Mostrando postagens com marcador TORÁ. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TORÁ. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

AQUÁRIO (5)


CONSTELAÇÃO   DE   AQUÁRIO
     
Uma das figuras mitológicas mais ligadas aos impulsos aquarianos de desafio, de rebeldia, de fraternidade, de vida comunitária é a do titã Prometeu, filho de Jápeto (lançar, arremessar) e de Clímene (a que atende, a que ouve com simpatia), oceânida, sendo ele neto, pelo lado paterno, de Geia e de Urano. É Prometeu (o que sabe antes, por antecipação), sem dúvida, entretanto, um dos personagens mais ambíguos, contraditórios e paradoxais da mitologia grega. Num momento, coloca-se em guerra aberta contra Zeus, a autoridade suprema, noutro procura se compor com ele em nome de um utópico projeto político, o da salvação da humanidade. 
O nome Prometeu, lembro, admite uma outra etimologia em grego; ele é o hábil, o que sabe fazer e se conduzir, como, aliás um dos componentes de seu nome sugere. Com efeito, o nome Prometeu
MÉTIS , CERÂMICA GREGA
admite dentro dele a palavra metis, conceito que os gregos divinizaram ao criar uma deusa, Métis, tornando-a dona do arquétipo, desse padrão de comportamento. Na palavra grega metis reúnem-se ideias de habilidade, esperteza, sutileza, juízo previsor, pensamento precavido, qualidades e virtudes que nosso herói possuía, sem dúvida, mas que, por razões “inexplicáveis”, como um bom exemplo da incongruência aquariana que era, as ignorava muitas vezes, como se não as possuísse. 

Prometeu era recriminado pelo fato de nunca se ter definido claramente por um lado na guerra entre titãs e olímpicos, ora parecendo alinhar-se com os primeiros, ora com os outros. Sua independência de espírito, seu constante esforço no sentido de buscar a objetividade, seu apego à ideia de liberdade parecem ser os responsáveis por sua espantosa “versatilidade”, por suas flutuações e vacilações, tão típicas de pessoas do elemento ar.
MOSAICO   ROMANO,
( TRÉVERIS , ALEMANHA )
Para o fim a que me proponho, aproximar o mito da astrologia, acredito ser útil ouvir duas figuras da literatura grega que sobre ele falaram, Hesíodo e Ésquilo. Para o primeiro, o titã era um amigo dos homens (Filantropíssimo, o seu apelido), um salvador, pois Zeus sempre desejara destruir a raça humana, criada durante a dinastia de seu pai, Cronos. Uma raça indigna, na qual não se podia confiar, constituída por seres ignorantes, boçais, “seres rastejantes”, como dizia Zeus, que viviam pregados ao solo, comendo poeira, alimentando-se de coisas putrescíveis. Essa destruição veio, primeiro, por uma proibição: os humanos não mais poderiam usar o fogo, elemento que controlavam muito precariamente. Com a perda do elemento ígneo, regrediriam eles à vida animal, passando certamente a viver refugiados no fundo das cavernas ou empoleirados no alto das árvores, prisioneiros dos seus terrores noturnos. 

PROMETEU ROUBA O FOGO
(JAN COSSIERS , 1600-1671)
Prometeu, como se sabe, interveio, assumindo as dores e sofrimentos do triste destino que Zeus queria impor aos humanos. Roubou um pouco do fogo solar do deus Hélio, trazendo-o dos céus para a Terra, escondido no galho oco de uma figueira, a árvore do fogo. Por esse crime, o titã, depois de muitas discussões, será punido pelo senhor do Olimpo. Agrilhoado nas montanhas do Cáucaso, seu fígado era destruído durante o dia pelas bicadas de um monstruoso abutre enviado por Zeus, recompondo-se o órgão durante a noite e assim sucessivamente. Depois de muito tempo, séculos e séculos, será Prometeu enfim libertado por Hércules e se reconciliará com os olímpicos. 
Zeus, como o mito nos dá conta, acabará permitindo que os humanos passem a usar o fogo. Pune-os, contudo, através de
PANDORA  E  EPIMETEU
Pandora, a dotada por todos os deuses, arquétipo mítico da mulher, que Zeus faz descer dos céus à terra, trazida por Hermes, para provocar a divisão entre os sexos, divisão até então inexistente. Ao descer, Pandora trazia nas mãos uma jarra, na qual os deuses haviam encerrado todos os males que doravante infernizariam a vida dos humanos. Quando Pandora chegou, Prometeu estava ausente. Quem a recebeu foi seu irmão Epimeteu (o que sabe sempre depois). Encantado e seduzido por Pandora, antecipando o que Eva faria com Adão como está no texto bíblico, ambos, de comum acordo, destamparam a jarra, liberando todos os males que desde então infelicitam o gênero humano, males representados pelas divindades que viviam na antecâmara do Hades, no Bosque de Perséfone. Assolam a Terra e a humanidade, assim, desde este fatídico dia, monstros como Algos (Dor), Geras (Velhice), Eris (Discórdia), Ftonos (Inveja), Limós (Fome), Ate (Erro), Lyssa (Fúria), Penia (Pobreza), Penthe (Luto), Apate (Fraude), Strophe (Chicana) e outros mais. 

ELPIS
Com os malefícios acima citados, veio também na jarra de Pandora uma entidade que, à primeira vista, muito benéfica, contrariamente às demais, revelou-se logo, em bem pouco tempo, como talvez a mais deletéria de todas. Refiro-me a Elpis (Esperança), espectro terrível, revestido de uma falsa aura benfeitora, que trouxe um dos grandes males que afligiriam a humanidade desde então. O mito nos conta que Epimeteu e Pandora, ao perceber que as entidades infernais escapavam da jarra aberta afoitamente, conseguiram fechá-la, retendo apenas uma, a chamada Elpis. Ao conservá-la como um “valor positivo”, os humanos, como logo se viu, “perderam” o presente, isto é, deixaram de vivê-lo, para se projetar em direção do futuro, expectantes e frustrados sempre, como a experiência e a história da humanidade sempre demonstraram. Uma das consequências mais danosas decorrente da conservação de Elpis foi a perda da dimensão física do presente por grande parte da humanidade, que passou a viver tão somente em termos de projeções mentais, construindo mapas de territórios inexistentes. Elaborações puramente mentais, sendo um de seus melhores exemplos o tema filosófico da utopia, palavra que, etimologicamente, significa não estar em lugar nenhum.


