É muito venerado também na Rússia e em Portugal. Tornou-se uma espécie de Perseu, matador de dragões. Os gregos o chamavam de mégalo mártir. De Portugal, que o recebeu da Inglaterra, seu culto chegou ao Brasil. D.João I, fundador da dinastia de Aviz, tornou-se seu devoto e o fez patrono nacional em substituição a Santiago, que o era dos castelhanos. Na tradição popular, São Jorge é invocado como defensor das almas contra o demônio, as tentações, a suspeita de feitiço, sendo o grande rival de São Miguel. Nos candomblés da Bahia, é identificado com Oxóssi e Odé e nas macumbas do Rio de Janeiro e de Recife com Ogum (orixá do ferro e da guerra). 


SÃO  PEDRO, O  PENITENTE (EL GRECO, 1541-1614)

Astrólogos cristãos costumam aproximar a figura de Pedro, chamado o príncipe dos apóstolos, do signo de Sagitário. Seu nome de origem era Simão, mas Jesus deu-lhe o nome aramaico de Kephas, conforme está em S. João, nome que tem o significado de pedra, cujo equivalente grego tornou-se Pedro, em latim Petrus, nome pelo qual o conhecemos. O nome se explica pelo episódio em que Pedro, quando Simão, declarou: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus lhe disse: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja. Depois, como se sabe, conferiu-lhe Jesus as chaves do reino dos céus e o poder de ligar e desligar, poder mais tarde estendido a outros apóstolos. 

ESTANDARTES   MEDIEVAIS
Essa ação criou certos rituais como a bênção dos estandartes, a inclusão de preces litúrgicas, a cerimônia da concessão de armas, a adoção de insígnias e brasões, o crescente interesse pelos santos-guerreiros, São Miguel e São Jorge principalmente. 

Os ideais da cavalaria geraram também condições especialmente favoráveis ao desenvolvimento de uma literatura (eixo astrológico III-IX) que se espalhou por toda Europa. Esta literatura se caracterizou sobretudo por ser destinada à recitação pública coletiva, muito mais que à leitura individual. O veículo preferido da expressão literária medieval foi a poesia, muito mais que a prosa, criando-se uma vasta gama de gêneros poéticos. Não podemos esquecer, contudo, que dentro desse mundo a prosa também tinha lugar, ganhando espaço aos poucos o chamado romance narrativo, precursor da novelística moderna.


CONSTELAÇÃO   DE   SAGITÁRIO

A constelação de Sagitário estende-se de 28º Sagitário a 1º Aquário. As estrelas que estão na ponta da flecha têm influências marcianas e lunares; as do arco e à altura da mão que o empalma, jupiterianas e marcianas; as da cintura e das costas, jupiterianas e mercurianas; as dos pés, jupiterianas e saturninas. 

As principais estrelas da constelação, por ordem de importância, são: Rukbat, a mais brilhante, à altura do joelho, Arkab (perna-tornozelo), Al Nasl ou Nushaba (ponta da flecha), Kaus Meridionalis (meio da flecha), Kaus Australis (ao sul do arco), Ascella (axila), Kaus Borealis (ao norte do arco) e a nebulosa Facies (face do arqueiro). Todas, a rigor, têm pouca importância sob o ponto de vista astrológico. Apenas Rukbat e  Facies podem ser consideradas. A primeira, alfa, de 4ª magnitude, é chamada pelos árabes de Al Rami, encontra-se hoje em Capricórnio, a 15º 56', propondo influências jupiterianas e saturninas que falam de estabilidade, regularidade, consistência, tanto sob o ponto de vista físico como mental, dependendo, é claro, do planeta com o qual se relaciona. A nebulosa Facies, a 7º 36´Capricórnio, é quase invisível
SIR   LAURENCE   OLIVIER

do ponto de vista terrestre. A tradição astrológica associa esta nebulosa (como todas) a problemas de visão. Ao que parece, a sua principal influência se caracteriza por uma certa insensibilidade (semelhante ao chamado complexo de Zeus) com relação aos assuntos da casa (ângulos) e àquilo que os planetas com os quais mantém contacto significam. Para estudo, quanto à primeira, lembro o mapa de Laurence Olivier. Quanto à outra, o mapa de Adolf Hitler. 

