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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

PEIXES (5)

                          

CONSTELAÇÃO   DE   PEIXES

No cristianismo, lembre-se, o ritual da lavagem dos pés dos apóstolos acontece na última ceia. Os teólogos, desconhecendo a correta interpretação desse ritual, sempre o consideraram como um sinal de humildade. Todavia, se recorrermos à astrologia, fica evidente que esse ritual se inscreve no eixo zodiacal Virgem-Peixes, isto é, plexo solar e pés. O plexo solar, como se sabe, é o maior dos plexos (redes ou interconexões de nervos, vasos sanguíneos ou linfáticos) autônomos, situado na frente da artéria aorta e por trás do estômago, enviando ramos a todas as vísceras abdominais. O estômago, situado entre o diafragma e o duodeno, é o órgão onde se depositam os alimentos que ingerimos, sendo ali pré-digeridos e esterilizados, antes de serem enviados aos intestinos. 


CHAKRAS

A analogia salta fácil: a forma do estômago lembra a Lua; o intestino (delgado) é parte do sistema (tubo) digestivo que se estende do estômago ao ânus (parte do intestino grosso). No estômago, região lunar, temos ideias de acolhimento, de preparação (quimificação).O intestino delgado tem relação com Mercúrio, separando-se nele o útil, que o corpo absorverá, do inútil, que o corpo expelirá (quilificação). O intestino grosso tem a ver com Plutão, sugerindo ideias de transformação, de eliminação. No estômago, encontramos também ideias de disposição de ânimo, de energia disponível (“ter estômago para alguma coisa”), de capacidade para enfrentar algum problema, situações difíceis etc. Ter um “estômago de avestruz” é comer muito e de tudo, engolir indiscriminadamente. Já arrotar é emitir gases estomacais pela boca com sonoridade. Eructar no jargão médico. Simbolicamente, arrotar é vangloriar-se, alardear, blasonar. É também a eructação, conforme o caso, um sinal que revela sempre grande dificuldade para a digestão do que foi engolido, metabolismo deficiente, pessoas que não “trocam” bem com o mundo. Um dos focos deste problema é astrologicamente a Lua, que pode imobilizar pela memória. Ácidas ou azedas são designações que usamos, no capítulo  Astrologia & Saúde, para qualificar pessoas que eructam muito. 

É de se salientar que o processo de quimificação, conduzido astrologicamente pela Lua, acima referido, é o de produzir o quimo, produto parcial da digestão do bolo alimentar, que passa do estômago para o duodeno. Já a quilificação, conduzida astrologicamente por Mercúrio, tem a finalidade de preparar a última fase da digestão, quando o alimento se transforma numa massa líquida para ser absorvido em parte pelo organismo. Faz-se então a “separação” entre o útil e o inútil, enviando-se este último para Libra, o signo das águas residuais a eliminar, e Escorpião, o signo dos resíduos imprestáveis, da matéria não digerível.

Toda esta minha peroração, acredito, ganhará maior compreensão se recorrermos ao que os hindus têm a nos dizer sobre o plexo solar, para eles um dos chakras, centros de energia do corpo humano, na sua fisiologia (Yoga). O plexo solar entre os hindus tem o nome de manipura (cidade da joia), localizado na região lombar da coluna vertebral, ao nível do umbigo. Sua sílaba (mantra) é Ram (carneiro), sua divindade é Rudra, seu elemento o fogo, sua cor o vermelho, seu lótus o de dez pétalas, seu mandala o triângulo.
MANIPURACHAKRA
Assemelha-se o manipurachakra a um forno onde se preparo retorno da matéria ingerida a um estado embrionário tendo em vista um renascimento. A substância morre para renascer numa forma sublimada. Juntando-se estas observações ao que a astrologia nos oferece, que pés e plexo solar estão interligados, podemos notar, segundo os princípios da ação reflexa, que ativados os pés, massageados, mergulhados em água morna, fazemos o plexo solar funcionar melhor, energizando-se assim bem mais o nosso corpo. 


PINTURA  EM  PAREDE, 
IGREJA  DE  SANTA  MARIA  DEL  MAR, BARCELONA

Quando Cristo lavou os pés dos apóstolos na última ceia estava, antes de nos dar uma lição de humildade, preparando-os para a grande tarefa que teriam à frente, a de propagar, em longas caminhadas, a doutrina cristã pelo mundo. Sob um  outro enfoque, o que temos aqui é uma aplicação daquilo que as terapias corporais orientais usam, englobadas, no ocidente, sob a designação de reflexoterapia, uma terapêutica que consiste em provocar, por excitação, picada ou cauterização, reflexos em uma parte do corpo afastada do ponto ativado.

ÉDIPO E ANTÍGONA
(A.BRODOWSKI, 1784-1832)
A tragédia de Édipo, narrada pelos trágicos gregos, é, por exemplo, um nó pisciano de mal-entendidos, de incertezas, de coisas que deveriam ter sido ditas e que não foram, um mundo de mentiras protetoras, de mistérios, de subterfúgios e de segredos, uma atmosfera tão a gosto de grande parte dos piscianos. Além do mais, Édipo sempre se contentou com vitórias externas, entrou no papel de salvador da humanidade, um papel no qual os piscianos se sentem muito bem. Édipo jamais se questionou interiormente. Viveu o seu “teatro” até o fim, mesmo já pressentindo que “alguma coisa” não estava certa. Mesmo quando Tirésias e o soldado fujão estavam prestes a pôr tudo à mostra, Édipo afirmou, como se fosse “dono da verdade”, cheio de bazófia, que o responsável por todas aquelas calamidades que estavam sendo narradas merecia bem mais que a morte. A constatação final é a de que o destino, o Fatum, não permitiu que nenhuma consolação lhe fosse oferecida. Uma talvez: Antígone o acompanhou até o fim de seus dias. Mas o que Édipo gerou foi muito além dele, como acontece, aliás, com qualquer ato humano. 

MORTE DE ANTÍGONA
(MICHAEL DAVIS, 1948)
Antígone conhecerá um fim trágico; será condenada pelas leis da cidade (Creonte) por ter dado sepultura a seu irmão Polinice. Creonte, que voltara a assumir a regência de Tebas, será vitimado também pela engrenagem: Antígone se enforca na prisão, como acontecera com sua mãe; seu primo e noivo, Hemon, filho de Creonte, vendo o cadáver da noiva, se mata; a mulher de Creonte, Eurídice, desesperada diante do corpo inerte do filho, suicida-se também. O que podemos dizer, a esta altura, é que os gregos sempre souberam que as desgraças nunca vêm só. Quanto a Creonte, cheio de dor e sofrimento, jamais recomposto das suas tragédias familiares, morrerá mais tarde nas mãos de Teseu, quando de uma batalha travada entre Tebas e Atenas. 

