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sábado, 5 de junho de 2021

O BRANCO


POMBA  DA  PAZ  (PABLO PICASSO, 1881-1973)


Em geral, as cores são símbolos afirmativos de iluminação. O branco tradicionalmente sempre foi usado para representar a luz, tornando-se por essa razão símbolo da pureza, da temperança, da verdade, da inocência, da castidade, da paz (pomba branca), da limpeza e, por extensão, do sagrado e do divino. Algumas vezes, porém, o branco pode possuir algumas conotações negativas, denotando luto, medo, covardia, rendição, esquecimento, frieza, vazio, morte (palidez da morte) conotações que, contudo, não chegam a invalidar o seu sentido positivo. 

Negativamente, é certo, podemos falar que "deu branco" quando nos esquecemos de alguma coisa ou que levantar a bandeira branca é entregar os pontos, render-se. Em branco é expressão que designa não se haver dormido (fiquei em branco a noite toda), não haver aprendido (passei em branco todos aqueles anos de estudo) ou nada comido (saí da mesa em branco, de estômago vazio). O adjetivo branquelo é pejorativo, indicando um indivíduo de pele clara e fracote, que deixa a desejar. Ficar branco de medo é expressão que equivale a amarelar, perder a coragem.

Em várias tradições, sonhos com cavalos brancos e pressentimentos da morte aparecem unidos. Lembremos ainda que na literatura fantástica os fantasmas são representados sob formas brancas ou vestidos de branco. Uma figura importante desse mundo fantástico na tradição europeia é a famosa Dame Blanche.

DAME BLANCHE
A Dame Blanche é uma aparição feminina vestida de branco que pertence à classe das fadas. Em alguns países europeus ela entra sobretudo em histórias tristes, como a que nos fala de uma Dama que vivia em torno do palácio dos Bourbons, na França, aparecendo sempre que um príncipe estava para morrer. Há uma história, narrada pelo político Malesherbes, sobre a famosa Dama. Ele nos conta que Luís XVI, no dia anterior ao de sua condenação à morte, lhe perguntara se ela, a Dame Blanche, não fora vista por alguém. 

O mesmo ocorre na Alemanha. Uma tradição alemã afirma igualmente que sempre que uma mulher vestida de branco varria as salas de palácios uma infelicidade se abatia sobre a família real. Assinalemos que o tema da Dama de Branco (1825) deu origem a uma famosa ópera de mesmo nome; foi composta por Boieldieu, inspirada num tema de Walter Scott, escritor inglês.

O branco, positivamente, é a cor da iniciação, do noviciado, usada pelo neófito ou pelo candidato (candidus é palavra latina que significa branco cintilante). Candidato, na Roma antiga, era o vestido de branco que se apresentava como aspirante à glória ou à imortalidade.  Nessa condição, o branco aparece nos ritos de passagem como o batismo, a confirmação (no catolicismo, sacramento administrado por um bispo ou por delegação papal, por um padre, através do qual a graça conferida ao cristão pelo batismo é fortalecida e aperfeiçoada; ratificação do batismo, crisma), o casamento, situações em que a cor se associa a estados de pureza, luminosos e alegres. 

Como cor da santidade, da espiritualidade, da verdade e da revelação, o branco foi usado pelos druidas, os sacerdotes celtas, e por outras classes sacerdotais, tanto no mundo cristão como não-cristão, este chamado pagão. Com idêntico sentido sagrado, o branco era usado também pelas vítimas sacrificiais. 

O branco, antítese do negro, é muitas vezes considerado como uma “não-cor” porque é uma mistura perfeita de todas cores do espectro luminoso. Os antigos egípcios, por exemplo, sempre procuraram envolver os seus mortos com um grande lençol branco (cor da divindade) para mostrar que a morte livrava a alma pura do seu invólucro carnal, perecível.