Lembro, ainda, que atualmente, no final de Sagitário encontramos Aculeus, a 25º 02´, e Acumen, a 28º 03´, oriundas de Escorpião, que formam  a chamada Nebula, que astrologicamente nos fala de desorientação, de indeterminação e principalmente de problemas de visão, cegueira, metaforicamente ou não. Segundo Ptolomeu, Aculeus tem relação com o ferrão de Escorpião e atua com características marcianas e lunares. 




domingo, 28 de dezembro de 2014

CORRESPONDÊNCIAS TAURINAS (O TOURO E ISRAEL)


O ser humano, desde que está na Terra, sempre percebeu que tanto a sua vida pessoal como a das sociedades que procurava organizar estavam ligadas a determinados acontecimentos celestes. No decorrer dos milênios, notaram-se coincidências entre esses acontecimentos e certos ciclos pelos quais passavam o planeta Terra e as pessoas que neles viviam agrupadas, ciclos não só biológicos, demográficos ou climáticos como políticos, econômicos e sociais.

Dentre os astros que circulam, do ponto de vista da Terra, à sua volta, o Sol e a Lua são obviamente os mais importantes para o estudo de tais acontecimentos. Em nome de um discutível espírito científico, que se mostra hoje cada vez mais incapaz de proporcionar o bem-estar dos seres humanos e a sua convivência, o estudo destas relações céu-terra, principalmente para averiguação de algumas questões tão importantes como as espirituais e as psicológicas, foi rejeitado. Nos tempos modernos, sob a acusação de anticientífica, a partir do séc. XVIII, a astrologia, que estudava tais relações, foi expulsa oficialmente das academias.  


COPÉRNICO
Atualmente, muitos dos mais empedernidos inimigos da astrologia, apoiados no que chamam de pensamento racional, mas no geral profundamente ignorantes dos seus princípios e alcance, continuam na mesma batida, considerando-a, além de anticientífica, uma forma de inadmissível superstição quando não de engodo, para iludir crédulos ou donas de casa infelizes (ainda as há,
DARWIN
sim!). Apologistas do pensamento racional, não percebem  eles que (só para ficarmos com o mais evidente) Copérnico, Darwin e Freud já
 nos mostraram o quanto o comportamento do ser humano é  pouco ou mesmo nada racional. 

A astrologia trabalha principalmente com símbolos e analogias, algo muito difícil de ser entendido por pessoas que se acham puramente racionais; no fundo, sem que o saibam, fazem parte daquele mundo positivista, dependentes dos velhos princípios da lógica  aristotélica, o da não contradição, o da identidade e o da exclusão. Ao contrário da análise, útil, sem dúvida, que opera na direção da separação, do individual, a analogia, ao contrário, aponta para a união, para a aproximação, para o social. O pensamento analógico é, por natureza, muito mais rico que o analítico, porque nos faz ver relações onde aparentemente elas não existem. A analogia permite que possamos perceber, sob vários aspectos, semelhanças entre seres, coisas e noções essencialmente diferentes.

Quando, por exemplo, pensamos em economia política e filosofia, não podemos esquecer que foi um autêntico taurino, o judeu Karl
MARX
Marx, quem melhor falou da degradação humana a que conduz o poder do dinheiro na sociedade capitalista. Depois de ter apresentado sua tese universitária sobre Epicuro (filosofia do prazer), dedicou-se Marx ao jornalismo e à atividade política. Deixou uma doutrina que a maior parte dos economistas ocidentais considera hoje ultrapassada, segundo a qual o movimento da História e a evolução das sociedades pode ser explicada pelas realidades econômicas.


As relações entre o signo de Touro, Israel e o dinheiro são um fato. Ao associar simbolicamente os valores do dinheiro e da boca, que a psicanálise freudiana (outro judeu) explicaria depois, a astrologia
SIGNO DE TOURO
nos revela que os nascidos pelo Sol ou pela hora (ascendente) sob a influência do signo de Touro têm a sua vida, em grande parte, relacionada com conceitos de construção, investimento, lucro, avaliação, acumulação, praticidade, recursos, recompensa, remuneração etc., ou, se quisermos, com o mundo do dinheiro e com tudo o que com ele se relacione, direta ou indiretamente, inclusive a avareza e a usura. Realista e prático, o taurino é dotado geralmente de um aparelho sensorial muito desenvolvido; os verbos ter, possuir, acrescentar, acumular, lucrar e somar são verbos que qualquer taurino sente muito prazer em conjugar.