Édipo nunca procurou tomar consciência das forças destrutivas que faziam parte de sua personalidade. Sua inocência, porém, não pode ser contestada. Foi violento como o mar pode ser violento, jamais cruel ou pérfido. Suas intenções nunca foram más. As reações de Édipo, como está na sua crônica, são quase sempre emocionais, como são as dos nativos de Peixes. Édipo sempre foi muito tolerante para consigo mesmo, auto-indulgente. Desde a sua origem, foi um homem de “boa vontade”; afastou-se dos seus “pais” de Corinto, acreditando agir assim da melhor maneira. Não viu nenhuma razão para recusar a mão de Jocasta, cuja identidade ignorava. Tornou-se herói aclamado. Mas tudo isto não bastou...
A casa XII tem analogia com o signo de Peixes, sendo considerada na astrologia ocidental como um lugar de provas, de sacrifícios e também de redenção. Esta casa, como as demais mutáveis, aliás, nos fala sempre de ritos de passagem a serem observados com base em fortes acentos de sacrifícios pessoais. Édipo, mais do que qualquer outro herói grego, tem a sua vida profundamente marcada por este setor do zodíaco; ninguém no mito parece ter acumulado como ele tantas provações. Na sua história, o peso da culpa é imenso, como o é também o de sua irresponsabilidade. A sua cegueira não deixa de ser uma tradução de sua inconsciência, ligando-se o conceito de sacrifício à natureza oblativa dos nativos de Peixes. Para muitos piscianos, o tom maior de sua vida é dado por uma das operações mais radicais da alquimia, a mortificatio, a mais negativa das operações alquímicas, uma variante da solutio.
Em termos alquímicos, o signo de Peixes associa-se à operação que conhecemos pelo nome de solutio, basicamente a transformação de um sólido num líquido. O sólido desaparece no solvente, integrando-se de tal maneira que não mais será possível distinguir um do outro. É, como se depreende, um retorno à indiferenciação. Os hindus costumam representar esta solutio pela dissolução de uma pedra de sal à água.

SOLUTIO
Embora o deus Dioniso seja estudado normalmente por suas ligações com o signo astrológico de Escorpião, não podemos ignorar que a sua atuação tem muito a ver com a solutio pisciana. Para que fique mais clara esta associação de Dioniso com Peixes, precisamos lembrar que uma das principais características, nesta sua área de atuação, é a sua relação com a totalidade. Quando o Sol chega a esta constelação, o último mês do inverno, a totalidade criada chega ao fim. Nada mais ficará preso a uma forma. O signo de Peixes se situa no limite entre dois universos, um que está deixando ser e outro que ainda não é.  Por isso, o símbolo do signo, dois peixes nadando em sentido contrário expressam tão bem esse setor do zodíaco. 

JOHAN SEBASTIAN BACH
É por essa razão que aos nativos do signo é impossível aplicar a lógica do signo oposto, a análise, já que vivem mergulhados na sua interioridade, intimamente relacionados com o êxtase e a compaixão. Eis porque o signo acolhe gente como Johan Sebastian Bach, com as suas catedrais musicais, Michelangelo, o pintor do juízo final, e Einstein, com a sua formulação do infinito cósmico diante da finitude terrestre.

NETUNO E SEU TRIDENTE
É neste período do ano, fevereiro-março, em que o úmido reina soberano, que temos, com toda a sua evidência, sinais de difusão, de diluição, de fusão das partes na totalidade, de imensidão fluida. A água é o elemento em que os mais profundos mistérios da vida se radicam. Nascimento e morte, passado, presente e futuro, tudo se interliga com a água. É por essa razão que os espíritos da água profetizam; para eles, não há fronteiras entre o passado, o presente e o futuro. O tridente de Netuno põe tudo em comum.

Como sabemos, duas divindades atuam nos mistérios de Eleusis, Deméter (signo de Virgem, o pão) e Dioniso (signo de Peixes, o vinho). No santuário de Deméter em Eleusis tinha lugar anualmente um rito iniciático denominado mysteria, no qual os iniciados eram chamados de mystai. Esse nome deriva de myo, calar. Os mystai, nesse ritual, adotavam um comportamento religioso denominado orgiástico, palavra que aproximamos do grego orgas, pleno de seiva; terra fértil; porção de terra muito rica, consagrada a Deméter e a Perséfone; de orge, agitação interior que subjuga a alma; sentimentos violentos e apaixonados; ceder à cólera; frenesi.


CULTO  DIONISÍACO ( WILLIAM A. BOUGUEREAU , 1825 - 1905 )

Este comportamento era muito parecido com o das sacerdotisas do deus Dioniso, comportamento ao qual era dado o nome de mania, uma espécie de delírio das bacantes do deus, uma alteração de personalidade, que levava a movimentos convulsivos e espasmódicos, trazendo, ao final do ritual, uma sensação de despersonalização e de invasão do vazio criado (êxtase) por uma entidade divina (entusiasmo).
MISTÉRIO ELEUSINO
A orgia envolvia toda a comunidade (os mystai), tinha um caráter de unanimidade, isto é, ninguém podia deixar de participar. Se tal acontecesse, se alguém deixasse de participar, um que fosse, o objetivo do rito não era alcançado, renascimento para um outro tipo de  vida, a “morte” do eu profano. Os métodos usados para se chegar a este envolvimento total dos participantes consistia em levá-los a um elevado grau de excitação, um paroxismo provocado pela repetição muitas vezes prolongadas de determinas palavras de natureza encantatória, tudo em meio a muita música, com a ingestão de uma bebida enteógena chamada kykeon, uma mistura de vinho e de determinadas ervas. A finalidade era a de provocar uma modificação na personalidade dos participantes que destruísse totalmente o antigo ego, oferecendo um terreno propício para o desenvolvimento de um espírito de seita, inclusive sob o ponto de vista institucional.

Este rito eleuisino tinha claramente uma tendência cultural que pretendia suprimir socialmente a desigualdade, tendência que estava implícita e explícita no “discurso” do deus Dioniso, isto é, a abolição de fronteiras sociais. Não é por outra razão que as pregações nos cultos de Dioniso procuraram atingir, desde os primeiros momentos de sua difusão pelo território grego, os deserdados, as classes menos favorecidas, os marginalizados socialmente, as mulheres, os escravos, os estrangeiros, as crianças. 

RUÍNAS   DE   ERIDU
Dentre os mitos mesopotâmicos que podemos aproximar do signo de Peixes, destacamos o de Adapa. Este personagem faz parte da mitologia da Babilônia. Sua história é conhecida desde o séc.XVI aC. Adapa foi uma espécie de herói, de linhagem divina, mas mortal, que rejeitou a imortalidade que os deuses lhe concederam. Era filho de Ea (Casa da Água), deus da sabedoria, da cidade de Eridu (a primeira cidade a emergir do mar), uma espécie de Poseidon mesopotâmico. 

Ea era deus dos oráculos, sendo representado muitas vezes como um cabrito montês com cauda de peixe. Adapa foi talvez o primeiro rei de Eridu; era pescador. Seu barco, um dia, foi atacado por Ninlil, deus do vento sul. Vingando-se, quebrou as asas do deus. Chamado a se explicar perante Anu, o maior dos deuses, foi aconselhado pelo pai a nada ingerir (bebida ou comida) enquanto estivesse no céu, pois morreria. Com sinceridade, narrou o que lhe aconteceu; Anu ficou impressionado, oferecendo-lhe, ao invés de comida, a imortalidade, por ele rejeitada. Depois, tornou-se Adapa religioso e exorcista. Quando de sua morte, os deuses lhe deram um lugar entre os sete sábios, tendo recebido o nome de Apkalu (Grande Homem da Água). Além de representado numa forma capricorniana, Ea assumia às vezes uma forma humana, de cujos ombros fluíam correntes de água; noutras representações, vinha como um aguadeiro, trazendo nas mãos um enorme vaso cheio de água, que despejava sobre a terra em determinadas épocas do ano. Ea, como se pode perceber, “dominava” o quarto quadrante zodiacal, reunindo as representações dos seus três últimos signos, uma indicação, talvez, de que as fronteiras das referidas três constelações, àquele tempo, ainda não haviam sido definidas.