Participam do simbolismo do branco como emblemas da pureza, da castidade e da virtude, a maior parte dos símbolos usados nas várias civilizações, desde a antiguidade, símbolos como o das vestimentas dos comungantes, das noivas, feitos com tecidos de linho ou dos buquês de flores de laranja que elas carregam nas mãos, dos lírios que enfeitam os recintos sagrados, de objetos feitos com marfim etc.

É oportuno lembrar que, dentre as seis cores básicas, três, o azul, o amarelo e o vermelho, são fundamentais. Três outras resultam da mistura de duas destas. O verde (azul mais amarelo), o laranja (vermelho mais amarelo) e o violeta (azul  mais vermelho). A síntese destas cores nos dá o branco. Não é por acaso, aliás, que todas as cores que ocupam um lugar privilegiado no simbolismo tradicional, desde os tempo mais remotos da  humanidade,  tiveram sempre o mesmo significado em todos os povos. 

A linguagem dessas cores, nesses povos, esteve sempre ligada ao mundo religioso, desde a antiga Índia, passando pela China, pelo Egito, pela Grécia, por Roma, alcançando a Idade Média e chegando aos tempos atuais, tudo como se pode constatar por uma análise mais cuidadosa dos Vedas, das pinturas dos templos egípcios e chineses, dos livros em zende do antigo Irã, dos vitrais das catedrais góticas envolvidos pelo branco etc.

Através dos sentimentos que nos despertam a antipatia e a simpatia dentre as muitas tonalidades de cores que esse mundo do passado nos revela, além de outras informações, é claro, podemos certamente chegar ao entendimento de como tudo isso vive magnificamente até hoje em nós.  

Nesse e noutros sentidos, a cor branca nos remete à dialética do Um e do Todo, sendo usada para designar a aparição da primeira luminosidade quando a noite deixa de ser noite. Dá-se, aliás, o nome de alba, alva, aurora, a essa primeira luz que antecede o aparecimento Sol. Alva ou alba era também o nome da comprida veste de pano branco usada pelos sacerdotes em muitas cerimônias religiosas. O mesmo nome era aplicado à túnica branca que os condenados à morte vestiam quando levados para o patíbulo.

EOS
Na mitologia hindu, é uma deusa branca que traz a aurora (claridade que aponta para o início da manhã antes do nascer do Sol) chamada Ushas ou Ahana, isto é A Iluminadora. Entre os gregos, é a deusa Eos (nome que etimologicamente significa brilhar), irmã de Hélio (O Sol) e de Selene (A Lua). Entre os romanos, a deusa tem o nome de Aurora, palavra que os antigos romanos associavam a aurum (ouro), em razão do colorido áureo do céu que antecede o nascimento do Sol. Jovem de deslumbrante beleza, de dedos cor-de-rosa, pálpebras de neve, estava encarregada de abrir todas as manhãs as portas do céu para o carro solar poder entrar.

A alba, um dos estágios da Obra alquímica, é chamada pelos alquimistas de albedo, antecedendo-a a escuridão, a nigredo. Na mesma sequência, depois do albedo temos citrinitas, fase que corresponde ao amarelado luminoso da luz solar, e finalmente temos rubedo, fase que corresponde à luz solar no alto do céu, o Sol a pino, ou seja, o meio-dia, fase em que as sombras desaparecem. 

As imagens acima, nigredo, albedo, citrinitas e rubedo foram usadas por alguns estudiosos de símbolos para representar, respectivamente: a primeira, o caos, a ignorância, a inconsciência ou a indeterminação; a segunda, os níveis iniciais do conhecimento, início da vida consciente; a terceira, o conhecimento numa etapa mais avançada, consciência mais evoluída; e a quarta, o conhecimento pleno, a consciência total. É neste sentido que se pode entender porque a cor branca representa a passagem do inconsciente para o consciente e porque ela representa também a cor que antecede a aparição da multiplicidade. Todas estas imagens, que descrevem o caminho do Sol, como se pode ver, simbolizam o caminho da consciência.