Uma das aproximações mais interessantes que podemos fazer no sentido acima apontado é assim a estreita ligação do povo judeu com o signo astrológico de Touro. A moderna Israel, como se sabe, “nasceu” a 14 de maio de 1948, mês taurino, o segundo da primavera, que no mundo natural corresponde à criação de formas, à exaltação da vida material, tudo relacionado, além do que já se disse, com ideias de massa, abundância, peso, estabilidade e força.


CARTA   ASTROLÓGICA   DE   ISRAEL

Não é por acaso que quando Israel nasceu em 1948, cinco planetas ocupavam os signos de Touro e de Leão, exatamente os mais ligados ao mundo das finanças. Na configuração do mapa, o Sol, em Touro, recebe um quincúncio de Júpiter. Este aspecto pode indicar sucesso na obtenção de apoio e ajuda, quando necessário, no caso dinheiro e armas da Diáspora (judeus no exterior e, principalmente, nos USA, que tem uma população judaica praticamente igual à de Israel). Este aspecto, contudo, exige sempre um comportamento, ético, honesto, para com os outros, pois a "sorte"poderá mudar. Este aspecto indica também uma forte tendência para excessos e desmedidas no plano das ações, por um fazer mais que o necessário. Pela quadratura Sol-Marte, este último um significador de guerras e conflitos (regente noturno do signo de Escorpião, o mundo árabe), muito presentes também possibilidades de que Israel jamais encontre a paz, a não ser que use as virtudes de seu ascendente libriano, já que Libra é o signo da arte, da diplomacia e da paz. Acrescente-se que o Sol não recebe nenhum aspecto favorável, sempre um significador, no caso, de isolamento.  

MOISÉS E O DECÁLOGO
Desde os tempos muito remotos, o povo de Israel apresenta significativas relações com o bovídeo taurino. Moisés, ao descer do monte Sinai, encontrou o seu povo adorando um bezerro de ouro, eguel ha-zahav, em hebraico. A história religiosa de Israel nos revela que Moisés fora ao Sinai para receber o Decálogo. Na volta, enfureceu-se, quebrando as duas tábuas do Decálogo. Aarão, irmão de Moisés e de Miriam, foi o responsável pela construção do bezerro de ouro, em última instância a substituição da vida espiritual pela vida material. 


BEZERRO   DE   OURO

Embora Aarão tenha apresentado uma justificativa para a construção dessa imagem bovídea, a tradição judaica sempre
AARÃO
considerou como o pior, dentre todos os pecados, o da adoração do bezerro de ouro. Todo o sofrimento do povo de Israel bem como o exílio dos tempos posteriores a esse acontecimento podem ser atribuídos a esse pecado, que está nas origens da antiga nação judaica. Segundo consta da mesma tradição, o pecado da adoração do bezerro de ouro foi instigado por uma multidão não-israelita infiltrada quando o povo ficou à espera do retorno de Moisés. Foi essa multidão que desencaminhou os israelitas, muito deprimidos pela longa demora do seu patriarca que subira ao Sinai para conversar com Deus. Embora muito irritado, Moisés puniu os pecadores e obteve o perdão de Deus para os israelitas.


Considerado na antiga Pérsia como um dos primeiros seres criados,
MITRA
associado ao deus Mitra e no Egito ao deus Apis, o touro sempre foi considerado como um deus da fecundação, da fertilidade e também da destruição por sua ação tempestuosa. Nos cultos asiáticos, inclusive na Índia, representava, ao lado da vaca, o céu na sua ação tanto fecundante como destrutiva sobre a Terra. Os termos sânscritos vrisha ou vrishabha tanto designavam o melhor, o príncipe, o primeiro, como se relacionavam com ideias de abundância e fecundidade. Não era por acaso que as mulheres se sentavam sobre uma pele do animal para se tornarem férteis. 