ADAPA
Outra figura mítica que nos vem da Babilônia, ligada a Peixes, é a de Oannes. Quem nos dá notícias sobre esse personagem é Beroso, séc. III aC., considerado como o primeiro nome da astrologia grega. Beroso era mesopotâmio, caldeu (sinônimo de astrólogo), sacerdote dos cultos de Marduk. Trouxe para o mundo grego a ideia de que a astrologia era uma ciência esotérica. Foi ele quem divulgou no mundo mediterrâneo a história de um ser mítico, Oannes, um educador da humanidade. Descreve-o como sendo um homem-peixe que um dia, saindo das águas do golfo pérsico, alcançou a terra para transmitir aos humanos a escrita, a
OANNES
ciência e as artes em geral, uma espécie de divindade civilizadora. Para muitos, Oannes seria uma personificação do deus Ea. As ligações entre Adapa e, principalmente, Oannes com Matsya, o primeiro avatar do deus Vishnu, na forma de peixe, são possíveis, se lembrarmos que nas histórias o caráter soteriológico é o que mais se destaca. 

MATSYA
A história de Matsya, entre os hindus, se liga ao tema do dilúvio. Vishnu, como Matsya, apareceu na forma de um pequenino peixe para salvar Manu, homem mítico, fundador da atual humanidade. Manu encontrou na água que usava para as suas abluções um pequenino peixe que, escorregando das suas mãos, lhe pediu proteção. Disse-lhe também Matsya que o salvaria quando viesse o dilúvio que destruiria a humanidade. Matsya foi crescendo tanto que Manu foi obrigado a levá-lo para o oceano. Foi nesse momento que o avatar se manifestou. Recomendou a Manu que construísse um grande barco e que para ele levasse os sábios, os animais e as plantas que pudesse. Manu prendeu a embarcação a Matsya com o corpo da serpente Shesha ou Ananta conseguindo se salvar. No mito, quando Vishnu, o aspecto mantenedor da trimurti hinduísta, dorme, o universo se transforma então num grande oceano. O deus repousa então sobre o corpo da grande serpente.

PHILON
A presença da mitologia mesopotâmica na religião judaica é marcante. Os judeus parecem ter herdado dos mesopotâmicos um personagem que usaram para dar nome ao signo de Peixes. No antigo testamento há algumas referências (em José e Samuel) a
DAGON
Dagon, deus semita da fertilidade e da pesca abundante. Quem nos dá também informações sobre Dagon é Philon (fim do séc. I dC), filósofo grego de origem judaica, que, com base num misterioso escritor fenício, se propôs a demonstrar que toda a mitologia grega tinha por base a mitologia fenícia, que explicaria inclusive as primeiras gerações dos seres humanos na terra.

DAGIM
Os judeus dão o nome de Dagim, ao signo de Peixes (dag, em hebraico, é peixe), sendo o mês chamado de Adar. No corpo, a correspondência é com o baço, órgão associado às emoções, ao riso e a paixões sexuais (gargalhadas podem ser sinal de mau funcionamento, de dilatação do baço). A festa mais importante do período é a do Purim, nome persa, que, em hebraico, quer dizer lançar a sorte. O clima é de festa, há representações teatrais, pratica-se a caridade. 

O mês de Adar marca o fim do inverno, opondo-se a Elul, fim do verão. Segundo a astrologia judaica, os piscianos têm uma personalidade muito flexível, adaptam-se facilmente às mudanças, tendo algo neles de teatral. Isto se deve, dizem os judeus, ao fato de ser Peixes o último signo, o que representa a possibilidade, nos do signo, de ser atingido o mais alto nível de desenvolvimento de sua personalidade. Isto se deve ao fato de não se sentirem eles constrangidos por nada materialmente, o que os leva a se adaptar ou mudar com facilidade. 

O mês de Adar simboliza tanto a nação de Israel como a própria Torá. Esta, a Torá, e a nação israelita formam uma analogia: o peixe está em casa na água. O judeu só poderá se sentir bem, como o peixe na água, se observar a Torá. Os dois peixes do símbolo, aliás, correspondem aos dois aspectos da Torá, a escrita e a oral, associando-se ela, neste aspecto, a Gêmeos (Sivan), cuja duplicidade tem o mesmo significado. A água, elemento do signo, é símbolo da Torá, que flui como a água corrente.

Uma das principais características dos nascidos neste mês é a da imitação, uma facilidade para o teatro, para a pantomima, sendo esta uma das razões pelas quais os que participam do Purim usam fantasias e máscaras. Alegria e risadas, proibidas em outras cerimônias são excepcionalmente permitidas neste período. 


ESTER   E   MORDECHAI , 1685  ( ARENT DE GELDER )

De acordo com a astrologia judaica, os piscianos são muito flexíveis, adaptáveis. É isto que os leva, com facilidade, a se associar a outras pessoas, transformando-se muitas vezes em atores. No judaísmo, o grande poder do signo se manifesta, como se disse, na festa do Purim. Duas figuras se destacam dentro deste signo, Esther e Mordechai. A primeira era uma jovem viúva, “bela de se olhar”, como está na Bíblia, que desposou o rei persa Xerxes, salvando os judeus do extermínio, juntamente com seu tutor Mordechai. A festa do Purim foi instituída, nos dias 14 e 15 de Adar, para comemorar essa vitória. O período marca também a aceitação, pelos judeus, da Torá em toda a sua plenitude, fato que proporcionou, desde então, nesse mês, o crescimento do poder espiritual e da santidade do povo judaico.   

É neste mês, dizem os astrólogos judeus, que o homem, através dos poderes de sua alma, pode transcender o seu nível corpóreo, escapar do plano material. Negativamente, esta tendência pode levar ao alcoolismo e às drogas. A tendência à despersonalização pode, por isso, levar o pisciano à mentira e à ignorância das suas responsabilidades materiais. 
ASTROLOGIA  HEBRAICA
Os astrólogos judeus nos explicam também que enquanto um dos peixes do signo olha para Aquário o outro se volta para Áries. O primeiro representa a totalidade do plano físico, o segundo diz respeito à eternidade da energia (alma). Representam também os dois peixes, como se disse, Esther e Mordechai que, através de sua retidão e pureza, muito contribuíram para manter a unidade do povo judeu. Os judeus relacionam ainda os signos de Adar e Sivan, Peixes e Gêmeos, duplos, através, respectivamente, de Esther e  Mordechai o primeiro, e de Moisés e Aaron, o segundo, que libertaram os judeus dos egípcios.

MIRRA
O membro do corpo associado ao signo de Peixes é o pé no que ele tem de mais extremo, de último, a parte que assenta no chão, a mais sensível, lugar das cócegas, de gargalhadas, na sua expressão mais frívola. Outro órgão regido por Peixes, segundo os judeus, é o nariz, onde está sediado o olfato.
MIRTO
Esta relação é estabelecida através de Esther e de Mordechai na medida em que eles se associam a especiarias e doces. O último tem relação com a mirra (
mordror, em hebreu) e Esther, por seu turno, é chamada de Hadassa, o mirto. A primeira é uma planta da qual se extrai uma resina aromática usada desde a antiguidade como incenso e na medicina, considerada então como muito valiosa. O mirto é planta que dá flores e pequenos frutos aromáticos, usados em geleias. Entre os gregos era usado como símbolo de Afrodite. O olfato é tido como o mais espiritual dos sentidos, pois dá prazer à alma. 