Em quase todas as tradições mítico-religiosas, o branco simboliza a inocência do paraíso original sem nenhuma influência perturbadora. É por essa razão que, em numerosas culturas, vestes brancas (ou que não foram tingidas),são as roupas dos religiosos, indicando-nos elas também pureza e verdade.

No cristianismo primitivo, aquele que ia ser batizado usava roupas brancas assim como o sacerdote que ministrava o sacramento. Eram também vestidas de branco as almas salvas do Inferno, indicando-se dessa maneira o seu estado virginal, imaculado. Na simbologia do Vaticano, a transfiguração, a glória e o caminho do céu são os valores simbólicos ligados às vestes brancas do Papa. É nessa perspectiva também que a terceira pessoa da trindade cristã, o Espírito Santo, sempre foi representada por uma pomba branca. Na antiga Grécia, lembremos, Pitágoras, criador de uma importante seita religiosa, que pregava a reencarnação e defendia o vegetarianismo, recomendava aos cantores de hinos sagrados que se vestissem de branco. 

Na simbolopgia chinesa, porque associado à palidez da morte, o branco é a cor da velhice, do outono, do oeste, da infelicidade, do luto. É nesse sentido que o branco lívido se opõe ao vermelho e que se torna a cor dos vampiros que procuram o sangue ausente de seu corpo. Nefasto neste caso, o branco é a cor das mortalhas e de todos os espectros e aparições. 


KWAIDAN, MULHER DA NEVE
(KWAIDAN, FILME DE KOBAYASHI)
De um modo geral, porém, a valorização do branco é positiva. Ele é principalmente a cor de todo aquele que busca uma iniciação. É assim atributo do candidato (cândido é o de muita alvura, como se disse), do postulante, daquele que quer ser escolhido, que quer mostrar o seu valor, elevar-se. O branco positivo entre os celtas estava reservado à classe sacerdotal, os druidas. Além deles, só o rei tinha direito às vestes brancas. 

Nos céus, o branco do leste (oriente) é a cor do retorno, o branco das auroras, quando a abóbada celeste reaparece ainda vazia, mas rica potencialmente de manifestações. Todo o simbolismo ritual do branco decorre desta observação da natureza, do céu; foi a partir desta observação que todas as culturas humanas construíram os seus sistemas filosóficos e religiosos. 

Todas estas considerações nos permitem entender que o negro, por oposição ao branco, é a cor do caos, que antecede toda existência: é o negro que dá origem ao dia, à luz, pois, como todos os mitos e religiões nos revelam, no começo tudo era escuro e silencioso. Dotado de virtudes prolíficas, deste caos, desta escuridão, num determinado momento, emergiu a claridade, a luz apareceu. 

HEMERA
Foram estas imagens que, transpostas para a psicologia, nos explicaram que o consciente (luz), emerge do inconsciente (escuridão), o verdadeiro reservatório das nossas possibilidades existenciais. Tomar consciência é, assim, tirar da escuridão. Os antigos gregos já tinha nos deixado nos seus mitos todas estas referências. Nix, a deusa da noite, das trevas de cima, e seu irmão Érebo, as trevas debaixo, infernais, camada intermediária do Hades (Inferno), unidos, deram origem a Hemera, o dia.

Foi a partir destas representações que os antigos gregos e celtas sempre consideraram a noite como o começo do dia (a escuridão dando origem à luz); para eles a noite simbolizava o tempo das gestações, das germinações, das conspirações, de tudo afinal que iria se manifestar quando o dia nascesse. Psicologicamente, entrar na noite é mergulhar na indeterminação; sair da noite é entrar na luz, determinar-se.

Para designar o branco brilhante dos cabelos dos idosos, a língua latina criou a palavra canus, de onde saiu, para nós, o verbo encanecer, sinônimo de envelhecer, tornar branco pouco a pouco, antecedido pelo verbo agrisalhar e pelo nome grisalho, que vem de gris, cor chegada ao cinza, intermediária entre o negro e o branco. 