Como se sabe, Utopia foi o nome dado pelo inglês Thomas Morus  ao país imaginário que ele descreve numa obra de mesmo titulo, um país no qual vivia um povo perfeitamente sábio, poderoso e feliz, graças às suas instituições ideais. O tema, como se constata, tem forte acento aquariano, como aliás as têm produções semelhantes da literatura filosófica produzida ao longo dos anos, obras como Pantagruel e Gargantua, de  François Rabelais (1483-1553); La Città del Sole,  de Tommaso Campanella (1568-1639); La Salente, descrita em Télémaque 1651-1715), de Fénélon; Le Voyage en Icarie, de Étienne Cabet (1788-1856). Ainda dentro deste enfoque pode ser consultada, sempre com grande interesse e prazer, a obra Guide de Nulle Part & D´Ailleurs à l´usage du voyageur intrépide en maints lieux imaginaires de la littérature universelle, de autoria de Gianni Guadalupi e de Alberto Manguel, já traduzida para o português (de modo não completo).

Uma das versões do mito de Prometeu nos relata que inicialmente alinhado com os titãs ele foi por eles desprezado devido às suas atitudes simpáticas para com os humanos, criaturas criadas no reino de Cronos. Bandeando-se para o lado dos olímpicos, não demorou muito para mudar de lado novamente, assumindo a posição de grande protetor dos humanos diante das intenções de Zeus, que queria destruí-los. Uma incoerência, sem dúvida, um traço comum na personalidade de muitos aquarianos, como já disse, que não conseguem harmonizar as suas motivações afetivas com os seus mecanismos mentais. Esta a razão talvez pela qual muitos aquarianos estão "tão presentes quando tão ausentes e tão ausentes quando muito presentes".


PROMETEU ACORRENTADO 
( P.P. RUBENS, 1577 - 1640 )

HEFESTO
(G. COUSTOU, 1677-1746)
A prisão de Prometeu aos rochedos, determinada por Zeus, por Hefesto, Crato e Bia, a sua imobilização, constitui um castigo exemplar para qualquer aquariano. Com efeito, mesmo nos tipos menos conscientes do signo qualquer ameaça de cerceamento, de impedimento na liberdade de ir e vir, qualquer limitação física ou mental, qualquer ideia de contenção pode se constituir numa tortura insuportável.

Ao trazer o fogo de natureza divina dos céus para terra a fim de entregá-lo aos humanos, Prometeu, diz-nos uma versão, estava tentando fazer com que eles recuperassem um dom que haviam recebido quando criados, no reino de Cronos, o do conhecimento do futuro. Tal privilégio havia sido revogado por Zeus, que, como vimos, queria exterminá-los. Uma hipótese para a tendência que muitos aquarianos apresentam, a de “querer conhecer o futuro", a de desejar antecipá-lo, talvez, quem sabe, possa ser explicada por esse episódio
HÉRCULES  E  PROMETEU
O mito do titã Prometeu nos conta ademais que ele possuía um segredo. Ele sabia que um filho que Tétis, a mais bela de todas as nereidas, tivesse com Zeus ou Poseidon, que a cortejavam, destruiria o pai. Para uns, a libertação de Prometeu foi negociada, quando o titã se prontificou a revelar tal segredo. Uma outra versão registra que a libertação de Prometeu ocorreu por intervenção de Hércules, quando matou o abutre que o agredia, ao retornar de uma viagem ao oriente quando do seu terceiro trabalho. 

GILGAMÉS  E  ENKIDU
Uma terceira versão nos permite aproximar a história de Prometeu da epopeia de Gilgamés. Conta-se nesta versão que inicialmente não havia o sexo feminino. Os humanos, todos machos, se viravam sexualmente entre si ou, como o fazia Enkidu, no mito mesopotâmico, com gazelas e cabras. Devido à petulância de Prometeu, os deuses resolveram punir os humanos, criando Pandora, irresistivelmente bela, mas curiosa, cheia de defeitos, tipicamente femininos segundos os deuses, um ser fatal para os protegidos de Prometeu. Com isso, instalou-se a divisão, machos e fêmeas, homens e mulheres separados para sempre, aqueles eternamente em busca de uma integração perdida através destas últimas, complementares, mas vivendo como opostos.

Foi Epimeteu, que não tinha o dom da profecia, como o irmão, aquele que recebeu a mulher, acolhendo-a, embora advertido para não aceitar nenhum presente dos deuses. Ele e Pandora,  como vimos, retiveram Elpis no fundo da jarra, tão imprudentemente aberta por eles. Muitos poetas, voltando-se em particular para este acontecimento, vêem Elpis como um bem infinitamente precioso. Graças a ele, apesar de tudo, de todas os sofrimentos, desgraças e misérias a que continuamente são submetidos, os humanos jamais perderam o gosto de viver. É neste sentido que Elpis faz parte da história da humanidade já que são os aquarianos os encarregados de nos fazer acreditar em dias melhores, em invenções científicas estimulantes e utopias maravilhosas. 

Epimeteu, o que sabe depois, o seduzido, assumirá a grandiosa tarefa de pôr em andamento os sonhos aquarianos, gerando, com Pandora, Pirra, a vermelha, que se unirá a Deucalião, seu primo, filho de Prometeu e de Clímene, oceânida. Deucalião será o grande ancestral dos helenos. Juntos eles salvarão a humanidade quando do dilúvio enviado por Zeus. Achando-os dignos, Zeus os preservará. Salvar-se-ão numa arca, na qual guardaram seus bens e animais. Terminada a tormenta, ancorada a arca no topo do monte Parnaso, ambos participarão da criação de novos seres humanos. 