A tribo associada a Adar é a de Neftali., o Combatente, sexto filho de Jacó, nascido da serva Bilha; a tribo vivia a oeste do rio Jordão e do lago de Genesareth. Os judeus fazem uma outra associação, relacionando duas outras tribos com o signo, a de Efraim com um dos peixes e a de Menaseh com o outro. O primeiro é o segundo filho de José, que o patriarca Jacó adotou no momento de morrer, colocando-o, embora mais novo que Menaseh, na situação de primogênito. 

CHANUKAH
Entre os judeus, o  planeta que rege Peixes é Júpiter (Tsadik, o probo, o justo), que governa também Sagitário (Kislev). Os sábios judeus instituíram duas festas nestes meses, Chanukah e Purim, períodos em que os poderes do engano e do mal, que caracterizavam os persas e os amalecitas, foram derrotados. O planeta Júpiter associa-se tanto à probidade quanto com a caridade. Segundo a tradição astrológica, no simbolismo do corpo humano, as influências das pernas, que começaram em Kislev, se completam em Adar. Se a letra Kuf “criou” Peixes, Júpiter foi “criado” por Guimel, letra que significa compartilhar. A letra Kuf é a única no alfabeto hebraico que se estende abaixo da linha da escrita, significando isso que ela é dupla, tendo ligações com o mundo das ilusões, da vida subconsciente. Se o fator de correção (tikum, eixo dos nós lunares) de um mapa estiver em Peixes isso pode significar apego demasiado à lógica, a racionalizações em vidas anteriores. O tikum em Peixes sugere que, além da razão, há outro modo, talvez mais importante, de apreender a vida. Há que se deixar de lado, um pouco ou muito, as explicações só racionais.   

A constelação de Peixes estende-se hoje de 15º de Peixes a 26º de Áries. Não há estrelas brilhantes nesta constelação. A única a considerar astrologicamente é Al Rescha, que marca o nó dos cordões que unem os peixes, uma estrela de quarta magnitude, a 28º41´ deÁries. Ptolomeu atribuía-lhe influências marcianas e mercurianas, estas bem moderadas O simbolismo do nó ajuda-nos a interpretar Al Rescha. Onde a tivermos, ali procuraremos unir conceitos, trabalhar com a ideia de aproximar para ampliar a nossa compreensão, para buscar uma visão mais abrangente. Quadrantes em que estiver e planetas em aspecto com ela influenciarão também dessa maneira. Negativamente, o nó é maléfico quando funciona como obstáculo, perturbação da ordem natural das coisas, lugar em que algo pára, um ponto de coagulação. Positivamente, o nó é
CARL  GUSTAV  JUNG
proteção, meio de defesa contra inimigos, grau de iniciação. Um mapa que poderá ser estudado para uma maior compreensão do que Al Rescha  pode significar é o de Carl Gustav Jung, que procurou integrar várias formas de conhecimento na sua psicologia profunda. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

QUINTO TRABALHO DE HÉRCULES


A captura e a morte do leão de Nemeia - Para cumprir a tarefa determinada, Hércules se dirige ao bosque de Nemeia, perto da cidade de mesmo nome, na Grécia. Gerado pelos maiores monstros da mitologia grega, Tifon e Équidna, o leão de Nemeia devastava e destruía tudo, matando os habitantes da região, devorando rebanhos. Era irmão de Cérbero, o monstruoso cão tricéfalo do Hades, da Hidra de Lerna, da Quimera, do Dragão Ládon, do Abutre devorador do fígado de Prometeu e de Ortro, o Cão de Gerião, e de Fix, a Esfinge de Tebas.
 
ÉQUIDNA

A inspiração para a realização deste trabalho (e de outros), como se sabe, foi de Hera, sempre vingativa, ao perseguir a descendência
de Zeus.. Quem nos conta isso mais detalhadamente é Calímaco, o poeta. Vários autores, por outro lado, como Epimênides (poeta, filósofo e místico, muito famoso, tinha a fama de poder projetar o seu duplo) e Plutarco, nos dão informações diferentes sobre a origem do Leão de Nemeia: Hera teria encontrado o animal na Lua, onde “os seres são quinze vezes maiores que na Terra”, fazendo-o cair, de lá, sobre o monte Apesas, na região. 

Ficando com os registros míticos mais aceitos, o que se sabe é que
ZEUS E TIFON
o Leão de Nemeia descende de Forcis e de Ceto, irmãos, monstros marinhos, pertencentes à primeira geração divina. Équidna, a Serpente, era filha deles. Quanto a Tifon, apesar de algumas variantes, tem-se como certo que seus pais são Geia e o Tártaro, ou seja, o não-ser. É Tifon um filho do mundo ctônico (de khthonios, em grego), sinônimo de inferno.

Como um dos elementos primordiais do cosmos, o Tártaro é a região mais profunda das entranhas da Terra. Como tal, é a última camada do Hades, lugar jamais atingido pela luz. Associado sempre por isso a ideias de escuridão, morte, prisão eterna dos condenados e dos danados, foi onde Plutão, o deus dos infernos, construiu o seu palácio. 


CENA DO TÁRTARO

Enorme, incomensurável, cheio de serpentes pelo corpo, os olhos de Tifon lançavam chamas; nos mares, sua cabeça sempre ficava acima da superfície das águas; de pé, sobre a terra, podia olhar por cima das nuvens; se estendesse os seus inúmeros braços, podia tocar com facilidade o oriente e o ocidente. Só a duríssimas penas Zeus conseguiu contê-lo, lançando sobre ele o monte Etna, que vez ou outra entra em erupção, sinalizando a sua presença. 

ETNA-TIFON

Chegando a Nemeia, depois de ter declarado o objetivo de sua viagem, Hércules recebeu o apoio dos moradores do lugar, indo hospedar-se na casa de Molorcho, um pastor, cujo filho fora morto pelo Leão; recebeu dele homenagens como se fosse um deus, tão impressionado que ficou o hospedeiro com a sua aparência. Hércules pediu-lhe que preparasse um animal a ser sacrificado a Zeus, no caso de voltar vitorioso.  O pastor deveria esperar por 30 dias. Se dentro desse prazo ele não voltasse, que Molorcho sacrificasse sozinho o animal.

As versões mais correntes nos contam que Hércules, brandindo o seu porrete, se pôs à procura da fera. O porrete utilizado por Hércules, lembremos, fora por ele mesmo construído quando do início do ciclo dos doze trabalhos. Abatera uma oliveira selvagem e do seu tronco fizera a sua arma preferida, um símbolo do poder que domina pelo esmagamento. Sabia Hércules que a fera era invulnerável a flechas e lanças. Localizou-a numa floresta próxima, conseguindo encurralá-la na caverna de uma montanha, o seu refúgio. Quando se preparava para enfrentá-la, eis que o animal surgiu às suas costas. Percebeu então nosso herói que a caverna não era o que imaginara; ela tinha duas entradas, assemelhando-se mais a um túnel. Por isso, o animal lhe escapara.