LEUCÓCITOS
Quanto às palavras, alargando-se, assim, o nosso vocabulário, lembremos que gregos e latinos, respectivamente, com o seu branco, leukos e albus, nos deram muitas palavras em português. Quanto aos gregos, principalmente na área médica, lembremo-nos de leucócitos (glóbulos brancos), leucócomo (que tem cabelos brancos), leucodermia (deficiência de pigmentação, problemas que podem ir de pequenas manchas brancas ao vitiligo), leuconiquia (descoloração esbranquiçada das unhas) etc. Já quanto a albus, dos latinos, registre-se albinismo (ausência total ou parcial de pigmentação da pele, dos pelos, albido (em que predomina a cor branca, alvadio, esbranquiçado), albiduria (emissão de urina muito clara ou branca) etc. 

Ainda quanto às palavras, ocorre-nos titânio,  designação de produto usado na indústria química como corante para a obtenção da cor branca em tintas,  papel, esmalte, cerâmica e muito mais. A propósito, lembremo-nos que, na mitologia grega, Zeus, o maior dos deuses, símbolo da luz, venceu os titãs, representantes do obscurecimento, da desordem, das trevas, do caos.

Embora aumentem em nossa língua as referências a matizes do branco (branco neve, branco sujo, branco lívido, branco champanhe, branco marfim, branco nude, branco off white, branco rosa pó, branco pérola, branco âmbar etc.), salientemos que jamais chegaremos perto dos esquimós que conseguem identificar dezenas de tonalidades da cor no mundo em que vivem.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

ASTROLOGIA E SAÚDE - IV


MARTE  ,  DEUS  DA  GUERRA

Marte – Este planeta tanto energiza e ataca quanto defende. É força de natureza expansiva e, como tal, pode repelir qualquer coisa que ameace ou ataque o corpo. Atua no sentido contrário de Vênus, de Saturno e de Netuno. O primeiro procura harmonizar, atenuar, é emoliente; o segundo limita, causa obstrução, impede, freia; o terceiro, desorienta, prostra, anula, é comatoso. Marte é o grande responsável pelas inflamações, nada mais que respostas do nosso corpo a ataques. Ele isola a área atacada (coágulos de fibrina) e “convoca” os leucócitos (Vênus) para participar da defesa (defesa imunitária). O ferro é o metal de Marte, responsável pela formação da hemoglobina.


ALIMENTOS   RICOS   EM   FERRO

Marte rege a cabeça, a orelha esquerda, a face, o sistema nervoso encefálico, o ferro no sangue, o nariz, os músculos, a ação, uma parte importante dos hormônios masculinos, gerados, juntamente com Plutão, pelas glândulas que os produzem. Um Marte dignificado será sempre um fator bastante positivo para a cura.


Enquanto Vênus debilitado por posição e/ou por aspecto tende a amolecer, a tornar flácido, a corromper, Marte, na mesma situação, será sempre um fator de violência (febres, inflamações, feridas etc.), de intensificação, levando ao acme (fase crítica em que uma enfermidade atinge maior grau de intensidade). 

A função suprarrenal, o calor do corpo, o tecido muscular, os tendões, os órgãos sexuais e a função sexual são dele, juntamente com Plutão, este sempre exaltado em Áries. São também de Marte, como se disse, a hemoglobina, a fibrina e os leucócitos (enquanto participam dos processos de defesa imunitária do organismo). O acidente, o ferimento, a operação e o cirurgião, quando necessários, são dele também. Excitante, febril, comburente, Marte é causador de acidentes, de infecções, facilitando contágios diversos e levando ao esgotamento. Abcessos, antrazes, icterícia, envenenamento do sangue, lesões do sistema cérebro-espinhal, dos músculos, dos órgãos genitais externos. São de Marte e/ou de Saturno (em mau aspecto com Vênus, às vezes com a participação de Plutão) também, como se disse, muitas moléstias de pele, erisipela, eczema,  psoríase, vitiligo, foliculites, piodermites, acne, rosácea, alopecias etc. Saturno, como sabemos, pode se constituir também em outro grande “inimigo” da pele. 