APIS

Javé, a grande divindade dos judeus, que se manifestava sobretudo tempestuosamente nos céus, apresentou estreitas relações com a suprema divindade dos fenícios, El, deus-pai também de natureza
DEUS  LEVA  ENOCH
celeste, representado por um touro. Enoch, personagem bíblico, pai de Matusalém, que se transformou nos céus no anjo Metatron, descreveu a seu filho a visão que teve da criação humanidade, ao mesmo tempo filha e esposa do Senhor Supremo sob os traços de um touro divino. Estas mesmas imagens aparecem também na antiga Grécia, quando Zeus toma a forma taurina para reafirmar, perante os deuses e humanos, o poder celeste. No antigo Egito, quando o faraó Menes unificou o país, ele o fez, principalmente, em nome do deus Apis, unindo-se desde então os cultos taurino e real numa síntese que vai se espalhar por todo mundo antigo, atravessando os séculos.



O  BEZERRO  DE  OURO  DE  JEREBOÃO ( NICHOLAS  POUSSIN )

Ainda com relação aos judeus, não podemos esquecer a história de Jereboão, rei rebelde que fundou um reino ao norte em Israel. Ele introduziu o culto de dois bezerros de ouro para impedir que as pessoas se dirigissem a Jerusalém em peregrinação. Por isso, segundo a tradição, foi condenado por ter induzido o povo de seu reino ao pecado, um pecado que nenhum arrependimento jamais poderia redimir. Deus, porém, com toda a sua magnanimidade, segundo uma versão registrada, mesmo assim, lhe ofereceu um lugar no Jardim do Éden. O rebelde Jereboão, todavia, recusou a oferenda divina, porque no Éden o rei David ocuparia uma posição de maior status que a dele.

Entre os judeus, Touro é Iyar, formado pela letra Vav. O órgão humano que no simbolismo cósmico judaico corresponde a este
VAV
signo é o rim direito, que, segundo o Talmud, é a fonte de bons pensamentos. A tribo com ele relacionada é a de Issakar, a que se dedica ao estudo da Torá. Issakar, no Gênesis, é chamado de asno forte, bom para o trabalho penoso. Noutra passagem (Reis, cap. I), o mês do signo é chamado de Ziv, brilhante, devido ao aumento do poder solar, que nele se torna mais intenso, ou seja, no mês de maio, o auge da primavera. A mesma ideia de luz, de brilho, é encontrada na designação Ohr, usada pelos babilônicos.   

A tribo de Issakar, que trabalhava arduamente com a Torá, era a detentora do conhecimento que conciliava os calendários solar e
TORÁ
lunar e que estabelecia o início de cada mês lunar. Lembremos que o calendário judaico é lunar e o ano, por isso, pode conter doze ou treze meses lunares, começando cada um deles com a Lua nova. Segundo a tradição judaica, quando da criação do mundo, os luminares eram iguais em luz, mas como não poderia haver essa igualdade, a luz da Lua foi diminuída. A Lua simboliza o povo de Israel, cuja sorte oscila como ela. A luz da Lua voltará a se igualar à do Sol no final dos tempos, quando da vinda do Messias. Por isso, eclipses lunares são aziagos para os judeus, pois quando a Lua míngua as forças do mal crescem. Dormir à luz da Lua é sempre perigoso por causa da ação de forças demoníacas femininas, diz a tradição judaica.



CALENDÁRIO   LUNAR

O signo de Iyar está relacionado, num primeiro momento, com o temor. A palavra temor em hebraico tem as mesmas letras do signo. O temor de Deus deve nascer logo neste signo porque ele é um pré-requisito para o recebimento da Torá, como nela se estabelece: O temor dos céus é o começo da sabedoria. Astrólogos judeus dizem também que o mês do signo é auspicioso para curas já que a primeira causa das doenças está no consumo de alimentos impróprios e depois numa digestão e assimilação deficientes. Foi durante este mês, no seu décimo quinto dia, numa Lua cheia, que os judeus, vagando pelo deserto com Moisés, começaram a comer o maná, o pão dos céus, chamado de o alimento dos anjos. O maná foi uma espécie de orvalho que alimentou os judeus durante o êxodo. O maná foi produzido ao crepúsculo do sexto dia da Criação e é o alimento dos justos e dos anjos do céu. Era totalmente assimilado pelo corpo, não deixando resíduos que tivessem que passar pelo sistema digestivo, tendo o sabor que as pessoas quisessem. 