DEUCALIÃO   E   PIRRA
( VIRGIL SOLIS , 1514 - 1562 )

Receberam Pirra e Deucalião ordens de lançar às suas costas as pedras que encontrassem; as atiradas por Deucalião transformaram-se em homens e as atiradas por Pirra em mulheres. Os descendentes de Prometeu vêm perpetuando, apesar de tudo, a estranha vontade e para muitos a incompreensível determinação de, a todo custo, com enormes sacrifícios, preservar a humanidade das malévolas intenções divinas. 
Serão os filhos diretos de Prometeu, os aquarianos superiores, aqueles que conduzirão a humanidade para uma nova era, onde ideias tão retrógradas e incômodas como as de divindade, diabo, seres superiores, pecado e culpa etc. serão abandonadas. A humanidade, iluminada pelas propostas aquarianas, compreenderá enfim que aquilo que vem realmente em seu auxílio são as qualidades com as quais cada um de seus membros pode e deve contar. Os homens deixarão assim de representar as suas qualidades superiores por divindades, que idealizam, afastando de sua vida tanto tormento, tanta angústia, tanta impotência, tanta inibição... 

Por isso, encaminhando-se o Sol para o seu exílio na futura era de Aquário, a sua viagem noturna de 2160 anos, os deuses serão letra morta no ideário religioso da humanidade futura bem como toda a simbologia construída a partir dele. Na sequência das idades da mitologia grega (cosmogonia, esquizogenia, autogenia) chegaremos à quarta, aquela em que o homem assumirá o controle do universo. Encerrado no sistema solar há milhões de anos, o homem   já o vasculha em várias direções, preparando-se, como vem dando provas, para desbravar a galáxia, da qual o nosso sistema solar é uma ínfima parte. Depois de Urano (Céu) Cronos (Terra) e Zeus (Espírito), o Homem assumirá o comando da quarta idade, a da Autogamia. Circunscrito à botânica, este nome ganhará uma leitura nova na era que se aproxima. Seu significado se ampliará, do vegetal ao animal (humano). Através da homogamia, a maturação simultânea do androceu e do gineceu de uma mesma flor, chega-se à autogamia (autopolinização) embora não se exclua a alogamia. Transpostas estas ideias para o mundo humano, resolver-se-ão inclusive algumas contradições e confusões homo e heterossexuais presentes nestes séculos finais da era de Peixes.

AUSONIUS
É de se lembrar que os romanos e gauleses (o poeta Ausonius, séc.IV dC e Vercingetorix, inimigo de Júlio Cesar, chefe dos gauleses) registram a constelação. O primeiro lhe deu o nome de Amphora. O outro mandou cunhar moedas onde ela aparecia com o nome de Diota, uma jarra com duas alças. Em muitos zodíacos romanos, a constelação tem o nome de Pavo, ave consagrada à deusa Juno,  Junonis Astrum, nome latino o do pavão. Os romanos adotaram também uma antiga denominação da constelação entre os gregos, transliterando-a como Hydrochous.

MAHA  KUMBA - MELA

Entre os hindus, Aquário é Kumbha. A cada três anos, realiza-se na Índia uma imensa assembleia (kumbha-mela) no mês de janeiro, dela participando milhares de sannyasins pertencentes a todas as ordens religiosas e vindos de várias regiões do país. Alternativamente, a assembleia se realiza em Hardwar, Allahabad, Nasik e Ujjain. A ideia é a de reunir, congraçar, participar de uma grande festa na qual as energias superiores são distribuídas.
SANGAM
Khumba significa pote, e mela, festival. Cada ciclo de doze anos é encerrado por um grande festival (
Maha Kumbha-Mela), onde milhões de devotos se reúnem para se banhar no Sangam, nome do local do encontro de três rios sagrados, o Ganges, o Yamuna e o Saraswati, para se purificar, participando assim daquele que é considerado o maior festival religioso do mundo. Em 2007, ocorreu em Allahabad o chamado Ardh Kumbha-Mela, que fechou um ciclo de doze festivais (144 anos), evento que reuniu cerca de 70 milhões de pessoas. 

O Kumbha-Mela é uma cerimônia que tem por base uma passagem da mitologia hinduísta, a luta entre deuses e demônios pelo pote que contém o néctar da imortalidade, chamado amrita (não-morto). Diz o mito que durante a disputa quatro gotas caíram dos céus nas quatro cidades acima referidas. O amrita foi produzido pelos deuses e pelos demônios quando da agitação dos oceanos, nos momentos iniciais da criação do universo. Lutando pela posse do néctar maravilhoso, os deuses conseguiram a duras penas vencer os demônios. A cada três anos, esse acontecimento é celebrado no grande festival do signo de Aquário. 

Entre os judeus, Aquário é Shevat, o décimo primeiro mês do calendário hebraico, governado por Saturno. Em hebraico, Aquário é Dli, palavra que quer dizer jarra, balde, recipiente para líquidos, sendo o signo representado por um aguadeiro, uma figura humana que transporta água. A água na perspectiva astrológica judaica é símbolo da misericórdia e da purificação, razão pela qual as energias de Shevat devem ser esparramadas, distribuídas indiscriminadamente, beneficiando a todos. 

Embora uma respeitável tradição afirme que o signo de Israel é Capricórnio, outra, também muito relevante, estabelece que é Shevat. Ambas acabam se reconciliando, porém, na medida em que o período solar de Tevet (Capricórnio) se estende por Shevat, correspondendo ambos os signos aos dois órgãos da visão. Mais ainda: no Livro da Criação (Sefer Yetsirá), obra mística do início da tradição, que alguns atribuem a Abraão, nos seus capítulos iniciais, afirma-se que o estômago também se relaciona com Shevat porque este signo traz a ideia de retificação do ato de comer. Esta retificação fala que devemos buscar com os olhos o melhor para que a nossa “digestão” mental não sofra, para que não a prejudiquemos. Esta preocupação encontra apoio nas letras que se

associam ao mês. Primeiro Bet, que criou Saturno, e depois Tzadi, que criou o próprio signo, que tem o significado de justiça, de equilíbrio. É no mês de Shevat que temos a oportunidade de nos redimir pela revelação da verdade e da luz, sendo por isso Shevat considerado com o mês da redenção. O Livro da Formação e o Zohar, lembremos,são considerados como a base do conhecimento cabalístico. 
A justificativa para se considerar Shevat como o signo de Israel está no fato de o conteúdo da jarra ser a água, que é símbolo da Torá, como está escrito em Isaías. A Torá significa ensinamento e é um dos conceitos fundamentais do judaísmo, compreendendo tanto o Pentateuco (Gênese, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) como a Bíblia hebraica e, num sentido mais amplo, toda a tradição judaica. A proposta que está em Shevat é a de se ver a criação através do serviço divino através da Torá. 
Ainda que Saturno governe Capricórnio e Aquário, a astrologia judaica entende que os dois signos devem ser considerados a partir de um Saturno que se volta para o Sol, isto é, para o interior do sistema solar, e de outro Saturno, que “olha” para o infinito do espaço sideral. Enquanto o primeiro diz respeito a Capricórnio, significando o limite físico das construções e dos sistemas, o outro aponta para a superação destes limites, inclusive para a sua destruição.