Mais: são de Marte a parte cortical da glândula renal, os órgãos geradores masculinos, os nervos motores, os órgãos excretores, a testa, o nariz, os músculos e seus movimentos, o segmento motor da coluna, o reto, a eliminação; a distribuição do ferro e a matéria corante do sangue, o hemisfério cerebral esquerdo, a produção da energia por combustão e as oxidações.


Enfermidades e/ou males marcianos: as infecciosas, as contagiosas, as febres eruptivas, a hipertensão arterial, as hemorragias internas, as congestões, as inflamações, as concussões, os acidentes, as lesões, os escaldamentos, as escarificações, as excrescências, as hemorroidas, as fístulas, os ferimentos nasais, os sangramentos, as rupturas de vasos etc.

Exemplos, sempre se considerando Marte debilitado: Marte em Câncer, acidez no estômago, úlcera, operação dos seios etc. Marte em Gêmeos, fraturas nos braços e nas mãos, bronquite febril, pleuris seca. Marte em Leão, angina do peito, lesões na coluna vertebral. Marte em Sagitário, ciática, flebite, ferimentos nas coxas ou nos quadris. Marte em Capricórnio, reumatismo articular febril, erisipela, ferimentos nos joelhos. Marte em Aquário, ferimentos ou amputações abaixo dos joelhos, fraturas nos tornozelos etc. Evidentemente, todas estas indicações deverão ser confirmadas pelo exame das restantes combinações planetárias de cada mapa em que ocorram. 

A presença de Marte num mapa (signo ou casa), com raras exceções, mesmo muito dignificado, sempre será um indício de que ferimentos, lesões ou doenças possam acontecer nessa área. Deverá o planeta ser observado sempre. No caso aqui aventado, de Marte dignificado poder causar problemas, os infortúnios sempre poderão ocorrer, mas o dono do mapa os experimentará, via de regra, de modo mais leve, recuperando-se, em muitos casos, com certa rapidez.

Quando Marte, como regente do ascendente, está fora de seu domicílio, ele sempre indica que algum tipo de problema poderá ocorrer na área em que se encontra. Nas casas relacionadas com males que podem atingir o corpo físico (6, 8 e 12) e também na casa 7, a mais distante do ascendente, Marte (e o Sol também) sempre tendem a diminuir a vitalidade. 

Se Mercúrio e Júpiter têm a ver com a escolha de tratamentos e de profissionais médicos (clínicos), Marte é o significador do cirurgião. Quando num tema temos indicações de probabilidade de alguma intervenção cirúrgica, a configuração marciana deverá ser analisada.

Basicamente, a ação de Marte é sempre centrífuga, inflamatória, intensa e exasperante. No organismo humano ela sempre se
BOXE  ,  ESPORTE  ( ? )  MARCIANO
mostrará sob a forma de energia muscular, combatividade mental, teimosia, raiva, desejo veemente, ação intempestiva, aceleração, febres, ferimentos e males agudos. Sob o ponto de vista médico, Marte é tonificante, temperamentalmente colérico, o que na atmosfera corresponde ao calor e a tempestades. Sob o ponto de vista profissional, é o soldado, o industrial, o cirurgião, o açougueiro, o metalúrgico, o fabricante de armas.


Enquanto Vênus representa uma força passiva, Marte é uma força ativa voltada para a expansão, tendo a ver, portanto, com todos os hormônios masculinos, de modo especial com a testosterona, responsável pela manutenção ativa das principais características masculinas, voz grossa, normal distribuição de pelos pelo corpo, massa muscular, produção de espermatozoides e libido.