HÉRCULES E O LEÃO DE NEMEIA

Recomeçando a caçada ao animal, Hércules cuidadosamente bloqueou com enormes pedras uma das entradas da gruta e voltou assim a encurralá-lo. Não podendo escapar, o animal foi então atacado pelo nosso herói. A luta foi tremenda, decidindo-a Hércules quando, depois de certeiros golpes de clava, tonteando o animal, conseguiu agarrá-lo com os seus musculosos e possantes braços, sufocando-o, em meio a seus grunhidos e estertores. Arranhado, ferido, sangrando muito, mas vitorioso, Hércules depois, então, com sua afiadíssima faca, esfolou a monstruosa fera, retirando-lhe o couro. Desde então, para marcar a sua vitória, passou a usá-lo sobre os seus ombros e cabeça como seu emblema. Esta imagem, a de Hércules vencedor do Leão de Nemeia, é, sem dúvida, a cena mais representada de toda a mitologia grega.

Levando às costas o animal morto, Hércules partiu em direção de Micenas. Foi impedido por Euristeu de entrar na cidade. Por um arauto, Copreu, a ordem foi transmitida: Hércules deveria deixar o leão morto diante das muralhas. Por causa desse episódio, Euristeu mandou fabricar um enorme vaso de bronze que doravante poderia lhe servir de esconderijo no caso de Hércules querer se aproximar muito do palácio.

Ao mencionar Copreu, não posso deixar de me estender um pouco sobre essa figura, que não só faz parte da história de Hércules como tem seu nome ligado a palavras que lembram imundície, fezes, matéria em decomposição. Kopros, em grego, é fezes, estrume. Dela nos vêm, por exemplo, coprofagia, prática de comer fezes; coprofilia, interesse patológico por fezes em geral e, particularmente, pela associação delas ao ato sexual; coprofobia, medo mórbido de fezes ou de defecar. É dessa palavra, ou melhor, de sua raiz, mais recuadamente, que sai a popular caca, excremento, fezes, matéria fecal. 

Copreu é nome que em grego lembra o que é sórdido, infame, imprestável. No mito, é filho de Pélops, rei da Élida. Acusado de homicídio, refugiou-se na corte de Euristeu, que fez dele o arauto encarregado de, em seu nome, manter contactos com Hércules. Depois da morte de Hércules, Euristeu o enviou como seu embaixador junto a Tráquis e depois a Atenas para que ambas as cidades não dessem hospitalidade aos descendentes de Hércules, os Heráclidas, os filhos que ele tivera com sua última mulher, Djanira.    


DJANIRA, HÉRCULES E O CENTAURO

O leão é um animal solar, poderoso, majestoso, orgulhoso, soberano (rei dos animais), usado simbolicamente desde tempos remotos para representar as qualidades superiores do ser humano e também os defeitos que a ela são inerentes, autoritarismo, tirania, despotismo, egolatria etc. Na religião, por exemplo, positivamente, o encontramos como símbolo de Krishna, de Buda, de Cristo, de Sekhmet (a deusa leoa dos egípcios), de São Marcos (Veneza) assim como de todos aqueles que, ao longo da história, adquiriram algum tipo de poder: Salomão, Ashoka, Luis XIV, Napoleão Bonaparte, Lourenço, o Magnífico, Guilherme I, Benito Mussolini, muitos inclusive nascidos no período em que o Sol atravessava a constelação zodiacal do mesmo nome (23 de julho-22 de agosto). O auge do verão (hemisfério norte) se caracteriza por uma grande exuberância vital, pelo esplendor da luz, pelo calor, atingindo o Sol, astro regente da constelação, a sua máxima luminosidade no ciclo anual. Os dias são longos, as noites curtas, o período é de grandes festas e de celebrações.

Ainda no período matriarcal da história da humanidade, encontramos o leão usado como um símbolo de dominação. A Grande-Mãe anatólia Cibele, cultuada em montanhas e grutas, era,
SEKHMET
na Ásia Menor, iconograficamente representada com a cabeça coroada de torres, com um crescente lunar, sempre se deslocando num carro puxado por leões. No Egito, não podemos esquecer a poderosa Sekhmet, originária do delta do Nilo, representada por uma majestosa mulher com cabeça de leão. Deusa guerreira, ela assumia às vezes o papel de olho de Ra para destruir os inimigos do Sol. Negativamente, ela espalhava as epidemias, mas, honrada devidamente, podia curar. Os médicos faziam parte do seu colégio sacerdotal. Na mitologia grega, encontramos sobrevivências do poder leonino das antigas deusas, por exemplo, em Ártemis, nas suas mais antigas representações, enquanto reverenciada como Potnia Theron (Senhora das Feras).

O leão só assumiu a sua posição como símbolo máximo do poder patriarcal por volta de 2.000 aC, quando do começo da era astrológica de Áries. Foi durante essa era (matematicamente, entre 1.662 aC – 498 dC) que movimentos religiosos de inspiração patriarcal liquidaram definitivamente o mundo matriarcal (vide primeiro trabalho de Hércules) e que as tribos indo-europeias se deslocaram em direção da Ásia (futura Índia) e Europa (futura Grécia e mundo celta). A desvalorização do feminino se acentuou cada vez mais, equiparando-se a posição da mulher na sociedade à de um escravo. Se antes, no matriarcado, o homem sentia “inveja do útero”, agora, no patriarcado, era a mulher quem sentia “inveja do pênis”.


Nesse sistema, que Hércules tão bem representa, o chefe da família, socialmente, gozava de absoluta autoridade sobre o oikos (mulher, filhos, empregados, escravos, animais, propriedades). Além de presidir o culto doméstico, o chefe da família podia recusar ou aceitar a criança recém-nascida, ajustava o casamento dos filhos sem consultá-los, podia emancipá-los ou adotar um estranho. A
VIDA DOMÉSTICA
mulher (estamos falando do período histórico mais “adiantado” da Grécia antiga e da elite aristocrática), desde o seu nascimento, era considerada sempre como de menor idade, passando a vida inteira sob a tutela de um senhor (kyrios). Quando solteira, tinha que prestar obediência ao pai; casada, ao marido; viúva, ao filho ou a um tutor, designado em testamento pelo marido falecido. Embora, é claro, os costumes contribuíssem para amenizar um pouco esse quadro, a mulher era um ser sem nenhuma expressão social. Fazia parte daquele grupo, juntamente com escravos, estrangeiros, menores, adidos domésticos etc., que, quando do choque entre as forças apolíneas e dionisíacas, engrossou as fileiras destas últimas, forças que, como se sabe, acabaram por destruir a polis grega, Atenas principalmente.  

Como símbolo extremo, o leão passou a representar o homem heroico, tanto no sentido positivo como no sentido negativo. Vencer o leão passou a significar a vitória do espírito humano sobre a natureza animal. Mas, do outro lado, o leão podia ser também um símbolo das potências infernais. É neste sentido que o signo do Leão é tanto real como infernal. Um signo ambíguo, que pode apontar, como se disse, para uma grande propensão ao faustoso e ao exibicionismo, à riqueza, à vaidade e à tirania, como, numa outra direção, para posturas reveladoras de uma autoridade natural, de generosidade, de grande de espírito. 
   