MOISÉS
( MICHELANGELO, 1475-1564 )

Uma das principais figuras do judaísmo, Moisés, “o salvo das águas”, personagem principal do Êxodo, associa-se a Shevat na medida em que a Torá é chamada também de lei mosaica. Moisés é, assim, aquele que presta serviços, como um aguadeiro através da distribuição das águas da Torá. Shevat é um mês de bênçãos abundantes, o que tem a ver com a tribo que o representa, a tribo de Asher (felicidade, em hebreu), filho de Jacó e de uma empregada de sua esposa, Léa, que se instalou no norte do país de Canaã. Com base no Gênese (cap. 49, v.20), o óleo é um usado como um símbolo da Torá porque assim como ele se separa de outros líquidos e mantém a sua pureza, assim acontece com a sabedoria da Torá. Por isso, água e óleo são usados como símbolos da sabedoria da lei mosaica. O óleo (shemen) é um equivalente da tradição oral da Torá que começou com Moisés, tradição chamada de Mishná, que contém letras de shemen. 

MOISÉS  RECEBE  AS  TÁBUAS  DA  LEI
(MARC  CHAGALL , 1887 - 1985 )
O elemento de Shevat é o ar, elemento da tradição oral, essencial para a manutenção do corpo físico, já que é com ele fazemos trocas com o meio exterior. Os demais signos relacionados com o ar, Sivan e Tishrei, Gêmeos e Libra, tem a ver, respectivamente, com a entrega da Torá no monte Sinai e o segundo com as tábuas da lei, dos dez mandamentos. A tarefa do povo judaico é a de dar de beber os ensinamentos da Torá ao resto do mundo. 

O planeta que tem relação com Shevat é Saturno (Shabtai), que rege também Capricórnio, indicando ele a necessidade de se buscar a contemplação e o aprofundamento das virtudes do coração. Os que nascem sob a influência de Shevat costumam revelar uma tendência para a originalidade, possuindo também uma mente curiosa, inquisitiva. O pensamento original do signo é indicado pelas letras da palavra Dli, que contém as mesmas que significam “dar nascimento”. Uma implicação etimológica liga o nome Shevat à palavra Shevatim, que lembra aflição, pois foi durante este mês que Deus começou a afligir os egípcios com as pragas, causadoras do início da sua decadência. 

Ainda no terreno das associações, os astrólogos judeus notaram que enquanto em Israel a celebração do Shabat (descanso, do anoitecer de sexta-feira à noite de sábado) se liga tanto ao nome de Saturno (Shabtai) como à Lua (shabater, é um verbo que indica o descanso da Lua, dia em que ela para de crescer, tendo a ver pois com o plenilúnio) em outras tradições o dia do repouso semanal foi deslocado para um outro dia, para o dia do Sol, o primeiro dia da semana. Segundo eles, a nação de Israel, que se situa acima da influência das constelações, sempre conservou a cerimônia no dia de Saturno, uma prova de sua profunda compreensão, pois nesse dia os judeus recebem uma alma extra e os fogos do inferno são arrefecidos. Diz a tradição que se todos os judeus pudessem guardar respeitosamente, completamente, o dia do Shabat, o Messias viria. Os antigos astrólogos místicos judaicos achavam que os aspectos feminino e masculino de Deus se unirão no Shabat, um dia de harmonia cósmica, quando as forças do reino do mal (Sitra Achra) perderão sua força. As ressonâncias dessas ideias no mundo aquariano são, como se vê, muito evidentes, se lembrarmos da androgenia natural do signo.

Segundo muitos cabalistas, a chamada era de Aquário, também conhecida como era da Revelação ou da Redenção, já começou. Isto se deve ao fato de já estar a humanidade, por influência de Shevat, procurando se unificar de algum modo, impulso básico para uma futura redenção. Esse impulso, no mundo todo, como sabemos, vem buscando a unificação através do que há de mais negativo em Aquário, a tecnologia. Ou seja, enquanto a tecnologia de Shevat une o mundo (aldeia global), as nações vêm contraditoriamente levantando barreiras de todo tipo, físicas, militares, econômicas, religiosas, que só reforçam as suas fronteiras, criando verdadeiros guetos, obstáculos à livre circulação das pessoas. 

Na tradição judaica, o ano-novo do reino vegetal é celebrado a 15 de Shevat. Isto pode ser entendido pelo fato de ser o mundo vegetal a única força do mundo físico capaz de vencer a força da gravidade, um dos mais poderosos anseios dos representantes do signo. Para controlar estes anseios de rompimento das limitações do mundo físico e de distribuição de energias das alturas para o todo, derramando-as sobre a humanidade, os astrólogos judaicos pedem que sejam levadas em consideração as energias do signo oposto, Leão (Av). Dois aspectos a salientar aqui: a) muitos aquarianos escondem fortes traços leoninos nos seus discursos e propostas humanitários. b) outros aquarianos se descuidam completamente do seu eu pessoal, desintegrando-o promiscuamente numa vida grupal. 

Os astrólogos judeus nos dizem que estas tendências negativas de um signo podem ser atenuadas ou mesmo revertidas se aplicado o conceito cabalístico do tikum, palavra que, em hebraico, quer dizer correção. Este conceito, no seu sentido mais abrangente, é o aplicado trabalho de correção que a alma pode fazer através de suas
CABEÇA E CAUDA DO DRAGÃO
encarnações. O tikum é representado no mapa pelo eixo dos nós lunares, descrevendo o nó sul, a chamada cauda do dragão, tudo aquilo que alguém traz de vidas passadas. Já o nó norte, a chamada cabeça do dragão, descreve o caminho corretivo a ser tomado segundo as energias do signo em que se encontre, desenvolvidas superiormente. Temos sempre que considerar ambos os nós para obter algum sucesso na encarnação em que nos encontramos. Esse eixo, na astrologia cabalística, é muito importante porque ele afeta todo o mapa astrológico. Se alguém, por exemplo, tem o tikum em Aquário, a proposta para esta pessoa será a de desenvolver as anergias superiores deste signo procurando conciliá-las, inclusive, com o que o Sol, a Lua ou o Ascendente representem no seu mapa, estejam onde estiverem.
A constelação de Aquário estende-se de 9º de Aquário a 26º de Peixes, sendo suas principais estrelas, em magnitude decrescente, Sadalmelek, no ombro direito do aguadeiro, Sadalsuud, no ombro esquerdo, Sadachbia, na jarra, Skat, na perna e Ancha no quadril. Ptolomeu afirmava que os ombros do aguadeiro tinham características saturninas e mercurianas.  