Uma das regras astrológicas fundamentais, sempre proclamada como das mais importantes por todos os grandes astrólogos, desde a antiguidade, é a de que "planetas domiciliados não causam prejuízos". Diz-se que um planeta se encontra domiciliado quando as forças do signo e as do planeta cooperam harmoniosamente, apresentando grande sintonia. A prática astrológica demonstra, todavia, que nem sempre é assim. Há muitos casos em que mesmo domiciliado um planeta pode prejudicar, causar problemas, especialmente quando pensamos nos significados essenciais de Marte e Saturno, conhecidos como Infortúnio Minor e Infortúnio Major, respectivamente. Restrinjo-me aqui tão só a apresentar esta minha observação, escusando-me por não discuti-la amplamente a fim de justificá-la, o que demandaria muito espaço. Peço, contudo, àqueles que se dedicam à prática astrológica que verifiquem por si mesmos o que aqui se expõe nesse sentido. 

Cabe apenas lembrar, em abono ao que está acima, que a história nos deu muitos exemplos de tipos marcianos, que tinham Marte
ÉMILE   ZOLA
domiciliado ou exaltado em suas cartas astrológicas, tipos que, embora grandes realizadores nas suas respectivas áreas de atuação e respeitados por isso, nunca foram modelos de ação justa e de convivência afável. Cito alguns: Émile Zola (cinco planetas no signo de Áries, Sol, Lua, Mercúrio, Marte e Plutão), Stéphanne Mallarmé (Marte domiciliado no ascendente), Francisco Goya (Sol, Mercúrio, Vênus e Marte em Áries), Marlon Brando (Sol, Lua e Mercúrio em Áries, Marte exaltado em Capricórnio) etc.



AYRTON   SENNA
O mapa astrológico de Ayrton Senna é muito ilustrativo do que neste item se expõe sobre Marte. Ayrton tinha o ascendente em Aquário e o Sol em Áries na terceira casa, a dos caminhos, das estradas. Áries e Aquário, como sabem inclusive os astrólogos iniciantes, são os dois signos que mais inclinam os seus nativos, pelo Sol ou pelo ascendente, a correr riscos, a ultrapassar limites. Marte, situado a cerca de 21º de Aquário, dispositor do Sol, recebia uma oposição de Urano, regente do ascendente, posicionado em Leão, na sétima casa. Marte faz o papel nesse tema de astro hyleg, exercendo Urano as funções anaréticas, nenhum planeta funcionando como afeta (protetor). No dia 1º de maio de 1994, domingo, em Ímola, na Itália, mais uma competição. Mercúrio, no tema de Ayrton, regente da oitava casa, a da morte, juntamente com o Sol, transitavam pelos 11º de Touro, na quarta casa (a do princípio e fim da vida), ativando por quadradura a oposição Marte-Urano. Claras as indicações do grave perigo que Ayrton Sena corria nesse dia. Não deu outra: seu carro se chocou contra um muro de concreto (material governado por Saturno), sendo a sua caixa craniana (região governada por Marte) perfurada pelo braço da suspensão do seu carro. Ayrton Senna morreu na estrada. 


JÚPITER  ,   O MAIOR   DOS   PLANETAS

Júpiter – Representa os princípios superiores que nos devem orientar na vida, inclusive os de natureza médica. É considerado protetor, generoso, otimista, sustentador, pletórico. Tem o planeta relação direta com as propriedades nutritivas e protetoras do sangue, com o sistema arterial (muito próximo de Aquário-Urano, por isso). Rege os quadris, as coxas, o fígado, e se relaciona com a desintoxicação, a utilização da gordura absorvida (metabolismo da gordura) e com a produção da ureia, do ácido úrico e da bile. Associado a Urano, que tem a ver com o ritmo cardíaco, Júpiter rege o fígado, o baço, a vesícula biliar, a transformação dos açúcares, a atividade química do corpo, o sangue (com Marte). As doenças de Júpiter produzem desordens sanguíneas, problemas no fígado, hemorragias, hiperglicemia etc. 