A palavra Nemeia, nome do bosque onde vivia o leão, tem a ver com verbo nemein, distribuir, delimitar. Já nomo, do verbo nemo, tem a ver com a determinação do espaço que no pasto deve caber a cada pastor que vá apascentar os seus animais. Nomo é também delimitação territorial, divisão, província, comarca e, como tal, aparece no Egito, dividido em 42 nomos. Nêmesis, nome que tem relação com as citadas palavras, lembremos, é a grande divindade da Justiça distributiva, lembrando limites, que pune todos aqueles que ultrapassam o seu metron, invadindo o espaço dos outros, atitude muito comum nos tipos malogrados do signo de Leão. É Nêmesis a deusa que restabelece o equilíbrio quando a justiça deixa de ser equânime, trazendo muito sofrimento aos transgressores e aos omissos, que nada fazem para coibi-los. Ela curva os orgulhosos, pune os vaidosos, aconselhando sempre a moderação e a discreção. São seus símbolos, dentre outros: a régua, o esquadro, o leme, o chicote, o freio, o compasso, tudo enfim que dá a ideia da justa medida. 

A proposta deste quinto trabalho é a de que o nosso herói aprenda a lidar com o descomedimento de sua personalidade. A luta a ser travada, em última instância, é contra aquilo que os gregos antigos chamavam de hybris, uma tendência natural do ser humano ao excesso, à desmedida. A consequência desta atitude é a violência, a ação perigosa, a agressão, que os gregos chamavam de hamartia. Tem o herói que aprender a controlar a sua natural disposição para ultrapassar limites em todos os sentidos, não reconhecendo, muitas vezes, o direito dos outros, o espaço por eles ocupado. Nemeia é, assim, o “bosque da lei”, onde inclusive os “leões” devem respeitar os limites de convivência. 


HÉLIO

Analogicamente, tudo isto tem a ver com o auge do verão, segundo mês da estação, quando não pensamos mais no fogo impulsivo das auroras primaveris, mas, sim, na chama irradiante do verão que traz o calor e a luz. Ligam-se a este momento ideias de ardor vital, voluntariedade, ambição, dominação. No mito grego, deuses como Febo, Hélio, Apolo são representações arquetípicas de várias expressões solares. No mês do Leão, temos ideias de conquista de uma autonomia, da aparição de um eu que, ao se revelar pelo nascimento de uma vontade, terá que se expressar socialmente, levando em consideração os outros. Apaixonado, veemente, de temperamento bilioso, o leonino deseja aplausos, gosta de centralizar as atenções, mas nunca deverá perder a noção do que está fora dele. Por isso, o leão sempre foi usado para ornar o trono de reis, sempre com o propósito de lembrar luz irradiante, generosidade, coragem, nobreza.

Na antiga arte simbólica, o leão, a par de suas qualidades positivas, era usado também para representar o poder destrutivo do Sol, tão necessário para manter a harmonia universal quanto o seu poder regenerador. No antigo Egito, indo um pouco além do que já falamos sobre Sekhmet, lembremos, existia uma relação entre o Sol e o leão, este considerado como símbolo da força, emblema da alma, da incandescência e da eterna vigilância. 

Hércules venceu o leão numa gruta que tem duas aberturas. Esta gruta é a imagem (analogia) de uma pequena gruta semelhante que o ser humano tem na cabeça, uma estrutura óssea que protege uma das mais importantes glândulas do corpo humano, a hipófise ou pituitária. O corpo pituitário é duplo. Na parte posterior, temos o

racional; na parte anterior a emoção e a imaginação. Desta glândula endócrina depende o controle de nossa personalidade, sendo ela essencial para o nosso crescimento. Ela é chamada de glândula cibernética ao controlar as mensagens hormonais (do grego, hormao, excitar). Hércules bloqueou a parte anterior da entrada, onde estão simbolicamente as ilusões do ego, as emoções e a imaginação, para poder controlar melhor outra entrada, onde temos simbolicamente a vida racional. É na região da hipófise que as doutrinas orientais situam o chamado “terceiro olho”, que leva o conhecimento superior, de natureza espiritual.

Astrologicamente, o planeta que governa a hipófise é Urano, regente do signo de Aquário, oposto ao de Leão. É na ação reflexa entre esses dois signos e nas relações entre os seus astros regentes, Sol-Urano, que encontramos, em grande parte, as explicações para os distúrbios de crescimento da personalidade leonina. Urano, como a astrologia ensina, opera no sentido contrário do Sol. Conhecido como a oitava superior de Mercúrio, Urano tem a ver
AJÑA
com a eletricidade cerebral, regendo o influxo nervoso e, a rigor, tudo o que pulsa no organismo humano. São dele a aura física e magnética, as forças eletromagnéticas do organismo psicossomático. É na região onde encontramos a hipófise (etimologicamente, do grego, nascimento ou crescimento da parte inferior) que as filosofias hindus (Yoga) situam o chakra ajña (chakra do comando), correspondendo a ele os tattvas (etapas de desenvolvimento) psíquicos: faculdade mental (manas), sentido de individuação (ahamkara) e intelecto (buddhi).  


Aprender a dominar o leão personalidade, pois, do contrário, só teremos devastação e morte nas relações humanas. Menos ênfase no ego e mais ênfase no todo, colaborar mais, ajudar, saber atenuar a individualidade para buscar formas de convivência mais
O LEONINO LUÍS XIV
harmoniosas e menos escandalosas ou espetaculares. Pensar menos em “vencer na vida”, deixar de lado a máxima de que “todos os meios são bons, desde que eficazes.” A procura superior do leonino deverá se dar através da criação, da arte, da expressão pedagógica, da coordenação, do comando judicioso e, sobretudo, da doação do seu poderoso ego a favor da humanidade. Uma recomendação importante: manter permanentemente a atenção, o controle, pois  sempre podem se apresentar as tentadoras tendências de dominação e de manipulação, aliadas, nos tipos mais grosseiros e inferiores, ainda que ricos e poderosos materialmente, a uma grande propensão ao espetacular, ao teatral, às demonstrações de poder.

Uma das mais perigosas expressões leoninas que vieram da mitologia grega está hoje na Psicologia com o nome de narcisismo. Narciso é nome grego que sugere embriaguez, consciência entorpecida. Narko em grego é sono, narkê é torpor. Narcótico é o que tonteia, que provoca torpor, que embriaga. Narciso é o embriagado de si mesmo. No mito, tudo começa com a história de um jovem (que ainda não se chamava Narciso), de uma beleza divina, que andava pelo mundo a despertar grandes paixões. Amado por todos, sempre seduzindo, nunca seduzido. Fixado no seu ego, não via ninguém. Um dia, uma jovem ninfa o viu e por ele se apaixonou perdidamente. Indiferente, gélido, insensível, o jovem não lhe deu a mínima atenção. A jovem ninfa, prisioneira de um sofrimento indescritível, passou a viver solitariamente num rochedo, definhando cada vez mais, e acabando por se fundir com ele, transformando-se numa rocha.



NARCISO

Aos poucos, a história dessa ninfa se espalhou, passando ela a ser
NÊMESIS
conhecida pelo nome de Eco. Isto porque o rochedo ao qual ela se fundira adquiriu a propriedade de devolver os últimos sons que lhe chegavam. Assim, Eco tomou o significado de tudo o que era impessoal, de tudo para e no outro, enquanto o lindíssimo jovem significava tudo em e para si mesmo. As amigas da jovem ninfa pediram vingança à deusa Nêmesis, a que curva os orgulhosos. Ela as atendeu, condenando o lindíssimo jovem “a amar um amor impossível”.