A astrologia judaica nos diz que o elemento de Iyar é a terra, significando isto que o elemento do signo anterior, fogo, entendido espiritualmente, deve no signo que lhe segue procurar um foco, uma objetivação, algo tangível, concreto. Negativamente, as energias de Iyar se manifestam na esfera do desejo, quando os judeus, no deserto, reclamaram a Moisés a falta de carne para comer. Foi durante este mês que eles, no deserto do Sinai, manifestaram também fortes desejos de conforto e relaxamento. Lembram os judeus que o elemento terra é, energeticamente, o de menor vibração. Este comportamento, manifestado no Sinai, dizem os astrólogos, tem relação direta com a natureza teimosa e rebelde do touro. 

Em oposição aos signos de Nissan e de Iyar estão os de Tishrei (Libra) e Heshvan (Escorpião), que caracterizam as tribos de outros dois irmãos, Manassé e Efraim. A tribo de Heshvan tem relação com o olfato, entendido, simbolicamente, como discernimento intuitivo. O episódio que deu origem à interpretação do olfato desta maneira está no episódio bíblico que tem como personagens José, o pai dos dois mencionados irmãos, e da mulher de Putifar, oficial egípcio, uma história cheia de elementos taurinos. 


MULHER  DE  PUTIFAR  ( REMBRANDT)

José é filho do patriarca Jacó e de sua esposa preferida, Raquel, sempre considerado como o modelo do homem justo e probo (tsadik), que é protegido do mal por Deus e cujos descendentes não são afetados pelo mau-olhado. Dez de seus irmãos tramaram matá- lo, jogando-o num poço cheio de serpentes e de escorpiões. Conseguiu escapar, mas acabou sendo vendido como escravo a Putifar. Lá, conseguiu resistir bravamente ao assédio da mulher de Putifar, Zuleika, porque o pai lhe apareceu em sonhos e salvou-o da tentação. Desde então, todos os membros da tribo de Hashvan adquiriram esse discernimento que pode ser usado não só em questões de sexo, mas em todas as outras da vida material. Esse discernimento se traduz pela pureza das intenções, de pensamentos e sobretudo pelo temor divino. Na Bíblia, em muitas passagens, o sentido do olfato aparece sempre associado à santidade, à pureza e ao discernimento. O nariz, como o olho, é um símbolo de clarividência e da perspicácia, mais intuitivamente que racionalmente. 



                           
                                  JOSÉ SENDO VENDIDO POR SEUS IRMÃOS (FIEDRICH OVERBECK) 

Entre os judeus, José é o sexto dos seus sete pastores (Abraão,
DAVID
Isaac, Jacó, Moisés, Aarão, José e David). Estes sete pastores correspondem aos sete atributos: graça, poder, beleza, vitória, glória, fundação e realeza. O nome de José está ligado entre os judeus a ideias de fecundidade e beleza. Etimologicamente, José (Joseph), significa juntar (yasoph) e reunir e apagar (asoph). Raquel, a mãe de José, diz Deus apagou a minha vergonha, ao dar à luz, depois de estéril por muito tempo. O ph, ao final de José, indica um vivo movimento de libertação (oph quer dizer voar) e soph traduz uma ideia de limite, de fim de uma realização. 


José, por seus méritos de oniromante, demonstrados na prisão, foi chamado à presença do faraó. Interpretou para ele um sonho que ele tivera e que ninguém explicava: ele sonhara com sete vacas gordas, com sete vacas magras, com sete espigas de trigo cheias e com sete espigas de trigo secas, queimadas pelo vento. José explicou ao faraó as suas visões: sete anos de grande abundância viriam para o Egito; a eles seguir-se-iam sete anos de fome. José propôs ao faraó a administração do problema do seguinte modo: conservar os níveis dos silos reais de modo que quando chegasse o tempo das vacas magras ou das espigas secas, eles estivessem cheios para que o povo não passasse fome. 