São de Júpiter: o fígado, os pés, as costelas, as coxas, as suprarrenais, a circulação arterial, o plasma sanguíneo, o glicogênio, a fibrina do sangue, as gorduras, a assimilação da nutrição, o desenvolvimento celular. Suas enfermidades: males devidos a excessos alimentares, moléstias pulmonares (ação reflexa), impurezas do sangue, adiposidades, obesidade, transpiração excessiva, apoplexia, distúrbio circulatórias, flatulência etc. 


JÚPITER, O MAIOR DOS DEUSES
Ao contrário de Saturno, que age por bloqueios ou carências, Júpiter, nas suas aflições, é sempre dilatador, expansivo, excessivo. Nesse sentido os órgãos supranumerários têm sempre a ver com ele; a palmatura é dele também. Mercúrio, quando em mau aspecto com ele, causa problemas intestinais ou pulmonares. A relação Vênus, Júpiter, Saturno e Plutão costuma causar problemas prostáticos (câncer). A relação desarmônica Júpiter-Plutão, segundo o sexo, se associa a tumores na próstata ou no útero (em grego, prostates, quer dizer protetor). Maus aspectos a Júpiter, provenientes do Sol, da Lua e de Vênus, inclinam à bulimia (acessos de hiperfagia), à gula exagerada, a abusos em geral, causando, dentre outros, males como adiposidades, dilatações do estômago, hipertrofia do fígado e do coração. 

Muitos dos principais problemas de saúde provocados por Júpiter não estão ligados aos órgãos de nutrição (salvo uma relação desarmônica entre ele, a Lua e Vênus), mas aos órgãos do metabolismo, da assimilação, da combustão e das reservas. O fígado é o primeiro a ser observado; é o lugar onde “depositamos”
OBESIDADE   VISCERAL
excessos. A gulodice, já se disse, é o pecado capital dos jupiterianos; abundância alimentar, degustações de pratos ricos, tudo contribuindo para que o fígado receba grandes quantidades de gordura. Não metabolizadas, estas gorduras vão engrossar a silhueta, levando à obesidade, produzindo uma das marcas características do jupiteriano descontrolado, o ganho de peso abdominal, produzindo a chamada obesidade visceral (esteatose, degenerescência gordurosa de um tecido), também conhecida como “barriga de cardeal”.


Os distúrbios físicos provocados por Júpiter são muitas vezes, porém, compensados (não fosse o planeta a Fortuna Major), pelos tipos que se enquadram no modelo acima mencionado, por uma atitude otimista, brincalhona e folgazã diante da vida e de suas dificuldades. Longe de um tipo desses se abater por isso, ele continua sempre alegre e otimista, constituindo-se muitas vezes num sucesso social, pois nada mais distante dele que um misterioso e fechado escorpiano ou um taciturno e rabugento capricorniano.


TOULOUSE- LAUTREC
O mapa do famoso pintor Henri de Toulouse-Lautrec é um bom exemplo para o estudo do planeta Júpiter. Embora domiciliado, o astro não “conseguiu” protegê-lo (oposição Marte-Júpiter). Resultado: na juventude, em dois anos seguidos, fraturou sucessivamente as coxas; operações mal sucedidas e problemas de calcificação impediram-no de crescer (1,50 m. de altura).


Saturno – Frio, seco, lento, denso, maléfico (Infortúnio Maior, segundo os astrólogos medievais), rege o esqueleto, os ossos, as cartilagens, os joelhos, as articulações, os dentes, os cabelos, as
ARTROSE
unhas, a pele, a bexiga, a orelha direita. Saturno tem a ver com a velhice, a morte, a experiência, o sofrimento, as dietas, o desgaste, a coação, a perda, as carências em geral, os estados crônicos, as obstruções, as cristalizações, o poder dos mais velhos. São dele reumatismos, artroses, calcificações, a hipotensão, catarros, resfriados, cáries, tuberculose, lepra, surdez, sinusite, doenças da pele, saturnismo etc.