CONSTELAÇÃO  DE  AQUÁRIO
Sadalmelik (A Favorecida do Rei), alfa de Aquário, é uma estrela de 3ª magnitude, hoje em Peixes, a 3º04´. Sadalsuud (A Favorecida do Reino), beta, também de 3ª magnitude, está hoje nos 22º 42´ de Aquário. Ambas são consideradas como favoráveis, fertilizam como a água, não no sentido material (dinheiro, bens etc.), mas fazendo com que (principalmente se relacionadas com o Asc. Os luminares, Júpiter e Vênus) o bem-estar seja “vivido” muito mais interiormente. Esta “felicidade” interior, contudo, costuma ser traduzida muitas vezes por um otimismo ingênuo, por expectativas sem fundamento, mas que podem bastar para aquele que os experimenta. Mapas como os de Jules Verne, do Brasil e dos USA podem ser úteis para estudos sobre ambas as estrelas. Os astrólogos latinos davam o nome de Sidus Faustum Regis à primeira e Fortuna Fortunarum à segunda. Os nomes, respectivamente, têm origem árabe, Al Sad al Malik e Al Saad al Suud.








quarta-feira, 14 de março de 2018

SAGITÁRIO (5)


( 1896, ALPHONSE  MUCHA )
Na história de Israel, o  signo de Sagitário marca particularmente o período no qual as forças israelenses conseguiram vencer os exércitos greco-sírios. Para os astrólogos judeus, a Grécia sempre simbolizou o poder negativo do arco sagitariano, isto é, a expressão de uma filosofia materialista e invasora. Os gregos, sabe-se, tentaram destruir a tradição religiosa de Israel, impedindo que os seus textos sagrados circulassem. Esta ação, contudo, teve um lado positivo: provocou um grande desenvolvimento da transmissão oral da Torá. Nesses tempos de perseguição religiosa, destacou-se, na cultura judaica, a figura do tsadik, o homem justo, probo e bom. Esse homem tem em José o seu modelo. Filho de Jacó e de Raquel, José é o modelo do tsadik bíblico.


SEPHIROT

Pela sua conduta e exemplo, como fundamental para o mundo judaico, José sempre foi visto como uma espécie de parceiro de Deus e seu poder era tamanho que até podia anular decretos divinos. Não é por outra razão que na Cabala o tsadik representa a penúltima das sefirots. As sefirots são estruturas divinas através das quais o mundo surgiu pelo processo da emanação, formando os diferentes níveis da realidade. 



JOSÉ  INTERPRETANDO  OS  SONHOS  DO  FARAÓ
( PETER  VON  CORNELIUS , 1783 - 1867 )

O tsadik é o homem santo que governa o mundo do conhecimento, representado astrologicamente por Kislev, o nono mês lunar do calendário hebraico, a contar de Nissan. É o mês do êxodo e o terceiro a partir da festa do ano novo. Começa em fins de novembro ou início de dezembro.  No céu, é Júpiter (Zedek), palavra que
YOD,  HEH,  VAV,  HEH
significa o que é certo e correto. No simbolismo místico da Cabala, o arco vem com três flechas, que significam Graça, Julgamento e Harmonia ou Vitória, Glória e Fundação ou Sabedoria, Compreensão e Conhecimento. Estes atributos são, por sua vez, simbolizados  pelas três primeiras letras do Divino Nome, Yod, Heh e Vav (Y H V H ou Yahweh). Este tetragrama é o nome sob o qual o Eterno se revelou no antigo testamento (Eu sou aquele que é). A tradição rabínica proibiu que estas quatro letras fossem pronunciadas porque a sua pronúncia original se perdeu, provavelmente depois que Moisés as ouviu no Sinai. Na leitura oral, estas letras YHVH são substituídas por Adonai (Meu Senhor) ou por Ha Shem (O Nome).

Kislev, entre os judeus, é o nome do mês de Sagitário, palavra que denota confiança e força interior. A palavra contém também uma ideia de esperança que pode ser alimentada em função de uma atitude previsora. Esta esperança tem relação com o futuro. Os temas que derivam de Kislev vêm da cerimônia da Chanuká
JUDAS   MATATIAS
(dedicação, inauguração em hebraico), festa das luzes pós-bíblica, que dura oito dias e começa a 25 do mês. Esta cerimônia comemora a vitória dos macabeus em 165 aC. sobre os selêucidas da Palestina, que haviam profanado o templo e imposto sua religião helenística aos judeus. Macabeu é o sobrenome de Judas Matatias (200-160 aC), chefe de uma grande família sacerdotal, que comandou a revolta contra os referidos selêucidas. A vitória dos macabeus permitiu que os ensinamentos da Torá fossem preservados e mantidos, enquanto, afirmam os sacerdotes judeus, os de outras culturas, baseados em falsas ideias, já há muito haviam desaparecido. As luzes da Chanuká são consideradas como uma manifestação da luz oculta do Messias. 


SPINOSA
As influências celestes positivas de Kislev ajudam uma pessoa a obter elevação espiritual, a se interessar por questões religiosas, por filosofia, sendo citado o filósofo Baruch Spinosa (1.632-1.677, Holanda) como um exemplo. Os judeus ortodoxos usam o exemplo de Spinosa para falar dos desvios doutrinários negativos de alguém do signo, fato que motivou sua expulsão da sinagoga. Segundo a tradição religiosa judaica, Sagitário, o signo do arco, simboliza o poder da prece que emana das profundezas do coração e que alcança os céus. Expulso da sinagoga, Spinosa encontrou nos meios católicos os mestres que o iniciaram no saber científico (física, geometria e filosofia). Consagrou a sua vida à meditação, ganhando o seu sustento a polir lentes de microscópios. A obra principal de Spinosa chama-se A Ética, uma doutrina da salvação pelo conhecimento de Deus.