Satisfeito com a resposta, o faraó nomeou José como vizir, dando-lhe o nome de Safenath-Peneah (Deus disse: ele viverá). Aos 30 anos, recebeu como esposa Asenath, que lhe deu dois filhos,
JOSÉ   E   SEUS   IRMÃOS 
Menassé (Aquele que esquece) e Efraim (O fecundo). Durante os sete anos de abundância, ele poupou o trigo de tal modo (sem que o povo passasse fome) que, no período das vacas magras, o Egito era o único país do mundo de então a não ter problemas com a escassez de alimentos. Muita gente, por isso, se dirigiu ao Egito em busca do trigo. José então abriu entrepostos para a venda do trigo excedente, ganhando o país muito dinheiro. Iniciadas as vendas, dentre os primeiros a buscar o alimento, estavam os seus irmãos (que o haviam aprisionado no poço e depois vendido como escravo), vindos do país de Canaã. José não revelou quem era e os irmãos pagaram com muito sacrifício pelo alimento. Retornando, os irmãos encontraram o dinheiro que haviam gasto, devolvido secretamente por José. 


Numa segunda visita ao Egito, os irmãos de José foram denunciados por um roubo que não haviam cometido. José mandou chamá-los e revelando-se e lhes pediu que fossem buscar Jacó, o pai de todos, e com ele viessem a se instalar no Egito, em Goshen, a leste do vale do Nilo (Gênese, 45, 1). Jacó, ao receber a notícia, gritou: Meu filho José ainda vive; quero partir e vê-lo antes de morrer. Antes de morrer, Jacó perfilhou seus netos, os filhos de José (Menassé e Efraim), e os abençoou. José morreu com 110 anos, depois de ter obtido dos irmãos, ao morrer, a promessa de que seus ossos seriam levados com eles para onde fossem. Tal aconteceu efetivamente, encarregando-se Moisés de fazê-lo. A conclusão da história de José, segundo a Bíblia é a de que Deus, algumas vezes, transforma as piores ações em boas ações (Gênese, 45. 5-8).

É interessante notar que a astrologia sempre associou o mundo árabe a Escorpião, signo astrológico oposto e complementar ao de Touro. Ambos semitas, descendentes de Sem, filho de Noé, judeus e árabes, pelas conhecidas razões histórico-econômico-religiosas (Deus mandou que Abraão, o primeiro dos patriarcas judeus, tomasse posse de uma terra que já tinha dono), vêm ao longo dos séculos se batendo numa luta fratricida. Nos tempos modernos, mais uma vez as coincidências astrológicas continuam a se impor: os ataques israelenses aos árabes têm características nitidamente “taurinas” (pesados, maciços, violentos) enquanto os dos árabes aos israelenses são de inspiração “escorpiana” (tocaia, oportunismo, surpresa). 

A profunda relação que há entre judeus e árabes poderá ser
ABRAÃO  DESPEDE-SE  DE  HAGAR  E  ISMAEL
constatada também se recolhermos da Bíblia (Gênese) a história do nascimento de Ismael, o filho que Abraão teve com a sua segunda esposa, Agar. Conforme o texto bíblico, porque estéril, Sara, a primeira mulher de Abraão, lhe sugeriu que tomasse por esposa Agar, sua escrava egípcia. Tudo se passou em Ur, na Mesopotâmia. Pelas leis mesopotâmicas, Ismael, o filho nascido da relação, deveria ser considerado como o herdeiro natural de Abraão. Anos depois, segundo o mesmo texto bíblico, já na velhice avançada Abraão e Sara, esta tornada milagrosamente fértil, geraram um filho, Isaac. Logo surgiram conflitos entre Ismael e Isaac. Sara pediu a Abraão que expulsasse Agar e seu filho para que Ismael nada pudesse reivindicar quanto à herança paterna. Consultado por Abraão, como está na Bíblia, Deus apoiou a expulsão de Agar e de Ismael e confirmou que tornaria Isaac o patriarca de uma grande nação, a judaica, e que a descendência de Ismael constituiria também uma outra nação (árabes).