Mais: são de Saturno a parte medular da glândula renal, a paratireoide (relação entre PTH e cálcio), os joelhos, os dentes, as unhas, os órgãos e o sentido da audição, o esqueleto, os depósitos minerais, os endurecimentos, a bexiga, Doenças mais comuns: males crônicos, doenças dos ossos (osteomielite,
DEPRESSÃO  SATURNINA
tuberculose vertebral (o chamado mal de Pott: espondilite deformante de origem tuberculosa), fraturas, raquitismo etc.), quedas, contusões, esmagamentos, calcificações, cálculos renais e biliares, herpes, verrugas, calosidades, surdez, cáries dentárias, resfriamentos, inibições funcionais causadas por estados e temores mórbidos, debilidades, depauperamento, retardamento metabólico e nutritivo, melancolia, esquizofrenia, angústia, atrofias, impotência, dramas de consciência, complexo de culpa, masoquismo, nevralgias crônicas etc.


Saturno enaltece os valores da gravidade, lembrando sempre abrandamento, fixação, condensação, mineralização, estruturação. Quando pensamos na fisiopatologia, ele tem relação com os processos de inibição, carência, impotência, esterilidade, retenção, esclerose, atrofia, paralisia, regressão e envelhecimento. Quanto ao caráter, ele aponta para a introversão, a secundariedade (respostas mais lentas a estímulos) e estreitamento da consciência, atitudes conservadoras etc. 

Saturno pode revelar também problemas (insatisfação) provenientes do nosso estágio oral, alimentar (complexo do desmame) ou afetivo (frustração afetiva). Dois tipos capricornianos podem então se mostrar: um é ávido, possessivo, obstinado, concentrado, ambicioso; o outro é indiferente, insensível, anoréxico, frugal, apagado.

Positivamente, Saturno é responsabilidade, dever, erudição, resistência, respeito, paciência. Se Júpiter é o impulso que nos leva a buscar alguma coisa mais elevada e distante, Saturno, além de definir não só o que será isso para cada um de nós,  estabelece as regras, os valores e as responsabilidades que podem (devem) ser compartilhados igualmente por todos. Por isso, Júpiter e Saturno são considerados como planetas da vida social. 

Saturno indica, no geral, um temperamento nervoso, frio, áspero, denotando geralmente muita resistência. O tipo saturnino superior, por causa dos seus hábitos morigerados e de sua disciplina, consegue economizar muito de sua vitalidade, podendo durar muito por essa razão. 

Aflito em Leão, o planeta sugere problemas na coluna vertebral, males cardíacos. Em Gêmeos, problemas ósseos nas mãos e braços, tuberculose, enfisemas. Mal aspecto com a Lua, Saturno afeta a digestão, pode causar problemas menstruais; no plano do psiquismo, frieza emocional no ambiente familiar (mãe), solidão. Com Marte, perigo de ossos quebrados, fraturas, ferimentos na pele, problemas dentários etc. Em qualquer lugar num mapa, mesmo dignificado e bem aspectado, Saturno deve ser observado com atenção.

PAUL   CÉZANNE
O mapa astral de Paul Cézanne, gênio da pintura, deixa claro para nós o quanto esse capricorniano de tipo Saturno-Marte, irritável e rabugento, preferiu o isolamento, fechando-se sobre si mesmo, para produzir uma das maiores obras pictóricas de todos os tempos.



RICHARD   WAGNER
O que disse de Marte, como Infortúnio Menor, que mesmo domiciliado pode causar muitos problemas, é válido para Saturno, Infortúnio Maior. Mesmo domiciliado, também pode oferecer vários problemas. Como exemplo, cito o caso de Richard Wagner, que possuía Saturno domiciliado no Meio do Céu. Isto lhe dava, além de um grande poder de concentração quanto à sua carreira, uma desmedida ambição não conduzida muito corretamente.