Um dia, o jovem se aproximou de um lago. Debruçou-se sobre a sua superfície, um espelho líquido. Viu-se então como nunca se vira. Viu a sua imagem, apaixonou-se por ela, não conseguindo mais sair dali. Apaixonara-se pelo próprio reflexo. A sentença divina se cumprira. A princípio, as pessoas que passavam por perto do lago não prestaram muita atenção à cena. Contudo, depois de alguns dias, intrigados, foram ao lugar onde o haviam avistado. Procuraram o corpo. No lugar apenas uma delicada flor amarela, cujo centro era circundado por pétalas brancas. Era o narciso. O mais belo dos efebos morrera, vendo-se.

O narciso em muitas regiões do mar Mediterrâneo foi em toda a antiguidade plantado junto a túmulos. Ele simbolizava nessas
NARCISO
tradições o entorpecimento da morte, uma espécie de sono profundo. No simbolismo grego, principalmente, o narciso é o emblema da vaidade, do egocentrismo e do desdém pelos outros. O perfume do narciso é perturbador, embriagador. Na linguagem das flores, flor dos amantes estremecidos, corresponde à seguinte mensagem: "Você não tem coração.”
     
Na psicanálise, sabemos, narcisismo é o amor pela própria imagem. Num estágio inicial de desenvolvimento, crianças, jovens ou mesmo adultos podem se eleger a si mesmos como objetos privilegiados da sua sexualidade. Um traço importante desta tendência pode ser notado em pessoas, homens e mulheres, que erotizam o seu corpo para se tornarem desejados, mas que são incapazes de reciprocidade na relação amorosa, inclusive sexualmente. Investem só em si mesmos. O ego não vai para os outros. O narcisismo é uma variante do solipsismo (ipse em latim é o mesmo, de si mesmo), doutrina segundo a qual só existem efetivamente o eu e suas sensações, sendo os outros entes (seres humanos e objetos) meras impressões sem existência própria. Assim, o solipsismo é a tendência para fazer de si próprio o ponto de referência em torno do qual se organiza toda a experiência obtida. Por isso, desastres, tragédias podem acontecer quando alguém descobre que é não é tão “único” como supunha ser e que o mundo não foi construído segundo os seus exclusivos interesses.

Uma das grandes características astrológicas de Leão é a expansão, sempre favorecida pelas duas qualidades primitivas que
PAULO FREIRE, PEDAGOGO
constituem o elemento fogo, o quente e o seco, nessa ordem. Isso nos lembra que o fogo para fulgurar, para se desenvolver, precisa de ar, de oxigênio. Ou, de outro modo, de trocas. Os signos de fogo, inclusive o de Leão, embora considerado fixo (2º mês do verão), precisam de comunicação, a passagem rápida de um estado a outro, de uma ação que leve do desequilíbrio ao equilíbrio. Por isso, fazem parte do universo leonino o proselitismo (catequese, apostolado) e/ou a pedagogia. Sempre ideias de guiar, de orientar.

A “realeza” só se manifesta realmente quando o leonino, saindo dos quatro pontos cardeais, se encaminha instintivamente para o centro,

sempre representado pelo número cinco. Uma das melhores expressões do que aqui se coloca está na tradição chinesa: o número cinco era o número do imperador da antiga China; no Ming Tang, o templo, ele ocupava o lugar central porque havia saído da dispersão, representada pelos quatro cantos do quadrado, tudo conforme simbolizado pelos quadrados mágicos, tema sobretudo da predileção de místicos e astrólogos árabes. O centro, o lugar privilegiado, é o lugar de onde emanam as imposições que vão estabelecer uma ordem, dar uma organização, pois sem ele tudo é caos. O centro implica assim uma ideia de cosmos (etimologicamente, princípio de ordem), no qual cada parte encontra a sua função pela relação que com ele mantém. 

MING TANG

Outra característica importante de Leão é a necessidade de anexar, sendo, por isso, o signo inspirador, ao longo da história da humanidade, de todas as aventuras colonialistas que precisam de exércitos (signo de Áries) e da religião (signo de Sagitário), os três do elemento fogo. É por essa razão que todo as aventuras colonialistas gregas durante a antiguidade grega, principalmente no período  clássico, foram decididas e patrocinadas pelo colégio sacerdotal do Oráculo de Delfos, cujo patrono era o deus solar Apolo. No plano humano, isto quer dizer que todo leonino (vale a generalização!) busca conscientemente ou não se tornar um centro, tal como o Sol é o centro do sistema solar. O melhor exemplo do que estou a expor aqui é o de Napoleão Bonaparte (15 de agosto de 1.769) em torno de quem se alinharam vários satélites.

Apolo é a grande divindade da mitologia grega que associamos ao
ORÁCULO DE DELFOS - RUÍNAS
signo de Leão. Ele, como se disse, era a divindade que inspirava o estabelecimento das colônias  (apoikias), unidas à metrópole (Atenas), sobretudo por laços religiosos, embora mantendo uma certa autonomia administrativa. O Oráculo de Delfos era obrigatoriamente consultado por todo grego que decidisse emigrar. Fracassos de empreendimentos coloniais foram atribuídos ao desprezo dessa prática religiosa. A sentença oracular apontava inclusive para as regiões que deveriam ser invadidas.

De início, no mundo grego, Apolo se apresentou como uma divindade caracterizada por fortes traços de prepotência, de orgulho, de violência, produto de um grande sincretismo (como todas as divindades gregas o são, aliás!), que incorpora elementos asiáticos, hiperbóreos, mediterrâneos. Aos poucos, à medida que a sociedade grega se tornou mais complexa, as atribuições apolíneas também foram se alterando. Os primitivos componentes de sua imagem (violência, invasão, guerra) foram se atenuando. Já ao fim do período arcaico, ele passou a ser considerado como um ideal de sabedoria, de estilo de vida, que definia o “milagre” grego.

Todas as colônias gregas, através de suas elites (algo muito semelhante ao que temos hoje!), sempre adesistas, reverenciavam a matriz grega. Platão, em A República, recomendava aos legisladores que pensassem em Apolo quando tivessem que estabelecer regras e leis. Estas leis, todas de inspiração apolínea, deveriam contemplar questões como: fundação dos templos, ritos sacrificiais, cultos religiosos em geral, definição do que era demoníaco e heroico, culto dos mortos etc.


Todavia, Apolo nem sempre conseguiu assumir esse papel no mundo grego. Operado politicamente pela aristocracia grega, foi utilizado como representante do colonialismo grego, inspirador de aventuras militares e econômicas que acabaram por levar a polis à derrocada. Os valores apolíneos acabaram por se banalizar em formas pomposas e solenes, mas sem valor intrínseco algum. 




APOLO

Apolo acabou sendo absorvido por uma duvidosa arte que o transformou  numa  figura  aloirada,  de  cabelos  encaracolados, esplêndido apenas fisicamente, que serviu de modelo a uma masculinidade efeminada, sob a ameaça de pressões (inconscientes?) narcísicas e homossexuais, sempre muito atraída pelos espelhos. É daqui que sai o adjetivo apolíneo (e o nome próprio Apolinário), aplicado a jovens belíssimos, mas vazios de mente e espírito.

Nietzsche usará o adjetivo para designar estados interiores em que a contemplação da beleza e da harmonia podem afastar todo o sofrimento humano. Ou seja, a contemplação do belo apenas sob o ponto de vista físico que leve a um êxtase e transfigure o ser humano, aproximando-o do divino. Este sentimento opunha-se àquele que Dioniso provocava, um sentimento de horror e sofrimento que a sua simples presença física causava, como um agente de destruição das formas. Um pensamento muito reacionário, convenhamos, bastante revelador, por outro lado, da  complicada problemática sexual do filósofo.