As letras do alfabeto hebraico que fazem a ligação com o lado espiritual de Sagitário são Samech e Guimel, esta relacionada como planeta Júpiter. Juntas, elas traduzem uma ideia de segurança, bem-estar e esperança.  Estas ideias estão presentes num
dos símbolos do signo, o arco-íris, fenômeno celeste que, segundo a
Bíblia, apareceu para sinalizar o fim do dilúvio de Noé e indicar novos caminhos para a vida na terra. Segundo o Zohar, o arco-íris é um campo de energia que surge sempre depois de catástrofes, de cataclismas. Lembre-se que o arco-íris em todas as tradições é uma via de comunicação entre o céu e a terra.


ARCO - ÍRIS  ( MARC  CHAGALL , 1887 - 1985 )

Na medida em que Sagitário, diz-nos a tradição judaica, nos remete a uma ideia de transcendência interior pela qual o instinto e o ego poderão ser ultrapassados em direção do espiritual, do coletivo, da humanidade, pode esse signo ser considerado como a primeira pedra do edifício a ser construído no signo seguinte, de Capricórnio. Pedras, com sabemos, são elementos da coagulatio alquímica, e, como tal, funcionam simbolicamente como elementos de sedentarização, da cristalização de formas. Pedras têm uma função importante ao exprimir realização, construção, perseverança. Assim, a primeira pedra, a pedra fundamental, do edifício que vamos construir no signo seguinte, Capricórnio, signo de ascensão, é fixada em Sagitário. Dizem-nos mais os judeus que assim como as flechas do arco-íris atravessam as várias camadas do ar, assim as flechas de luz disparadas pelo arco sagitariano atravessaram a mundanidade material, rompendo o escudo do mundo sírio-helenístico. 

A   TRIBO   DE   BENJAMIN  ( MARC  CHAGALL )

O mês de Kislev tem relação com a tribo de Benjamin, o filho da mão direita, filho mais jovem de Jacó, nascido de Raquel, sua esposa preferida, que morreu após o parto. Esta criança se tornou no filho mais amado de Jacó e seus irmãos o cercaram de ternura. Sofrendo as dores do parto, Raquel o havia chamado de  Ben-Oni, isto é, o filho de minha Infelicidade, mas o pai mudou o nome, chamando-o de Benjamin, Criança da Felicidade. A tribo de Benjamin foi chamada por Moisés de a bem amada do Senhor. No Gênese, registra-se (49:27) que Jacó será como um lobo arrebatador; pela manhã devorará a presa e à tarde repartirá os despojos, devido às suas aptidões guerreiras. 



ENCONTRO  DE  RAQUEL  COM  JACÓ ( RAFAEL DE SANZIO , 1483 - 1520 )


DAVID   E   BETSABÁ
( MARC  CHAGALL )
Um dos atributos naturais do mês Kislev, segundo alguns intérpretes, é o sono enquanto ele possibilita o acesso a sonhos e às visões que alguém pode obter, como foi o caso do rei Salomão. Terceiro rei de Israel, filho de David e de Betsabá, Salomão recebeu de Deus a sabedoria e tinha o dom da profecia, recebidos num sonho. Salomão personifica o arquétipo da sabedoria e todos os seus atributos mais importantes pertencem a esse simbolismo.

José, o maior dos oniromantes, foi outro personagem a receber o poder de interpretar os sonhos. Na tradição judaica, sonho é chalom, cujo valor numérico é 78, três vezes o valor do nome divino (Yod Heh Vav Heh), cujo valor é 26. As três vezes do nome divino referem-se aos três atributos, Nezach, Hod e Yesod, Vitória, Glória e Fundação, respectivamente, as três flechas do arco de Sagitário. A energia do arco, como expressa nos sonhos de José, associa-se ao sono, atributo de Kislev, a própria natureza do signo. Segundo a astrologia judaica, Sagitário é signo que indica naturalmente habilidade psíquica de modo a permitir a visão de acontecimentos futuros, como a temos, de modo superlativo, em José.    

JOSÉ  ( MARC  CHAGALL )
José foi vendido aos ismaelitas, que simbolizam o arco impuro (o lado negativo de Sagitário), e levado para o Egito. A Grécia, lembremos, era também representada por esse lado impuro do arco para os judeus. O nome genérico dos ismaelitas é arav, que simboliza também Yesod (Vitória), mas aqui relacionada esta última palavra com Eruv, multidão, multiplicidade (a vitória do número, da quantidade, sobre a qualidade). Por estas relações, os astrólogos judeus nos falam da diferença entre o sagrado e o profano em Sagitário. É neste sentido que a multiplicidade de cores do arco-íris tem implicações negativas ao simbolizar o reino dos desejos (hakeshet, o arco, tem as mesmas letras que hatshuka, o desejo, o anseio). O reino do desejo tem o poder elevar o homem ao divino ou rebaixá-lo à materialidade mais vil. É por essa razão que as terras dos ismaelitas são governadas pelo signo de Escorpião (akrab), o mês do dilúvio, cujo término foi indicado a Noé por um arco-íris.


O  ANJO,  ABRAÃO  E  SARA (JAN  PROVOOST ,1465 - 1529)

A ímpia manifestação de Keshet (arco), o poder da luxúria e do que é impuro é para os judeus simbolizado por Ismael (Deus entende, ouve). Ismael é o ancestral dos ismaelitas, os árabes, filho de Abraão e de Agar. Segundo o Gênese, Abraão tinha 86 anos e Sara, sua mulher, era muito velha para gerar filhos. Sara deu sua escrava Agar ao marido para que ela concebesse no seu lugar, Agar pôs no mundo então Ismael, mas Sara, milagrosamente, depois pariu também, gerando Isaac. Ela exigiu então que Abraão expulsasse
EXPULSÃO   DE   AGAR   E   ISMAEL
( PIETER  LASTMAN , 1583 - 1633 )
Agar e Ismael, enxotando-os para o deserto onde ficaram a perambular até que um anjo os guiou na direção de um poço. Nesse lugar, o Senhor lhes anunciou que Ismael seria um verdadeiro asno selvagem, sua mão contra todos, a mão de todos contra ele; e ele poria as suas tendas defronte de todos os seus irmãos. Deus prometeu ainda que de Ismael nasceria uma grande nação cujos membros seriam os filhos do vento, isto é, o povo do deserto, nômade e livre. É por isso que os beduínos se consideram como os únicos descendentes de Ismael, que morreu com 137 anos. Ele deixou doze filhos, chefes de tribos, conforme está no Gênese. 