Os maiores “templos” do dinheiro no mundo moderno são, como todos sabem, as bolsas de valores. O mais importante desses “templos”, também como é do conhecimento geral, é o de New
TOURO  DIANTE  DA  BOLSA  DE  NOVA  YORK
York, no qual a presença do capital judaico é muito significativa. Pois bem, mais uma vez aqui uma notável “coincidência”: diante da Bolsa de NY encontra-se um “bezerro de ouro”, ou seja, a escultura de um bovídeo, de mais ou menos 3,5 toneladas, que tem papel importante no mercado ações. Quando o mercado está em alta, vendedor, ele é simbolizado pelo touro; se em baixa, é representado pelo urso. Esta interpretação simbólica foi criada analogicamente: o touro, quando ataca, arremete levantando a cabeça, de baixo para cima. Já o urso, ao contrário, ataca com a cabeça voltada para baixo. É a isto que os norte-americanos dão o nome, respectivamente, de Bull Market ou Bear Market. Os aplicadores na bolsa de New York costumam esfregar com as mãos os chifres, o focinho e os escrotos do 
touro, Charging Bull, para atrair a sorte.  Daí o adjetivo bullish, muito usado por eles, com o significado de esperançoso e confiante.

GOLEM
Uma das artes secretas que mais atraiu os judeus, durante toda a Idade Média e depois, foi a alquimia, principalmente no seu aspecto exotérico, que buscava, em laboratório, um meio de transformar metais não-preciosos  em ouro. Um dos mais famosos sábios cabalistas, Judá Loew Ben Bezalel, a quem se creditava a criação do famoso Golem de Praga, no séc. XVI, era citado como um dos que haviam tido sucesso nessa busca.

Diante do que está acima, não é de se estranhar que um judeu,Sigmund Freud (Sol em Touro, ascendente em Escorpião, de onde lhe veio o impulso para vasculhar o mundo ctônico, governado pelo deus Plutão-Hades)), tenha colocado o tema da oralidade como um dos pontos mais altos de sua teoria psicanalítica. A astrologia, lembre-se, sempre associou o signo de Touro à boca, tanto um órgão ligado à alimentação, como à fala, à sexualidade e ao sopro vital,  

Na astrologia, a boca tem ligações profundas com o seio materno, sempre um símbolo de abundância. Inseparável do leite materno, o seio evoca proteção, segurança, fartura, satisfação, saciação. Abertura inicial do tubo digestivo, a boca sugere incorporação, sucção, que o beijo entre dois amantes tão bem representa. 

Por oralidade, segundo Freud, devemos entender a primeira fase da evolução libidinal, caracterizada pelo fato do lactente encontrar
A   SEGURANÇA
prazer na alimentação, na atividade da boca e dos lábios. O prazer de sugar acaba tornando-se uma atividade auto-erótica, de forte conotação sexual. Pela boca, nós (a criança) nos tranquilizamos, deixamos de sofrer, de ter fome. Comer, incorporar, pois, cada vez mais para não sofrer. Possessividade, ciúme do pai, que é “dono” daquela fonte de prazer e segurança. Na criança, essa fase se liga à sua relação com o seio da mãe. Primeiro, ela suga (satisfação); depois, a frustração quando ele é retirado. Da sucção, a criança passa a uma fase sádica (sádico-oral), na qual entram a mordida, o desejo de arrancar o seio, de devorá-lo. 


O taurino, como já se disse, é, no geral, um instintivo oral. Ele costuma se defender contra os perigos da vida pela posse, traduzido
DORIVAL   CAYMMI
geralmente pela busca do conforto e do seu bem-estar material. Por trás de tudo isso estará, com maior ou menor intensidade, de acordo com a dominante de sua personalidade (fogo, ar, água ou terra), o atendimento do que os seus poderosos sentidos reclamam. Muitos taurinos quando não podem alimentar o seu
FREUD
complexo oral pela via materna, procuram os seus equivalentes simbólicos, até com paixão, através dos seus cinco sentidos. É no mundo natural (Mãe Natureza) que estão os seus maiores prazeres, nos pomares, no cheiro das frutas, no verde dos campos, no mar, nas praias e areias, em rios, lagos, nas paisagens montanhosas, todos substitutivos da figura materna. Não é por acaso que um taurino típico como Dorival Caymmi deixou num de seus versos que é doce morrer no mar e que Freud tinha como um de seus prazeres máximos (o único?) o charuto, que ele fumava, ou melhor, mamava gostosamente, do qual, como disse, nunca se afastaria. Mais uma coincidência taurina: Freud, como sabemos, um taurino como poucos, teve que se submeter a dezenas de operações na região bucal.