O signo de Leão tem muito a ver (ou tudo?) com aquilo que a psicologia chama de ego consciente, adquirido ao longo da vida tanto por um diálogo entre o fator somático da personalidade, o meio ambiente e depois por encontros ou colisões com o mundo exterior e interior. A nossa personalidade visível, é bom lembrar, nunca poderá ser mais do que uma imagem incompleta do que acreditamos ser o nosso ego consciente porque há muitos aspectos que ficam fora deste último. A nossa imagem pública teria que incluí-los, o que não acontece. Podemos mesmo dizer que aquilo que mais afeta a nossa personalidade visível é inconsciente, só sendo percebido pelos outros ou por nós com uma ajuda externa.


MÁSCARAS GREGAS (PERSONA)

Grande parte da vida dos seres humanos é vivida só através de uma máscara chamada persona (o Ascendente, astrologicamente), muito usada nos diversos embates da vida. Este problema começa na infância, quando, por exemplo, a criança é pressionada pela família. No geral, comporta-se para receber aprovação. Essa é a primeira experiência vivida através das relações entre ego e persona. A
maior parte das pessoas perde totalmente a consciência com relação a esses dois elementos. Persona e ego passam a viver só em função da primeira, procurando todos usar a máscara social o mais favoravelmente possível. A individualidade se confunde com essa máscara. Uma obra fundamental para a compreensão do que aqui se expõe, de modo muito claro, objetivo, sem os tecnicismos e cacoetes dos especialistas, é “A Náusea”, de Sartre, marco literário do século XX.

CONSTELAÇÃO DO LEÃO

A constelação do Leão estende-se hoje entre 12º Leão e 22º Virgem. Ptolomeu atribui às duas estrelas da cabeça influências como as de Saturno e Marte, esta parcial. As três estrelas do pescoço atuam como Saturno, com discreta participação de Mercúrio. As que estão no lombo lembram influências de Saturno e Vênus. As das coxas atuam como Vênus e, menos, como Mercúrio. 

A estrela alfa de Leão é Regulus, de 1ª magnitude, hoje a 29º08´, conhecida como Cor Leonis, atuando como Marte e Júpiter. Esta estrela, como já foi dito, era uma das quatro estrelas reais dos
AHURA MAZDA
persas. Eles a consideravam como a “guardiã do Norte”, ligada ao todo-poderoso rei mítico Feridum. A história deste rei merece que nos detenhamos nela um pouco mais porque ela é arquetípica: na eterna luta entre o Bem (Ahura Mazda) e o Mal (Ahriman), este último conseguiu se apoderar através da magia da personalidade Zohak, príncipe do deserto, que, com isso, obteve muitas vitórias. Uma noite, Zohak teve um sonho: um jovem príncipe o derrotava. Interpretado pelos sábios, Zohak ficou sabendo que esse futuro príncipe de nome Feridum, acabara de nascer e que herdaria o seu trono. Zohak manda então assassinar todas as crianças recém-nascidas do seu reino.

A mãe de Feridum, uma jovem e sábia mulher, conseguiu contudo salvá-lo. Ela o confiou a um jardineiro que cuidava de um terreno ajardinado onde vivia uma vaca maravilhosa, que aleitou a criança. Jovem, Feridum foi levado às escondidas, pela mãe às montanhas do Hindustão, onde  passou a viver sob a tutela de piedoso mestre. Tornando-se adulto, Feridum soube pela mãe dos desmandos e crimes do rei Zohak. Depois de muitas peripécias, inclusive participação de seres angelicais, Feridum acabou vencendo Zohak, ajudado por um pequeno grupo de descontentes. Instalando no poder, Faridum reinou por muito e muitos anos, sempre proporcionando muita felicidade aos seus súditos. Morrendo muito velho, deixou, forçado, a coroa para seus descendentes, que a disputaram desastrosamente entre si o reino.


Desde tempos muito remotos, Regulus sempre apareceu  associada a sucesso em posições de mando, honras militares, altos postos em comando, podendo, contudo, atrair agressões (complôs). “Regulus”, em latim, é diminutivo de Rex, rei, isto é, rei ainda criança ou muito jovem. Às vezes, a palavra toma o sentido de chefe de pouca importância (reinos da África), mas de temperamento tirânico. Em Ptolomeu, Rex é o equivalente de Basilikos. Na Índia, a estrela é Magha, a Poderosa, dona da 8ª


mansão lunar. Entre os árabes é Malikiy. Entre os romanos, Basilica Stela. No ascendente a estrela reveste a personalidade de “realeza”, empurra para o sucesso, para o brilho, mas pode trazer problemas como uma hipersensibilidade quando esta “realeza” não é reverenciada, reconhecida. Um mapa para estudo de Regulus é, por exemplo, o do compositor francês Claude Debussy.

A estrela beta de Leão é Denebola, situada na cauda da figura celeste, hoje a 20º 55´ Virgem. O nome vem do árabe, Dhanab al Asad. Costuma ser chamada de Deneb. Para Ptolomeu, com características de Saturno e Vênus, esta estrela tem um forte componente aquariano, podendo levar a pessoa a viver fora dos padrões sociais, afrontando a sociedade, um traço não conformista. Pode colocar por isso a pessoa adiante do seu tempo.

A estrela gama de Leão é Algeiba, “escondida” na juba, não usada astrologicamente. A estrela delta é Zosma (a cinta ou a cintura, em grego), perto da cauda, hoje a 10º 37´ Virgem. É uma estrela potencialmente perigosa, podendo, conforme o caso, tornar a pessoa vítima de alguma coisa, algo injusto, mas de caráter inexorável, muitas vezes. Na casa em que está, indica possibilidade de abuso, de algum ataque, de alguma violência. Segundo a tradição mitológica, Zosma foi o ponto do corpo do Leão de Nemeia atacado por Hércules. O mapa do presidente americano Jonh F. Kennnedy é um bom exemplo para o estudo de Zosma.  


Uma curiosidade que se liga à constelação é uma chuva de meteoros, denominados os Leônidas, que ocorre a cada ano, entre 9 e 17 de novembro, proveniente da região da cabeça da figura. Tal fenômeno se verifica de modo particularmente espetacular a cada 33 anos (um número solar), tendo ocorrido o último no ano de 1.999. Há notícias dos Leônidas desde a antiguidade.



CONSTELAÇÃO DA HIDRA

A constelação que associamos à de Leão é a da Hidra ou da Serpente. Ao se estender de Câncer a
ANANTA
Escorpião, cobre cerca de 95º do zodíaco, sendo a maior dos céus, portanto. Relacionada com a água, esta constelação é depositária dos mitos que, em várias tradições, nos contam histórias sobre a criação. Na Índia, ela é Ananta; entre mesopotâmicos é Tiamat, por exemplo. A sua importância com relação a Leão está no fato de sua principal estrela, Alphard sensibilizar a região entre o seu 26º e 27 graus. É nessa região que a estrela se manifesta como pressão inconsciente de caráter violento. Ela  pode criar também uma área de tensão, de resistência, reforçando as características fixas do signo de Leão. William Blake tinha esta estrela em destaque no seu tema astrológico.