A relação entre Kislev e Adar é explicada porque ambos são governados pelo mesmo corpo celeste, Zedek ou Tsedek, Júpiter, atuando ele nos festivais da Chanuká e do Purim, ambos associados à figura de José, o patriarca, o justo. Lembram os astrólogos judaicos que em aramaico, língua da antiga Babilônia, o significado da palavra Adar é mastro de barco a vela (Ruach, significando tanto vento como espírito). Isto representa o poder das influências deste mês, durante o qual é possível oferecer resistência a qualquer espírito que interfira na expressão da Torá. Em aramaico, a palavra Adar lembra também o significado de milagre oculto, como está na festa do Purim, cuja mensagem principal é que as coisas não são o que parecem e que Deus, e não o destino, determina o que sucederá.  

Para os judeus, lembre-se, o signo do arco influencia profundamente os períodos seguintes, Tevet (Capricórnio), Shevat (Aquário) e Adar (Peixes), cada um deles tendo atributos essenciais
ESTHER  ( MARC  CHAGALL )
(letras) que preexistem em Keshet (Sagitário).  A substância espiritual de que Capricórnio (Tevet) necessita para suportar os poderes do mal, nele particularmente ativos, é retirada de Keshet. A água, em Aquário, signo de ar, simboliza a tradição oral que veio dos cinco livros (Deuteronômio) onde estavam registradas as palavras de Moisés. Lembram os judeus que o início de sua grande tradição oral começou quando da vitória da festa das luzes (Chanuká). O mês de Adar, cujo signo é Peixes, signo de água, traz a ideia da aceitação voluntária da pureza da tradição oral por parte do povo judeu, segundo o milagre de Esther. 

Segundo a astrologia judaica, as pessoas nascidas em Kislev têm muita confiança em si mesmas, são otimistas e sempre se voltam para o distante. A esperança de algo futuro desperta nelas a força interior para que os obstáculos encontrados sejam removidos, possibilitando-as atingir os objetivos estabelecidos. Estas virtudes encontraram sua maior expressão durante o período em que a dinastia dos hasmoneus (nome dinástico dos macabeus) governou o país até perto do início da era cristã. 

Nessa linha de pensamento, os sagitarianos têm sempre possibilidade de demonstrar um grande prazer pela vida, muito entusiasmo por ela, desde que tudo isto seja inspirado pelos valores espirituais da Torá. Do contrário, a expressão é negativa, há riscos devido ao gosto pela aventura e pelas extravagâncias. É também dado ao sagitariano superior o poder de unificar as massas, representando-o, por isso, mais do que ninguém, o patriarca José, filho de Jacó, que unificou o Egito e os seus irmãos. Etimologicamente, José tem relação com a palavra Asif, que significa reunir, trazer junto. Yasop significa juntar. O nome Joseph, muito rico quando pensamos em jogo de letras e significados, permite lembrar que Raquel deu à luz o filho Joseph depois de um longo período de esterilidade. Esta habilidade que Sagitário tem de unir é indicada também pela aproximação das palavras keshet (arco) e lekasher, (reunir, juntar. A palavra keshet significa também arco-íris, cujas cores indicam harmonia. Segundo a Cabala, as três principais cores do arco-íris, o branco, o amarelo e verde amarelado, simbolizam, respectivamente, Vitória, Glória e Fundação.


ARCO - ÍRIS  ( ROBERT  DELAUNAY , 1885 - 1941 )

Segundo, aliás, uma tradição universal, o arco-íris, por sua forma que lembra uma ponte, sugere a comunicação entre dois mundos. Uma das passagens citadas para confirmar este entendimento é a que se encontra no Gênese, no capítulo IX, em que se declara que o arco-íris é a materialização da aliança entre Deus e os homens, inclusive os das gerações futuras. De um modo geral, é esse fenômeno um sinal do pacto estabelecido com os descendentes de Noé, pacto segundo o qual Deus nunca mais destruiria o mundo dessa maneira. O aparecimento de um arco-íris pode servir todavia de um alerta, pois sua ocorrência poderá ser interpretada como um indício de perda, por parte da humanidade, de valores superiores, honra, justiça, retidão... E isto porque é a vida meritória da humanidade que deve afastar a ameaça de catástrofes. Perdendo-se as referidas qualidades superiores, afastando-se a humanidade da vida meritória, ficam o mundo e tudo o que nele vive desprotegidos, rompendo-se o pacto com o divino. Lembremos que este simbolismo, o do arco-íris, costuma aparecer associado às imagens dos cavaleiros que anunciam o Apocalipse, quando o fogo e a água, conforme as profecias, reinarão juntos num único dia.    

SAINT  MIGUEL  ARCANJO 
O mundo judaico-cristão nos oferece, dentre outras, duas figuras que estão integradas ao ideário sagitariano.  Miguel é uma delas, o arcanjo da mais alta hierarquia. Príncipe da Água e Anjo da Prata, Miguel, no período bíblico, anunciou a Sara que ela daria à luz a Isaac. Ordenou depois, na akedá, que Abraão, não sacrificasse o filho. Lutou contra Jacó e alimentou os israelitas nas suas perambulações pelo deserto. Miguel atua com advogado do povo de Israel e apresenta as preces dos homens diante de Deus. Sua posição o coloca à direita do trono da glória e à direita do homem no plano terrestre. Está associado a Gabriel, Rafael e a Uriel, mas é superior a todos eles porque voa para cumprir as suas missões com um movimento só. Seu principal inimigo é Samael, o anjo caído que lidera as forças do Mal (Sitra Achra) e que faz constantes acusações contra Israel no céu. Miguel acompanha os devotos ao céu após a morte. Na idade do Messias ele fará soar o shofar na ressurreição dos mortos. Foi citado pelo profeta Daniel como um dos protetores de Israel. Os judeus trouxeram do Egito a ideia da psicostasia que, unida à figura de Miguel, deu motivos para que ele fosse representado com uma balança nas mãos. Miguel ficou com o atributo de defensor de Deus, atuando contra os demônios e os vícios. 

No mundo cristão, Miguel é príncipe da milícia celestial, o que combate Satanás desde sempre. Miguel é, por isso, considerado como o patrono dos cavaleiros no ocidente cristão Os pintores do Renascimento o usaram como motivo, sempre apresentado como um homem jovem e vigoroso, com uma espada fulgurante ou uma lança de prata. Como soldado e guerreiro, Miguel é muito popular no Brasil, sendo protetor dos valentes, patrono dos capoeiristas, sendo identificado, pelo sincretismo, como Xangô nas macumbas do Rio de Janeiro, como Oxóssi (orixá das matas, da caça e dos caçadores) na Bahia e como Odé (outro nome de Oxóssi) em Recife.


SÃO JORGE
(GUSTAVE MOREAU ,1826-1898)
No cristianismo, São Jorge costuma aparecer associado a Sagitário. Quase nada se sabe dele. A sua história foi difundida no ocidente pelo compêndio Legenda Áurea, dos fins da Idade Média. Seria ele um mártir cristão cujo culto existia na Lydia (Palestina) desde o séc. V. Ele se tornou conhecido por uma lenda: para salvar uma virgem, teria enfrentado e morto um dragão. O culto de São Jorge se espalhou a partir do séc. VI pela Europa, trazido pelos cruzados. Tornou-se patrono de Gênova, Veneza, Barcelona e da  Inglaterra. Sua festa é celebrada no dia 23 de abril, data em que segundo consta foi martirizado. É muito venerado também na Rússia e em Portugal. Tornou-se uma espécie de Perseu, matador de dragões. Os gregos o chamavam de mégalo mártir. De Portugal, que o recebeu da Inglaterra, seu culto chegou ao Brasil. D.João I, fundador da dinastia de Aviz, tornou-se seu devoto e o fez patrono nacional em substituição a Santiago, que o era dos castelhanos. Na tradição popular, São Jorge é invocado como defensor das almas contra o demônio, as tentações, a suspeita de feitiço, sendo o grande rival de São Miguel. Nos candomblés da Bahia, é identificado com Oxóssi e Odé e nas macumbas do Rio de Janeiro e de Recife com Ogum (orixá do ferro e da guerra). 


SÃO  PEDRO, O  PENITENTE (EL GRECO, 1541-1614)

Astrólogos cristãos costumam aproximar a figura de Pedro, chamado o príncipe dos apóstolos, do signo de Sagitário. Seu nome de origem era Simão, mas Jesus deu-lhe o nome aramaico de Kephas, conforme está em S. João, nome que tem o significado de pedra, cujo equivalente grego tornou-se Pedro, em latim Petrus, nome pelo qual o conhecemos. O nome se explica pelo episódio em que Pedro, quando Simão, declarou: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Jesus lhe disse: Tu és Pedro e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja. Depois, como se sabe, conferiu-lhe Jesus as chaves do reino dos céus e o poder de ligar e desligar, poder mais tarde estendido a outros apóstolos. 

ESTANDARTES   MEDIEVAIS
Essa ação criou certos rituais como a bênção dos estandartes, a inclusão de preces litúrgicas, a cerimônia da concessão de armas, a adoção de insígnias e brasões, o crescente interesse pelos santos-guerreiros, São Miguel e São Jorge principalmente. 

Os ideais da cavalaria geraram também condições especialmente favoráveis ao desenvolvimento de uma literatura (eixo astrológico III-IX) que se espalhou por toda Europa. Esta literatura se caracterizou sobretudo por ser destinada à recitação pública coletiva, muito mais que à leitura individual. O veículo preferido da expressão literária medieval foi a poesia, muito mais que a prosa, criando-se uma vasta gama de gêneros poéticos. Não podemos esquecer, contudo, que dentro desse mundo a prosa também tinha lugar, ganhando espaço aos poucos o chamado romance narrativo, precursor da novelística moderna.


CONSTELAÇÃO   DE   SAGITÁRIO

A constelação de Sagitário estende-se de 28º Sagitário a 1º Aquário. As estrelas que estão na ponta da flecha têm influências marcianas e lunares; as do arco e à altura da mão que o empalma, jupiterianas e marcianas; as da cintura e das costas, jupiterianas e mercurianas; as dos pés, jupiterianas e saturninas. 

As principais estrelas da constelação, por ordem de importância, são: Rukbat, a mais brilhante, à altura do joelho, Arkab (perna-tornozelo), Al Nasl ou Nushaba (ponta da flecha), Kaus Meridionalis (meio da flecha), Kaus Australis (ao sul do arco), Ascella (axila), Kaus Borealis (ao norte do arco) e a nebulosa Facies (face do arqueiro). Todas, a rigor, têm pouca importância sob o ponto de vista astrológico. Apenas Rukbat e  Facies podem ser consideradas. A primeira, alfa, de 4ª magnitude, é chamada pelos árabes de Al Rami, encontra-se hoje em Capricórnio, a 15º 56', propondo influências jupiterianas e saturninas que falam de estabilidade, regularidade, consistência, tanto sob o ponto de vista físico como mental, dependendo, é claro, do planeta com o qual se relaciona. A nebulosa Facies, a 7º 36´Capricórnio, é quase invisível
SIR   LAURENCE   OLIVIER

do ponto de vista terrestre. A tradição astrológica associa esta nebulosa (como todas) a problemas de visão. Ao que parece, a sua principal influência se caracteriza por uma certa insensibilidade (semelhante ao chamado complexo de Zeus) com relação aos assuntos da casa (ângulos) e àquilo que os planetas com os quais mantém contacto significam. Para estudo, quanto à primeira, lembro o mapa de Laurence Olivier. Quanto à outra, o mapa de Adolf Hitler. 

Lembro, ainda, que atualmente, no final de Sagitário encontramos Aculeus, a 25º 02´, e Acumen, a 28º 03´, oriundas de Escorpião, que formam  a chamada Nebula, que astrologicamente nos fala de desorientação, de indeterminação e principalmente de problemas de visão, cegueira, metaforicamente ou não. Segundo Ptolomeu, Aculeus tem relação com o ferrão de Escorpião e atua com características marcianas e lunares.